sábado, 23 de junho de 2012

Bizarro

Ontem, conversando com professoras sobre esta polémica em torno do exame nacional de Português do 12.º ano, lembrei-me de uma aluna que, na manhã da prova, me perguntou o seguinte:

- Stôra, se sair que tenho de escrever entre oitenta a cento e vinte palavras, quantas palavras escrevo?

Nem queria acreditar na questão, mas lá lhe respondi que escreveria um qualquer número de palavras desde que esse número se situasse entre oitenta e cento e vinte.

Pensei que não haveria dúvidas, embora soubesse que esta menina é dada a ultrapassar à grande e à francesa os limites de palavras impostos pelo enunciado. Contudo, antes do final da aula de revisões, lá voltou à carga:

- Stôra, mas se puserem entre oitenta e cento e vinte palavras, escrevo quantas palavras?

A minha alma estava parva. Disse-lhe:

- Escreves oitenta, oitenta e uma, oitenta e duas, oitenta e três, oitenta e quatro, oitenta e cinco, oitenta e seis, oitenta e sete, oitenta e oito, oitenta e nove... Qualquer número desde oitenta até cento e vinte.

Já a arrumar pergunta-me o mesmo e foram as colegas que a levaram dali porque acharam também aquilo tão bizarro que resolveram calar-lhe o pio. Honestamente, já me perguntaram coisas tolas, mas aquela na manhã de um exame bateu tudo. Se me pergunta isto para o exame de Português, imagino como terá feito o de Matemática. Caramba, vê-se cada coisa...

2 comentários:

  1. Respostas
    1. É uma coisa trágica porque esta menina, bem vistas as coisas, nem Matemática nem Português já que além de não saber contar de 80 a 120, também não consegue perceber um enunciado escrito em bom Português. No final do 12.º ano isto é assustador. :S

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