quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Boas férias!

A Sábado consegue com duas palavras na capa responder à ex-Ministra da Administração Interna e ao seu disparate monumental. Tantas das asneiras ditas por esta gente (não só por ela, mas por outros) ficarão sem resposta. Mas pelo menos ao problema das férias "que não" teve, a resposta serve-se em letras grandes e vermelhas na capa de uma revista. De vez em quando o sarcasmo cai bem.


quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Um cheirinho / fedor do nosso Mundo

Eis o que li agora no Notícias ao Minuto (reparem no excerto que destaquei):


É bonito, não é? A discussão nas redes sociais em torno da roupa de uma miúda que já fez mais pelo Mundo do que aqueles comentadores furiosos todos juntos é mesmo digna de reflexão. Atenção, Universo: a Malala vai às aulas em Oxford vestida como quer! O choque! O horror! Vamos já todos comentar a fotografia, dizendo que ela é hipócrita e que nos andou a enganar este tempo todo. Palavra que quanto mais penso nisto, mais me apetece distribuir chapadas. 

A fotografia que levantou a celeuma foi esta:


Para muitos foi, pelos vistos, ofensivo não ver a moça com as tradicionais vestes indianas enquanto anda pela Universidade. Foi o suficiente para receber o epíteto de hipócrita e para passar a ter merecido uma arma apontada à cabeça. Isso mesmo: devido à roupa que veste (e que está muito bem, diria eu), passou a merecer uma pistolita encostadinha à têmpora. 

Para muitos, a Malala deve ter passado a ser uma propaganda ambulante às vestes tradicionais que costumava usar. Só isso poderia explicar a estupidez da decepção. É que não perceber que, apesar do que tem feito pelo direito à educação, não deixa de ser uma jovem a fazer aquilo com que sempre sonhou é de asno. O que me importa que use agora calças de ganga e saltos altos? Se a fazem feliz, que use e abuse de umas e de outros. Desde que continue a fazer-se ouvir e a mostrar a mais e mais meninas que há outros caminhos na vida, que estudar e contrariar tradições bizantinas é possível, quer se vá às aulas com as vestes indianas, com um pijama, com umas calças de ganga ou com uma saca de serapilheira presa com uma corda. 

As redes sociais têm muitas coisas boas, mas acho que as têm sobretudo más. Dão voz aos idiotas que, de outra forma, teriam de falar para o tecto até ele lhes cair em cima. E depois, claro, vai-se espreitando como param as modas nas redes sociais para pespegar a última polémica no noticiário ou no jornal. E assim os asnos vão tendo mais voz. No fundo, nem eu devia trazer para aqui isto, que asnos neste blogue só mesmo o burrico do Sancho Pança. Mas não consegui deixar de vos brindar logo pela manhã com mais uma evidência da estupidez, pequenez e falta de horizontes de umas quantas bestas que se julgam seres humanos, mas que não o são mais do que qualquer jumento deste mundo. 

Espero não vos ter inquietado muito e tirado o sono para esta noite ao vir mostrar-vos a Malala de calças de ganga e botas. É que é muuuuuuuito chocante! Eu até estou a tremer por ela não ser como a Madre Teresa de Calcutá, que era coerente e usava sempre a mesma farda. Será que o facto de ser uma jovem que até está a viver a alegria de chegar agora a Oxford tem alguma relação com isso?!... Dúvidas, dúvidas... 

Agora que penso nisso, nem imagino o que será se e quando arranjar um namorado. 


terça-feira, 17 de outubro de 2017

Da ironia

Quando o despertador do meu moço toca para ele se levantar e ir trabalhar, a música que se ouve é... "Dia de Folga", da Ana Moura.

Dolorosa ironia. 

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Chove!

Nunca fiquei tão feliz por ouvir o som da chuva como agora. Que caia, pois faz muita falta. 

(Acho que pela primeira vez ninguém vai reclamar por estar a chover.)

Liderança e insensibilidade

Além da desgraça que se passa no terreno com os incêndios, ainda temos de ouvir as enormidades que têm sido ditas pelo Secretário de Estado da Administração Interna (que acha que as populações têm de ser proactivas, pegar na mangueira e irem apagar os fogos porque não podem estar à espera dos bombeiros e dos meios aéreos), da Ministra da Administração Interna, que no meio deste gigante e gravíssimo problema, resolve dizer que se se demitisse ia ter as férias que não teve, ou pelo Primeiro Ministro que, basicamente, diz que temos de nos ir habituando a isto. Mas está tudo doido?

Será que estes líderes lêem as mesmas notícias que eu? Será que a eles não lhes custa ler que finalmente apareceu o corpo de um bebé de um mês, cujos pais já tinham falecido num incêndio? Um mês! Este bebé nem tinha ainda nascido quando sessenta e cinco pessoas morreram em Pedrógão Grande e, mesmo assim, já perdeu a vida em mais um fogo. Já se percebeu que não podemos contar com o Governo para solucionar este problema. Bastou vez que quando os fogos de Verão serenaram um pouco, rapidamente o tema dos fogos florestais deixou de ser discutido. Até que chegou o relatório relativo ao sucedido em Pedrógão e lá se voltou a falar no tema, mais para arranjar um ou outro bode expiatório do que para solucionar o problema. Contudo, além de não resolverem, mandam as populações mexerem-se e irem ajudar a apagar os fogos; dizem-nos para nos irmos habituando a estas catástrofes; atribuem a culpa às alterações climáticas, como se fôssemos só nós a sofrer com elas (que eu saiba, há muitos países com floresta e altas temperaturas e não ardem assim); que falam nas suas feriazinhas num momento como este. Se não está tudo louco, não sei o que se passa. Sei apenas que assistimos boquiabertos ao repetir de qualquer coisa que não devia ter acontecido nem uma primeira vez quanto mais duas. O que se fez por evitar a tragédia? Por que foram retirados meios finda a «Fase Charlie» sabendo que o país ia continuar com altas temperaturas e em seca extrema? 

Não há respostas porque quem manda sacode a água do capote. Costuma até dizer-se popularmente que «Quem manda está calado». Melhor fora porque por cá quem manda só diz asneiras e, mesmo assim, continua pomposa e alegremente a mandar. 

Não imagino a revolta e a dor das populações afectadas e, sobretudo, dos que perderam familiares e amigos nesta vergonha com que ninguém consegue acabar. Os meus pensamentos estão com essas pessoas. A minha raiva está com os outros, os que deviam agir e não falar por falar.


domingo, 15 de outubro de 2017

Inadmissível

E eis que parece que estamos novamente em pleno Verão, com incêndios incontroláveis e assassinos por todo o país, a deixarem populações em pânico e os bombeiros sem mãos a medir para a dimensão dos fogos. 

Neste momento as televisões noticiam a morte de mais três civis nos incêndios. Se na época de Verão isto já é inadmissível, agora é o quê?!

Kindles, Kobos e afins

O diário espanhol El País publicou na sexta-feira passada um trabalho em que comparava os vários leitores de ebooks disponíveis no mercado, seguindo parâmetros como a autonomia, o conforto, o peso, entre outros. Em Portugal vejo poucas pessoas a utilizarem estes dispositivos (e a ler, em geral), mas em Espanha vê-se muita gente nos transportes públicos a lerem no seu Kindle ou no seu Kobo. E o melhor: são pessoas das mais variadas idades, o que é realmente fascinante. Considerando que estes aparelhos permitem geralmente o aumento do tamanho de letra, acabam por ser muito bons para quem tem problemas de visão que dificultem a leitura do livro no seu formato tradicional.

Este artigo conclui que no que diz respeito à relação qualidade/preço, o Kindle Paperwhite é a melhor escolha. É aquele que uso há talvez uns três anos e, de facto, recomendo-o. É leve, não cansa a vista e permite ler em condições de luminosidade baixa. Como o ecrã tem luz própria, podemos ler na cama sem incomodar quem está ao lado. 

Mas este artigo ainda refere outras marcas. Há quem prefira os Kobos por aceitarem o famoso formato EPUB que o Kindle não lê (algo que um conversor como o Calibre resolve facilmente), ou mesmo por existirem modelos com ecrãs bem grandes. Enfim, é um excelente texto para quem ande a pensar na possibilidade de arranjar um aparelho destes, mas não sabe bem por qual optar. Além disso, deixa bastante claro que ler nestes dispositivos é possível. Ainda existem muitas pessoas que acham que este tipo de leitura cansa a vista ou que é como ler num tablet (o que é muito pouco confortável, diga-se). Por experiência própria digo-vos que não é o mesmo que ler num iPad, por exemplo. O Kindle, que foi o que sempre usei, é confortável, não causa dores de cabeça e, tanto quanto me tenho apercebido, não dá cabo da nossa visão. Claro que é necessário algum hábito para estes dispositivos ocuparem um lugar confortável nas nossas vidas. Inicialmente, pode ser um pouco estranho. Está provado que temos menos atenção durante a leitura de um livro digital do que de um livro em papel. Porém, pela minha experiência, posso assegurar-vos de que com o tempo, com o uso, os níveis de atenção e de concentração aumentam. O aparelho, ou melhor, a sua qualidade também têm grande influência sobre a leitura. Em 2012 eu ainda usava o velhinho Kindle sem luz e com teclado (vejam aqui a quixotada sobre ele nessa altura). Já o tinha desde 2010 e confesso que não estava tão habituada a ele como estou agora ao modelo Kindle Paperwhite. A qualidade de um e de outro é incomparável e isso afecta a comodidade da leitura. Se na altura, como disse na tal quixotada, nunca lia dois livros seguidos no Kindle porque me cansava, agora posso dizer-vos que estou sempre a ler em simultâneo um livro em papel e um livro no Kindle. Leio todas as noites no Kindle antes de dormir e nem por isso perco o sono. Muito menos chego ao fim do livro com a sensação de que não lhe prestei a devida atenção. As coisas evoluem e, neste caso, os leitores de ebooks têm melhorado consideravelmente com o tempo, tornando a leitura mais confortável do que o que sucedia com os modelos mais antigos e sem o ecrã luminoso. 

Mas melhor do que o que eu possa dizer aqui, já que só conheço Kindles, é lerem as conclusões a que chegaram na redacção do El País e que estão bem descritas aqui. Opções não faltam, mas o mais importante é mantermos na mente o seguinte: ter um e-reader não implica deixar de ler os livros em papel. Uma coisa coexiste com a outra. O Kindle é perfeito para levar em viagens e para ler de noite. Contudo, para a praia levo sempre um livro em papel, já que a areia far-lhe-á menos estragos do que num dispositivo electrónico. Não temos de escolher um e deixar o outro: livros em papel e ebooks podem fazer parte da nossa vida ao mesmo tempo, enriquecendo-a e não o contrário.

Ana Moura no Coliseu


Se o concerto no Meo Arena em Abril de 2016 já me tinha arrebatado, este no Coliseu dos Recreios foi absolutamente avassalador. Foi mais intimista, teve uma selecção de músicas que abrangeu não apenas o último álbum, Moura, mas trabalhos mais antigos da cantora e exibiu um enorme equilíbrio entre temas mais alegres e outros mais emotivos.

Ana Moura enche um palco com o sorriso. Mas também com a ginga da anca num fado dançado que o refrão de uma das suas canções comprova: «Se o Fado se canta e chora / também se pode dançar.». E ainda com a alegria que dedica aos temas mais mexidos e com a emoção que coloca nos outros. Para mim é, neste momento, a melhor voz portuguesa no que ao Fado diz respeito (e ao resto, provavelmente, também). Só lamento que os seus concertos durem duas horas e não cinco ou seis. Por mim podia ter continuado pela noite dentro que não me importaria nada: ficaria colada à cadeira com todo o gosto.

Além disso, desta vez estive na segunda fila, mesmo à frente do palco, o que me permitiu viver o concerto ainda mais de perto. Tão de perto que pude fotografar alguns momentos bonitos, como este que vos deixo em que a Ana Moura agradece ao público que encheu todos os lugares disponíveis no Coliseu. Uma casa cheia e feliz com o concerto que foi apresentado. Penso que até a Madonna, no camarote presidencial, deve ter gostado.

E agora resta-me esperar ansiosamente por um novo concerto seu em Lisboa. 



PS.: E deixo, também, a canção com que o concerto abriu. Tão, mas tão bonita.



sábado, 14 de outubro de 2017

A Menina Quer Isto C

(Ena pá: é o centésimo «A Menina Quer Isto». Mas que pedinchona!)


Esta é a época do ano em que a família não se importa nada que eu coloque estas coisas no blogue, já que vêm aí o meu aniversário e o Natal. Portanto, cá vai: parece que vai chegar às livrarias uma nova aventura dos irredutíveis gauleses. Então, à semelhança dos outros anos, a menina gostava de acrescentar este à colecção que ainda está LONGE de se encontrar completa. 

Muit’agradecida pela atenção.

Empurrando com a barriga

No meio da confusão toda que tem dividido e exaltado o país vizinho, não pude deixar de me rir com o facto de as palavras de Puigdemont serem tão pouco claras que o Primeiro-Ministro espanhol lhe deu um prazo para dizer se declarou a independência da Catalunha ou não. 

Chama-se a isto dar a volta às palavras para ir "empurrando com a barriga". 

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Já é Natal???!

Uma das lojas da cadeia VIVA já tinha hoje árvores e enfeites de Natal à venda. Não sei se os puseram na montra hoje ou antes, mas caramba: ainda nem chegámos a metade do mês de Outubro! A Popota ainda nem se sente pronta e no espírito. Ainda nem se vestiu a rigor para a época!

Ou melhor: ainda andamos de sandálias e t-shirts...

domingo, 8 de outubro de 2017

La Mula - o balanço


La Mula é um livro do autor espanhol Juan Eslava Galán, conhecido entre outros aspectos por dotar os seus textos de humor e ironia. Neste caso, a acção decorre durante a Guerra Civil Espanhola que opôs republicanos e falangistas. O protagonista é um homem chamado Castro, que iniciou a sua vida militar pelos «rojos», mas que optou por mudar de lado e combater ao lado das tropas de Franco. Era responsável pelas mulas da sua companhia, às quais cabia a missão de transportar material bélico de umas trincheiras para outras. 

Um dia, Castro, enquanto andava a apanhar espargos, encontra uma mula perdida. Mansinha, dócil, resolve levá-la para junto das restantes de que toma conta e levá-la consigo para casa quando tudo terminar. Dá-lhe o nome de Valentina, pois era muito valente por andar pelos campos junto a um cenário de guerra sem se assustar, e faz dela uma amiga. Valentina torna-se o símbolo de uma vida pós-guerra na paz do lar. Castro era um homem de aldeia, trabalhador rural, quase analfabeto. Consigo, o destino de Valentina seria o de trabalhar no campo, mas isso também significaria que o conflito terminaria e que poderia regressar a casa. Ao longo do livro falará muitas vezes com a mula, sempre com um carinho enorme e a esperança de que ela venha a ficar com ele. Para que isso aconteça, vai constantemente adulterando os formulários que preenche: em vez das vinte e cinco mulas que se encontram ao seu cuidado, apenas dá conta de vinte e quatro, mantendo Valentina em segredo para que não seja tomada por mais um dos animais pertencentes ao exército.

Mas Castro e os seus companheiros de guerra também servem para mostrar como era a vida destes soldados, como se trocava facilmente de lugar entre republicanos e falangistas porque num dos lados a comida era melhor do que no outro; como as cidades e aldeias ficaram destruídas ao mesmo tempo que outros negócios floresciam, como a venda de objectos roubados às vítimas da guerra (há inclusivamente uns brincos de ouro ainda sujos de sangue) e as casas de «meninas»; como a propaganda falangista distribuía medalhas a uns quantos heróis de guerra (sendo Castro, por um equívoco, um deles), mandando-os novamente para o perigo da frente de batalha; como algumas meninas casadoiras procuravam esquivar-se aos avanços de soldados sem futuro, aceitando apenas os que pretendessem continuar a carreira militar após a guerra, pois esses poderiam fazer delas umas «señoras» com bons vestidos e uma boa vida (o amor pouco importava nestes casos); como as populações espanholas ficaram numa miséria tão grande que é mais do que óbvio o contraste ente as cerimónias de propaganda ou de celebração da vitória dos falangistas e os pobres desgraçados famélicos que continuam a tentar subsistir nos campos, rezando por um pedaço de pão duro; como amigos se viram separados por uma ideologia política que muitas vezes nem seguiam, mas pela qual se viram obrigados a lutar; como os próprios soldados, carne para canhão, viviam em condições tão miseráveis que um banho era um luxo desconhecido, ao contrário dos piolhos que eram o que mais tinham sobre si. Ou seja: entre o humor da escrita do autor, conseguimos perceber uma série de situações que nada têm de risível e que são provocadas pela guerra.

O protagonista ver-se-á, em determinado momento, coroado como um herói de guerra, sem perceber muito bem como. Todavia, na verdade o que lhe importa mesmo não é a medalha que Franco lhe coloca no peito: é a mula Valentina e o facto de poder ou não levá-la consigo quando o conflito terminar. Pelo meio tem uma noiva, mas até ela se vai ao trocá-lo por outro militar com maiores hipóteses de ter um futuro risonho. Assim, só lhe resta mesmo a mula. A guerra não lhe trouxe mais nada além da medalha (de que não fazia questão) e de Valentina, a quem quer muito. 

Um dia declara-se no rádio a rendição dos «rojos» e vitória dos nacionalistas. Terminou a guerra, será tempo de regressar a casa. Mas antes ainda é necessário ir mostrar o triunfo em algumas povoações. Castro bem pede licença para ir ver a família, já que o comboio passará junto à sua aldeia, mas não lhe é concedida. De coração nas mãos, passará esses dias a pensar no modo como poderá levar Valentina para longe dos outros animais do exército. Quanto ao fim da história, não conto mais nada.

Quando pensamos que a Guerra Civil Espanhola aconteceu aqui ao lado há menos de um século, instala-se uma sensação de estranheza. Mas este conflito existiu mesmo e foi muito dramático. Em La Mula, Galán procurou dar ao leitor uma história meio anedótica que consegue simultaneamente deixar perceber o que a guerra fez à vida de todos: soldados e suas famílias, populações locais e, no fim de contas, ao próprio país. Castro, por exemplo, fica a saber que o pai foi preso e que a mãe e a irmã passam muitas dificuldades, algo que até aí nunca tinha acontecido. Por isso, no meio do humor, da comicidade da linguagem tão vernácula dos combatentes, há uma tristeza que nunca desaparece. Como diria Pessoa, são «Malhas que o Império tece» e que sempre acabam por enredar os mesmos.



sábado, 7 de outubro de 2017

O roubo do tempo

Ultimamente tenho recordado muito as palavras de um dos melhores professores que tive na Universidade. Dizia ele que nos zangamos com quem nos rouba o dinheiro, mas que não nos inquietamos com quem nos rouba o tempo. Cada vez mais penso que o acto de nos fazer perder tempo em vão devia mesmo zangar-nos e devíamos impedir que tal acontecesse. 

Além disso, devemos zangar-nos com quem julga que pode pôr e dispor do nosso tempo. Quem, para servir os seu próprios interesses, quer submeter-nos a situações que nos roubam horas de tempo de qualidade, quando poderíamos fazer exactamente a mesma coisa noutras horas mortas. Quando digo que devíamos zangar-nos, quero na realidade dizer que devíamos impedir tais abusos, precaver-nos, defender-nos deles e não, para "fazer o jeitinho", aceitar cegamente tudo o que querem que façamos. 

É que o professor tinha razão. Ninguém nos devolve o tempo que se vai, que se perde, que se gasta e nos desgasta quando não o usamos com lógica. Roubar-nos tempo é grave e a verdade é que quanto mais ele passa, mais grave isso se torna. 

Em busca de lugar na estante VIII


Balanço da coisa: já tenho um livro do novo Nobel da literatura para ler (e, felizmente, a hedionda sobrecapa sai e dá lugar a uma capa aceitável; já tenho o primeiro volume de Os Subterrâneos da Liberdade, de Jorge Amado, portanto agora faltam os volumes II e III, que são mais fáceis de encontrar; corrigi uma terrível falha na biblioteca cá de casa e que consistia na inexistências do Almas Mortas; e trouxe o meu segundo livro do Afonso Cruz (dele só li e tenho Os livros que Devoraram o Meu Pai)

Ainda fiquei com uns livrinhos debaixo de olho, mas tive de ter juízo. Já não vim mal acompanhada, pois não?


Ps.: A propósito do Gógol, lembrei-me de que a Visão História que saiu este mês trata do tema da Revolução Russa, ocorrida há cem anos. Estou a lê-la e, fora umas gralhitas que gastar dinheiro com um revisor resolveria, é bastante interessante. Também o Courrier Internacional do mês passado tratou o mesmo tema. No primeiro artigo da Visão História fala-se, precisamente, do significado do termo "almas" naquele contexto.  

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Em busca de lugar na estante VII


Não vi o filme baseado no livro de Roald Dahl, mas vou fazer muito melhor do que isso e ler o livro. Felizmente, a imagem do filme está apenas na sobrecapa. A verdadeira capa é muito mais gira e ilustrada. 

O livro A Morte Madrinha, Polegarzinho foi cortesia do meu moço. Agora já só me falta um volume para completar esta colecção que recolhe contos maravilhosos subordinados a determinados temas. Neste livro o tema é o da morte "amiga", por um lado, e dos que morrem na floresta, por outro. Agora, se não estou enganada, já só me falta o volume que trata da boa da Branca de Neve. Haverá de vir juntar-se aos seus congéneres.