terça-feira, 31 de julho de 2012

E mais um

E como o moço quis comprar mais um livro para ele, lá tive eu de trazer para casa um para mim. Este sistema acabará por levar-nos à falência! Depois deste vou abrandar o ritmo e guardar-me para os alfarrabistas que vêm aí...


Notinha mesmo necessária: Vou abrandar o ritmo... Talvez.

Desiludida


Lembram-se de há uns meses ter falado muitíssimo bem do talco líquido da Boticário? Pois bem, continuo a adorar este produto, só já não consigo elogiar a marca. Tenho corrido as lojas Boticário deste mundo e em todas disseram que o produto tinha sido descontinuado. Tendo em conta a quantidade de gente que por esta internet fora elogia o talco líquido desta marca, a situação pareceu-me ridícula e, mais ainda, se tivermos em conta que é um tipo de produto difícil de arranjar (experimentem pedir talco líquido numa farmácia e observem a cara que farão a olhar para vocês...). Por conselho de uma das funcionárias da loja do Colombo, enviei um email para a Boticário em Portugal. Na página da internet é-nos dito que a resposta chega em vinte e quatro horas. Uma semana depois continuo à espera.

Em suma: a única marca que parecia chegar a todo o lado com um produto que, pelo que as próprias funcionárias vão dizendo, tem uma legião de fãs, acabou com ele sem grandes explicações às pessoas que se dirigiam aos seus espaços para comprar um creme  de qualidade e que praticamente só ali se encontrava. Eu ia à Boticário por este produto e depois acabava por experimentar e comprar outros, mas a razão pela qual ia lá era mesmo pelo talco líquido. Uma vez que descontinuaram o produto ao ponto de nem ser possível encomendá-lo online, enquanto não receber a resposta da marca, recuso-me a voltar lá.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Novinhos


Não podiam ser mais diferentes um do outro. 

Estou a ler um livro do Eduardo Mendonza e vou gostando bastante, portanto resolvi trazer este. Gosto de ir comprar livros com o meu moço porque ele obriga-me sempre a trazer qualquer coisa e, assim, posso dizer que a culpa de ter tantos livros não é minha, mas sim dele. Eh eh! Com o Três vidas de santos veio o ABC dos Periquitos porque é bom conhecer melhor os três estarolas que moram cá em casa. O que eu já me ri com as fotografias de periquitos fotogénicos...

Ao pequeno-almoço

Estes dias fora de Lisboa proporcionaram-me uma experiência que nunca julguei vir a ter. Em casa da avó tropecei no livro mais vendido do ano passado, o amarelinho O Céu Existe Mesmo. Já sabia sobre o que versava e precisamente por isso fugia dele a sete pés. Mais depressa comprava um burrito para ter na varanda do que a história do menino que foi ao céu durante a anestesia necessária para a realização de uma cirurgia ao apêndice. Contudo, e como gosto de ser uma pessoa informada, tendo-o encontrado de forma gratuita na casa da avó, resolvi acompanhar o meu pequeno-almoço com a leitura mais diagonal possível desse bestseller de 2011 (já repararam que uso a hora do pequeno-almoço para ver programas ranhosos e ler livros estranhos?...). Bem, em menos de uma hora a coisa estava despachada, o que quererá dizer qualquer coisa.

Portanto agora posso, com segurança (que é o que se quer), falar da história do menino que foi lá acima e que privou com as figuras de topo da Igreja Católica. Pelo que compreendi, a criança, na altura com quatro anos, percebeu que saíu do seu próprio corpo durante uns três minutos e que se viu a si próprio doente. Ora, nesses três minutos teve tempo de ir ao céu, sentar-se ao colo de Jesus, perceber que ele tem um cavalo «arco-íris» (não percebi esta parte), encontrar pessoas da sua família e descobrir que a mãe sofrera um aborto e que a sua irmãzinha estava no céu. Também constatou que as pessoas, no céu, têm asas e que os homens terão de agarrar em armas para combater Satanás enquanto as mulheres e as crianças assistem.

O pai do menino era pastor numa igreja local ( ! ) o que fez com que, no livro, procurasse sustentar cada nova informação dada pelo filho com passagens da Bíblia que as comprovassem. É uma das regras básicas da argumentação: apoiar as nossas palavras nas dos maiores, nas daqueles que têm autoridade suficiente para dar credibilidade e valor ao que dizemos. Nisso, o senhor não falhou e usou o saber que tinha. Boa! Todavia, ficamos por aqui. Bem sei que li a coisa na diagonal (também não o faria de outra forma), porém foi suficiente para perceber que não há pachorra para estas coisas. E mais: sobrou-me a sensação de que há miúdos de quatro anos tão precoces que perante um funeral só querem saber se o defunto «tem Jesus no coração» porque «Tem de ter! Tem de ter!». Decididamente não conhecemos as mesmas crianças de quatro anos...

Julgo, pela quantidade obscena de livros vendidos, que as pessoas precisam deste tipo de coisas. Que isto de meninos a quem os médicos vaticinam a morte mas que se salvam milagrosamente traga alguma riqueza ou paz de espírito. Não sei. A mim não me trouxe nada disso. Pareceu-me uma história estranha provinda de um pai que achou que devia escrever um livro. Quanto ao resto, perdoem-me, mas não consigo acreditar em nada. Se a ideia era provar que o céu (o católico) existe mesmo, comigo não resultou muito. Vou, por isso, continuar a perguntar-me a razão que levou tantas pessoas a quererem ler o testemunho do menino que supostamente privou com anjos enquanto o pai encontrava nele as «sombras da morte» (comummente conhecidas pelo nome de «olheiras»). E vou, sobretudo, continuar a ler outro tipo de coisas, fugindo a sete pés destes testemunhos de fé que em nada aumentam a minha. Cada um sabe o que sente e não será o livro mais vendido de 2011 que mudará isso.



Um outro lugar

Bem sei que este blogue tem andado moribundo nos últimos dias, mas já estou de volta. Estive no Norte a visitar a família, particularmente a minha avó que passa por alguns problemas de saúde. Felizmente as coisas estão agora melhores, mas gostaria que melhorassem muito mais. Sei que é frase batida, porém tenho de dizer que só o tempo nos dirá como correrão as coisas e eu espero mesmo que corram bem.

Tirando este problema, foi um fim-de-semana engraçado. Vi pessoas que não via há muitos anos, falei com gente quase adulta que só conhecia de fralda e chucha e dei algumas gargalhadas bem boas. Vi uma aldeia que conheci cheia de gente da minha idade e que agora encontrei vazia, velha, deserta. Tive pena e compreendi ainda com mais clareza as palavras de Jorge de Sena ao dizer que «[...] os lugares acabam. Ou ainda antes / de serem destruídos, as pessoas somem, / e não mais voltam onde parecia / que elas ou outras voltariam sempre / por toda a eternidade. Mas não voltam, / desviadas por razões ou por razão nenhuma. / É que as maneiras, modos, circunstâncias / mudam. [...]». A aldeia onde passei as férias na infância e os Natais gelados que sempre manterei na memória é hoje outra e a prova de que os lugares acabam e de que muitas vezes só sobra mesmo a lembrança que deles retivemos.



 

domingo, 29 de julho de 2012

Olá olá

Minhas gentes, peço mil perdões pelas nenhumas novidades neste blogue, mas em breve contarei tudo. Certo é que, mesmo sem quixotadas, as leituras não param e, por isso, dou aqui este pulinho para vos dizer que, tendo terminado o livro O Chapéu do Sr. Briggs, comecei o A Assombrosa Viagem de Pompónio Flato (um nome de sucesso, como podemos adivinhar...). Por enquanto estou a gostar. A história envolve uma componente de humor que, já devem ter percebido, adoro encontrar nos bons livros. E adoro quando alguém dá à figura de Jesus Cristo («o Menino») características humanas e não aquelas tão intocáveis que lhe encontramos na maioria dos escritos que o tomam por personagem. Aqui ele é um miúdo, filho de um condenado à morte (o carpinteiro José) que está obrigado a fazer a própria cruz em que será executado. E mais não conto para não estragar a surpresa.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Socorro

A iniciativa da SIC pelo aumento dos hábitos de leitura (não sei se chega a ser uma iniciativa) é de louvar. Contudo, a cada nova obra anunciada, só me apetece levar as mãos à cabeça e gritar. Tanto amor, tanta lágrima, tanta mensagem de Jesus, credo!

Fico à espera de um anúncio que promova a leitura de O Vermelho e o Negro ou da Madame Bovary. Mas cá me vai parecendo que será melhor aguardar sentadinha...

Regresso às aulas com...

... a pasta nova!


É liiiiiinda que até dói e tem muita arrumação para os meus muitos livros e cadernos. Até vem apetrechada para carregar comodamente um portátil. Gosto particularmente de pensar que com esta cor vou ter um Inverno escolar muitíssimo animado.

Também comprei uma carteira (coisa que detesto fazer: só substituo a velha quando começa a desfazer-se). Normalmente compro-as cinzentas, mas desta vez foi em azul.



Bienvenidos!


Ah os vales e as promoções... Adoro!

quarta-feira, 25 de julho de 2012

A Menina Quer Isto XX


Sinopse
Esta é a história de uma intromissão. Por um acaso, o narrador desta história começa a encontrar, no lixo do prédio, escritos de um vizinho misterioso. Em breve descobrirá que esse homem de certa idade, de rotinas pendulares, se trata afinal de Davanzati, um romancista com sucesso no passado e, entretanto, desaparecido da ribalta literária.
A partir desse momento tornar-se-á leitor obsessivo - e único - dos desperdícios que constituem uma enorme galeria de estilos literários de um escritor que não escreve para ninguém. Os Dias de Davanzati analisa as relações entre a literatura e a vida a partir de um ângulo de grande originalidade: ligando a literatura ao lixo, num jogo em que as palavras se revelam resíduos sem valor de uma vida que não foi vivida; e as que se estabelecem entre a escrita e a leitura, a uma nova luz: a leitura como violação da escrita.

(A menina quer tanto isto!)

Nota: Imagem e sinopse foram retiradas da página da WOOK.

Doutor, serei normal?

Serei eu a única criatura no mundo a quem certos livros perturbam o sono? Na noite passada, por causa de O Chapéu do Sr. Briggs, passei a noite às voltinhas a pensar que não acreditava nada que o suspeito detido fosse realmente o assassino. Depois, como sou para lá de tolinha, aventurei-me a ver as fotos que estão no meio do livro e dei com uma do corredor da morte. Pronto, meti na cabeça que iam condenar à morte o tipo que eu acreditava inocente e vai daí fiquei com um sono maluco em que acordava e pensava que devia ler mais um bocado para ver se afinal o tipo sempre era libertado...

Quando li Os Maias também sofri horrores pelo pobre Afonso da Maia que, já sabendo da relação incestuosa do neto, apercebia-se de que este não terminava o romance com a irmã e, como uma sombra, arrastava-se pelo casarão olhando Carlos com uma angústia que quase se materializava ali mesmo. Lembro-me de uma noite em que li uma cena assim, em que o pobre avô assistia à destruição moral do neto, e de ter tido um sono muito perturbado também, acordando muitas vezes e pensando no quanto sofreria o pobre senhor. Então quando li o momento da sua morte de Afonso da Maia fiquei mesmo tocada. Pumba, lá foi mais uma meia horita de sono.

Não sei se isto é comum, mas comigo acontece de vez em quando. Quando conto a alguém, acham sempre que sou uma totó. Mas a verdade é que pelos vistos nem sempre consigo deixar os livros nos livros e, muitas vezes, as suas personagens acabam a ir comigo para a cama (salvo seja).

terça-feira, 24 de julho de 2012

Planificações

Tenho a impressão de que se há coisa que leva os professores à loucura são as planificações que têm de fazer bem antes do início do novo ano lectivo. É a coisa mais chata do mundo enfiar tudo numa grelha catita (quando até era bem mais útil simplificá-la e deixarmo-nos das patetices dos objectivos para tudo e para nada), prevendo isto, aquilo e mais um par de botas. No final falta sempre tempo para a matéria toda porque fazemos a planificação sem sonhar como será a turma que teremos. Resultado: a planificação pomposa acaba por servir para muito pouco. A mim chega-me o elenco dos conteúdos a leccionar por período e, depois, os planos de aulas que faço diariamente. Na formação de professores ensinaram-nos a fazer planificações que quase pareciam Ferraris, de tantos extras que traziam. Mas não me cheira que vá aplicar aquilo. As planificações têm de estar ao nosso serviço e não os professores ao serviço delas.

Educação a rodos

Em casa a relaxar depois de uma manhã a fazer um trabalho chato. E eis que agora sou brindada com uma das famosas e nunca aborrecidas discussões dos vizinhos de cima. Alguém devia censurar com um apito os palavrões que esta gente diz aos gritos. Daqui a pouco os meus ouvidos choram de susto...

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Livros novos


Finalmente trouxe para casa Os Litigantes! Demorou, mas aconteceu. Nunca li nada do autor, mas o que fui lendo sobre este livro deixou-me curiosa. Humor e um mundo de advogados sempre em busca do caso das suas vidas e que lhes garantirá dinheiro a rodos parece-me receita para um livro levezinho e bom para levar para a praia. Pesquisei um pouquinho sobre o autor e parece que os livros dele costumam ter bastante sucesso, sendo muito vendidos nos E.U.A. (o que, convenhamos, nem sempre é sinal de qualidade... Façamos figas.). Alguns dos seus títulos foram já vertidos para o grande ecrã ou para séries televisivas. Vou, por isso, experimentar este a ver se gosto.

Encontrei, depois, este livro pequenito do João Tordo a um preço escandalosamente baixo. Nunca li nada deste autor (embora me tenham passado vários exemplares de livros seus pelas mãos quando os vendia), mas o título convenceu-me. Este é o segundo livro de João Tordo que, recorde-se, venceu há uns anos o Prémio Saramago com o romance As Três Vidas. Ao folhear este Hotel Memória encontrei umas referências a Melville e ao cavaleiro de Cervantes e, portanto, mesmo que o título não me convencesse, tais referências fá-lo-iam (há coisas que nunca mudam). Pareceu-me o enredo, daquilo que li na contracapa, uma história muito ao estilo de Paul Auster. Curiosamente a epígrafe é da autoria deste autor norte-americano, por isso talvez não esteja muito enganada.

Enfim, bem posso ler neste Verão. Assim como assim não terei mais nada para fazer...

Adorando


Ai gentes, estou a gostar tanto deste livro! Sim, ainda ando a ler o Cien Años de Soledad (já disse que durará o Verão inteiro), o Dublinesca e A Cultura-Mundo, mas entretanto comecei este. Vou lendo umas páginas de um, umas páginas de outro, vou saltitando e sabe-me bem. Mas, tirando este coração grande que tenho para os livros, deixem-me cá falar-vos d' O Chapéu do Sr. Briggs. No fundo é um policial que conta uma história real passada no final do século XIX em Inglaterra. Um banqueiro desaparece da carruagem do comboio onde viajava deixando na carruagem «apenas uma bengala com castão de marfim, uma mala de pele vazia e um chapéu que, estranhamente, não pertence ao senhor Briggs» e vem a aparecer entre os carris a poucos minutos da estação onde deveria sair. Está gravemente ferido, foi atingido com um objecto rombo na cabeça, tem o crânio quase desfeito e nunca chega a recuperar a conciência, até que morre no dia seguinte. A Scotland Yard começa a investigar o caso que parece um verdadeiro mistério e que, sobretudo, vai apontando os defeitos das carruagens dos comboios utilizados na época. Como é dito na contracapa do livro, este foi um crime «que mudou para sempre a forma como viajamos» já que perante os defeitos buscaram-se soluções.

É uma história muito bem escrita. É preciso ter alguma atenção aos nomes, uma vez que há imensas pessoas envolvidas na investigação. Além disso, temos os nomes das estações ferroviárias, de estabelecimentos comerciais, e por aí fora. Mas com atenção não custa nada e a narrativa é muitíssimo bem feita, sendo sustentada por jornais da época, pelos arquivos da própria polícia e por outros documentos consultados pela autora e que surgem referidos por capítulo no final do livro. Encontramos, ainda, fotografias relacionadas com o homicídio do Sr. Briggs.

Ainda não terminei o livro, mas já lhe dei um bom avanço e sinto-me já prontinha para vo-lo aconselhar. Se não gostarem, mandem para cá as reclamações, embora não me pareça que seja preciso.

Boas leituras (que eu cá vou lendo os meus quatro livros do momento e a revista Ler, que ainda vai a meio...).

domingo, 22 de julho de 2012

Frase curiosa

«El propio Javier suele decir que no hay amigos, sino momentos de amistad.»

Li esta frase no Dublinesca, de Enrique Vila-Matas, e ficou-me na cabeça. A mim, que nem sou de gostar de frases bonitinhas e cheias de sentido. Mas esta ficou, talvez porque nunca tivesse encontrado uma definição de amizade que se adequasse tão bem ao modo como a vejo hoje. Já aqui falei algumas vezes disso, não voltarei ao tema. Porém deixo-vos as palavras deste narrador criado por Vila-Matas para contar a história de um editor caído em desgraça. Muitos não concordarão com elas e a esses dou os parabéns, pois significará que tiveram boas experiências no que aos amigos diz respeito. Talvez outros concordem com a frase. Nisto dos amigos, cada um sabe de si e da sua própria realidade.

Bom Domingo, caros quixoteiros!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Pensamento céptico

A quantidade de livros que saem e que são supostas mensagens ditadas por Jesus leva-me a pensar que Ele não gosta lá muito de escrever. Ou então que passou a rei do marketing...

Notinha da autora: Sem ofensa, gentes mais católicas, mas parece-me uma loucura a quantidade de pessoas, criancinhas incluídas, que dizem que andam a transmitir em livro (com direitos de autor e tal...) as mensagens que Jesus lhes "passou" de forma gratuita.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Aplauso

Hoje fiquei a saber que o Vasco Graça Moura publicou uma versão de Os Lusíadas para gente nova. Aliás, é mesmo esse o título (Os Lusíadas Para Gente Nova) e a ideia parece-me genial. O que fez foi agarrar em algumas partes da epopeia, mantendo as estrofes que os miúdos conseguem perceber e reescrevendo outras (ou apenas alguns versos mais complexos), utilizando a oitava e o decassílabo, tal como no original.

Tive a oportunidade de folhear o livro e parece-me interessante por várias razões. Por um lado, é mais uma estratégia para aproximar os alunos de um texto que nem sempre os cativa e, por outro, porque para além do monumento que é a obra de Camões, temos aqui também o brilharete de Vasco Graça Moura enquanto poeta, dominando elementos de versificação que nem todos conseguiriam dominar. Adaptar ou «facilitar» Os Lusíadas não é tarefa fácil, por isso tiro o meu chapéu ao trabalho deste autor que buscou uma forma de levar um texto lindíssimo aos mais novos, sem que se perdesse a sua riqueza estrófica, métrica e rimática. Parece-me, portanto, que muitos professores podem aplaudir este trabalho e dar-lhe o uso que suponho que o Vasco Graça Moura teria em mente quando se propôs a tal empreitada.



Nota: Imagem da capa retirada da página da WOOK.

Esperteza

Podem ler AQUI a notícia que dá conta de um estudo sobre leitura digital feito com alunos do 5.º ao 8.º ano de uma escola do concelho de Sintra. Dizem-nos os resultados que mais de metade dos duzentos e três alunos inquiridos leria mais se tivesse um tablet (e uns ebooks lá enfiados, logicamente). Pois claro... Eu também conduziria mais se tivesse o carro dos meus sonhos, mas infelizmente não tenho. Parece-me, portanto, óbvio que miúdos de tal idade, absolutamente vidrados em novas tecnologias o digam. Apesar disso, minha gente, e perdoem-me o cepticismo, quase aposto que tendo o tablet, passariam o dia no Facebook e em infindáveis batalhas de «Angry Birds».

Claro que percebo que ebooks com extras como música ou outros acrescentos sejam bastante atraentes para miúdos que não têm os livros no topo das suas preferências (muitas vezes pela falta de interactividade que encontram na comum relação entre leitor e livro). Porém, não acredito que essa maioria que disse que leria mais se tivesse um tablet viesse efectivamente a fazê-lo. O gadget foi utilizado, durante o estudo, em ambiente de sala de aula e no final tirou-se a conclusão que já referi. Ora, os livros em formato comum já são utilizados desde tempos imemoriais e nem por isso têm feito grande sucesso entre os alunos dessa faixa etária. E olhem se os livros não são uma tecnologia e peras! Lá vão existindo alguns miúdos que lêem com gosto (tenho a sorte de ter alunos assim) e que trocam outras actividades pela leitura, mas a maior parte é muito avessa aos livros e não acredito que, mesmo perante um tablet, alterasse essa sua atitude. Principalmente depois de o tablet deixar de constituir uma novidade...

Enfim, não tenho nada contra estes estudos, mas não consigo evitar este cepticismo. Parece-me que é mais um tiro no livro. Não tenho nada contra o facto de lerem em tablets, mas gostaria que antes disso lessem no formato comum ou que, pelo menos, utilizassem o papel e o gadget em igual medida. Ora, se afirmam que «leriam mais» num aparelho desses, subentendo que lêem menos porque só dispõem do típico papel e isso entristece-me. Parece-me, sobretudo, que com isso querem dizer «se querem que eu leia, ofereçam-me um tablet». Espertos.

Seguindo esta lógica, termino dizendo que se querem que eu conduza mais, ofereçam-me um Mazda daqueles da cor do sapo Cocas. Também sei ser espertinha, ora essa...

Os anjos nus


Este veio hoje comigo. Ai, mas estou tão maluca para o ler! Se for tão bom como os outros dois que já li do autor, então será uma leitura deliciosa. Os títulos dos contos, pelo menos, parecem-me muito promissores...

Fogo


 
Todos os anos assistimos ao mesmo espectáculo e, assim, um país tão bonito como é o nosso vai perdendo boa parte da sua paisagem. Fazemos uma viagem por Portugal e onde antes víamos pinheiros, hoje vemos encostas queimadas, manchas negras, o vazio.

Todos os anos se fazem avisos, surgem os níveis de risco de incêndio, pedem-se os devidos cuidados às populações. Pois todos os anos sucede o mesmo, nada muda. Nem sequer os meios para o combate às chamas vêem grandes mudanças ou melhorias. Todos os anos faltam carros, homens, água, meios aéreos. Andamos sempre nisto.

Ontem passei por Odivelas ao final da tarde e vi os pequenos incêndios que se iniciavam. Quem olhasse não via mais do que três fogueirinhas separadas por alguns metros. Claro que depois o incêndio tornou-se maior, chegando até a colocar casas e um posto de combustível em risco. Todos nós pensámos que, com aquele panorama de pequenos fogos separados por alguns metros, não devia ser outra coisa que não fogo posto. Pois ainda ontem à noite foram detidos três jovens por suspeita de os terem ateado.

E assim vamos andando. Todos os anos o mesmo. Uns que não limpam os terrenos, o Estado que não cuida do que é seu, os descuidos de sempre, os parvalhões que não têm com que se ocupar durante uma tarde de calor e que acham giro o aparato que se gera em torno de um incêndio. A provar-se que realmente ateiam incêndios, que destroem a paisagem do nosso país, que põem casas e vidas em perigo, o que merecem estas pessoas? Em meu entender, castigos exemplares. E que não me venham com tretas do foro psicológico porque isso não pode servir de desculpa para se justificarem todos os actos criminosos que levam a tantos incêndios num país tão pequeno. Diz o presidente da Câmara do Funchal que há indícios de fogo posto no incêndio de gigantescas proporções que ontem queimou casas na Madeira. E agora? A descobrir-se e provar-se quem foi, que castigo paga a perda de casas e outros bens, a perda de hectares e hectares de floresta, o trabalho esgotante e perigoso dos bombeiros, o susto e o medo de todos os que vivem de perto aquele desastre? O que merece a pessoa que sai de casa airosamente para atear um incêndio que pode matar gente, animais, destruir o património de toda uma vida? Mas já vimos tantos casos de incendiários que acabam por ter penas tão pequenas, por sair em liberdade em plena época de fogos que já nada nos espanta. Ainda assim é difícil não sentir um nó no estômago quando assistimos a imagens como a da foto que encontrei na página da Sic Notícias e que aqui coloco, é custoso não ficarmos pequeninos perante a imensidão destruidora do fogo e pela repetição anual deste circo de mau gosto, tantas vezes causada por gente que não merece de modo algum o ar que respira.


quarta-feira, 18 de julho de 2012

Gostos esquisitos dão prisão

Podem ler AQUI a notícia de uma senhora no Novo México que por não ter pago a multa exigida pela falta de devolução à biblioteca de um volume da saga Twilight e de um DVD com um filme da mesma série que havia requisitado, acabou presa.

Espero mesmo que a vampirada adolescente e que os lobitos com pretenções a lobisomens muito maus (adolescentes e enamorados também) tenham valido a pena para esta senhora. Se bem que, cá para mim, isto da multa e da não devolução dos objectos é tudo desculpa para prender por uma noite alguém com um gosto literário muito duvidoso...

Vale tudo?...

Há pouco a SIC exibiu uma reportagem especial que mostrava o funcionamento de um conhecido bar de alterne em Portugal. No depoimento de uma das moças que lá trabalhavam, ela contou que o filho, que agora frequenta o sexto ano, foi um dia interpelado por um colega que lhe disse que tinha visto a mãe dele na televisão e que ela era uma senhora de má vida (com quatro letras). O filho teve, segundo a mãe aparentou, uma reacção merecedora de orgulho. Perante a acusação do colega, terá apontado para várias das peças de roupa que envergava e pronunciado os nomes das muitas marcas a que pertenciam, perguntando depois ao miúdo que o interpelara «E as tuas roupas de que marca são?...»

Não comento a profissão da senhora nem a existência de tais casas que acho que apenas existem porque há neste mundo homens que, por alguma razão, acham que precisam delas. Mas, como pessoa que lida com miúdos do sexto ano de escolaridade e com outros mais novos e mais velhos, choca-me a resposta da criança. E choca-me o orgulho da mãe perante tal resposta. Compreendo que o miúdo tenha tentado, com tal alusão às marcas fantásticas que a mãe podia comprar, aniquilar um suposto «inimigo» que o espicaçava. Mas, ainda assim, parece-me uma resposta chocante, talvez por tranformar aqueles objectos que a mãe, pelo trabalho que desempenha, pode comprar em justificações suficientes para ela o fazer e, ainda, por, parece-me, acabar por minorizar as outras mães que (por não terem ou não quererem) não dão o mesmo aos seus filhos. Que terá dito à mãe, naquele dia, o miúdo que não usava roupas de marca?... Enfim, vocês entenderão isto provavelmente de outra forma. A mim fez-me muita confusão e não me parece que seja, de todo, um motivo de orgulho.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Leituras com calor


Tendo terminado ontem à noite a leitura de O Profeta do Castigo Divino (gostei, mas acho que tem partes redundantes que podiam perfeitamente ser cortadas sem que o livro saísse a perder, bem pelo contrário...), começo hoje o Dublinesca, de Enrique Vila-Matas, que já queria ler há muito.

Mas como hoje foi um dia muito quente e apropriado para jiboiar o máximo possível, ainda passei os olhos por uns capítulos do clássico infantil... Puff e os seus amigos. Deixem-me, sim???


Ai o que eu gosto do «Trigue» (sic) e do «Porquito»! Só não gosto das gralhas todas que já apanhei...

Notinha: As imagens são da página da Wook.

Saudades grandes

Hoje eu devia estar no programa do Goucha. Estiveram para ali a falar com pessoas que vão SEMPRE passar férias para o mesmo sítio e eu encaixo nessa categoria. Sou uma criatura fiel a uma cidade e sabem lá vocês o que me custa não ir, neste Verão, a Viana do Castelo. Felizmente estive lá na Páscoa, por isso não posso dizer que não fui lá este ano. Mas não estar naquela cidade no mês de Agosto, quando acontece tudo, custa-me muito.

Fui para Viana do Castelo pela primeira vez em 2006 e apaixonei-me a sério. Muito honestamente, pensei que fosse encontrar uma pacatíssima cidade minhota, boa para descansar. Ponto final. Mas numa semana consegui perceber que não era nada assim. E consegui chegar ao ponto em que invejei quem lá vivia. Ainda hoje o faço.

Continuei a ir para lá ao longo dos anos, excepção feita a 2009 em que, por não ter conseguido fazer a reserva a tempo, acabei por ir para Guimarães. Qualquer pessoa normal adoraria Guimarães, mas eu, com os olhos cheios de Viana, não consegui achar muita graça àquela cidade quentíssima e sem rio e mar como a «princesa do Lima». Em Viana do Castelo gosto da paisagem, do rio que vemos entrar no mar quando nos colocamos no sítio certo, da brisa fresca que sobe da água, da limpeza das ruas, do cuidado que todos têm com a sua cidade, do modo acolhedor como recebem os «forasteiros» que aparecem no Verão, da simpatia e genuinidade das pessoas que são tão amorosas, da calma, do silêncio, dos cantares que de repente irrompem em algum lado, do sino da Sé que subitamente acorda para a vida, dos restaurantes maravilhosos que proporcionam experiências únicas, da temperatura amena, da possibilidade de mil sombras para descansarmos sob elas, das lojinhas de lembranças que estão lá de ano para ano à nossa espera, dos preços muito mais baixos do que estes desta capital maluca onde tenho o azar de viver, das esplanadas fantásticas de onde podemos olhar o rio, dos banquinhos à beira do Lima, dos queques de noz, das igrejas barrocas, das procissões tão genuínas, do fogo de artifício durante a romaria, do traje à vianesa, do desfile pela Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, do centro comercial pequenino (quando comparado com os de cá), mas com tudo o que faz falta, das livrarias da cidade, da filigrana, do amor. Sim, porque não sou de Viana, mas descobri nestes anos de férias que se há slogan bem escolhido é mesmo aquele que a «princesa do Lima» adoptou: «Viana é amor». E a ser verdade o outro que diz que «Quem gosta vem, quem ama fica», ainda um dia gostaria de ficar a sério.


segunda-feira, 16 de julho de 2012

Enganaram-se no endereço

Recebi um daqueles emails da treta, bons para mandar para o lixo e que nunca abro (não vá o computador explodir imediatamente), cujo assunto era «Earn your Bachelors or Doctorate instantly. No coursework required. Instant approval.»

Bom, acho que se enganaram no endereço...

O meu Kindle


A primeira vez que ouvi falar do Kindle foi há uns anos no programa da Oprah Winfrey e desde então passei a tê-lo como uma das coisas que mais queria ter na vida. Claro que, nessa altura, ainda eles eram caríssimos e nada de serem enviados para Portugal. Assim, passei uns anitos sem pôr a minha vista em cima de um.

Quando fui trabalhar para uma livraria, dois clientes habituais, já alegres possuidores de um Kindle, falaram-me das vantagens deste aparelho de leitura de livros electrónicos e fiquei ainda mais convencida. Aliás, lamentei mesmo não ter um naquele exacto momento, já que me evitaria o carregamento diário de artigos académicos em papel (estava, naquela época, a tratar da minha tese de Mestrado). Namorei, nas horas mortas, alguns leitores de ebooks nas páginas da Worten e da Fnac, mas nenhum me aquecia o coração como o Kindle. Felizmente, no meu aniversário de 2010 o tão esperado e fofinho aparelho da Amazon entrou cá em casa e eu apaixonei-me perdidamente por ele.

Que adoro ler e que amo os livros, acho que já ninguém negará. Por isso sobrevivi aos inúmeros comentários que ouvi e que se resumiam a «baaah, prefiro os livros em papel» ou mesmo «gosto do cheiro do papel e isto não tem cheiro». Não liguei nenhuma e continuei enamorada pelo meu Kindle. Não me parece que adorar os livros em papel (como acontece comigo) seja incompatível com o gosto pela leitura num leitor de ebooks. São, sim, experiências diferentes. No meu caso, sempre olhei este aparelho como a possibilidade de ler confortavelmente aquilo que antigamente tinha de imprimir para não me explodirem os olhos. Entendi-o, também, como a possibilidade de ficar a conhecer textos do domínio público, por exemplo, que gostava de conhecer e que não se encontravam traduzidos ou disponíveis em papel nas livrarias. Quero com isto dizer que nunca me passou pela cabeça fazer uma troca radical que implicasse preterir os livros no seu formato habitual por estes electrónicos. Nunca tal me ocorreu. Mas pensei (e creio que não me enganei) que com o Kindle conseguiria ler textos que de outro modo não leria. Não deixei, como bem sabem, de comprar livros novos e de construir uma biblioteca catita para alguém com vinte e seis anos: apenas ampliei as minhas hipóteses de leitura. Tivesse eu vida para devorar todas as páginas que gostaria de conhecer...

A experiência com este leitor de ebooks tem sido boa. É o meu objecto preferido, ao ponto de não conseguir dizer se para uma ilha deserta (a típica questão) o levaria a ele ou a uma edição do Quixote. Poderia sempre levar as aventuras do meu cavaleiro manchego preferido no Kindle, que ninguém se aborreceria comigo. Haveria, claro, a questão da bateria. Devo dizer que dura bastante, mas mesmo assim não poderia passar o resto da vida sem carregar o bicho, por isso precisaria de um computador e de uma tomada. Se a ideia era escolher um único objecto que levasse comigo para uma ilha deserta, creio ter já estragado tudo.

Mas, ilha deserta à parte, estou satisfeita com o Kindle. Consigo ler mais do que um livro antes de precisar de voltar a carregá-lo. O processo de carregamento também decorre sem problemas, bem como a transferência de documentos do Kindle para o computador e vice-versa. Tenho tudo muito bem arrumadinho em pastas e portanto os ebooks de Literatura Portuguesa estão num sítio, os de Literatura Estrangeira noutro, o que faz com que encontre o que quero rapidamente. Não sinto a vista cansada após a leitura neste aparelho e creio que isso se deve ao facto de o ecrã imitar a cor e o inexistente brilho do papel. Não tem luzes de nenhum tipo, o que faz com que a leitura seja muito semelhante à que fazemos nos livros no seu formato clássico (e o que faz, também, com que os tablets não proporcionem uma leitura tão confortável quanto o Kindle comum). Posso, no Kindle, aumentar ou diminuir a letra, escurecê-la ou clareá-la, ler com o aparelho na vertical ou na horizontal, sublinhar excertos, escrever notas à margem, consultar o dicionário... E o melhor é que dentro daquele aparelhito que pesa poucas gramas consigo ter mais livros do que os que aperto em estantes que já não suportam nem mais uma página. Deste ponto de vista, o Kindle leva a vantagem.

Contudo, e como disse, não deixei os livros em papel. Aliás, devo dizer-vos que apesar de a leitura no Kindle ser tão confortável, não leio nele dois livros seguidos. Por alguma razão sinto a necessidade de, a seguir à leitura de um livro electrónico, voltar ao papel. Não sei explicar porquê, mas não terá nada que ver com cansaço ou algo que se pareça. Talvez seja mesmo uma necessidade óbvia de voltar aos objectos de sempre, às páginas que aguardam fielmente por mim nas prateleiras, esperando o momento em que serão as escolhidas. Acho mesmo que o problema é que, quando estou a ler no Kindle, penso na quantidade de livros em papel que comprei ou que me ofereceram e que talvez nunca venha a conseguir ler, sentindo-me um bocadinho culpada. Por isso, apesar de adorar o Kindle e a infinita possibilidade de leituras que me trouxe, é sempre ao papel que volto.

Ainda assim, nunca me ouvirão pronunciar coisas como «ah não, esses livros não têm cheiro como os outros» porque as considero muito toscas. Quero os livros, os electrónicos e os outros, porque gosto de ler, de saber mais, de me comover, de rir e de viver o que não viverei na realidade. Se há coisa para a qual não quero, de todo, um livro é para cheirá-lo ou para aspirar todo o pó que nele pousa. E mais: muitos dos que proferem a frase tosca, e que já ouvi a muita gente, não lêem em formato nenhum. Dizem-no apenas porque são uns «Velhos do Restelo». Ou nem isso, já que o velho de aspecto venerando falava movido por um saber feito de experiência e muitos dos que falam do cheiro, do toque, da macieza do papel dos livros não chegam a sentir nenhuma dessas coisas ao longo de um ano inteiro.

Por isso, minha gente, se estão em dúvida sobre a aquisição de uma coisinha destas, digo-vos que sim, que o comprem porque vão gostar da experiência. Principalmente para aqueles que, devido aos estudos, têm de ler imensos artigos que se encontram espalhados pela internet em revistas científicas digo-vos que o Kindle evita o gasto de muitos tinteiros e o carregamento de papel que terão de puxar diariamente nas vossas pastinhas. É, por isso, uma invenção que me aquece o coração e uma das poucas ocasiões em que me rendo à tecnologia. É oficial: estou apaixonada pelo meu Kindle!

Notinha da autora: A foto foi retirada da página da Amazon.

domingo, 15 de julho de 2012

E tudo o vento levou


Hoje foi dia de praia e deixem que vos diga: estava vento. Já estou no conforto do lar, já tomei um maravilhoso banhinho e ainda me parece que sinto duas colheres de sopa de areia entranhadas em cada orelha, mais um baldinho daqueles que os miúdos usam para fazer castelos espalhado por partes do meu corpo que nem sei bem se tenho ou não. Enfim, acho que nem com cinco banhos seguidos conseguiria tirar deste já de si problemático e revolto cabelo toda a areia que para lá se mudou durante o dia de hoje.

É uma coisa muito desagradável. Levanta-se uma pessoa quase de madrugada (acreditem no que digo) para aproveitar todas as horinhas do dia e depois chapam-lhe com sacos e sacos de areia pelas trombas?! Quer uma pessoa comer a sua sandocha em sossego enquanto ganha uma corzinha nas nalgas e vê-se quase enterrada no areal trincando pão com qualquer coisa estaladiça e pouco saborosa, fruto da erosão das rochas sedimentares (ah, as aulas de Ciências do sétimo ano...). Muito pouco agradável.

Mas enfim, como persistentes que somos, tentámos aproveitar o dia conforme íamos conseguindo. Por isso a senhora das bolas de berlim ganhou três euros e eu ganhei mais um quilo e meio em cada perna. Felizmente, quando fizémos este investimento nas nossas células adiposas, ainda o vento não tinha aparecido por isso posso assegurar que nesta fase comi açucar refinadíssimo e não areia aborrecidíssima. Souberam-nos muito bem.

Depois de um banho em água gelada e de nos termos transformado em croquetes de tão cobertos de areia que estávamos (cocktail explosivo: protector solar pegajoso + água termal + areia + sal), resolvemos fugir. E aqui paro para fazer um juramento: nunca, mas nunca, mas mesmo nunca voltarei a sair de uma praia durante as horas em que o areal atinge uma temperatura obscena. É que me retirei airosamente montada nos meus chinelos e mesmo assim consigo sentir ainda, horas depois, a queimadura nos dedinhos gorduchos que Deus me deu. Cuidei que morria a caminho da saída da praia. Gentes, não chorei por vergonha, que embora pequenita, sou já velha para tais espectáculos. Areia a ferver e chinelinhos descapotáveis: no más!

Portanto foi assim. Nunca o título «E tudo o vento levou» se pôde aplicar tão bem a qualquer coisa. A mim levou-me a paciência e por pouco não me levava o chapéu-de-sol...

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Acampamentos

Terão as lojas com promoções de parecer os acampamentos dos festivais de Verão? Comigo tem o efeito de me fazer fugir das lojas ou de correr para a nova colecção. Bem vistas as coisas, se calhar a ideia é mesmo essa, já que acabo por gastar mais ao procurar as novidades. Mas muitas vezes prefiro mesmo fugir dali para fora e bem depressa.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Alguém me explica...?

Alguém me explica a tara que esta gente tem com os touros? Sim, porque desde touradas nesta linda Península Ibérica, passando pelas largadas de touros em Pamplona de que ouvimos falar nos últimos dias e até às touradas com anões (propuseram algo do género em Viana do Castelo), inventaram-se já muitas utilizações para os touros! Só posso concluir que alguém marrou com eles...


Conselho "de oferta"

No outro dia ofereci um exemplar de um livro de que gosto muito a uma pessoa que tem sido amorosa para mim. Pensei que ela também iria gostar, contudo coloquei na mesma o talão de oferta na primeira página. Disse-o à pessoa que desembrulhava o presente e ela amachucou-o e mandou-o fora no mesmo instante. Confiou no meu gosto, portanto. Esperemos que goste de ler O Cónego, porque já não o pode trocar.

Contudo, nem sempre as pessoas reagem deste modo e, por vezes, querem mesmo trocar o que lhes estamos a dar. Porém não têm talão. Nem coragem de o pedir, pois isso seria admitir que não haviam gostado do presente. Ora, sendo assim, por que é que raio as pessoas não colocam logo os talões de oferta nos presentes que dão? Se quem recebe gostar do que oferecemos, muito bem, manda-o fora. Se, por outro lado, preferir outra coisa, então vai à loja e efectua a troca. Não custa nada.

Isto das trocas até era complicado quando, antes do Terramoto de Lisboa de 1755, as lojas eram únicas e não cadeias internacionais como as Zaras, as Bershkas ou as Fnacs desta vida. Quando comprávamos um presente numa loja que só existia em Almada e o oferecíamos a alguém das Beiras, aí acredito que realmente, com talão ou sem talão, a troca fosse impossível. Mas agora, que existem as mesmas lojas em todas as cidades, em que compramos na Fnac (erradamente, admita-se, porque damos cabo das livrarias mais pequenas) quase todos os livros e CD's que vamos oferecer, não custa nada permitir à pessoa, assim o queira, trocar o objecto que lhe damos por um que seja mais do seu agrado. E mais: se hoje até já existem os talões de troca que não indicam o valor do presente, melhor ainda!

Parece-me que muitas vezes não nos damos conta de que atirámos dinheiro à rua ao oferecermos alguma coisa sem darmos a hipótese de se fazer a troca do presente. A pessoa que o recebe aceita-o educadamente, mas depois não lê, não usa, não precisa, não gosta do que recebeu. Guarda muito bem guardado o que lhe demos e para mim isso equivale a arrecadar o nosso dinheiro no fundo de uma gaveta e roubar-lhe qualquer tipo de utilidade. Acho que ninguém gosta que isso aconteça, portanto venham de lá os talões de oferta. Ninguém deixa de valorizar o facto de nos darem um presente só porque atrelado a ele vem o papelinho que permite fazer a troca. Se precisar usa, se não precisar não usa. Mas pelo menos é-lhe concedida essa possibilidade.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Verão?

Está bem que prefiro o tempo frio, mas até eu consigo achar este Verão a coisa mais estranha do mundo. Onde está o calor? E de onde veio este vento maluco que não tem sossego? Estou mesmo a ver que quando for à praia não preciso de levar lanche: vou comer areia suficiente para ficar satisfeita durante várias horas.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Aleluia!


Já aqui disse em tempos que gosto muito deste autor. Li O Cónego e os contos do volume O Porco de Erimanto e gostei bastante. Do romance sobre um eclesiástico muito sui generis já falei em tempos numa quixotada em que vos sugeria a sua leitura. Gosto tanto dele que continuo a oferecê-lo às pessoas de quem gosto (ainda esta semana ofereci um exemplar!). Dos contos digo que são muito envolventes e preenchidos com um humor muito característico do autor. O contexto em que coloca as suas personagens, as peripécias que lhes sucedem (nunca esquecerei o quisto «Desidério»...), o modo como reflectem e falam de si e dos seus problemas estão plenos de humor e não nos deixam indiferentes. Contudo, desengane-se quem ficar a pensar que ali encontramos textos com a única finalidade de nos pôr a rir à gargalhada. Longe disso. O humor é muitas vezes subtil e sempre inteligente. Surge como riqueza suplementar em textos que valem pelo todo que são e não apenas por aquela componente risível que também contêm. Nos seus contos, criamos empatia com as personagens e com as realidades que elas espelham. Além disso, o autor consegue realmente cativar-nos ao ponto de não largarmos o livro e de o devorarmos do primeiro ao último conto.

E agora eis que surge este Os Anjos Nus, onde podemos encontrar mais uns quantos contos de A. M. Pires Cabral. O livro, publicado pela Cotovia, está fresquinho nas livrarias e estou desejosa de conseguir o meu exemplar. Duvido que me vá desiludir com a prosa extremamente bem escrita deste romancista, contista, poeta e, sobretudo, excelente domador de palavras de uma língua lindíssima como a nossa. Assim, ainda antes de o ler, sugiro que o procurem. Se não quiserem começar por esta novidade, corram já a comprar O Cónego. É garantido que vão adorar.

Notinha: A imagem da capa saiu do próprio sítio da Cotovia, editora que tem vindo a publicar os últimos livros de A. M. Pires Cabral.

Votos ainda são precisos

Minha gente, lembram-se de há uns dias ter escrito uma quixotada que pedia os vossos votos para ajudar um realizador português que busca um lugar no Festival de Veneza? Pois bem, faltam três dias para o final da votação e cada um de nós só pode votar uma vez por dia. A curta-metragem de Bernardo Nascimento merece chegar às dez finalistas, por isso podem continuar a votar AQUI.

Não vou longe

Qualquer dia põem-me na reabilitação por toma excessiva de Doluron Forte, mas o que posso fazer? Se há alturas fantásticas em que nunca me dói nada, existem outras em que tenho qualquer coisa todos os dias. Ora, na última semana ganhei uma dor de cabeça que só passa com a toma de Doluron Forte (para quem não sabe, um comprimido capaz de pôr um cavalo a dormir). São dores de cabeça daquelas que deixam uma pessoa assim para o inútil. Há uma semana que ando nisto do hoje dói, tomo um comprimido, fico meio totó durante o seu efeito, acordo nova, duas da tarde recomeça a dor, Doluron Forte no bucho, já me babo, vou cair para o lado, passou a dor, mas de repente ficou tudo mais escuro... É um ciclo muito pouco interessante e que molesta muito. Enfim, esperemos que a porca da dor de cabeça escolha outro que não eu para ir chatear. Assim não vou longe.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

O Inferno congelou

Ultimamente tenho descoberto uma coisa sobre mim que me vai apoquentando um pouco. Se há um curto ano adorava fazer compras e era menina para passar largas horas nas lojas de roupa desta vida, hoje só pensar em ter de vestir e despir nos provadores faz-me urticária. Compro porque tem mesmo de ser, sob pena de acabar a sair de casa nua, mas dispensava o processo todo. Hoje até consegui chegar ao cúmulo de não conseguir comprar uns sapatos! Uns sapatos! Eu, que tenho para cima de sessenta pares, não consegui trazer mais um par para casa. Vi umas sandálias de que gostei e se há uns meros trezentos e sessenta e cinco dias tê-las-ia comprado no mesmo instante, hoje o pensamento foi «já tens muitas». Meu Deus, como me pus velha!

Com um casamento à porta (a propósito, noivo que visitas o blogue, a "gente" vai à boda, mas já vos mando mensagem), e um vestido rapidamente comprado na hora de almoço, começa a busca pelos sapatos. Percebo então que as minhas capacidades de pouca selecção e muita aquisição perderam-se. Não comprei nenhuns. Noivos, irei descalça ao evento. Serei o Paulo Bragança dos casamentos.

Portanto o balanço de hoje é este: um vestido e três t-shirts em promoção porque corria o risco de começar a ter de usar biquinis em plenas artérias da capital. Sapatos nada. Calças? Ao longe! Odeio experimentá-las, morro sempre de calor. Ah, e a dor nos pés também devia entrar no balanço já que experimentei sapatos (novamente para o casamento) que parecem ter sido pensados pelo próprio Satanás num dia em que o seu humor deixava muito a desejar. Pareciam formas para pequenos queques e não para pequenos pés, como estes com que fui fadada.

Mas, enfim, também em jeito de balanço e tendo em conta a chata que sou, ter já conseguido um vestido foi bom. Vamos ver é se amanhã não o vou trocar...

A Menina Quer Isto XIX

A menina quer tanto, mas tanto, mas tanto, mas tanto, tanto, TANTO este livro que namorou hoje que nem sabe explicar. Ai mas tanto...


Notinha: Permanecerá incompreensível o facto de me ter segurado ao ponto de o ter deixado na Bertrand. Enfim, de vez em quando também tenho pequenos rasgos de lucidez económica. Mas quero-o tanto!!!

domingo, 8 de julho de 2012

Ainda mais????

Falei de manhã na revista gratuita das livrarias Bertrand. Ora, na página cinquenta e cinco encontramos um «Quiz» muito catita sobre livros, autores e por aí fora. Catorze perguntitas que implicam saber nomes de personagens, a bibliografia de alguns autores, enredos de livros que provavelmente não lemos ou mesmo a localização de excertos de romances que já devorámos noutros tempos. Bem, em catorze perguntas acertei doze. Nada mau. Ora, perante este resultado, obtive o seguinte comentário (destinado aos pequenos génios que acertam mais de dez respostas):

«Provavelmente, além de leitor é um apaixonado pela leitura e pelas histórias de bastidores que envolvem a criação de grandes obras, a vida dos autores, o espírito de cada época. Leia sem culpa nem moderação.»

Até aqui tudo bem, confere tudo. A partir daqui a coisa torna-se mais estranha:

«Precisa de um Cartão Leitor Bertrand para beneficiar de descontos em dinheiro creditado no cartão em cada compra que faz: compre mais livros para poder comprar mais livros.»

Ainda mais?! Ora bem, senhores simpáticos da Bertrand, fica o esclarecimento: já tenho o cartão e já me desgraço com bastante frequência na vossa loja. Dizerem isto é como oferecerem um vale de oferta de cinco litros de cerveja a um alcoólico em recuperação. Mas fiquem descansados: não devo ter cura assim tão depressa, e como menina bem mandada que sou, continuarei a trabalhar para enriquecer a biblioteca pessoal. Amanhã é dia de descontos na Bertrand. Haja tempo e lá estarei.

Notinha: Façam o «Quiz».

Gabo

Fiquei muito triste com a notícia de que o escritor colombiano Gabriel García Márquez sofre de demência, tendo já perdido a memória. Segundo as palavras do seu irmão, é improvável que volte a escrever e, portanto, talvez nunca venha a surgir o tão aguardado segundo volume da sua autobiografia Viver Para Contá-la. Viverá, mas não a contará. É uma triste realidade.

Quando soube dessa notícia dada pelo irmão mais novo do escritor, lembrei-me imediatamente do patriarca da família Buendía, José Arcadio Buendía, um dos fundadores do Macondo e da família cuja história é contada em Cien Años de Soledad. Também ele passa por uma situação parecida, após uma vida cheia de buscas por verdades alquímicas. Termina-la-á alheado do mundo que o rodeia, sentado sob a árvore onde a família o colocou de modo a não fazer estragos. Com a sua morte virá uma chuva de minúsculas flores amarelas que cobrirão o chão do Macondo.

Gabo criou esta família de personagens complexas e avassaladoras. Quem poderia adivinhar que no fim partilharia alguns traços com o patriarca que levou os filhos a tocar uma grande pedra de gelo, como se esta fosse o maior dos diamantes? Bem vistas as coisas, existem tantos pontos de ligação entre o que sucede em Cien Años de Soledad e a vida do autor que é difícil contá-los. Este será mais um.


«Somos Livros»

A Bertrand iniciou este mês uma publicação gratuita sobre livros, intitulada Somos Livros. O próximo número sairá no Outono. Será, portanto, uma revista que acompanha as estações do ano. A ideia é bonita.

Comecei ontem a lê-la e não passei das páginas iniciais ainda, mas já de lá retirei duas informações interessantes. As duas dizem respeito a duas grandes obras que serão novamente adaptadas ao cinema: O Grande Gatsby (com o senhor Leonardo DiCaprio no papel principal) e Os Miseráveis, que deve sair ainda este ano. Não sabia e fiquei a saber: gosto disso. Ficarei à espera que esses dois filmes apareçam por cá para os ir devorar ao cinema.

Enfim, não tendo ainda lido tudo posso já dizer que a ideia de uma revista gratuita sobre livros, ainda que ligada a uma livraria e a um grupo editorial (já responsável pela revista Ler, que leio todos os meses, mas que custa cinco euros), me parece bastante boa. Estas pequenas notícias sobre o mundo dos livros, as exposições sobre autores, os filmes que nascem de clássicos da literatura ou ainda sobre livrarias deste mundo caem muito bem.

Se passarem por uma Bertrand, peçam uma revista. É grátis e ler faz sempre bem.

Nadinha

Hoje é dia de não fazer nada. Nadinha. N-A-D-A! Amanhã vêm de lá oito exames para corrigir e oito provas orais para fazer, por isso hoje é dia de descanso e de sossego que já bem me chega voltar amanhã às cotações e notas e o diabo a sete. Hoje será dia de ler o Expresso, avançar os três livros que ando a ler (sou suicida) e beber Coca-cola Zero (nhami!). Aposto que pelo meio desta tão intensa actividade ainda adormeço... Yeeeeey!

A Menina Quer Isto XVIII


Quando trabalhava numa livraria (ai que saudades!), vi uma edição deste romance, publicada pela Europa-América. Na altura dava-lhe umas olhadelas durante as horas mortas e comecei mesmo a ler o livro. Contudo, como a edição não me enchia as medidas, não cheguei a comprá-lo (sim, eu era uma das melhores clientes da livraria onde trabalhava). Há uns meses soube que a Relógio D'Água ia fazer uma edição deste texto de Lev Tolstói e resolvi esperar ansiosamente pela sua chegada. Hoje lá o vi na FNAC e preparei-me logo para o pôr no cestinho das compras, mas acabei por deixá-lo lá. O preço pareceu-me um pouquinho puxado e eu preciso sempre de preparação prévia para gastar mais de quinze euros. Este custa vinte e cinco, por isso ainda levarei uns dias a convencer-me a abrir os cordões à bolsa. No entanto, continua a ser um texto que quero muito muito ler.

E já que falo nos tempos da livraria, hoje na Zara vivi uma experiência curiosa. Vem ter comigo uma vendedora que começa em tom monocórdico e com sotaque brasileiro a despejar uma enxurrada de informações sobre o cartão de cliente da Zara. Eu ouvi-a de mão no queixo (postura de quem pensa afincadamente em alguma coisa, claro, basta recordarem-se da estátua de Rodin). Quando ela se cala, digo:

- Muito bem. Acho que te conheço.

- A mim? - pergunta a moça meio espantada.

- Sim. Não andaste na Faculdade de Letras?

- Sim.

- E lembras-te da moça da livraria? Era eu.

Fez-se luz. Ela lembrava-se e eu estava espantada com o facto de me ter recordado do rosto de alguém com quem falei uma única vez há mais de dois anos. Tenho uma péssima memória para caras por isso era realmente um feito tê-la reconhecido.

Começámos a falar, perguntou-me por que tinha a livraria fechado, perguntei-lhe pelo curso e cinco minutos depois percebi o que me levara a reconhecê-la. Hoje, como nos tempos em que me ocupava atrás do balcão a falar sobre livros com todos os que entravam naquela loja, a moça falou, falou, falou, falou, falou, falou... Falou tanto em cinco minutos que me pareceu que estava a falar comigo há horas. Melhor: parecia que nunca tinha deixado de me ver. Mas não me interpretem mal: gostei de voltar a conversar com ela e de a ouvir a reclamar com o Processo de Bolonha em plena Zara. Fez-me andar dois anos para trás, quando a ouvi a reclamar do plano de estudos do seu curso naquela Faculdade. A diferença é que hoje não era eu quem estava atrás do balcão.

sábado, 7 de julho de 2012

Mais dois

Digam "olá" aos meus dois novos amiguinhos. Havia um vale para gastar, por isso a conta foi mais reduzida. Já andava de olho neles, mas ainda lá ficou um outro livro (de cuja edição andava à espera) a pensar em mim...


sexta-feira, 6 de julho de 2012

Desconfianças

Estou cá desconfiada que a dor de cabeça XXL que baixou em mim hoje se deve em boa parte aos dois senhores amarelos de quem tenho falado ultimamente e que gostam de me acordar cedinho com ão ãos sonoros...

Pedro e o lobo - parte II

Tirem-me desta agonia de ouvir dois labradores a ladrar em coro! Há um tipo a arranjar a chaminé da casa da vizinha e os dois totós não aguentam a emoção. Tenho hoje duas enormes olheiras: uma por cada cão. Socorro!

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Haja paciência...

... para suportar o tempo de secagem do verniz nas unhas. Não consigo estar de mãos paradas durante mais de três minutos e vinte e dois segundos. Ao fim desse tempo começa a dança e esborrato tudo. Que tristeza!

Votos precisam-se!

Minha gente, temos um português a concorrer no festival de cinema online Your Film Festival. A curta-metragem de Bernardo Nascimento é, neste momento, uma das cinquenta semifinalistas de uma competição que começou com quinze mil candidaturas. É o único português em concurso e se conseguir ficar entre os dez finalistas, verá a sua produção ser exibida no Festival de Veneza. Mas o grande prémio, aquele que todos os concorrentes não podem deixar de ambicionar consiste em meio milhão de dólares para o realizador transformar o seu projecto numa longa-metragem.

A curta com que Bernardo Nascimento entrou nesta competição chama-se North Atlantic e é baseada numa história real que leu em tempos no Diário de Notícias. Em quinze minutos ficamos a conhecer a história de um controlador aéreo nos Açores que descobre pelo seu radar a presença de um piloto sobre as águas do Atlântico, com o qual entra em contacto. O resto vejam por vocês próprios.

Escrevo a quixotada não apenas pelo orgulho que já devemos ter neste realizador que com esta curta-metragem já conseguiu nove prémios e uma menção honrosa. Escrevo-a porque todos nós podemos votar e ajudar a produção de Bernardo Nascimento a chegar às finalistas. AQUI poderão ver o filme (não vos toma muito tempo e vale mesmo a pena) e votar uma vez por dia até ao próximo dia 13 deste mês.

Vá, minha gente, vamos lá distinguir com o mérito merecido este realizador português e ajudá-lo a levar a sua curta-metragem ao Festival de Veneza e, quem sabe, a conseguir o meio milhão de dólares para a concretização do seu projecto.



Notinha: Espalhem, se puderem, esta informação pelos vossos estaminés. A ver se chegamos a mais gente. 

Um caminho perigoso

Bem, os professores sempre se sentiram sozinhos na sua realidade: sem colocação, mal pagos, maltratados, frequentemente desvalorizados. Ora, vendo o que se vai passando agora com enfermeiros e outros profissionais de saúde acho que podemos dizer que já não estamos sozinhos. Chegámos de novo à escravatura: chegámos ao ponto em que é mais rentável lavar escadas do que exercer a profissão para a qual estudámos tantos anos. Parece-me este o mais perigoso dos caminhos...

Pedro e o lobo

Hoje foi um acordar difícil. Neste meu singelo prédio existem quase mais cães do que pessoas. Dois deles não são lá muito espertos e ainda não se habituaram à presença de pessoas nas casas em volta do quintal em que vivem, mesmo já vivendo cá há uns cinco anos... Resultado: sempre que alguém, como hoje, precisa de subir a um telhado para fazer um arranjo ou mesmo o simples facto de a pobre vizinha das traseiras ter de estender a roupa é suficiente para os cães quase cuspirem a garganta de tanto ladrarem. Hoje estiveram desde as oito horas até às dez nesses preparos. Deitadinha na cama imaginei crueldades. Não me levem a mal, adoro animais e sou incapaz de lhes fazer mal, mas depois de duas horas a ouvir um «ão ão ão» constante, a sanidade mental começa a ir de férias.

No final, tendo já desistido de tentar dormir, dei por mim a pensar que temos ali um caso de «Pedro e o lobo». Se aqueles dois totós ladram até ao esgotamento porque a vizinha (que eles já deviam conhecer) entende três peças de roupa, no dia em que um ladrão armado em «Spiderman» nos trepar pelas paredes acima e eles ladrarem até à rouquidão ninguém olhará sequer pela janela para ver o que se passa.

Entretanto, faço votos de que a vizinha das traseiras suje e lave pouca roupa já que acordar com estes «ão ão ão» ininterruptos durante duas horas é coisa que mói.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Novo livro à cabeceira


Terminado o Firmin, vou até este O profeta do castigo divino. É a história do padre Gabriel Malagrida conhecido, entre outros aspectos, por ter sido o confessor de D. Leonor Távora. É também a história da ascensão ao poder do senhor Sebastião José. É, no fundo, o quadro de uma época em que Deus estava em todo o lado e era, pelo que parecia, cruel e vingativo até mais não.

Parece, pelas primeiras páginas, escrito com um toquezinho de humor muito cativante. Vamos lá ver se corre melhor do que o último "romance histórico"...

Alugam-se mulas

Tenho uma sugestão para fazer aos senhores que mandam. Lembram-se do Tratado de Tordesilhas, em que se dividiu o mundo em dois? A ideia é parecida: chega-se ao mapa de Portugal e corta-se uma fatia quase rente ao litoral. A essa fatia dá-se o nome de Portugal e ao que sobrar dá-se um chuto na cloaca e a independência. Sim, porque a julgar por tudo o que é retirado às populações do interior, vale mais dizer-lhes logo que não fazem parte desta nação, que são outra coisa qualquer indesejável. Portugal é praia, não é interior.

Digo isto depois de ouvir a notícia de que a CP vai retirar os taxis que substituíam o desaparecido metro da linha do Tua. Portanto aquelas populações, compostas maioritariamente por gente envelhecida, entre as quais existe muita gente sem transporte próprio, estão desde o início do mês presas nos seus lugares. Aos poucos foram perdendo tudo o que ainda os ligava ao resto do país. Agora, para se deslocarem, têm de dispender pequenas fortunas e, note-se, isso é coisa que os reformados desta «ocidental praia lusitana» não têm.

Bom, já que é para regredirmos, ao menos que seja de forma pomposa. Em alternativa ao primeiro plano que aqui esbocei, também proponho o regresso aos cavalos, burros ou mulas de aluguer à saída das aldeias. Escarrancha-se o desgraçado que precisa de se deslocar em cima de um destes bichos, assenta-se uma palmada no quadril do mesmo de forma a fazê-lo começar a andar e lá vai a D. Hermínia à consulta de ortopedia que terá essa tarde no hospital da cidade. No parque de estacionamento deste serviço de saúde estará um moço que servirá o penso ao animal e que lhe dará uma boa escovadela, enquanto espera pela D. Hermínia de modo a mandá-la de volta para trás do sol posto em cima da mula.

A mim parece-me que já andámos mais longe desta realidade, mas o que é mesmo triste é que a esta gente tiraram tudo de tal forma que nem um burrinho deixaram!

Firmin c'est moi!

Acabei hoje de ler o Firmin, de Sam Savage, e gostei muito. A história é a de uma ratazana que nasce na cave de uma livraria e que ao devorar um livro (literalmente) descobre que consegue ler. Firmin, que começou por gostar dos livros pelo sabor que tinham, acaba por apaixonar-se pela leitura de uma forma admirável. Designa os autores maiores (como Tolstoi, Cervantes, Melville ou Joyce) como os "Grandes" e ao longo da sua narrativa vai fazendo inúmeras referências aos muitos autores e livros que leu.

A narrativa é a história que ele escreveria se conseguisse utilizar um lápis ou uma máquina de escrever: é que se ler é o seu passatempo predilecto, outro que muito aprecia consiste em escrever na sua cabeça aquilo que gostava de passar para o papel. Assim vai vivendo esta ratazana "burguesa", como ele próprio se denomina, apaixonada pelos livros e por todos aqueles que a estes objectos preciosos estão ligados.

Terminei o livro com a sensação de que tinha lido uma boa história. Bem escrita, bem pensada, com referências aos melhores autores que este nosso mundinho já viu e satisfeita por perceber que este não é apenas mais um texto sobre livros. Convenhamos que nos últimos anos têm aparecido muitos e nem sempre passam dos típicos lugares-comuns sobre livros e o amor que um ser humano pode sentir por eles. Mas aqui, na singular situação de uma ratazana, criatura comummente tida como bastante nojenta, encontramos uma narrativa cativante, interessante, que aborda questões pertinentes como o desaparecimento de zonas embaraçosas para as cidades, mas onde por vezes se encontram estabelecimentos comerciais únicos. A livraria descrita neste livro e onde Firmin nasce e vive durante uma boa parte da sua vida existiu de certa forma. O bairro sujeito à demolição existiu realmente. E acredito, pela descrição dada, que nesses lugares vivessem efectivamente muitas ratazanas, muitos animais próprios de lugares votados ao abandono. Contudo, nenhuma terá havido como Firmin, uma ratazana tão dos livros que só mesmo num poderia existir.

Notinha: Já me esquecia de mencionar as ilustrações de Fernando Krahn que são adoráveis e que me fizeram gostar ainda mais desta ratazana leitora. Aliás, o bicho gosta tanto de ler os Grandes e de ler mais e mais e mais que, à semelhança de Flaubert que disse um dia "Madame Bovary c'est moi", sou capaz de dizer "Monsieur Firmin c'est moi" (mas em versão menos peluda, claro).

Título: Firmin
Autor: Sam Savage
Editora: Planeta
Ano: 2006

Coisas que revoltam

Podem ler aqui e aqui a história de uma senhora que tenciona transformar uma boa acção numa atitude revoltante. Há sete anos morreu o seu vizinho bibliófilo e a viúva tencionava queimar os  trezentos mil livros que ele possuía. A sua vizinha, Shauna Raycraft, não deixou que tal acontecesse e resgatou os livros em mais de sete mil caixas. Ora, tanta caixa precisa de selecção e ela agora, sete anos depois, ainda não a fez. Reclama, portanto, que se até ao próximo dia seis não obtiver ajuda, queimará os livros que se mantêm encaixotados. O que parece estranho é que se lerem o texto do segundo link que vos deixei, verão que já muitos se ofereceram para ajudar, mas ela parece arranjar sempre uma desculpa para dar a volta à questão.

Enfim, não conheço todos os pormenores da história, mas o que li é revoltante o suficiente. Se primeiro os salvou, como raio quer agora dar-lhes o mesmo destino? Deve haver tanta gente que não se importava de receber esses livros, tantos locais onde eles farão falta, tanto coleccionador que gostaria de lhes deitar uma vista de olhos... Isto revolta-me, a sério que revolta. Chega a parecer uma versão muito pobrezinha do Fahrenheit 451...

Falta de requisitos

Constato que nunca poderia pertencer ao mundo da política. É que eu tenho uma Licenciatura a sério e, para cúmulo, ainda tenho um Mestrado. Não encaixo, por isso, nos requisitos. Bolas.

terça-feira, 3 de julho de 2012

A Menina Quer Isto XVII

A menina hoje descobriu este livro e ficou com a pulga atrás da orelha. Cheira-lhe que em breve virá morar para cá. Vamos ver quanto tempo aguenta...


Deixo-vos o texto que se encontra na ficha deste livro na página da Wook e que é o mesmo que pudemos ler na sua contracapa.

Sinopse
Dia 9 de julho de 1864. Após um serão com familiares, Thomas Briggs chega à estação ferroviária e entra na carruagem 69 do comboio das 21.45 com destino a Hackney. Sem saber que a sua viagem haveria de ficar para a história. Alguns minutos mais tarde, dois bancários entram no compartimento. Quando se sentam, um deles repara no sangue que se acumulara nas concavidades dos botões dos estofos. Depois vê sangue no chão e nas janelas da carruagem, assim como a marca de uma mão ensanguentada na porta. As senhoras na carruagem adjacente queixam-se de que têm os vestidos salpicados de sangue que entrou pela janela quando o comboio estava em movimento. Mas não há sinal de Thomas Briggs. Na carruagem está apenas uma bengala com castão de marfim, uma mala de pele vazia — e um chapéu que, estranhamente, não pertence ao senhor Briggs. Assim começa a história vertiginosa, fascinante e verídica de um crime que obcecou a nação e mudou para sempre a maneira como viajamos. Com formidável mestria narrativa, Kate Colquhoun evoca as imagens, os sons e os cheiros da viagem ferroviária vitoriana e revela segredos há muito enterrados de uma das mais apaixonantes investigações de homicídio daquela era.

Leitura cheirosa

Hoje trouxe isto para casa. Muito lindo o desconto que tive no perfume, o que fez com que a embalagem de 50 ml ficasse ao preço da mais pequena. Tendo em conta que é o meu preferido de sempre, fiquei muito contentinha. A acompanhá-lo veio o último número da revista Ler, que agora vai de férias e só volta em Setembro.


Almocinho doce

Ora hoje o almocinho foi assim para o hipercalórico. Ai Häagen Dazs, o quanto eu te amo!



(Sou uma moça de gostos simples: duas panquecas, uma bola de gelado dulce de leche,
 outra de crème brulée, chocolate belga negro e natas.)



(Prato da pessoa que almoçou comigo: uma saudável mistura de tudo o que havia na loja...)


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Arejar o rato

Depois do fiasco que foi a tentativa de leitura de O Coração do Rei (leiam a última quixotada), seguir-se-á "o rato". Tenho-o na prateleira desde a Feira do Livro de Lisboa de 2010 e hoje arejo finalmente o rato. Aliás, o Firmin, que este leitor roedor tem nome!


Desisto


Estão a ver este livro que comprei na semana passada e que comecei a ler este fim-de-semana? Pois é, desisto. A minha paciência tem limites. Cheguei à página cem e o balanço que faço é: isto é tão romance histórico como eu sou um centauro. Honestamente a sensação com que fiquei é que o que existe neste livro é um discorrer de matéria histórica sobre D. João VI e o filho, de tal modo que não nos permite criar empatia com as personagens, nem com o desgraçado do narrador que, uma centena de páginas depois, nem percebemos muito bem quem seja. Será um franciscano que participa na educação infanto-juvenil e depois na vida adulta de D. Pedro, mas como narrador participante é muito sem sal (pelo menos nas primeiras cem páginas que foram aquelas que li), já que sabe de tudo, mas manifesta-se muito pouco. Ou seja: parece uma máquina e não uma personagem que conviveu e criou laços com aquele de quem fala.

Creio que a autora partiu do pressuposto de que toda a gente conhece muito bem este momento da nossa história e da história do Brasil e portanto não forneceu informações que me parecem fundamentais para que a leitura deste texto flua sem que fiquemos confusos sobre, por exemplo, o paradeiro dos membros da corte. Houve ali um momento em que não conseguia perceber onde raio estava D. Pedro: no Brasil ou em Portugal? É que quando falam em Rossio, caso haja algum espaço com esse nome noutro país, parece-me importante explicá-lo em nota de rodapé. Foi apenas a minha intuição de leitora que me permitiu perceber certas coisas e nem sempre no momento da dúvida.

Depois, a constante inclusão de novos nomes na história merecia uma breve explicação sobre eles, parece-me. Um professor meu da Faculdade disse um dia a um anfiteatro cheio de meninos e meninas do primeiro ano da Licenciatura que quando escrevemos devemos ter em consideração que quem nos vai ler pode estar cansado e, portanto, não estará tão alerta como de costume. Isso deve orientar-nos na nossa escrita e no nosso objectivo que será, penso eu, o de que nos percebam sem precisarem de consultar uma enciclopédia antes de lerem o nosso livro. Parece-me que a autora não seguiu essa máxima. Em frases muito simples (demasiado para o meu gosto) vai pintando a história de uma figura história muito carismática. O erro foi, como disse, partir do princípio de que todos conhecem muito bem a personagem e o período em que esta se move. Percebe-se claramente que o livro é fruto de uma investigação histórica muito apurada. Contudo, a capa diz «romance histórico» e não «trabalho académico». Desse ponto de vista, não poderia gostar do que li.

Para além disso, o ritmo da narração é estranho. Se primeiro tudo avança vagarosamente (e quanto a isso nada a dizer), depois do casamento de D. Pedro o texto transforma-se num cavalo desgovernado. Avança tudo muito rapidamente, não dando o necessário tempo para que o leitor assimile a informação. Vejamos: se o que aqui está é informação histórica, mas se o que eu comprei foi um romance e não uma biografia, convém ser comedido no doseamento da informação. Pode haver quem goste destes ritmos desenfreados, porém eu não aprecio. Foi para isso que se inventou a descrição, que muitos odeiam mas que faz muita falta a um romance. Se fosse havendo descrição dos espaços e das personagens, o ritmo narrativo seria logo abrandado e mais fácil de suportar. Além disso, seriam boas algumas referências temporais mais claras. Por exemplo, se alguém chega com um novo documento importantíssimo para o avançar da acção e que o rei deve assinar, seria bom ter alguma referência temporal que permita perceber o que depois se segue. Também senti falta disso.

Enfim, decididamente não estava a gostar e às cem páginas percebi que mais valia desistir. Não creio que o defeito seja meu. Já li muita coisa, muitos livros bons, muitos clássicos e quando percebo que efectivamente o problema está em mim, admito-o (devo ter sido a única alma deste mundo a não amar Os Cadernos de Pickwick, de Charles Dickens, e aí admito que o problema está mesmo em mim). Já neste caso parece-me mesmo que existem problemas na construção daquele romance histórico. Apesar do esforço da autora, que se terá documentado bastante, o produto final não é, do meu ponto de vista, muito satisfatório. Por isso lá vou eu à estante procurar um sucessor.