sábado, 10 de novembro de 2018

A Quinta dos Animais - o balanço



A primeira edição deste livro deveria ter tido um prefácio do autor que, no entanto, acabou por não ser publicado. Foi descoberto anos mais tarde. Nele, Orwell explicaria que vários editores, na década de quarenta do século passado, se recusaram a publicar esta obra por perceberem que ela metaforizava lindamente o que se passava na Rússia. Ninguém queria provocar a Rússia e, portanto, era melhor deixar o livro no fundo da gaveta.

Felizmente foi publicado e cá está para nos contar uma história, uma espécie de fábula que não deixa ninguém indiferente. Creio que é daqueles livros de que todos conhecemos em traços gerais o enredo, mesmo sem os termos lido. Numa quinta, os animais iniciam uma revolução que os levará a livrarem-se dos humanos, gerindo eles próprios o espaço, o seu trabalho e tudo o que diz respeito à sua existência. Inicialmente, tudo é idílico. Todos parecem ter o mesmo objectivo e todos parecem ter o mesmo valor naquela quinta. Contudo, rapidamente as coisas começam a mudar e a igualdade entre os animais vai ficando cada vez mais diluída. Esta mudança decorre numa gradação que, se no início chega a ter graça, começa a deixar o leitor desconfortável à medida que tudo se torna mais sério. Mais: nós, que já vimos isto acontecer, percebemos todos os paralelos entre o que acontece com estes animais e aquilo que já vimos suceder em sistemas totalitários (ou no meu antigo local de trabalho...). Assistimos ao fim da liberdade de expressão, ao culto do «bode expiatório» que quer distruir o que de bom o «grande líder» fez, à repressão, aos castigos, à criação de uma força repressiva protectora dos que mandam, entre outros aspectos. Não falta ali nada, até aqueles acéfalos que dizem amén a tudo sem qualquer espírito crítico lá estão.

Ao mesmo tempo que lemos uma história com animais que falam, como nas fábulas da nossa infância, entramos também com estes bichos numa realidade terrível que só é a deles no papel. Na verdade, tais erros só acontecem na realidade humana, o que mostra que somos profundamente idiotas e que cometemos alegremente os mesmos erros vezes e vezes sem conta. Ora, esta estranheza causada pela dicotomia entre uma história impossível de se tornar realidade e uma história que é real  embora com outros protagonistas é uma das razões pelas quais este livro é tão bom. É preciso ser-se um tijolo para não se sentir o incómodo que este texto nos provoca. Só mesmo alguém que viva numa realidade completamente irreal poderá ler A Quinta dos Animais e ficar apenas pela camada superior. Há sempre mais qualquer coisa. Há sempre um espelho que nos reflecte enquanto humanos e que nos desfoca, nos distorce. Reconhecemo-nos ali, naqueles cavalos, naqueles porcos, naquelas ovelhas... mas não nos reconhecendo ao mesmo tempo. Acho mesmo que em certo momento damos por nós a pensar no animal que seríamos, se ali estivéssemos. Qual seria o nosso papel? Conseguiríamos manter o nosso espírito crítico, mesmo quando os outros nos quisessem conduzir cegamente? Conseguiríamos erguer a voz? Conseguiríamos ser mais do que as ovelhas que se limitam a repetir sem pensar a propaganda que lhes passam? Ou seríamos como elas e viveríamos felizes na mais profunda ignorância?

A boa literatura abana-nos pelos ombros. Este livro é indubitavelmente boa literatura. Em tempos tive um colega de trabalho que afirmava ser este o seu livro favorito. Agora, tanto tempo depois, percebo a razão e rio-me ao imaginar as vezes em que ele viu semelhanças entre os porcos deste texto e aqueles que nos lideravam...

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Patinhas

Ter cães ou gatos em casa implica perceber que o chão, por mais vezes que passemos a esfregona, terá sempre marcas de patinhas. Sempre. Já desisti de ter um chão “sem patas”. Nenhum dos três abdica da felicidade de andar sobre um pavimento húmido. A ala felina gosta até bastante de se rebolar no chão recentemente lavado. 

Também já desisti de atirar roupa para o chão. Com os gatos era coisa tranquila, mas com a Madame Pochita não há meias que parem quietas. E jornais: também não posso deixar jornais à “pata de semear”. A bem da verdade tenho a casa quase guardada no bolso a ver se alguma coisa escapa. Entre cães e gatos nem sei se EU consigo escapar...

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

sábado, 13 de outubro de 2018

É muito estilo!

Fashion bloggers, cuidado! Madame Pochita tem muito estilo e está aqui para vo-lo mostrar!


Ps.: Depois da ida ao veterinário, Madame Pochita, sensível ao sol, coloca os óculos. Balanço: uma otite daquelas com ácaros nojentos. Agora todos os animais cá de casa estão sob vigilância. E esta menina vai andar a lavar os ouvidinho com uma solução para isto. Daqui a duas semanas volta ao veterinário. Ah, e aos cinco meses, são 12.310 kg de destrambelhamento. 

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Em que aprendo coisas novas

Tirando a curta fase da minha vida no meu sétimo ano em que tive um Pastor Alemão, nunca tinha tido um cão. Portanto, estou a visitar um mundo novo, já que um cachorro está nos antípodas dos gatinhos. Eles quando me vêem, no máximo atiram-se para o chão a pedir uma festa. O cão quando me vê vai buscar a caixa dos fogos de artifício, estoura-a de uma vez, desloca uma anca a abanar a cauda e toda a sua metade traseira, fica com ar de quem está a sorrir e, se dúvidas houvesse, ainda dá um latido. Cada um demonstra à sua maneira e a do cão é, definitivamente, mais efusiva. 

Portanto, além de tudo o resto, aprendo a viver com narigadas de cão nas minhas calças (cortesia do nariz molhado), com gatos que olham para o cão com ar de quem nunca tinha visto um “gato” tão esquisito (penso que lhes apetece dizer “feio” mesmo. São uns snobs), com chão pingado de água por todo o lado, já que o cão sai dos bebedouros ainda “a beber” (o meu moço diz que a cachorrinha tem “a delicadeza de uma vaca”), com um cão que odeia ir à rua e que ainda faz o que tem a fazer nos resguardos em casa... Toda uma festa. Mas pronto: vivendo e aprendendo. Um dia de cada vez até que isto entre em alguma espécie de normalidade. Ou que eu me habitue à loucura. Eheh. 

Roubo triangular

Há o comércio triangular e o roubo triangular. Ora vejam:

- o gato rouba a comida da cadela;
- a cadela rouba a comida da gata;
- a gata rouba a comida do gato. 

E é isto a minha vida. 

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Vale tudo?

No Brasil, Bolsonaro ficou a um passo de chegar na primeira volta ao Planalto. Vários órgãos de comunicação social fizeram um apanhado de frases por ele ditas ao longo dos tempos. Esta criatura de extrema-direita terá proferido em tempos o seguinte dito: “Só não te estupro porque você não merece.”. E também defendeu que o salário das mulheres devia ser menor porque... elas engravidam. Também disse que seria incapaz de amar um filho homossexual e que o mal da ditadura foi só ter torturado e não matado. 

Esta pessoa conseguiu 49 275 358 votos e ganhou em metrópoles como São Paulo. Só se tramou no nordeste brasileiro. Por isso, só mesmo por isso, disputará a segunda volta das eleições. 

Agora, expliquem-me: bem sei que a economia brasileira está gravemente doente, que os problemas sociaia são imensos, e que tantos escândalos na política tiram a confiança em quem a faz, mas vale tudo? Como conseguem ouvir frases destas e achar que este é o líder que faz falta? Em que níveis está o desespero para esta ser tida como a melhor opção? 

Na escola sempre nos avisaram que a História se repete. Mas éramos garotos e isso parecia uma coisa demasiado longínqua para ser motivo de preocupação. Pois bem: a democracia que os gregos deram ao mundo está, infelizmente, cada vez mais moribunda porque uns a atacam e muitos deixam que a ataquem. Um tristeza. 

domingo, 7 de outubro de 2018

A Menina Quer Isto... CXI


O quê? Um livro sobre livros? Ainda por cima sobre livros que ficaram na História e que ajudaram a moldar aquilo que somos? E fala do Dom Quixote?!Venha ele! É do Martin Puchner e chama-se O Mundo da Escrita. A título de curiosidade: se houver por aí sócios do Círculo de Leitores, este livro estará na próxima revista que iniciará em breve.

sábado, 6 de outubro de 2018

Mas já?! Ainda está calor!

Este fim-de-semana prolongado foi dedicado aos animais cá de casa. Foi por isso mesmo que escolhemos quinta-feira como sendo o dia indicado para receber a Madame Pochita, mesmo tendo de passar quase um mês à espera do dia 4 de Outubro (tempo em que ela cresceu, claro). Assim teríamos mais tempo para a ajudar a ambientar-se ao novo lar. Até porque na segunda-feira é dia de trabalho e ela terá de estar capaz de aguentar várias horas sem nós. Mas adiante, que o tema é outro. 

Precisámos de comprar uns resguardos porque a pequena ainda não está habituada a ser passeada e a fazer as suas coisinhas na rua. Lá fomos à loja dos chineses em Benfica. O dono andava atarefadíssimo a arrumar um dos mostradores da entrada com... artigos de Natal. Sim, meus caros, bolas e enfeites vários a recordarem paisagens nevadas. E eu em t-shirt e Havaianas a transpirar como em Agosto. Confesso que me cheira mais a férias do que a Natal. Quer dizer: agora até me cheira mais a cão, mas isso é outra coisa. Agora, Natal?! A sério? Não sei como vai ser, mas não me parece que estejam criadas condições para sonharmos com cenários natalícios. Aguardemos para ver se o mood melhora e se o frio chega. 

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

No Dia do Animal

Ontem foi Dia do Animal (e hoje é Dia do Professor...) e, por acaso, houve a coincidência não planeada de ser um dia diferente dos outros. Ontem, chegou cá a casa a nossa mais recente companhia. É uma cadelinha de quase cinco meses que teve um início de vida complicado ao nascer na berma de uma estrada muito movimentada. Viu um dos irmãozinhos ser atropelado e morrer na estrada. Foi resgatada pela associação Pé Ante Pata e foi de lá que veio, depois de a ter visto num anúncio de adopção.

Os dois felinos parecem ter percebido que ela não teve um início de vida tão tranquilo como o deles e estão a acolhê-la como se sempre tivesse estado cá. Ela é que ainda está assustada, mas aos poucos as coisas melhoram. Por agora ainda está a repôr as energias com uma loooonga soneca. 

Queridos, quixoteiros, dêem as boas-vindas àquela que doravante ficará conhecida como Madame Pochita. Que seja muito feliz. 


domingo, 23 de setembro de 2018

Viva, mas preguiçosa

Desculpai, queridos quixoteiros, mas ando desaparecida. Chego a casa muito cansada e com demasiada preguiça para vos falar. Na sexta-feira consegui o prodígio de cair na cama e adormecer logo, sem nem sequer ler as paginazinhas da praxe. Logo que passe esta fase, regresso para as quixotadas do costume. 

Entretanto, este meu cérebro em férias, aproveita para ler literatura juvenil pejada de bruxas e de princesas. Comecei também a ler Os Loucos da Rua Mazur, mas o início não é tão envolvente como o anterior Perguntem a Sarah Gross. Está, portanto, em stand by à espera de dias mais propícios e menos quentes. Sinto-me constantemente em modo “sopa no caldeirão da bruxa”. Pffff!

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Chora, Camões, chora... XXIX

Durante uma insónia, percorro a aplicação “Notícias ao Minuto” e, num artigo sobre “borbulhas nas orelhas” (sim, leram bem), encontro uma gralha hilariante. Ora cá vai ela: 


Bom, buracos no queijo já encontrei. Quando é suiço é frequente, mas eu até gosto mais do queijo manchego. Agora, borbulhas no queijo confesso que nunca vi. Talvez os queijos que como não tenham passado pela fase das borbulhas na adolescência, o que é uma sorte. Tenho sido brindada com queijos bonitos, de aspecto imaculado, nada refilões e que não me pedem dinheiro para ir ao Bairro Alto todos os fins-de-semana.  No fundo, sinto-me abençoada por nunca ter tido de rebentar uma borbulha no queijo. Nem no queixo, mas disso a “notícia” não fala.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Como subir a média

(Pensamento muito lógico tido e verbalizado por mim enquanto o moço via uma série na qual uma criança estava possuída por um demónio e desatava a falar latim):

- Se há altura em que uma possessão demoníaca dá jeito a uma pessoa, é no dia do exame final de Latim. Teria aumentado bem a minha média de Licenciatura.