sexta-feira, 23 de junho de 2017

Excesso de mimo felino

Fui acordada pelo mau humor nocturno do Senhor Gato perto das cinco da manhã. Já sei que esse mau humor tende a piorar enquanto eu ficar no quarto e por isso saí da cama e fui para o sofá do escritório para continuar a dormir. O problema é que entretanto despertei e até às oito horas não consegui dormir. Resolvi tentar o sofá da sala, com a porta fechada e os felinos do lado de fora. Mas eis que anos de mimo se manifestaram e fui impedida de dormir por uma hora seguida de intensos miados em coro. Só se calaram quando eu desisti e voltei ao escritório para ser lambiscada, roçada, ronronada e sei lá mais o quê. Escritório esse onde, aliás, agora dormem os dois a sono solto. Eu permaneço acordada.

Tenho dois gatos absolutamente mimados que não suportam que me separe deles por uma parede e uma porta. Mea culpa: fui eu que os mimei. 

Coisas que não entendo IV

Aquelas sopas que são feitas a partir de um refogado e que levam manteiga e natas de forma a ficarem "aveludadas", acabando a serem mais assassinas do que um bitoque gorduroso ali da tasca da esquina. E depois o pessoal que está em dieta e diz "Vou só comer uma sopinha que fiz ontem." e enfia uma pratada daquilo como se se tratasse da coisa mais saudável do universo. 

quinta-feira, 22 de junho de 2017

É muita burrice, senhores!

Estão a ver quando estão a registar-se em algum lado e vos colocam um desafio de modo a provarem que não são um robô? Pois bem, surgiu-me a pergunta «Qual é a capital do Brasil?». Escrevi «Brasília» e, surpresa das surpresas, a resposta foi considerada errada. Foi-me colocada outra pergunta, uma subtracção, que acertei. Depois o formulário voltou ao formato inicial com a mesma pergunta que me havia sido colocada em primeiro lugar. Por teimosia experimentei escrever «Rio de Janeiro». E não é que a resposta foi aceite???

Portanto, ou a capital mudou e eu não sei ou a burrice que por aí anda é ainda maior do que aquilo que eu imaginava. Eu provo que não sou um robô e a página em questão mostra que quem a fez tem a cultura de uma ostra morta e em decomposição na montra de uma marisqueira a precisar de ser encerrada pela ASAE.

Quixotada a meter nojo

E a grande, mas mesmo muito, muito grande, sesta que eu dormi hoje? Ah... Acho que teve início ali a seguir ao almoço, pela uma e meia, e acabou às cinco e picos. Com a ventoinha ligada, que a casa ainda não arrefeceu, foi maravilhosa para compensar a má noite que tive.

Talvez amanhã haja mais. Estou tentada a repetir a façanha, até porque desconfio de que tão cedo não volto a conseguir dormir... Mas, acreditem, são anos de sono em falta que imploram por ser respostos. E acho mesmo que vou aproveitar este verão para tratar disso.

Memorial de desparasitação dos gatos

Mês sim mês não lá vem o momento de desparasitar os felinos cá de casa. Este mês coincide com a desparasitação dos donos também*. Todo um acontecimento, portanto. O problema é que desparasitar o Senhor Gato implica uma estratégia aprimorada ao longo dos anos. Ele é lindo e muito meiguinho, mas não suporta sentir-se agarrado ou preso de alguma maneira. Desparasitá-lo está, em dificuldade, quase ao nível daquela maratona que se faz no deserto. Pior só mesmo dar-lhe um comprimido. Aí só me apetece chorar e encomendar a alma ao Criador.

Inicialmente, sem a tal estratégia, limitávamo-nos a segurá-lo enquanto ele se tentava soltar. A pipeta parecia não ter fim e os nossos nervos ficavam esfrangalhados. Já a Gatica é uma santa: basta pegar-lhe ao colo enquanto o outro despeja a pipeta no cachaço. Paralisa de medo e permite tudo, a pobrezinha.

Assim, desenvolvemos um método que hoje vos revelarei. Duvido que alguém precise de passar por este tormento, mas se der jeito a alguém, melhor. Tudo começa com uma lata de atum ao natural (embora aqui eu e o outro dono discordemos relativamente à ordem dos acontecimentos porque eu preferia que a Gatica fosse desparasitada antes da emoção do atum). Abre-se a lata e despeja-se metade em cada pratinho. Colocam-se os pratitos no chão e permite-se aos felinos que comecem a comer. Quando o Senhor Gato já está a sentir-se no paraíso felino e a lamber-se todo com atum, o dono começa a fazer-lhe umas festas e a separar-lhe o pêlo na zona do cachaço de maneira a deixar pele à mostra. O bicho vai desconfiando e o dono pára e põe-se a olhar para o tecto (como se o gato interpretasse isso como «Ah, afinal ele não está a meter-se comigo: está só a admirar o candeeiro. Posso comer descansado.»). O gato torna ao prato e o dono torna a proceder à separação do pêlo. Quando a coisa está a jeito, pimba: começa-se a descarregar a pipeta. Conforme o gato vai parando de comer e olhando para o dono, este também pára e torna a olhar para o tecto, enquanto esconde a pipeta atrás das costas. A dança segue até que esta fique vazia e o gato devidamente untado.

A seguir passa-se à Gatica, que só precisa de colinho porque é um doce e deixa que lhe façam tudo. Por isso é que eu defendo que ela seja a primeira, para depois comer o merecido atum sem interrupções, como se fosse uma compensação pela paciência que tem.

Bom, é este o extenso memorial da desparasitação felina. É uma actividade que vivemos no limite do perigo. O Senhor Gato transforma estas coisas numa aventura. O mais curioso é que, simultaneamente, é mesmo o gato mais meigo e doce que conheço. Não há animal mais apegado aos donos do que este. Contudo, pegar-lhe ou agarrá-lo é impossível. Bem, não se pode ser perfeito, não é verdade?


*Todas as pessoas, donas de animais ou não, deviam desparasitar-se uma vez por ano. Nós fazêmo-lo agora, no verão, todos os anos pela mesma altura, fazendo coincidir a desparasitação deles com a nossa para evitar novos contágios que pudessem existir. Mas é importante que todos tenham consciência disto: qualquer pessoa deve desparasitar-se uma vez por ano. Perguntem aos vossos médicos e farmacêuticos. Não custa nada. É só um comprimido de toma única que não tem efeitos secundários e que pode ser tomado a qualquer hora.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Apitem, miem, qualquer coisa!

Parece que de ontem para hoje perdi um seguidor. Eram uns estrondosos 33 e agora tenho menos um.

Isto uma pessoa quando tem toda uma legião de seguidores nem dá conta da coisa, mas sendo uma casita modesta, qualquer lugar vazio faz-se notar.

Posto isto, à pessoa que se foi embora, espero que pelo menos tenha gostado dos tempos que por aqui passou. O blogue «As Minhas Quixotadas» permanece de bracitos abertos a todos os que queiram vir aqui ler o que por cá se vai espalhando. Mas deixem a vossa pegada, pelo menos para eu saber que existem: tornem-se seguidores, comentem (nem que seja a dizer «Olá, estive aqui!»), apitem, miem, mostrem-se, apareçam, façam qualquer coisa! Gosto tanto de saber que existe alguém desse lado que tenho pena quando percebo que alguém desaparece, ou porque deixa de comentar, ou porque o número de seguidores diminui, ou porque deixo de ver o endereço do seu blogue nas estatísticas de entrada... 

Enfim, já aqui disse isto, mas esta coisa dos blogues cria uma espécie de relação estranha entre as pessoas. É distante, mas existe e, como em todas as relações, é sempre triste quando se acaba.

A imbecilidade e o Exame de Português

Li esta tarde várias notícias que davam conta de uma aparente fuga de informação relativa ao conteúdo do Exame Nacional de Português do Ensino Secundário. Estará a ser investigada, mas a comprovar-se poderá conduzir à anulação das provas realizadas e ao atraso de todo o calendário de candidaturas ao Ensino Superior, prejudicando ainda as férias de muitas famílias.

Todos os anos há uma coisa do género e, curiosamente ou não, é sempre com o Exame Nacional de Português. Saber que autor sai parece uma necessidade premente. Mas saber que autor será objecto de exame não é saber que texto será escolhido nem que perguntas serão feitas. Mais: eu jamais me ficaria por uma informação veiculada pelo Whatsapp, como parece ter sido o caso, indo para o exame tendo apenas estudado aquilo que me tinham dito que ia sair. Neste caso em particular, o facto de a menina ter acertado em tudo o que saiu (os dois textos literários e o tema da produção escrita) levam-me a sentir algum cheiro a esturro e a temer mesmo pelos outros desgraçados todos que poderão ter as suas provas anuladas e o verão comprometido.

Bem sei que a aura de mistério que paira sobre os Exames dá azo a estas coisas. Mas isto é escusado. Fazer circular pelo Whatsapp uma mensagem em que se acusa uma explicadora que será presidente do sindicato dos professores e que sabe sempre o que sai (note-se que estou apenas a reproduzir a mensagem) é de uma tontice sem explicação. Esperar que isto ficasse no segredo dos deuses é mesmo ingenuidade. E além da menina que fez passar a mensagem por toda uma rede social e que, sendo descoberta, poderá não estar em boa situação, o que dizer da suposta explicadora que terá revelado o conteúdo da prova? A ser verdade que o sabia isto é muito, muito grave. Ajudar os alunos a obterem bons resultados é uma coisa, ir contra a ética profissional é outra. Mas também o IAVE terá de saber explicar o que aconteceu aqui. Sempre achei que isto dos Exames Nacionais devia ser como a receita dos Pastéis de Belém ou a da Coca-Cola: um dos segredos mais bem guardados. Afinal e em aparência parece que não é nada disso. 

Vamos ver no que isto dá. Espero, sinceramente, que se apurem responsabilidades, embora também deseje que os desgraçados que não tiveram nada que ver com este disparate todo vejam os seus exames tranquilamente classificados e que possam candidatar-se ao Ensino Superior nos prazos previstos. Uns não deveriam pagar pela suposta imbecilidade de outros. Mas geralmente essa é mesmo a regra que domina o mundo.

Peculiaridades de um leitor VIII

Li há pouco este artigo do The Guardian sobre gralhas que se tornaram famosas e, em alguns casos, extremamente valiosas. Já quando li o livro O Bibliófilo Aprendiz fiquei a saber que certas edições, precisamente pelos erros que escaparam, acabaram por tornar-se mais valiosas do que as que foram corrigidas.

Ora, acho que nisto das gralhas todos os leitores estão de acordo: preferem um livro que tenha pouquíssimas ou nenhuma. Inevitavelmente passa sempre uma ou outra, porém o problema começa quando de facto o livro está pejado delas ou quando as gralhas alteram o sentido do texto. Há uns anos, por exemplo, li O Monte dos Vendavais numa edição tão terrível que me livrei dela depois. As gralhas eram tais e tantas que chegavam a colocar personagens já mortas a conversar sentadinhas numa poltrona, numa clara troca de nomes. Está bem que o romance tem ali umas partes em que realmente parece andar por ali um espírito a fazer bater as portadas das janelas, mas o erro ia além disso e era inconfundível com qualquer elemento sobrenatural adicionado à história.

A primeira vez que li o Quixote, aos dezoito anos, foi inesquecível. Não só porque encontrei ali o MEU livro, mas também porque cheguei ao ponto de pegar num lápis e ir corrigindo as gralhas, que eram imensas. Para terem uma ideia, foram dezenas as vezes em que a palavra «urna» apareceu em vez do determinante artigo indefinido «uma». Está bem que graficamente até são parecidos, mas imaginem o significado que certas frases tinham...

Como disse acima, um leitor (e aqui nem precisa de ser dos melhores: basta mesmo gostar de ler) dispensa bem as gralhas que perturbam a leitura e que dão um ar desmazelado ao livro. Irritam ainda mais quando o mesmo nos custou mais dinheiro do que aquele que deveríamos pagar por livros, mas enfim. O trabalho de revisão devia, por isso, ser objecto de maior consideração. No entanto, a crise provocou o oposto e livros, jornais e revistas surgem pejados de erros que afligem os leitores e que conseguem mesmo, por vezes, afastá-los deles.

Ainda assim, certas gralhas, propositadas ou não, dão boas histórias. Quem leu o romance de Saramago História do Cerco de Lisboa recordar-se-á, certamente, da premissa que cria toda a acção. O revisor de um livro de História sobre a ajuda dos cruzados a Portugal na luta contra os mouros resolveu acrescentar a palavra «não» a uma frase, criando novos acontecimentos históricos e alterando para ficção aquilo que se queria real num livro de História. Ora, o próprio Saramago, que imaginou uma narrativa em torno de uma única palavra acrescentada às provas tipográficas, teria adorado estas gralhas referidas pelo The Guardian no já citado artigo: numa edição da Bíblia do século XVII, alguém fez o contrário e esqueceu-se da palavra «não» nos diferentes mandamentos. Assim, segundo aquela edição, matar, roubar, cometer adultério e cobiçar as coisas alheias passaram a ser permitidos e, inclusivamente, um dever. Essa mesma edição passou, por isso mesmo, a ser tida como «The Wicked Bible». 

Qualquer leitor detesta gralhas, mas acho também que qualquer leitor gostaria de ser dono de uma destas peculiares edições em que uma palavra muda tudo. O artigo do The Guardian refere outros exemplos curiosos que vale a pena conhecer. 

Por aqui recordo-me da gralha na contracapa da minha edição de Os Buddenbrook, de Thomas Mann, na qual está escrito que «Thomas Mann iniciou a escrita do seu primeiro romance - Os Buddenbrook - em 1986, com apenas 21 anos de idade, terminando-o cinco anos mais tarde.». Ora, Thomas Mann nasceu em 1875 e faleceu em 1955... Na altura a gralha irritou-me, mas agora até lhe acho graça. O resto do livro, felizmente, está livre de disparates assim e esta edição da Dom Quixote tem qualidade. Isto mostra-nos que, de facto, se de um modo geral dispensamos gralhas, em certas circunstâncias elas acrescentam qualquer coisa ao livro. Claro que quando até tomamos a iniciativa de pegar num lápis para as corrigir é porque a situação é ridiculamente desproporcional e prejudicial à leitura e compreensão do texto. Nem todas são como a celebérrima gralha da primeira edição do Memorial do Convento, na qual o autor, falando de música conhecida por Baltasar e Blimunda, a descreveu como «estridor operático», transformando-se isto em «escritor operário» depois da revisão. Quem sabe se o revisor pensaria no próprio Saramago ao realizar tal transformação no texto?...

domingo, 18 de junho de 2017

Pedrógão Grande e uma dor que é nossa

Temos sempre a sensação de que as grandes tragédias acontecem longe daqui. Achamos que em Portugal nada acontece e que só aos outros estão destinados os acontecimentos trágicos que nos consternam, mas sem chegar verdadeiramente ao mais fundo de nós, porque a distância, queiramos ou não, sempre atenua estas coisas. Fomos Charlie, fomos Paris, fomos Londres, fomos Manchester... Hoje somos portugueses que não sabemos entender nem lidar com esta dor, com este choque tremendos. Como entender que um fogo florestal leve dezenas de vidas? Como suportar que gente nossa tenha morrido carbonizada nas suas viaturas, apanhada na mais terrível das armadilhas enquanto fugia de outras chamas? Custa a entender. Não estamos habituados a sentir isto, a perceber algo assim, a lidar de perto com isto. Hoje não há distância que atenue nada, hoje não nos metamorfoseamos para «sermos» o outro. Hoje somos nós próprios, despidos de tudo, e mais humanos não poderemos ser.

A todos os que perderam os seus familiares, amigos, conhecidos na tragédia de Pedrógão Grande, o blogue «As Minhas Quixotadas» envia as mais sinceras condolências. Aos bombeiros e a todos os que mais do que promete a força humana lutam contra um fortíssimo elemento, desejamos coragem e agradecemos, do fundo do coração. Portugal hoje não é nada que não seja português, sentindo-se pequenino de tanta tristeza, enlutado até à alma. 

Soube que os bombeiros precisam de água, frutas e outros alimentos. Se viverem por perto, poderão entregá-los em qualquer quartel de bombeiros da zona de Leiria, principalmente em Pedrógão, Castenheira e Figueiró dos Vinhos. Obrigada, desde já, por qualquer ajuda que possam facultar.

sábado, 17 de junho de 2017

Poluição sonora

O que o Peter Griffin faz neste vídeo é mais ou menos o que as rádios nos andam a fazer com aquela coisa a que chamaram «Despacito» e que é... como direi... pior que má. Juro: a música anda pelas ruas da amagura.


Coisas que não entendo III

Já me cruzei, especialmente nas últimas semanas, com umas cinco pessoas que calçavam uma coisa deste género, embora todas na versão cor-de-rosa:


Note-se que calçavam isto na rua e não no recatozinho do lar. Estas, pelos vistos, são da Stradivarius e custam quase trinta euros. Vi-as aqui porque me limitei a pesquisar por sandálias peludas. Confesso que da primeira vez achei que eram chinelos daqueles que se usam em casa quando ninguém tem a decência de nos oferecer umas pantufas giras pelo Natal. Mas ao segundo e ao terceiro avistamento comecei a ficar muito preocupada e a pensar que isto devia ser a nova aberração da moda.

Não me interessam as da foto em particular, mas todo o conceito de chinelos com pêlo para usar na rua e em época quente, como usamos outras sandálias. Quem é que se lembrou disto? Quem é que considerou isto bonito? A quem é que ocorre que isto é uma coisinha bem gira para calçar e dar umas voltinhas? Aparentemente a umas quantas pessoas, já que tive a oportunidade de ver mais de um par de pezinhos enfaixados num texugo rosado em dias de grande calor. Bem sei que os gostos não se discutem, mas também tenho olhos na cara para ver que... bom... como dizer isto? Esta é capaz de ser das modas mais parvas que já vi. E é feia. É dolorosamente feia.

Palavra que às vezes gostava de estar na cabeça dos designers que se lembram destas coisas. Como chegam a isto? Fazem um brainstorm e pensam «O que é que nos falta fazer?». E pumbas: alguém se lembra de criar uma variante dos chinelos felpudos das donas de casa da década de cinquenta para usar com uns vestidinhos e uns tops. Faz todo o sentido. Chinelos de pêlo para épocas quentes é do melhor. Aliás, perdoem-me, melhor mesmo é o pessoal que gosta disto começar a achar que pêlo é mesmo melhor no outono e no inverno, embora depois o calcanhar fique a apanhar um fresquinho desagradável. Daí a começarmos a ver isto com meias é um pulo. Melhor ainda é ver isto com as meias da raquete. E já que estamos na temática do pêlo, para quê depilar as pernas? Bom mesmo é deixar ficar os pêlos, calçar a meia branca da raquete e enfiar a chinelufa peluda para aconchegar e ala para o trabalho. Ou para a escola, onde há um «damo» todo grosso que é preciso impressionar. Bom, lá impressionado ele haverá de ficar. Não sei é se no fim isso será realmente bom...

Não sendo designer, deixo a minha ideia: para quando uma batinha a condizer com a «sandalufa»? É que uma pessoa gosta de reviver e se já temos o chinelinho a recordar a avozinha, por que não investir na bata traçada? Acaba por ser em modo Dom Quixote: onde ele via gigantes, outros viam moinhos; onde uns vêem sandálias, outros vêem chinelos (feios); e onde uns vêem um elegante vestido, outros vêm as batas traçadas usadas há umas décadas por respeitosas mães de família nos parques de campismo deste país enquanto desfiavam os pimentos para a salada. Mas «diz» que é moda e sendo moda o pessoal compra, portanto venham as batas porque os chinelos já temos.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Planos para hoje

Está tanto, mas tanto calor que os meus planos para o dia se hoje passam por... ficar no fresquinho dos lençóis a ler. Já fui ao Continente de manhã e quase morri de calor, por isso tenciono não ter mais aventuras radicais hoje. Serei, doravante, uma jibóia. 

Amanhã conto despedir-me da Feira do Livro. Foi o ano em que lá fui mais vezes e, ao contrário do que imaginava, fartei-me de comprar livros. Se ainda não passaram por lá, aproveitem para fazê-lo até domingo à noite. Depois acaba-se e só para o ano regressa a maior concentração de livros por metro quadrado. 

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Os melhores da Feira

Já aqui falei muito da Feira do Livro, tanto este ano como nos anteriores, e hoje volto ao mesmo, desta vez para falar-vos dos pavilhões onde senti que era mesmo uma leitora a ser tratada como tal. Com simpatia e atenção, com mais interacção do que a mera troca comercial que acontece em qualquer loja (ainda que existam livreiros extraordinários, parece-me que o espírito da Feira é diferente do dos estabelecimentos comerciais comuns), com sugestões e conselhos, enfim, editoras cujos pavilhões é um gosto visitar. Algumas estão nesta minha lista de ano para ano, mas este ano entraram duas novas.

A Cavalo de Ferro é, como já aqui disse muitas vezes, uma das minhas editoras favoritas. Além de ter um catálogo extraordinário, faz umas edições bonitas e cuidadas. Do que já li deles, as gralhas são poucas e a parte gráfica permite uma agradável experiência de leitura. Além dos livros que vou comprando ao longo do ano, passo sempre, mas sempre pelo pavilhão da Cavalo de Ferro na Feira do Livro de Lisboa e a cada ano sou agradavelmente surpreendida pelo atendimento dos livreiros que ali estão (alguns são os mesmos de ano para ano, como é o caso da livreira Ana Maurício que tão bem me atendeu há uns anos e que, pelos vistos, por ali continua a espalhar simpatia). Este ano tenho sido atendida por um rapaz de quem não sei o nome, mas que é mais um excelente representante desta belíssima casa editorial. Simpático, atento e pronto para dar sugestões ou tirar dúvidas, tem feito do pavilhão da Cavalo de Ferro um espaço a visitar. Se ainda não foram à Feira, é favor irem e visitarem a Cavalo de Ferro. Além de terem sempre muitos livros por onde escolher, serão certamente muito bem atendidos.

A Antígona é aquela editora que me enlouquece todos os anos. Felizmente, isso acontece por bons motivos. Aquela banquinha de livros manuseados (em que às vezes nem se nota nenhum defeito) leva os leitores à loucura. Já lá consegui muitas coisinhas boas. Mas, mais uma vez, além das pechinchas, o atendimento tem sido extraordinário. Mais uma vez, falamos de uma editora com um bom catálogo e com edições cuidadas, quase sem gralhas, com bom grafismo, enfim, edições que valem a pena. Juntando isso à simpatia e consideração com que tenho sido atendida, a visita torna-se perfeita. A propósito, trouxe de lá este por cinco euros: estava na banca dos manuseados e o único defeito que tem é uma página na qual a guilhotina não deve ter trabalhado muito bem, o que faz com que tenha sido rasgada à mão. Fora isso, está impecável e trata-se de uma edição bastante recente. Mais ninguém o queria e olhem... está ali à espera da nova estante. Visitem a Antígona e encham as vossas prateleiras!

A E-Primatur tem, pela primeira vez, pavilhão próprio na Feira do Livro. O trabalho desta editora já era admirável antes da Feira do Livro: publica os seus livros com o investimento dos leitores. Na página da editora existem vários projectos à espera de apoio. Aqueles que o conseguem são publicados e o leitor que contribuiu com um valor previamente estipulado para a realização do livro recebe-o em casa. O catálogo está a pôr-se jeitoso e as edições são bonitas. Na Feira, atendem-nos com um sorriso, com sugestões e dando-nos a conhecer projectos que estejam para sair. Fazemos uma compra e dão-nos um catita saco de pano e uns marcadores (sem regatear e sem precisarmos de pedir, como temos de fazer noutros pavilhões...). Não sei se a Feira termina sem que lá volte, que tenho a prosa do Mário Henrique-Leiria debaixo de olho.

A Letra Livre é uma livraria/alfarrabista com loja na Calçada do Combro. Consegui comprar no seu pavilhão a obra completa do Borges, esgotadíssima, por dez euros cada volume. Consegui, ainda, que me arranjassem o terceiro volume da História das Mulheres no Ocidente, o único que me faltava. Vinha sem sobrecapa, mas o livreiro teve a simpatia de me arranjar uma sobrecapa e levá-la para a Feira uns dias depois. Muitos ter-se-iam esquecido ou nem sequer se tinham comprometido em arranjá-la, mas na Letra Livre as coisas não funcionam assim e os livros são levados a sério, assim como os leitores que os compram. O pavilhão da Letra Livre está na zona dos alfarrabistas à vossa espera porque de mim já devem estar fartos. 

A Feira tem de tudo, como acontece sempre. Encontram-se boas pechinchas e gente simpática. Encerra no Domingo e depois já só em 2018. Por isso, aproveitem enquanto ainda dá. É sempre bom celebrar o livro e trazê-lo para casa, se possível.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Paradoxos desta vida

Ontem fui com o moço à Feira do Livro. Já sabia que seria o dia em que iria ao pavilhão da Tinta da China, pois iriam estar como Livro do Dia dois livros que eu queria da colecção de viagens: o Espanha e o Sibéria. Como têm a promoção "Leve 4, pague 3" e como também queria o do Somerset Maugham da mesma colecção, trouxe-o também e escolhi ainda o livro Os Bebés de Água para ter acesso à promoção. Assim, o Sibéria viria gratuitamente. 

No fim, a conta (já sem o livro de oferta) era de 42€ e uns cêntimos. Pedi ao senhor que me estava a atender uns marcadores. Vem logo de lá depresaa uma colega mais velha para dizer que todos aqueles livros tinham "fitilhos". Tive de explicar-lhe que não gosto de fitilhos e que prefiro marcadores. O rapaz, meio aflito, lá pediu ao colega do pavilhão em frente, pertencente à mesma editora, para me dar uns marcadores, coisa que ele fez, embora fizesse questão de notar que não tinha muitos.

Fiquei muito mal impressionada com este pavilhão que, ano após ano, revela ser uma desilusão. Por um lado os descontos mal se notam, a menos que usufruamos da referida promoção, por outro, acho incrível estar quase a negar uns reles marcadores a quem deixou mais de quarenta euros na editora. Os livros podem todos ter fitilhos, que a mim pouco me importa  já que nunca os uso. Perante a minha pergunta sobre se tinha marcadores, só havia duas respostas que me fariam sentido: ou sim ou não. Agora, salientar que os livros já vêm com fitilhos para marcar as páginas dando implicitamente a entender que não precisaria dos marcadores para nada pareceu-me feio. 

O paradoxo, para mim, está no facto de se tratar de uma editora de grande qualidade, que faz livros capazes de deixar os leitores a babarem-se, tanto sobre os títulos como sobre a parte gráfica dos volumes. Não são, por isso mesmo, livros baratos, mas faz-se o esforço para comprá-los. E depois ficamos a sentir que estamos a fazer um grande favor ao fazer compras. Tanto que até um marcador parece ter de ser regateado. Não gostei da atitude da funcionária, fiquei mal impressionada. Mas pronto, lá trouxe os livros e os marcadores e isso é que importa. Para o ano há mais Tinta da China. 

sexta-feira, 9 de junho de 2017

A Menina QUERIA Isto, Mas Já Tem VII


O que seria da minha vida sem os alfarrabistas? Faltava-me este volume. Pedi-o num alfarrabista e ele apareceu no dia seguinte e em excelente estado. Vinha apenas sem sobrecapa. O livreiro disse que talvez ma conseguisse arranjar. Pensei que fosse esquecer-se, mas hoje lá estava ela à minha espera. Magnífico!

Na editora, o livro custar-me-ia mais do dobro do que paguei e estava em pior estado. Dito isto, consegui todos os cinco volumes da História das Mulheres por um total de... 25€. Ide lá ver quanto custaria ela originalmente e pasmem-se. Até eu me pasmo com estes achados.