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sábado, 5 de agosto de 2017

Viajar pelas Letras II

De facto, o tema parece que não nos larga. Reparem bem na capa da revista Estante n.º 14, disponível gratuitamente nas lojas FNAC:


Ainda não li a revista, até porque só a trouxe hoje, mas já vi que há alguns textos sobre livros e viagens na página online da revista, para cujo link remeti acima. Espreitem. É sempre bom obter novas sugestões e nesta época em que parece que comemos livros à colherada, novas ideias vêm bem a calhar.

Boas leituras!

Adendazita: E já que estamos a falar de revistas sobre livros, já saiu a edição da revista LER relativa ao Verão de 2017. Corram, corram!


terça-feira, 1 de agosto de 2017

Viajar pelas Letras I

O tema das viagens na literatura e da literatura de viagens (são coisas diferentes) tem estado em voga aqui no blogue. Tanto que vou dar início a mais uma sequência de quixotadas relacionadas com ambos os temas e a que chamarei «Viajar pelas Letras». E isto porque uma pessoa, por vezes, está fadada a tropeçar em coisas parecidas num curto período de tempo. Parece-me que depois do Courrier Internacional de Agosto e do romance Leão o Africano, mais um tropeço aconteceu.

Estava eu a olhar para as estantes para escolher a próxima leitura quanto topo com a volumosa «secção Steinbeck». Faço mea culpa: ainda não li nada deste senhor. Um título saltou à vista: Viagens com o Charley. Por ser uma edição antiga da Livros do Brasil, não tem sequer sinopse. Assim, submeti o livro ao teste do primeiro parágrafo (algo que os editores fazem muito, embora por vezes alarguem a um pouco mais do que apenas o primeiro parágrafo). Ora, a surpresa foi tão boa, gostei tanto do que li e achei que vinha tão a propósito do que temos falado aqui que vo-lo deixo. Antes deixem-me apenas dizer que há uma nova edição deste livro de Steinbeck. Se passarem por aqui, poderão vê-la. Assim, se gostarem do que vão ler a seguir, nem tudo está perdido, pois o livro é fácil de encontrar e poderão continuar a leitura fazendo deste, quem sabe, um dos livros do vosso Verão. Mas agora, vamos ao que interessa. Deixemos falar o senhor narrador.

     «Quando eu era muito novo e sentia em mim o impulso irreprimível de estar em qualquer outro sítio, foi-me assegurado por pessoas de idade madura que a maturidade curaria este desejo ardente. Quando os anos me indicavam como amadurecido, o remédio prescrito foi a meia-idade. Na meia-idade, asseguravam-me que uns anos mais acalmariam a minha febre, e agora, que tenho cinquenta e oito, talvez a senilidade o consiga. Nada surtiu efeito. Quatro sopros roufenhos do apito de um navio ainda arrepiam o cabelo da minha nuca e põem os meus pés a sapatear. O som de um avião de jacto, de um motor a aquecer, até o bater de cascos ferrados no pavimento, provocam o antigo estremeção, a boca seca e o olhar vago, o calor das palmas das mãos e a agitação violenta do estômago, aos pulos sob a caixa das costelas. Por outras palavras, não melhoro, ou, indo mais longe, quem foi vadio é sempre vadio. Receio que a doença seja incurável. Menciono este assunto, não para ensinar aos outros, mas para me informar a mim mesmo.»

(Meus caros «quixoteiros», o que vem a seguir é tão bom ou ainda melhor e vai ao encontro do que já tem sido referido aqui como «a arte de viajar», mas para saberem mais pormenores importa ler o livro, que é o que eu vou fazer agora. Até amanhã!)