sexta-feira, 19 de julho de 2019

Retrocesso

Ouvir uma multidão gritar, num comício de Trump, qualquer coisa como «Mandem-na de volta!», referindo-se a um membro da Câmara dos Representantes natural da Somália, recorda outros comícios, num século que passou, mesmo antes de um acontecimento que jurámos não repetir. Aliás, todos os que nascemos depois da Segunda Guerra Mundial ouvimos, na escola, aquela máxima de que a História não deve ser esquecida para não ser repetida. Talvez as palavras tenham sido ditas tantas vezes que perderam o sentido, como quando repetimos o nosso nome e chegamos a um ponto em que já nem nos parece o nosso nome. 

Eis-nos chegados a 2019, mas voltados para a década de 30 do século passado. Deixamos morrer gente em botes no Mediterrâneo; assistimos à luta entre países para ver quem é que NÃO ajuda aqueles que fogem à guerra e à miséria; impávidos e serenos jantamos diante de uma televisão que mostra um suposto líder político escudado por uma multidão acéfala que repete palavras xenófobas com ecos de outros tempos; bocejamos perante actos óbvios de falta de empatia entre seres humanos; observamos o crescimento das nossas unhas quando sabemos que os mais básicos direitos humanos estão a ser pisados e repisados...

 Quando tudo devia soar a perigo, quando todos os nossos alarmes deviam estar a soar, não estão. E assim retrocedemos décadas e vamos voltando placidamente ao que jurámos não repetir.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Peculiaridades de um leitor XV

Estava a ler um artigo do El País sobre livros com temas difíceis que vale a pena ler e fiquei a pensar que, de facto, são muitas vezes esses livros duros, crus, terríveis que nos ficam na memória. Mais até do que o que é divertido ou leve, são as vivências duras das personagens que nos marcam. O sofrimento é intemporal (basta ver que a tragédia era considerada superior à comédia em tempos antigos) e ler a dor do outro é, de algum modo, marcante. Segundo este texto do El País, que inclusivamente faz uma lista de livros com temas difíceis que vale a pena ler, o próprio Nabokov considerava que a literatura que assim não fosse nem sequer era literatura. É, no fundo, a ideia de que os livros devem incomodar. Não sou assim tão radical, mas percebo a sua opinião.

E se pensar nisso, a verdade é que realmente são os livros mais duros aqueles que recordo mais depressa. E mesmo no Quixote, se a parte cómica é imensa e inesquecível, é a dureza com que o mundo trata aquele homem bom e os valores universais que ele defende contra a maldade com que se deparava aquilo que mais lembro. 

Não lemos essa literatura para sofrer. Acho que não temos, enquanto leitores, essa veia masoquista. Lemo-la porque vale a pena, porque essas dores são humanas e porque nos identificamos com elas. De algum modo, isso também nos prepara para as nossas próprias dores. Essa é a boa literatura, no fim de contas: a que fica cá dentro mesmo depois da última página.

terça-feira, 16 de julho de 2019

Julho?

Hoje, antes de ir para o trabalho, olhava pela janela e vi duas meninas pequeninas pelas mãos dos pais arrastarem as suas toalhas de praia até ao carro. Usavam T-shirts de colónias de férias, pelo que deduzo que terão mais dias de praia pela frente. Curiosamente, quase a chegarem ao carro, veio uma rabanada de vento daquelas que parece que até o escalpe nos vai levar. Fabulosas condições meteorológicas para ir a banhos, portanto.

O problema é que realmente não era suposto isto. Não se esperavam dias sucessivos de tempo esquisito e nada estival. E, portanto, os pais, que não têm tanto tempo de férias quanto os filhos e que precisam de lhes ocupar os dias, fizeram o que podiam inscrevendo-os em colónias de férias que enchem a Costa de Caparica diariamente.

Fiquei a pensar que, de facto, já nada é tão fácil como antes. Nem o tempo, nem as férias dos miúdos, nem a vida dos pais. Eu também fui à praia em colónias e apanhava quase sempre dias de Sol. Nessa altura já avançávamos em passadas largas para a destruição do planeta com os nossos comportamentos selvagens (quem, da década de 90, não se recorda dos milhões de bastõezinhos coloridos de cotonetes no areal da Praia do Rei e da Praia da Rainha?). Mas não se falava disso como hoje e os dias iam correndo. No Verão fazia calor, no Inverno frio e o Outono e a Primavera eram o que tinham de ser. Quando a minha mãe me inscrevia na colónia de férias nunca pensaria que os meus quinze dias de praia fossem passados com o casaco vestido. Geralmente estava bom tempo e mesmo que houvesse um ou outro dia mais cinzento, era a excepção e não a regra.

Actualmente já não é assim. Os pais precisam mesmo de ter onde deixar os filhos e as colónias que fazem dias seguidos de praia são uma óptima solução: os miúdos divertem-se enquanto os pais trabalham e a praia faz-lhes bem. Rapidamente os pais parecerão lulas ao lado da pele bronzeada dos pequenitos. Mas depois há isto: chegar ao carro é já uma luta contra a tempestade. E os pais devem ir para o trabalho pouco sossegados ao imaginarem os miúdos em processo de congelação à beira-mar. 

Julho? Naaaaaa...

domingo, 14 de julho de 2019

Os meus dias

Duas tiras de Garfield que resumem a vida cá em casa. Com a diferença de que eu tenho DOIS gatos e um cão.




Semelhanças

Tenho andado desaparecida. Além de andar em constante sofrimento com o calor, consegui passar o fim-de-semana com uma constipação idiota e inevitável, já que o moço também esteve constipado na semana passada.

Bom, além de tudo o que ando a ler, achei bem começar a ler umas tirinhas do Garfield e estou a ficar extremamente preocupada com as semelhanças que encontro entre o mais famoso dos gatos e o meu Senhor Gato. Deverei ralar-me com o futuro das lasanhas cá de casa? Estará a Madame Pochita em sossego? É que o Garfield não tratava o Odie lá muito bem... 

Leiam este livro que reúne as tiras dos primeiros cinco anos da banda desenhada Garfield. Espero que a editora lance as restantes tiras porque, de facto, não há como não rir com o Garfield. E temer um pouco quando se tem uma espécie de seguidor em casa...


quarta-feira, 3 de julho de 2019

A lei, os animais e os miseráveis

Ontem levámos a Madame Pochita ao veterinário para fazer uma análise. Na sala de espera, a dona de uma gata falava sobre uma situação a que assistiu num bairro de Lisboa há uns anos. No Verão, de repente, começaram a aparecer muitos gatos e cães na mesma zona. Mesmo muitos. O suficiente para despertar a atenção de alguém que visitava o lugar com uma certa regularidade, como ela. Perguntou a uma conhecida por que motivo se viam ali tantos animais. Já devem estar a adivinhar a resposta, mas mesmo assim não deixa de chocar: aqueles bichos todos eram de idiotas que tinham ido de férias e que os tinham deixado na rua. Se ao regressarem eles ainda lá estivessem, muito bem. Se não, arranjavam outros (e no ano seguinte a história repetir-se-ia).

Um dos cães «perdidos» adoptou um trabalhador da construção civil e seguiu-o para todo o lado. O homem teve o cão consigo enquanto continuava a obra que vinha a fazer num apartamento da zona, mas ao final do dia não o podia levar para casa porque já tinha outros animais. Levou-o a uma clínica veterinária e verificou-se que o cão tinha chip. Contactou-se o dono, que vivia a vários quilómetros de distância, e ele foi buscar o animal, dizendo que tinha fugido, que andava à procura dele... Enfim, uma história que não se percebeu se seria verdade ou não. O que aconteceu é que ele levou o cão para casa e, eventualmente, pode ter repetido a mesma brincadeira uns tempos depois.

Actualmente existem leis para a protecção dos animais domésticos. E são leis conhecidas: os media referem-nas frequentemente. Mas ainda há, infelizmente, muita gente com uma mentalidade abjecta no que respeita aos animais e principalmente aos de companhia. Adoptam porque são pequeninos, porque um cachorrinho ou um gatinho são bolinhas de pêlo irresistíveis, porque os filhos andam a pedir um animal... Enfim, levam animais para casa sem pensarem que é um compromisso sério e para a vida. Provavelmente são criaturas sem consciência, já que eu nunca conseguiria estar de férias descansada sem saber onde e como estariam os meus peludos. É inacreditável estarmos em 2019 a falar do abandono de animais como falávamos na década de 90 e tão pouco ter mudado. Sim, há leis, é verdade. Mas preocupa-me ainda mais a mentalidade que se manteve e o pouco que as leis conseguem fazer pelos animais.

Eles não falam, não pedem para ser adoptados. A escolha é sempre nossa. Se são fonte de despesa? São. Se destroem coisas? Destroem. Se dão dores de cabeça? Dão. Mas amam-nos de uma maneira única e dão-nos mais alegrias dos que uns móveis imaculados. Levá-los para casa tem de ser uma decisão pensada e se depois quiserem ir de férias, assumam a decisão e deixem-nos protegidos e bem cuidados nos lugares apropriados. Não o fazer é de quem não presta, é de seres miseráveis. E esses deviam ser bem punidos pela lei, a bem dos animais.

animal cruelty,pets abandoned,SPCA

Nota: A imagem saiu daqui e é de Siddhant Jumde.

terça-feira, 2 de julho de 2019

Um "eureka!" bastante atrasado

Acabei de ouvir o Nuno Júdice no seu espaço para comentário na SIC perplexo por muitos professores correctores dos Exames Nacionais serem docentes do ensino privado. Mais ainda: espantado por isso acontecer devido à avalanche de atestados apresentados pelos professores do público nesta fase do ano e que os retiram das listas para a correcção de exames.

É extraordinário assistir a isto e pensar: bolas, isto já acontece há tanto, mas tanto tempo e só agora é que olham para este problema como se fosse de agora? Como se fosse novo? Caros senhores, o problema é mais do que antigo, há anos que os professores dos privado - sempre entre a espada e a parede - são o recurso para uma tarefa a que não conseguem escapar e que é só mais um prego no caixão onde enterrarão o amor pela profissão (igual àquele em que eu arrumei o meu). Há muitos anos que reclamamos do mesmo, mas os docentes do privado não têm voz suficiente para se fazerem ouvir e sentem que lutam sozinhos. Falo porque o vivi. Porque nunca tive nenhum dos direitos concedidos a um professor que corrige exames nacionais. A administradora da chafarica onde ensinei durante vários anos achava que tínhamos de nos orgulhar por sermos chamados para a correção de exames. Quanto à dispensa de reuniões não urgentes por estar a corrigir exames... Não se aplica. Os dias extras de férias? Não se aplica. O reembolso das deslocações ao agrupamento de exames para ir buscar ou entregar provas? Não se aplica. Na hora H nada se aplica aos docentes do privado. E porquê? Porque as regras dependem da boa vontade de quem manda e, não raramente, quem manda é idiota.

Portanto, Sr. Nuno Júdice e quejandos, o problema referido é velho como o tempo. O que acontece é que nunca ninguém olha para os docentes do privado. Ninguém vai escutar o que eles têm para dizer. No dia em que o fizerem, terão o verdadeiro estado do ensino em Portugal. 

A Única História - o balanço

Wook.pt - A Única História

Uns tempos antes do início da Feira do Livro, chegou-me às mãos este novo romance de Julian Barnes. É a história de um amor e das marcas por ele deixadas; é a história de um amor que acontece uma vez na vida e que passa a servir de medida para todos os outros que acontecerão. E é, sobretudo, um ponto de partida para pensarmos nas palavras iniciais do narrador: «Preferiam amar mais e sofrer mais; ou amar menos e sofrer menos?». Se a resposta parece ser simples e ir ao encontro da óbvia ideia de que queremos sofrer o mínimo possível, a verdade é que não é assim tão linear. Queremos sofrer menos, mas também queremos uma vida intensa e cheia de amor. Portanto, coloque-se tudo na balança e veja-se o que se quer mais.

Julian Barnes é um autor daqueles de quem se espera sempre um novo livro melhor do que o anterior. É um autor que se supera e que traz para os seus textos temas intemporais, como o deste A Única História. Não se limita a escrever por escrever: os seus livros têm sempre algo que fica cá dentro, precisamente porque evoca aspectos que são nossos e que são eternos, como o passado, como a nossa finitude, como o amor. E alia aos temas uma escrita lindíssima, rica, mas clara e encantadora. 

Este A Única História é um romance que vale a pena ler. Inquieta pela intensidade da história, pelas  evidentes marcas que o amor deixa numa vida e porque, como leitores, encontraremos nele algo que também é nosso. O protagonista desenvolve uma relação de amor com uma mulher mais velha e essa é a «única história» que vale a pena contar. No fundo, todos temos uma história que queremos partilhar, uma que é aquela que lembramos todos os dias, que nos fica na pele e que se torna a única história, a tal que serve de medida a todas as outras. E é por isso, porque Julian Barnes soube retratar algo que é tão humano, que este é um livro a não perder. Boa leitura!

domingo, 23 de junho de 2019

Coisas que não entendo VI

(Diálogo imaginado, mas bastante possível...)

- Então e que idade tem o menino?
- Tem 6 anos, vai fazer 7.
- Ah...

Não! Como??? Com 6 anos vai fazer 7? Eu julgava que isto das idades era aleatório e uma pessoa, vá, aos 15 podia acordar no dia de aniversário com 64. Afinal não é? Tiraram-me o tapete, meus caros, tiraram-me o tapete.

Resultado de imagem para obviously meme

Nota: A imagem saiu daqui.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

A Menina Quer Isto CXX

Ainda há poucos dias terminou a Feira do Livro de Lisboa (com uma safra MUITO produtiva) e já tenho mais dois na minha lista de livrinhos a ter. Um deles ainda não chegou às livrarias, e o outro já estava na Feira, mas com um preço assustador. São ambos da Tinta da China, onde fiz umas comprinhas aproveitando a promoção «Leve 4 pague 3». 

O autor de Quando a Penumbra Vem é Jaume Cabré, o mesmo de Eu Confesso, que é um dos melhores livros que já li. Neste caso temos treze histórias e em todas elas está presente a morte.

Quando a Penumbra Vem

O outro livro é o Cinco Travessias do Inferno, de Marta Gellhorn. Faz parte da coleção de viagens da Tinta da China e, neste volume, não se fala concretamente num destino como aconteceu em livros anteriores, sendo sim um «relato das minhas melhores viagens horrorosas». Quando alguém assume que as viagens de que vai falar foram horrorosas, a coisa promete.


Portanto, mais dois para a lista. E mais duas estantes, por favor. 

sexta-feira, 14 de junho de 2019

A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert - o balanço

Wook.pt - A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert

Com uns dias de descanso para aproveitar, escolhi um livro mais leve para ler. Note-se que leve não diz respeito ao peso, já que o volume é uma verdadeira bisarma de quase 700 páginas. A ideia era mesmo a de ser entretida por um livro com uma história em que queremos mesmo, mas mesmo, correr para saber o final.

Bom, antes de mais, acho que todos se recordam da barulheira em torno deste livro há alguns anos, quando saiu. Foi um best seller, um campeão de vendas, foi a loucura. Acabei por comprá-lo nessa altura e tem estado a aguardar placidamente a sua vez.

A história é narrada por um escritor, Marcus Goldman (que, aparentemente, voltará a aparecer como personagem noutro livro do autor, O Livro dos Baltimore). A propósito de uma fase em que se encontra com a famosa crise da página em branco, visitará o seu antigo professor universitário e amigo Harry Quebert. Esta personagem é assim um mix de Rocky Balboa com Umberto Eco, por isso imaginem. Bom, devido a um acontecimento meio macabro, Goldman ver-se-á na obrigação de investigar o desaparecimento, 33 anos antes, da jovem Nola. A semelhança entre «Nola» e «Lola» não deve passar despercebida. Lembram-se da Lolita, de Nabokov? Tenho a sensação forte de que o autor deste livro quis que recordássemos essa menina, já que a Nola deste livro tem 15 anos e uma relação amorosa com Harry Quebert quando ele tem 34.

Nola, depois de uns meses de amor com o tal mentor de Goldman, desaparece misteriosamente. Durante 33 longos anos a sua cidade não saberá que destino teve. E tudo continuaria assim se Harry Quebert, já sexagenário, não se lembrasse de mandar plantar umas hortênsias no seu jardim. Os jardineiros, remexendo a terra, descobrem ossadas humanas e lá vai o respeitado professor passar uns dias à prisão. É por isso, para salvar a pele do amigo e também por precisar de uma história para contar, que Goldman se envolve até à alma na investigação do que realmente aconteceu a Nola três dezenas de anos antes.

Ora bem, na essência, é o costume. Rapariga desaparece, rapariga é encontrada morta, investigação, rapariga era uma safada, ai não, afinal era uma santa, fim. Porém, este livro parece aqueles comboios que param em todas as estações e apeadeiros e vão com uma lentidão desesperante por esse Portugal fora. Saímos desses comboios com a sensação de que passámos décadas lá dentro e com vontade de nos esbofetearmos por termos sequer comprado o maldito bilhete. Bem, estou a exagerar. O livro cumpre bem a missão de entretenimento (que era, recordo, o meu objectivo), mas tem dois defeitos: em primeiro lugar a acção desenrola-se com uma lentidão desesperante (o livro devia ter menos umas duzentas páginas para acabar com o flagrante enchimento de chouriço) e, depois, tem demasiadas reviravoltas. Dirão: mas isso não é mau, isso confere suspense ao livro. Sim, uma reviravolta sim. Mas três ou quatro cansam. Houve mais «culpados» pela morte de Nola do que portugueses a votar no CDS nas últimas eleições (bem, talvez não fosse assim tão difícil...).

Além desses dois defeitos que, mais do que entusiasmarem, aborreceram, há a questão do estilo. Todas as personagens falavam da mesma maneira. Fossem escritores consagrados, polícias de uma cidade pequena, meninas de 15 anos... Ouvir um era ouvi-los todos. E lá se vai a verosimilhança. Aliás: com tantos twists a verosimilhança já estava nas ruas da amargura. No final fiquei com a sensação de que o autor quis fazer uma coisa mesmo mesmo única, nunca vista, mas conseguiu tornar o livro um pouco mais ridículo. E pelo meio ainda tivemos o momento Cyrano de Bergerac, com uma personagem a escrever cartas de amor em nome de outra e a criar com isso uma enorme confusão. Ah, os clássicos...

Tudo isso empobreceu o livro, a meu ver. Podia ser um livro muito bom sem as reviravoltas a mais e se o autor se tivesse lembrado de que as pessoas não engoliram um dicionário, logo não falam todas da mesma forma. Assim, perdeu qualidade. No entanto, é um livro excelente para nos ocupar umas tardes porque, claro, queremos sempre saber o que aconteceu à jovem Nola. E é por isso que não o largamos. Mesmo quando nos parece que já é de mais, que já se está a exagerar muito, queremos saber o final e queremos saber se a nossa aposta é a correcta. Por isso continuamos e levamos o livro até à última página. No fim já é uma questão de honra.

Tenhamos, porém, em conta que o autor deste livro era jovem e ainda inexperiente nestas andanças quando o escreveu. Isso faz diferença. Talvez nos livros seguintes tenha tido mais cuidado com estas questões de estilo e de verosimilhança, que são importantíssimas, ou talvez não. A verdade é que vende imenso e muita gente adora o que escreve. Apesar de tudo, consegue deixar-nos com vontade de saber que fim terá a história e, portanto, é um livro que ocupa muito bem o nosso tempo.

Agora, o que me irritou realmente, o que me deixou louca de nervos foram as gralhas. Tantas! Mas ninguém revê os livros? Muita gente pode, ao contrário de mim, ter adorado os muitos twists da história. Depende de cada leitor. Mas duvido que algum tenha gostado de encontrar tantas gralhas num só livro. Letras trocadas, letras em falta, erros de concordância, enfim... Uma paródia! Bem sei que é preciso publicar muito e depressa, contudo, é necessário cuidado. Não existem livros sem gralhas, mas também não é preciso semeá-las página sim, página não. Fora tudo o resto que é da competência do autor e cuja apreciação depende do gosto e da experiência do leitor, isto foi o que verdadeiramente me irritou.

O balanço final é, portanto, este: óptimo para entreter, para espicaçar a curiosidade do leitor, mas cansativo porque quando parece que chegámos a um final (embora demasiado óbvio), eis que recomeça o virote outra vez. E torna-se a repetir o que já sabíamos, ainda que com uns acrescentos. É uma espécie de espiral, portanto. Às voltas, voltas, voltas, mas alargando um pouco mais o panorama, acrescentanto um pouco mais de informação. Todavia, voltarei a dar uma oportunidade ao autor. Vamos ver se entretanto mudou alguma coisa...

Nota: A imagem da capa saiu daqui.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Foi a Hora H - parte 2

Estive novamente na Hora H e a desgraça foi esta:


E as filas na Leya?! E os cestinhos cheios de livros que muitas pessoas tinham? E as pilhas enormes que algumas levavam em braços de tal modo que quase só se lhes via a testa? Uma maravilha!

Nota: As imagens saíram da página da Wook.




terça-feira, 11 de junho de 2019

A Feira do Livro em todo o lado

Já se contam os dias para o fim da Feira do Livro de Lisboa, que será no próximo domingo. Do que tenho visto, muita gente tem marcado presença neste evento que todos os anos anima o Parque Eduardo VII. Se fazem compras, isso já é outra história... 

Livros do dia, Hora H, promoções várias: são muitas as oportunidades para trazer para casa aquele livro que se queria, mas que não se encontrava ou cujo preço não era apetecível. Ora, isto é tudo muito bom, mas apenas para quem mora em Lisboa ou arredores ou quem, por acaso, está na capital por estes dias e pode deslocar-se à Feira. E para quem está longe não vai nada nada nada? 

Alguma coisa irá. Não é a Feira, que infelizmente não percorre o país, mas pelo menos duas editoras estão a dar oportunidade aos leitores de aproveitarem um bocadinho da Feira nos seus sites

A Tinta da China tem na sua página online uma vistosa publicidade aos seus livros do dia: até ao último minuto da Feira do Livro de Lisboa será possível comprar no site da editora qualquer um dos 95 títulos que foram sendo destacados como Livros do Dia ao longo da Feira. Isto é bom para quem não pode mesmo deslocar-se até lá, mas também para quem, tendo ido, não acertou nos dias em que os livros que queria estavam com um preço mais simpático. Portanto, os livros estão lá, com o mesmo desconto que tiveram na Feira e os portes são oferecidos pela editora. Vale a pena. 

A Relógio d'Água faz um desconto em todos os livros do seu catálogo que já tenham mais do que os 18 meses previstos na Lei do Preço Fixo. Vi esse anúncio no seu site logo nos primeiros dias da Feira. Infelizmente, vendo a página pelo telemóvel, não encontro o anúncio. Contudo, lembro-me de que para terem o desconto tinham de, na finalização da compra, escrever o código Feiradolivro. Fiz o teste com um livro com mais de 18 meses e resultou: o desconto foi aplicado. Acima de um determinado valor os portes são gratuitos e essa opção também surge na finalização da encomenda. Gostava de poder ser mais detalhada quanto a esta promoção, mas de facto não consigo ver o anúncio da mesma no telemóvel. De qualquer modo, vão ao site e experimentem. O código funciona, portanto passem o catálogo a pente fino e aproveitem a oportunidade. 

Gostaria de ver mais editoras enveredarem por este caminho. Em paralelo com a Feira darem a todos os leitores, de norte a sul do país, a possibilidade de aproveitarem ao menos uma parte do que o evento oferece. Pelo menos os livros do dia. Se não puderem aplicar todos os preços em vigor na Feira, que ao menos façam como a Tinta da China e disponibilizem essa possibilidade aos leitores. Seria muito bonito. 

Nota: Vi, depois de publicar este texto, que a Gradiva está também a fazer um desconto de 40% em todo o catálogo (apenas para livros com mais de 18 meses). Visitem a página da editora e vejam se alguma coisa vos agrada. 

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Dica para passar o feriado...

... segundo o Senhor Gato:

Nota: Cuidado, pois são necessários anos de preparação para conseguir relaxar desta maneira. O Senhor Gato é já veterano nisto: há cinco anos e meio que passa feriados (e basicamente todos os outros dias também. ..) enfiado em caixas. Se nunca experimentou, aconselhe-se com um especialista em contorcionismo antes de tentar encaixotar-se. Quando conseguir, o resultado final deve ser mais ou menos este:

Nota 2: Não tente igualar o Senhor Gato em beleza: é impossível. 

sexta-feira, 7 de junho de 2019

A Menina Quer Isto CXIX

Wook.pt - Diz-Me Que És Minha

Eu sei, eu sei que não costumo ler thrillers, que opto normalmente por outros géneros e que uma coisa assim costuma estar distante dos meus hábitos de leitura. No entanto, este (acabadinho de sair) Diz-me que és minha parece-me bastante porreiro e fantástico para ocupar o tempo (e agora começam aqueles dias mais longos e de sol que pedem livros, livros e mais livros).

De acordo com a sinopse, a protagonista perde uma filha numa viagem de família e pensa tê-la reencontrado vinte anos mais tarde. No entanto, pode ou não ser ela, até porque todos julgam que a rapariga morreu no dia em que desapareceu. Stella, a mãe, vai iniciar uma busca pela verdade e vai tentar provar que não está louca, que é o que todos pensam sobre ela. A mim parece-me que tem tudo para estar, mas espero que os livro me elucide e, sobretudo, que me surpreenda. 

Este é o primeiro livro desta autora sueca, Elisabeth Norebäck, e parece-me promissor. Pela sinopse e pela capa, acho que vou mesmo dar-lhe uma oportunidade. Venha o livro, um dia livre e um gelado para acompanhar. 

Feira do Livro, aí vou eu...

Nota: A imagem saiu daqui.