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segunda-feira, 28 de março de 2016

Olhando para livros XXV

41. Balanço do passatempo

Se olharmos bem à nossa volta, fala-se muito pouco de livros. Na televisão quase nunca, nos jornais cada vez menos, assim como nas revistas e na rádio. Os livros são, cada vez mais (ou assim parecem), um prazer proibido, mudo, raramente partilhado. Assim, todos os espaços em que ainda possamos falar deles são bem-vindos. Mesmo que o espaço seja um blogue pouco conhecido, com algumas visitas que provavelmente até se fartam de ver tantas vezes a palavra "livro" nos seus textos.

Este passatempo que agora chegou ao fim teve isso de bom: trouxe para o dia-a-dia de alguns blogues aquilo que é uma paixão não apenas minha, mas nossa. Pode até, em alguns momentos, ter pecado por ser repetitivo, mas acho que soubemos dar a volta ao assunto e, mesmo quando era inevitável repetir a referência a um autor ou a um título, acrescentar novos aspectos interessantes e novos pontos de vista.

Foram quarenta dias em que olhámos particular e profundamente para alguma coisa que faz parte da nossa vida de todos os dias. Confesso que tive de ir algumas vezes para junto das estantes para procurar uma resposta ao desafio do dia. Nem sempre me lembrei à primeira das personagens a referir ou do livro a seleccionar. Convenhamos que já lá vão muitas páginas, muitos títulos e, por isso, aqueles que não ficaram irremediavelmente na memória precisam de alguma ajuda para regressar. Mas até esse esforço extra (que só pecou por calhar em altura de muito trabalho) foi bom. Parar e pensar em livros nunca é mau e só faz bem. Dos passatempos literários em que participei, este foi, talvez, o mais completo. 

Agora termina, mas os livros terão aqui sempre lugar. Nem este blogue existiria sem eles.

sábado, 26 de março de 2016

Olhando para livros XXIV

40. Próximo livro a ler

Já aqui disse que quando tinha menos livros era fácil. Sabia sempre o que leria a seguir. Parecia que havia assim uma espécie de força que me puxava para o livro seguinte. Depois a avalancha foi tal que agora nunca sei o que ler depois de terminar um livro e passo muito tempo sentada a olhar para as estantes a ver se algo me ocorre. Enfim... Por hoje tenho duas hipóteses, mas provavelmente acabarei a escolher outra coisa qualquer.



Nota: As imagens das capas sairam da página da Wook.


quinta-feira, 24 de março de 2016

Olhando para livros XXIII

Ora vamos cá retomar o passatempo que tem estado parado.

37. Melhor local para ler

Cama, sofá e autocarro. A minha santíssima trindade da leitura. Hoje também consegui no cadeirão da varanda, com o gato no cadeirão do lado, mas adormecemos os dois e devemos ter dado um belo espectáculo aos vizinhos do prédio em frente.

38. Livros em papel ou em formato digital

Para responder a esta questão, remeto-vos para duas quixotadas antigas em que já dissertei longamente sobre o assunto, ainda sobre o Kindle mais antigo e sobre o que tenho agora, o Kindle Paperwhite.

39. Último Livro Lido


Assim que me lembre, foi este. Faltam-me duas ou três páginas do Robinson Crusoe (leitura de autocarro) e estou em grande na leitura de Um Homem de Partes.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Olhando para livros XXII

36. Frases que ouves enquanto leitor

Ouço coisas como "Outro? Mas já leste os outros todos?!". Porém, tenho de confessar que tal frase vai sendo cada vez mais rara porque quem convive comigo sabe que já não há volta a dar: por muitos livros que tenha, vai faltar-me sempre mais um. O mercado editorial não pára e, embora eu não goste de tudo (e seja até bastante esquisita), há sempre qualquer coisa nova que gostaria de ter. Já tentei dedicar-me só aos livros que já tenho e pôr de lado a ideia de comprar mais, mas depois as pechinchas batem-me à porta...

Também costumo ouvir algo como "Deixa-me adivinhar: vais ler.". Normalmente adivinham mesmo porque tento aproveitar os meus quase inexistentes bocadinhos livres para ler. E, já aqui falei sobre isso, gostava mesmo muito de conseguir dedicar mais tempo a esta atividade que faz maravilhas pelo meu cérebro.

Falando nisso: vou ali ler um bocadinho. Um Homem de Partes, de David Lodge, está a ser bastante interessante e como já estou na caminha, um livrinho vem mesmo a calhar. Até amanhã!

sábado, 19 de março de 2016

Olhando para livros XXI

Mais uma vez a semana foi complicada. Aliás, a última semana de um período lectivo é sempre a pior e por isso não pude vir aqui cumprir com a minha participação no desafio literário a que aderi. Deixarei agora aqui as questões que estão em atraso.

31. Personagem secundária que merecia um livro só dela

Não sei muito bem o que responder a isto, mas creio que qualquer das personagens com quem a Alice  (de Alice no País das Maravilhas) se encontra dariam um excelente livro. 

32. Personagem literária para a qual escreverias um livro

Não escreveria para nenhuma, pois não tenho talento para tal coisa e as personagens não merecem tão mau tratamento.

33. Personagem literária que não quererias encontrar num beco

Fácil: Heathcliff, de O Monte dos Vendavais. Talvez a personagem mais cruel que já encontrei num livro.

34. A importância da capa de um livro

Para mim as capas são importantes, sobretudo quando falamos de livros novos, acabadinhos de sair. Se for com edições velhas, compradas em feiras de antiguidades, as capas não me importam tanto, já que muitas vezes revestem livros que já mal se encontram e, aí, a capa é aquilo com que menos me preocupo. Mas em livros que foram editados agora, uma má capa (assim como uma mau tamanho e tipo de letra) consegue demover-me da compra. É raro desistir de um livro por a capa ser tão má, mas por exemplo, nunca comprei este do Thomas Hardy por achar a capa medonha e por me recordar tanto os romances cor-de-rosa que ODEIO.



35. Pior hábito enquanto leitor

Acho que o meu pior hábito enquanto leitora é mesmo a lentidão. No fundo, leio como como: lentamente, saboreando. E o resultado é que acabo a não conseguir ler num ano tantos livros quanto gostaria. Há alturas em que consigo acelerar mais um bocadinho, mas de um modo geral sou assim: lenta. 

Tenho muito cuidado com os meus livros, mas às vezes acontece ficarem um bocadinho “imperfeitos” de tanto me acompanharem na mala para todo o lado. Se gostar muito do livro (se não for um dos que queira vender a seguir), pouco me importa, pois é sinal de que passei por ele e de que o livro passou por mim. Às vezes tendemos a adorar estes objetos e a usá-los quase com luvas, não nos atrevemos a tomar notas nas margens nem nada que se pareça. Mas eu acredito que os livros gostam dessas coisas porque assim são verdadeiramente vividos e desfrutados. Um dia morrerei e os meus livros ficarão todos cá. O que importa se ficam imaculadinhos, sem as frases de que gostei sublinhadas? Parecerão os livros de ninguém e... nada disso: são e serão os meus livros, por isso se tiverem “marcas de guerra”, são marcas de posse e de uso, o que não é necessariamente mau.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Olhando para livros XX

30. Personagem literária que nunca devia ter sido criada

Enfim, a discussão sobre o que é literatura e o que não é, sobre os seus limites e as suas características é imensa. Existem cânones literários, listas e mais listas de livros que temos de ler enquanto por cá andamos, mas depois aparece sempre alguém a discordar, a dizer que falta tal ou tal livro e que um ou outro estão a mais nas listas de imperdíveis.

Esta introdução toda deve-se ao facto de eu nem conseguir perceber muito bem se as personagens de que vou falar fazem ou não parte da literatura ou se são apenas tentativas frustradas de fazer parte do mundo literário. O pessoal das Cinquenta Sombras, seja a menina pseudo-inocente ou o tipo que lhe dá uns valentes tau-taus no rabiosque, era escusado. Nunca li a trilogia e, acreditem, não o vou fazer. Mas depois de ouvir dizer tantas coisas sobre aquilo, um dia sentei-me no café da Fnac e li umas quantas páginas. Admito: ri. Mas ri MUITO. Como é que alguém, numa descrição, consegue pôr uma personagem a fazer cinco expressões faciais incompatíveis umas com as outras enquanto fala? E pior: como é que isto vende? Como é que o pessoal que compra e lê isto não percebe que aquelas descrições são paupérrimas? Que a qualidade estética da obra é... ou melhor, não é (se é que me entendem...). Vendeu por ter sexo? Bom, assim de repente ocorre-me Henry Miller, Anaïs Nin, Marquês de Sade, o bom do Casanova... Envolvem todos uma boa quantidade de gente nua e o facto de já não serem autores de hoje prova até à exaustão que tiveram qualidade suficiente para sobreviver ao tempo. Assim, para mim, as Anastácias desta vida e os seus mauzões iam dar uma voltinha até à época feliz em que não existiam e ficávamos com o que já temos. Ou então esperamos que apareça algum autor (provavelmente até já existe e eu é que não conheço) que tenha dedos para tocar esta guitarra.

Olhando para livros XIX

Vou outra vez com atraso, mas cá vai:

29. Personagem literária que adoras odiar

Há uma personagem literária que odeio e nem sei muito bem se adoro odiá-la. É muitíssimo importante para a acção da obra em que aparece, mas é como mosca na sopa: está lá sempre e nós, que só queremos o bem do protagonista, sentimos o sangue ferver sempre que ela aparece. Falo-vos de Mildred, do romance Servidão Humana, de Somerset Maugham. É a mulher por quem ele se apaixona e que lhe vira a vida do avesso vezes e vezes sem conta. Sempre que a personagem principal, Philip, parece escolher para si um rumo novo... eis que aparece a Mildred, que não o quer, mas que também não desaparece de vez. Mas este autor é perfeito na criação destas personagens que nos inquietam. Em Mrs. Craddock temos um marido que parece o ideal, maravilhoso, aquilo que se deseja para a vida, mas que afinal... Não parece querer uma mulher, mas sim um bibelô. O autor consegue, no entanto, construir a história de tal forma que a esposa vive até ao final sem saber se afinal o problema está nela ou nele. Nem ela nem nós. É que aos olhos de todos, aquele homem é fabuloso. Se ela é a única a ver o contrário, não estará nela o problema? Isto é Somerset Maugham: o semeador de dúvidas com a construção de personagens que nos inquietam.

No romance Para Além da Morte, de Galsworthy, vencedor do Prémio Nobel em 1932, há uma personagem masculina (penso que um violinista) por quem a protagonista se apaixona e que é execrável. A sua ignorância, soberba e a perseguição que move a Gyp, a personagem principal, transtornando a sua vida e a do seu pai doente é mais do que conseguimos aguentar sem entrar no livro e bater no malfadado músico. Com isto percebem que o romance vale bem a pena. Não ficamos indiferentes àquelas personagens.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Olhando para livros XVIII

27. Personagem literária favorita

Bom... Ao vigésimo séptimo dia deste desafio, até seria estranho se precisasse de parar durante muito tempo para pensar na resposta a dar. A minha personagem literária favorita é Dom Quixote. Também gosto do Sanchito, mas o Cavaleiro da Triste Figura é A maior, melhor e mais ímpar personagem de todos os tempos. É um ‘louco’ do século XVI (quando Cervantes terá começado a escrever a obra), mas ao mesmo tempo é das personagens mais sensatas que já tive ocasião de conhecer nos livros. Diz coisas que em muitos casos ainda não ouço dizer no século XXI. Sabe o que é a liberdade e qual a sua importância, coloca o amor por um filho acima de todas as desilusões que ele nos possa dar, defende a liberdade das mulheres para decidirem o seu futuro, ainda que as suas escolhas possam fazer infelizes alguns homens. Ao mesmo tempo é a personagem que usa uma bacia de metal na cabeça, crendo ter na sua posse o famigerado elmo de Mambrino; é a personagem que põe na cabeça uma bacia cheia de requeijões e que depois pensa ter os miolos a derreter; é a personagem que entra dentro de uma jaula com um leão; é a personagem que combate contra moinhos de vento e leva uma tareia; é a personagem que solta uma série de condenados e que a seguir se vê espancado por aqueles a quem dera liberdade; é a personagem que ama uma lavradora mal amanhada e vê nela a mais bela das mulheres. Enfim, o que há para não amar nesta personagem? Nada. E amamo-la melhor lendo as suas aventuras.

28. Personagem literária que gostarias de conhecer

A personagem literária que eu mais gostaria de conhecer... Hum... Nunca tinha pensado nisso. Acho que não tendo a imaginar as personagens fora do papel e, por isso, nunca me tinha debruçado mesmo sobre o tema. Não sei, mas talvez fosse o João da Ega, de Os Maias. Parece-me um tipo porreiro e divertidíssimo. Fora esse, talvez gostasse de trocar umas palavrinhas com o Sr. José, de Todos os Nomes, e com o Bentinho de Dom Casmurro. A este último gostava de dizer-lhe que é um tonto e que a Capitú não o traiu coisíssima nenhuma. Pelo menos eu sou adepta desta posição. Contudo, nunca saberemos o que estaria na cabeça de Machado de Assis.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Olhando para livros XVII

26. Género literário favorito

Bom, sou pelo romance. Ou seja, o modo que mais me atrai é o narrativo e o género tem mesmo de ser o romance. Depois, dentro do romance gosto de ler várias coisas. Aquilo que não leio e que me recuso a ler são histórias de amor delico-doces, cor-de-rosa e enjoativas. Quem me der um Nicholas Sparks odeia-me. Quem me quiser a ler uma Danielle Steell também me detesta. Aqueles livrinhos que vêm dentro de saquinhos de tule dão-me engulhos...

sexta-feira, 4 de março de 2016

Olhando para livros XVI

Devido a dias de muito trabalho, não consegui deixar aqui diariamente as quixotadas relativas ao desafio sobre livros em que estou a participar. Seguem agora todas as que estão em falta e ainda a do dia de hoje e ficamos de contas saldadas porque... a seguir o trabalho espera-me.

22. Melhor citação (descrição)

“Mas, em volta dessas mansões altaneiras o curioso descobre os arpões emblemáticos, em ferro, que esclarecem as últimas dúvidas. Sim, todas essas casas altaneiras, todos esses jardins floridos saíram do oceano, quer do Atlântico, quer do Pacífico, quer do Índico. Foram arpoadas e arrastadas, uma por uma, desde o fundo do mar.”

in Herman Melville, Moby Dick,  ed. Relógio D’Água, p. 59.

23. Considerando que o primeiro livro da tua estante é a letra A, o segundo a letra B e por aí adiante, tira o livro correspondente à primeira letra do teu nome. Depois abre na página correspondente à soma do mês e dia em que nasceste. Qual é o quarto parágrafo?

Pode parecer que fiz de propósito, mas não. O livro é O Príncipe e o Pobre, de Mark Twain, e no quarto parágrafo da página trinta e sete diz o seguinte:

“E sorriu interiormente pensando: ‘Não foi inutilmente que, graças às minhas leituras, vivi entre príncipes e aprendi a empregar a sua linguagem elegante e florida.’”

in, Mark Twain, O Príncipe e o Pobre, Relógio D’Água, p. 37.

24. Top 5 dos escritores favoritos

Hum... Esta não é fácil. Vamos lá:
1.º Miguel de Cervantes
2.º José Saramago
3.º Gabriel García Márquez
4.º Mario Vargas Llosa
5.º Somerset Maugham

24. Top 5 das escritoras favoritas

Hum, esta ainda é pior porque infelizmente o mundo dos livros ainda está um bocadinho desequilibrado quanto ao género dos autores... Vou tentar:

1.º Emily Brontë
2.º J. K. Rowling
3.º Jane Austen
4.º Ana María Matute
5.º Matilde Asensi 

Nota: Este desafio já serviu para perceber que a maioria dos meus livros (diria que a esmagadora maioria) foi escrita por homens...


E pronto, já estou em dia. Lamento não conseguir seguir o programa de festas na data e hora certa, mas é-me mesmo impossível. Cá ficam, no fim de contas, os meus gostos literários e isso, afinal, é que importa.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Olhando para livros XV

21. Melhor citação (diálogo)

«– Eso no es el mio – respondió Sancho, – digo que no tiene nada de bellaco, antes tiene una alma como un cántaro: no sabe hacer mal a nadie, sino bien a todos, ni tiene malicia alguna; un niño le hará entender que es de noche en la mitad del día, y por esta sencillez le quiero como a las telas de mi corazón, y no me amaño a dejarle, por más disparates que haga.» [Sancho Pança referindo-se a D. Quixote] (Cervantes, 2004, II, 13, pp. 641-642)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Olhando para livros XIV

20. Sequela que nunca devia ter sido impressa

Um Mundo Sem Fim, de Ken Follet. Os Pilares da Terra era já suficientemente mal para continuar-se com a tortura.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Olhando para livros XII

18. Livro do qual nunca te separarias

Nunca me separaria dos meus livros. Já são muitos, cada vez são mais, ainda que vá vendendo alguns. No entanto, não me separaria daqueles que ainda não li e que ainda quero ler. Nem daqueles que li e que adorei. A minha biblioteca é o meu orgulho. Foi feita ao longo de anos e muitas vezes abdicando de outras coisas para poder gastar aquele dinheiro em livros.

Mas, se quiserem mesmo que escolha apenas um livro, escolho o Quixote. Escolherei sempre o Quixote.


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Olhando para livros XI

Devido ao facto de ter uma profissão que não me deixa tempo nem para suspirar, ontem não consegui deixar aqui os livros que me marcaram a infância. Ora, vou regularizar a minha situação.

16. Livro que marcou a infância

Dizer que O Principezinho também me marcou a infância pode soar a clichê, mas é verdade. E de todo o livro, concretamente a parte em que aparece um inventor de pílulas que fazem com que uma pessoa não perca tempo a matar a sede. Ao discurso do inventor, contrapõe-se o do Principezinho que diz que se tivesse o tempo poupado pela pílula, caminharia lentamente para uma fonte... Foi, claramente, o excerto que mais me tocou, de tudo o que li em pequenita. 

Mas recordo ainda outros livros, portanto, lá vem batota:


O Sonhador consistia num volume de histórias que eram fruto da imaginação do narrador. Era uma imaginação muito fértil que o levava a ver-se em situações dificilmente possíveis. Recordo-me pouco das histórias, mas lembro-me bem de chegar a casa um dia e de ver aquele livro sobre um móvel. A minha irmã comprara-mo, bem como ao Principezinho. Para quem não tinha muitos livros e gostava de os ter às centenas, era um presente divino. Nunca me esqueci (ou esquecerei) do modo como o livro veio parar-me às mãos. Isso também me marcou a infância.

Mas os livros de que mais me lembro na infância foram mesmo os desta colecção:


A dupla de BD Calvin & Hobbes também me chegou às mãos pela minha irmã e nunca mais me largou. Confesso que quando era mais pequena, não percebia todo o alcance das tiras de Bill Waterson. Há ali muito mais do que apenas um rapaz e o seu peluche, há tiras que não são, de todo, para serem entendidas por uma criança pequena. Mas os desenhos, as histórias, a lata do Calvin e a inteligência do Hobbes, esses sim, são deliciosos para pessoas de qualquer idade. Li quase tudo o que havia para ler e ainda compro os poucos livros de Calvin & Hobbes que não tenho. Ainda hoje é a minha banda desenhada favorita. 


17. O livro mais caro da tua estante

Bom, para quem colecciona edições do Quixote, esta até era fácil de responder. Mas, deixando o Quixote de fora, o livro mais caro que tenho na minha estante é, talvez, o volume que reúne os romances de Machado de Assis, e que comprei para oferecer-me a mim mesma no Natal de 2014.


Custou perto de oitenta euros, mas tendo em conta que dele fazem parte nove romances, até nem está mau.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Olhando para livros X

15. Livro que custou a ler

A minha irmã adora-o e eu odeio-o. Tive de lê-lo na faculdade, mas, ao contrário de muitos outros livros sugeridos por professores, este revelou-se uma enorme, enorme, enorme tortura. No entanto, li-o até ao fim (razão pela qual não coloquei aqui a Eneida: acho que das várias vezes em que tive de lê-la, ficaram sempre umas páginas por terminar). Eurico, o Presbítero foi, por isso, o maior pastel literário que tive de suportar (revoltem-se, defensores acérrimos do Eurico e da Hermengarda). Gosto muito de literatura portuguesa, acho que tivemos e temos dos melhores autores que o mundo já viu. O Herculano era um fabuloso escritor e historiador, mas este romance da época romântica passado na Idade Média não é mesmo para mim.


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Olhando para livros IX

14. Livro clássico favorito

Mas há alguém que não seja capaz de adivinhar o título que aqui deixarei? Não me parece. Já falei dele antes e é sempre a este livro que acabo por regressar: Dom Quixote de la Mancha. O curioso é que durante muitos anos, e por influência dos preconceitos literários da minha mãe, também eu considerei que este livro devia ser a coisa mais aborrecida de ler. Um dia saiu de forma gratuita com um jornal por ser o primeiro de uma colecção que se iria iniciar e, claro, aproveitei a oportunidade para ter mais um livro na estante. Por curiosidade li o prólogo e rendi-me. A mestria com que Cervantes fala da produção literária, a graça com que o faz ainda antes de iniciar o seu romance são para lá de encantadoras. Depois chegamos ao famoso primeiro capítulos e à dúzia de palavras mais famosa da literatura: "En un lugar de la Mancha, de cuyo nombre no quiero acordarme...", e travamos conhecimento com aquela personagem que tem tanta loucura na sua sensatez e tanta sensatez na sua loucura, que quer melhorar o mundo, mas que quer fazê-lo pela palavra ou com armas anacrónicas, e depois com Sancho Pança, o homem que se quixotiza e que aprende a amar aquele em quem inicialmente viu a garantia de riqueza. E isso muda-nos. A mim mudou-me enquanto leitora e mudou-me a vida. O Quixote é, para mim, o melhor dos livros e fascina-me que aquele autor (que nem sequer escrevia propriamente bem, já que era medonho com a pontuação e outros detalhes) tivesse tantas e tão boas ideias, colocasse na boca das suas personagens palavras tão sensatas que parecem dos nossos dias (o discurso sobre a liberdade, sobre a necessidade de os pais amarem os filhos, independentemente das suas escolhas, sobre o direito das mulheres em não terem de aceitar qualquer um que as queira sem que elas o queiram também apenas para depois não serem apelidadas de cruéis são apenas alguns exemplos). É uma obra do início do século XVII, escrita em boa parte ainda no século anterior, mas que tem muitas ideias e valores de hoje. É absolutamente brilhante e, tal como é dito no título de um livro que por aí anda, ninguém deve viver sem ter lido o Quixote.


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Olhando para livros VIII

13. Livros em cujo universo habitarias

Resposta fácil: se fosse para viver num mundo de fantasia onde tudo é possível, Harry Potter. Mas se fosse para viver numa epoca em que até gostava de ter estado para conhecer pessoas e hábitos sobre os quais tenho grande curiosidade, Os Maias

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Olhando para livros VII

12. Livro para o qual escreverias uma sequela

Honestamente, não sou particular fã de sequelas. Acho que só devem existir quando são muito, muito, muito boas e que se for para serem medianas, não valem a pena. Muitas sequelas não acrescentam nada à história e são uma perfeita desilusão para o leitor. Além disso, tendo a pensar que a vontade do autor deve ser respeitada: se ele quis que o livro terminasse em determinado ponto, é ali que tem de terminar.

Mas, e porque o desafio assim pede, se tivesse de escrever uma sequela (e para não mencionar o Harry Potter que seria a resposta mais óbvia) seria para A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson. Seria giro saber o que sucedeu às personagens depois de regressarem da ilha. Houve quem escrevesse uma sequela, mas ainda não a li. Porém, novamente, não vejo como uma necessidade premente as sequelas dos livros de que gostámos.


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Olhando para livros VI

11. Livro inspirador


Para mim, que adorava ter a minha própria livraria, este livro é uma inspiração. Um casal deixa a sua vida e os seus empregos e abre um alfarrabista numa zona onde comprar livros não faz parte das rotinas habituais. Aos poucos estes estranhos encontram o seu lugar naquela comunidade e a sua livraria deixa de ser só um sítio onde se vendem livros para passar a ser algo muito mais importante. Não enriquecem com o negócio, mas cumprem um sonho e garantem para si uma vida muito mais feliz. Inspirou-me numa altura em que iniciei o blogue da venda de livros, na impossibilidade de ter a minha própria livraria.