domingo, 30 de dezembro de 2012

Feliz ano novo

Creio que amanhã será um dia atarefado, já que são sempre assim os últimos dias do ano. Por isso, aproveito para desejar-vos agora uma excelente passagem de ano e um 2013 que valha bem a pena.
 
Escrevo neste blogue há um ano e poucos meses e aprendi a gostar de quem aqui vem quase diariamente, deixando a sua pegada num comentário ou juntando-se como seguidor. Por isso, também aprendi que, para o bom e para o mau, devo estar deste lado. Somos poucos mas somos bons e eu gosto de vos ter como leitores e de saber que gostam de vir ver o que escrevo. É, assim, meu desejo para 2013 que a vossa presença se mantenha e, tanto quanto possível, aumente. Mais: que seja um ano, apesar de tudo, marcado por coisas boas, que muito as merecemos. Espero sinceramente que a vida nos sorria no próximo ano e que, mesmo nos momentos em que seja menos feliz, saibamos suportar a dor e continuar. Nada mais vos poderia este blogue desejar.
 
Um beijinho a todos e um feliz ano novo.

A sério?

Portanto somos um povo que elege o Salazar como o melhor português de sempre e uma música de Emanuel como sendo a melhor canção portuguesa de 2012. É só isto, minha gente.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Quixotada sem título

Todos nós sabemos que nos esperam dias de perdas em que veremos partir aqueles que mais amamos até que, por fim, chegue a nossa vez. Porém, nada nos prepara para essas horas e, quando elas chegam, doem como se nunca tivéssemos percebido a inevitabilidade do acontecimento. Dizem que isto faz parte da vida e eu acredito porque não tenho razões para duvidar: tem sido sempre assim e será de igual modo até ao final dos tempos.
 
Hoje recebi uma notícia. Melhor: o prenúncio de uma notícia que acabará por chegar e que será ainda pior do que a de hoje. E o que faço com o que sei e com o que sinto? Choro já tudo ou engulo e guardo para depois? Entro em 2013 com festa e alegria, esquecendo o que sei ou deixo-me estar quieta precisamente porque sei que o próximo não será, certamente, ano de festa?
 
Não sei o que faça nem sei o que fazer com isto que sinto neste momento. Parece que todo o ar do mundo desapareceu de repente e até respirar se torna difícil. Parece que não há nada com sentido que possa fazer agora e que tudo é demasiado pequenino e estúpido. Tudo me parece nada quando penso que alguém que quero bem está a despedir-se aos poucos da vida. Os meus livros parecem-me pouco importantes. Os meus Quixotes parecem-me futilidades. As coisas de que normalmente gosto parecem-me tão minúsculas perante a realidade daquilo que sei que hoje nem sequer gosto delas. O que se faz quando isto acontece? Quando o coração dói e o ar desaparece porque somos demasiado impotentes perante a doença de outro? O que se faz quando quando já não há mais nada a fazer?...

Os eleitos

Parece que anda toda a gente em maré de balanços. O ano foi assim, assado e cozido. Gostei muito de ir aqui, ali e acolá. Beijei o X, o Y e o Z na boca. Muito bom. Por aqui não se farão desses balanços: longe vai o tempo em que gastava o tempo em momentos nostálgicos por mais trezentos e sessenta e cinco dias que ficaram para trás. Mas, como sou uma «Maria vai com as outras», faz-se o balanço das leituras de 2012. Nada de muito profundo, minha gente, que não estou para isso. Só mesmo o apontamentozinho de quem leu muito e gostou de muitas coisas, mas que elege umas poucas para aconselhar ao mundo.
 
O livro que li este ano e de que mais gostei foi, na verdade, iniciado no ano anterior (faz precisamente amanhã um ano). No aeroporto de Barajas, e com muito tempo de espera pela frente, comprei uma edição de La Casa de los Espíritus, de Isabel Allende. Adorei aquele livro desde a primeira página e as suas personagens não me sairão da memória de tão inesquecíveis e bem construídas que são. O realismo mágico sul-americano está ali em toda a força e esplendor. Posteriormente li o Cien Años de Soledad, de Gabriel García Márquez, e percebi a que fonte foi Isabel Allende beber. Para o próximo ano ficará a leitura de outro dos seus romances. Só ainda não escolhi qual.
 
Já no final do ano li outro romance de que gostei bastante: Os Buddenbrook, de Thomas Mann. Dele falei há pouquíssimo tempo, por isso não me alongarei. No entanto, não deixo de vos aconselhar a leitura de um romance que retrata uma época passada e algumas ideias, felizmente, já ultrapassadas também. É a história do declínio de uma família que se perde devido a maus hábitos e manias. Fez-me recordar os romances queirosianos de que tanto gosto.
 
Dos romances lidos em 2012 vale ainda a pena destacar o primeiro volume de O Manuscrito Encontrado em Saragoça (o segundo volume ficará para 2013), A Servidão Humana, de Somerset Maugham (livro que me tirou o sono), A Assombrosa Viagem de Pompónio Flato (hilariante), de Eduardo Mendonza, e El Mundo, de Juan José Millás. No que aos contos diz respeito, o destaque vai indubitavelmente para Os Anjos Nus, de A. M. Pires Cabral. Da literatura brasileira, adorei ler o Farda, Fardão, Camisola de Dormir, de Jorge Amado, em que dois supostos escritores se batem por um lugar na Academia Brasileira de Letras. Brilhante!
 
Quanto à literatura infantil, neste ano também li umas coisinhas. O meu favorito foi, sem dúvida, A Toupeira que Queria Saber quem lhe Fizera Aquilo na Cabeça. Li, também, alguns da colecção «Viagens no Tempo», de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, e continuo a achá-los fantásticos. Gostei particularmente do que trata da Restauração da Independência, em 1640. 
 
Na Banda Desenhada, ri-me que nem uma louca com o Botando os Bofes de Fora, da colecção «Níquel Náusea». No que a biografias diz respeito, gostei bastante de ler o Bilhete de Identidade, de Maria Filomena Mónica.
 
Na área da História, o final do ano foi marcado por muitas «folheadelas» na História da Vida Privada em Portugal e na outra, a História da Vida Privada, de Georges Duby e Philippe Ariés. Fiquei fã.
 
Infelizmente não foi um ano em que lesse poesia. Acabou por ficar para trás. A maioria das minhas leituras são feitas nos transportes públicos ou antes de dormir e a poesia não merece esse tratamento. No próximo ano procurarei dar-lhe mais atenção.
 
E pronto. Em 2013 haverá mais, espero eu. Livros em atraso tenho muitos e, por isso, espero que o ano me permita ler mais ou, pelo menos, o mesmo que em 2012. O balanço é de quarenta e nove livros. Nada mau, han?...

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

«Tãobén»

Depois do «treuze», eis mais uma que me enlouquece: qualquer coisa como «tãobén» em vez de «também». Ainda alguém há-de me explicar a lógica de pronunciar palavras simples de forma complexa. Eu não encontro nenhuma, mas é capaz de existir, já que é coisa que acontece com muita frequência. Vamos lá entender isto... Ai Camões, volta que estás perdoado!

Mais um...

E porque estou tentada a transformar esta casa num «Museu do Quixote», chega hoje mais uma peça: um marcador de livros em metal com a forma de D. Quixote. Muito fofinho!

O Chiado cheio

O Chiado parecia, hoje, um formigueiro de gente. Nunca tinha visto aquela zona tão cheia de pessoas como vi hoje. O facto de estar bom tempo, de começarem os saldos e de ainda haver trocas de Natal para fazer deve explicar aquela multidão toda. Quem chegasse àquela zona de repente e visse o que por ali ia nunca diria tratar-se de um país em crise. Gente a entrar em lojas e a sair com sacos na mão, gente a ocupar as mesas da restauração ao ponto de quase não haver nenhuma disponível não são propriamente o que se espera num país para lá de depenado.
 
Apesar de ser desagradável passar o tempo a desviarmo-nos de todos os que caminham na nossa direcção, cai bem ver o nosso comércio a receber clientes e a vender. Pena é que na Rua Garrett e na do Carmo já sejam poucas as lojas genuinamente portuguesas. A maioria dos estabelecimentos que por ali encontramos são de empresas estrangeiras. O Chiado é ainda um local agradável para fazermos compras, contudo está a ser engolido por marcas que não são nacionais. É pena que nem tudo possa ser perfeito.

A minha prenda

Já vos disse que neste Natal ofereci uma prenda a mim própria. Já o havia feito no ano passado, quando ofereci a mim própria o burrinho Tomé. Pois bem, já tencionava comprar qualquer coisa para mim, mas não esperava que me saltasse  ao caminho com tanta facilidade, nem que fosse tão barata. O que fiz foi um daqueles achados que só os fanáticos por alguma coisa conseguem fazer. Na Feira da Ladra da semana passada encontrei uma edição do Quixote (só podia) que desconhecia. São vinte e dois fascículos publicados em 1954 e 1955 com a versão de Aquilino Ribeiro (que só uns anos depois foi reunida em livro) e ilustrações de Lima de Freitas. A colecção está completa, tem todas as ilustrações e muitas das páginas continuam dobradas e nem foram abertas com o corta-papel. O melhor é que foi baratíssima. Mesmo barata. Portanto, a minha colecção enriqueceu mais um bocadinho. Gosto muito!
 
 
 
 
 

 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

«Treuze»

Parece-me tão mais fácil dizer «treze» em vez de «treuze». Por acaso existe alguma razão para, nesta vida, a palavra «treze» pronunciar-se com um «u» a mais? Melhor: existe lógica? É como aquela velha piada do «diz-se catorze ou quatorze?». E por que razão haveríamos de dizer «quatorze»? Por ser giro? Nem sequer isso! As palavras têm uma forma escrita e um modo de serem pronunciadas. Este varia conforme a proveniência do falante, mas até esta variação tem limites. Dizer «treuze» em vez de «treze» não tem nada que ver com o facto de a pessoa ser do norte ou do sul. É um erro e uma mania que vem, muitas vezes, de pessoas com habilitações literárias suficientes para não pontapearem a gramática dessa forma. O que acho fabuloso é que quando andava na faculdade poucos percebiam a lógica de se estudar português no ensino superior, já que a nossa língua todos sabemos falar. Ai sim? Têm a certeza?...

A mesa real

Comecei a ler este. Curiosidade: sabiam que o costume de beber bebidas artificialmente refrigeradas foi introduzido em Portugal pelos nuestros hermanos? Não? Ficam a saber. E para mais novidades, leiam este livro.
 
Já agora, vai daqui um aplauso para a nossa D. Catarina de Bragança que pôs os ingleses todos a beber chá.
 
 

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O Natal

Fico sempre com uma sensação esquisita ao perceber que o Natal já passou. Ando tanto tempo a pensar nesta festa e depois ela acaba num instante. Apesar disso, vale a pena dizer que a consoada correu bem e contou com duas novas presenças: o cunhado e a pequena sobrinha com um mês de vida. Portou-se muito bem e deu um monumental «pum» enquanto me despedia dela. Senti-me muito honrada.
 
Havia bastante paparoca boa em cima da mesa e muitas prendinhas sob a árvore. Infelizmente existiram também os cuidados pela saúde da avó que, lá longe, não está boa. Esperamos todos que fique bem e que volte a ter a genica de sempre porque ainda nos faz muita falta.
 
Foi um Natal bom, com alguns quilos a mais e com prendinhas bem jeitosas. Fiquei muito contente com o que recebi e com este sossego tão saboroso. Ficam algumas imagens...
 
 
 
 
E algumas das prendinhas:
 
 
 
(A boa da caneca com o Zangado e que o meu moço achou ser a minha cara...)
 
 
(Gosto tanto do meu Igor! Estou condenada a desembrulhar burros todos os natais.)
 
 
(Já comecei a ler o segundo volume. Em breve sairá uma quixotada
 sobre o que já posso dizer sobre ele e que é muito...)
 
 
(Um livro que li quando estudava na faculdade e de que gostei muito.
Vai saber bem relê-lo.)
 
 
Além destes presentes, recebi um gel de banho e muitos vales da Fnac. Mesmo muitos. Vai ser a loucura quando um dia destes for lá gastá-los. Quanto à prenda que ofereci a mim própria, em breve deixarei as fotos.
 
Gosto tanto destes dias que por mim amanhã já era Natal outra vez...

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Feliz Natal

A todos os que seguem este blogue desejo um excelente Natal, cheio de coisas boas e com a companhia de quem vos faz feliz.
 
Cumprimentos quixotescos!

domingo, 23 de dezembro de 2012

Prelúdio de Natal

PRELÚDIO DE NATAL

Tudo principiava
pela cúmplice neblina
que vinha perfumada
de lenha e tangerinas


Só depois se rasgava
a primeira cortina
E dispersa e dourada
no palco das vitrinas


a festa começava
entre odor a resina
e gosto a noz-moscada
e vozes femininas


A cidade ficava
sob a luz vespertina
pelas montras cercada
de paisagens alpinas


David Mourão-Ferreira

Que farei com este livro?

Pelo meio do Tom Jones, vou depenicando este livro. É a primeira vez que leio um texto dramático do Saramago e até estou a gostar. Um livro dele sobre Camões e Os Lusíadas só pode ser uma coisa boa...


Notita: A imagem foi retirada da página da Wook.

Paradise

Por causa das apresentações do filme «A Vida de Pi», o que passei a gostar disto...

A minha prenda

E a prenda de Natal que comprei para mim própria? Ah minha gente: não vo-la mostro porque já a embrulhei e arrumei sob a árvore de Natal, mas é boa... Muito boa! E só custou dez euros. Ainda estou meio entontecida com a sorte que tive e encantada com um novo item para uma colecção que já está muito bem compostinha. Bem, a seguir ao Natal conto-vos tudo, embora esteja aqui a segurar-me para não a abrir já. Estou pior que os miúdos!

sábado, 22 de dezembro de 2012

De passeios e de livros

Hoje foi um dia tão cheio que não sei o que me dói mais: se são as costas, as pernas ou os pés. Começámos a manhã bem cedinho com um pequeno almoço na pastelaria e uma ida à Feira da Ladra. E foi assim:


E assim:


Depois foi um belo almoço de Natal na Portugália (arredem-se artérias). A seguir: compras de Natal. E foi, além dos presentes que faltavam e dos ingredientes para a consoada e para o dia de Natal, assim:

 
E pronto, depois foi arrastar-me para casa, arrumar o que precisava de ser arrumado e embrulhar o que vinha ao léu. A árvore de Natal está compostinha e a postos. Venha o Natal!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Mudanças de papel

«Um livro que não transforma a vida e a cabeça de ninguém não é literatura.»
 
Foi a escritora Inês Pedrosa quem disse esta frase numa entrevista que passou na RTP esta semana. Não podia concordar mais com ela. Livros há muitos, mas livros capazes de mudar o nosso modo de ver as coisas são hoje verdadeiras pérolas raras. No meio de tanto lixo que se publica e que se vende (porque, inexplicavelmente, o lixo vende mais do que o resto), chega a ser difícil encontrar o que é bom. É preciso saber procurar porque a sensação de um livro que nos altera e nos transforma a vida é maravilhosa. E é, sobretudo, rara.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A Menina Quer Isto XXXIII

A quem não souber o que me oferecer no Natal este livro é uma excelente opção. Cruzei-me hoje com ele e folheei-o. Gosto da época histórica que abrange e a temática da alimentação, pela sua importância no quotidiano das pessoas e pelo facto de eu ser um excelente garfinho, é daquelas que me atrai. Por isso a minha meia gostaria de ser recheada com este volume.
 
 

A Menina Sugere Isto VIII


Não sei como será o filme que por agora está nos cinemas e que adapta esta magistral história de Yann Martel. O que sei é que li este livro há uns três ou quatro anos e considero-o ainda hoje como sendo um dos melhores romances que já li (e acreditem que já li bastantes).
 
Queria dizer-vos qualquer coisa que vos levasse a querer ler A Vida de Pi, mas acho que a história é tão boa, tão maravilhosamente bem construída e com um final tão inesperado que, passados estes anos todos, ainda fico de boca aberta quando penso nas sensações que experimentei ao ler este livro. Um rapaz vê-se sozinho em alto mar, num barco salva-vidas com alguns animais selvagens. Como sobreviver? Chegará a terra? Servirá de repasto ao tigre com o qual partilha o barco? Leiam. Acreditem: esta é uma das melhores sugestões que já vos dei.

O terror para homem

 
Diz que estes sapatos são uns Louboutin para homem. Pois eu digo que se o meu rapaz usasse uma coisa destas, eu própria lhe daria com um um arranca-pregos até os ditos lhe saltarem dos pés. A seguir chegava-lhes o fogo. Aos sapatos, claro, não aos pés.
 
Notita: A imagem foi retirada da página da Louboutin, aqui.

Compras de Natal

Hoje fui às compras de Natal. Gentes, a loucura que estão os centros comerciais! No ano passado fiquei com a impressão de que não haveria presentes, já que as lojas não se mostravam cheias e a vender que nem loucas. Achava que este ano, logicamente, seguiria a mesma bitola, mas pelos vistos não estava perto da realidade. O Colombo está a abarrotar pelas costuras e na semana passada, numa ida ao Chiado, constatei que esta zona comercial da cidade está, também, cheia de gente a fazer compras. Ainda bem que assim é. É importante que quem pode gaste uns trocos nas lojas deste país. Importa dar uns empurrõezinhos ao nosso comércio que vem vivendo tempos muito difíceis.
 
Eu cá voltarei às compras no Sábado. Hoje não consegui despachar tudo e fiquei estourada.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Num dia normal

Num dia normal vai-se à escola, tem-se aulas, sorri-se para a professora, ri-se com os colegas, escreve-se num caderno, lêem-se textos, brinca-se no recreio, fazem-se testes, recebem-se notas, trocam-se histórias, conhecem-se pessoas, muda-se um pouco a cada minuto. Num dia normal de escola faz-se tudo isto e mais aquilo que não cabe num texto destes porque é tão grande, tão importante e tão inesquecível que geralmente só o percebemos anos mais tarde, quando já só recordamos um dia de escola como alguma coisa que existiu no passado e que nos aparece como imagem desfocada de qualquer coisa que já não sabemos descrever.
 
Muito cabe num dia de escola, é certo, mas o que não cabe hoje nem nunca caberá é um tiroteio. Nem vinte e seis mortos. Nem vinte crianças para as quais não mais haverá um dia de escola. Nem as memórias de todas as outras que terão de olhar para a escola como sendo o sítio onde morreram tantas pessoas. Num dia normal não cabe um louco armado nem a dor dos que agora choram os seus.
 
Num dia normal de escola cabe muita coisa, mas não isto. Não esta dor feita ferida por amanhã não ser mais um dia de aulas, mas sim um dia de caixões brancos e de lágrimas que não secam. Uma escola não é isto, não devia ser isto, e todos vocês farão, com certeza, muita falta noutros dias normais.
 
(Este texto é para todos os alunos e professores que perderam a vida na sexta-feira às mãos de mais um louco armado numa escola do Connecticut, nos Estados Unidos da América.)

domingo, 16 de dezembro de 2012

Na minha cabeceira

Ando numa de ler grandes volumes. Terminado o último, iniciei hoje outro que soma oitocentas páginas. Tom Jones, de Henry Fielding, mudou-se agora para a minha mesa de cabeceira. Ao ler que o autor era um apaixonado pela obra-prima cervantina, Dom Quixote de la Mancha, e que ao escrever este romance e outros textos incluiu neles aspectos desse clássico espanhol fiquei convencida e decidi lançar-me à empreitada. Estou crente de que chegarei a 2013 ainda com este romance pela mão, mas não faz mal. Será iniciar um novo ano em boa companhia o que só pode ser um bom augúrio para as leituras do ano que vem.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Os passatempos e o "abre-olhos"

Em Outubro ganhei um passatempo feito por um blogue muito, muito, muito conhecido. Dei os meus dados, como me foi pedido, mas NUNCA fui contactada para nada. Enviei um email à autora do blogue que me disse que era estranho, que averiguaria a situação e que logo que possível diria alguma coisa. Nunca mais disse nada. Na semana passada, só por teimosia (que já nem me interessa o prémio para nada) enviei outro email. Parece-me que ter dado uma resposta seria o mínimo que a educação exige e no email perguntei se havia alguma notícia sobre a razão pela qual nunca fui contactada. Respondeu a dona do blogue que não sabe o que se passou e que, basicamente, a hipótese de receber o prémio já era. Nem um pedido de desculpas. Nadinha.
 
Ter blogues é muito giro e há quem os consiga rentabilizar bem. Para isso trabalham neles com afinco, dedicam-lhes muitas horas e tornam-nos atraentes aos olhos dos leitores. Acho muito bem: cada um faz o que pode. O meu blogue é pequenino e tem pouco mais de um ano. Já me ocorreu fazer um passatempo, mas não o fiz porque não tive tempo na altura, quando comemorou o primeiro aniversário, para organizar alguma coisa como devia ser. Mas também fazer passatempos que parecem promissores e que depois não resultam em prémios efectivamente recebidos para quem os ganha serve para quê? Se não se podem responsabilizar pela entrega dos produtos e se isso fica a cargo de quem os oferece para sorteio, o melhor é não fazer passatempo nenhum porque o nome é o vosso e o do vosso blogue. No meu caso e a meu ver, não foi a empresa responsável pelo prémio que supostamente ganhei que me ficou a dever alguma coisa. Foi, sim, o blogue que promoveu o passatempo e que nem uma resposta com jeito teve para me dar. Se algum dia este blogue oferecer alguma coisa, será algo que eu tenha na minha mão, pronto a entregar. Contar com produtos de empresas e pôr nas mãos delas a entrega de prémios cujos passatempos são divulgados nos nossos blogues é assumir o problema quando eles não são chegam ao destinatário. Porém, pior que essa falta de responsabilidade quando as coisas correm menos bem é a inexistência de um pedido de desculpa. Pela minha parte e enquanto me lembrar disto, não concorrerei a mais nada em blogues. Serviu isto para aprender que quando quiser palhaçadas vou ao circo.

Os Buddenbrook: o balanço

Acabei agora mesmo as seiscentas e trinta e oito páginas de Os Buddenbrook, de Thomas Mann, e já tenho saudades daqueles burgueses cheios de manias que achavam que o mundo era todo deles. Ao longo destas páginas, somos confrontados com personagens muito ricas do ponto de vista da caracterização e que mudam constantemente não mudando nada. Paradoxal? É mesmo. É que algumas personagens não são no fim o que eram no início, até porque é precisamente essa mudança o cerne da história. Porém, ainda que à sua volta tudo mude, elas seguem tendo as mesmas ideias e as mesmas manias. Esse é, creio eu, o motivo pelo qual se dá o declínio de uma tão poderosa família: porque todos os seus membros ficaram agarrados às ideias de uma época que foi acabando, acreditando que o nome pomposo que ostentavam era suficiente para vencer sempre. Contudo, o leitor apercebe-se bem de que o meio que envolve as personagens está a alterar-se irremediavelmente, embora estas não procurem adaptar-se às novas condições. Thomas Buddenbrook, o senador que termina o negócio da família, constata com desagrado que já nada é como era, porém nada faz para tentar adaptar-se à nova realidade: pelo contrário, segue gastando e vivendo como se estivesse cego para o que ia acontecendo.
 
Enquanto lia, lembrei-me algumas vezes de Os Maias, de Eça de Queirós. É que assim como o autor português nos vai entregando, ao longo do romance, pistas que evidenciam o declínio e o final que aí vem, também Thomas Mann enche o seu texto de pormenores que apontam inequívocamente para um desfecho pouco airoso de uma família que, a partir de determinado momento, vive mais da lembrança do seu nome do que dos seus feitos. É muito interessante observar as manias das várias personagens e o modo como, a partir de determinado momento, tudo corre mal. A futilidade que as caracteriza torna-se hipnotizadora e é uma das razões pelas quais há partes do livro que custam a largar.
 
Para quem gosta de histórias vividas no ambiente europeu do século XIX, onde as aparências superam o resto e onde as personagens ignoram que o mundo já não é o que fora no tempo dos seus antepassados, colocando-se assim a jeito para que o infortúnio e o desencanto apareçam em força, este é o romance ideal. É longo, mas lê-se sem qualquer dificuldade. A escrita é muitíssimo cativante pela simplicidade que a caracteriza. O narrador leva-nos na direcção daquilo que quer que percebamos bem, embora deixe as personagens paradas no mesmo sítio e a agir na total ignorância do que as espera. De quando em vez surge um rasgo de luz na cabeça de uma delas e questionamo-nos se virá aí a mudança que ainda os poderá salvar de um final pouco lisonjeador. Porém, mantêm-se teimosamente com a mesma atitude de superioridade indiscutível. Nós, leitores, assistimos ao seu triste espectáculo enquanto eles assistem à alteração da sua sociedade. A diferença é que nós sabemos ler os sinais e eles não.
 
Leiam que vale bem a pena.


Notita: A imagem saiu da página da Wook.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A Menina Quer Isto XXXII

 
A menina quer isto, mas como é muito bem dito aqui, o preço é assustador. Aliás, todos os livros desta colecção têm sido estupidamente caros. Ora, isso, dadas as nossas circunstâncias, afugenta bastante da compra de livros que gostaríamos de ler. Neste momento, pagar quase quarenta euros por este volume é um luxo a que nem todos se podem dar. No que a mim me diz respeito, tão cedo isso não sucederá. Assim sendo, resta-me inclui-lo na cartinha ao Pai Natal, tendo pouca fé de que ele me venha a cair no sapatinho.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

A Menina Quer Isto XXXI

Querido Pai Natal,
 
A menina descobriu que quer este livro, mas também percebeu que é caro. No entanto, parece estar à medida para ser atirado pela minha chaminé (leia-se exaustor). Assim sendo, como é: chegas-te à frente ou tenho de ir lá eu?...
 
Cumprimentos às renas e um «xi» ao Rudolfo que é um sexy.

O coro

Pronto: apanhei o fim do Natal dos Hospitais da RTP e, consequentemente, ouvi o Coro de Santo Amaro de Oeiras. Se não tivesse já dado por aberta a época natalícia, este seria o momento da abertura oficial!

Miminhos

Hoje recebi mais uma caixinha de chocolates e um postal feito por uma das minhas alunas, com mensagem personalizada e tudo. Achei uma ternura! Há miúdos que nos rebentam com as costuras do juízo, mas também existem outros que gostam genuinamente de nós e que o demonstram todos os dias. Não eram precisos os chocolates e o postal para saber que tenho feito diferença na vida de alguns alunos. Os doces são só a materialização de um miminho que é diário.

O fim de "A Vida é Bela"


Hoje consegui o reembolso por um voucher de "A Vida é Bela" que não cheguei a ter oportunidade de utilizar. Depois de ter sabido ontem que a Fnac estava a reembolsar os clientes cujos vouchers haviam sido comprados lá, resolvi tentar hoje a minha sorte. Como tinha sido uma prenda do Natal passado, não tinha talão (é feio, mas cada vez me convenço mais de que temos de dar tudo com talão), mas pela notícia divulgada ontem, a loja estava a reembolsar também os clientes que não tinham talão.
 
Chegada à Fnac do Chiado, fui atendida por uma funcionária que, após saber que eu não tinha talão, me enfia diante do nariz um formulário onde me pedia todas as informações possíveis sobre a compra, inclusivamente o número da transacção multibanco. Recordo que este foi um presente do Natal passado... Queria o nome da compradora (que não fui eu), o número de telefone, a morada, o email, o banco, o número do cartão com que pagou, a data da compra... tudo! Não me pediu o número da roupa interior da compradora porque não calhou. O melhor é que o reembolso devia ser para mim e sobre mim não queria informação nenhuma. Expliquei-lhe que não lhe conseguia dar tudo o que pedia, até porque a compra tinha sido feita há um ano. Ela respondeu que devia dar-lhe o maior número de informações possível para poderem fazer uma busca nos arquivos das vendas e chegar à segunda via do talão. Repeti que não conseguia tudo e perguntei quanto tempo levaria este processo todo até eu ver o reembolso. Acho que ia desmaiando quando me disse «dez dias».
 
Tentei fazer a menina entender que o que pedia era impossível, mas ela continuava com um ar sofrido a dizer que tinha mesmo de ser. Lá fui preenchendo o papel, embora continuasse a não perceber por que razão tinha de dar os dados da compradora e meu nem sequer o nome. Entretanto telefono à minha irmã para lhe perguntar algumas das informações, como o email e a morada. Digo-lhe o que se está a passar e ela diz que talvez consiga descobrir o número da transacção. Desliga a chamada e eu aproveito a passagem diante de mim de um outro funcionário para lhe perguntar por que razão não queriam nem sequer o meu nome se eu é que ia ser reembolsada. Ele olhou para mim como se eu fosse louca. Expliquei-lhe que havia sido o que a colega me dissera, ao que responde «não... não é necessário isso.». Só precisava de ver o voucher e de saber mais ou menos quando tinha sido comprado. Entretanto vai ao computador com a caixinha na mão e nesse momento a minha irmã telefona com a informação da data da compra. Agora imaginem o meu espanto quando eu a escrevo num papel para entregar ao funcionário e ele já vem ter comigo com uma segunda via do meu talão na mão. Ou seja: ele nem sequer precisou de saber o dia da compra para resolver o problema. Deu-me logo um cartão da Fnac no valor do voucher e despachou-me dali.
 
Agora eu pergunto: como podem dois funcionários do Apoio ao Cliente agir de forma tão díspar? Como pode ser tudo tão difícil para uma e tão ridiculamente fácil para outro? Se afinal era tão fácil fazer o reembolso, para quê a quantidade de entraves que a rapariga me colocou (a mim e a outros porque me mostrou requerimentos feitos por outros clientes com cópias de extractos bancários). Fiquei fascinada com a diferença de atitudes e com o facto de uma quase impossibilidade ter passado a ser possível ainda antes de eu ter desligado o telefonema da minha irmã. Mas ainda bem: fiquei com quarenta euros para gastar na Fnac e vi-me livre de um mono cujo dinheiro da compra seria impossível de reaver em breve, dada a proximidade do final do prazo de validade.
 
Uma coisa é certa: vales com experiências é coisa que me parece que nunca mais vou querer receber. "A Vida é Bela" era coisinha de que gostava e que encarava como sendo uma excelente ideia. Mas a falência repentina, deixando muitas pessoas sem saber muito bem o que fazer com aquelas caixas «de dinheiro empatado» foi um acontecimento desagradável. Não fossem algumas lojas terem-se disponibilizado a fazer as devoluções e seríamos muitos os que ficaríamos a perder dinheiro. No Colombo, onde antes era o quiosque de "A Vida é Bela" está agora outra empresa do mesmo género. Parece-me a forma mais rápida de abrir falência: abrir um negócio semelhante ao que antes ali funcionara com uma empresa que levou as pessoas a inundarem a DECO com queixas. Enfim... Há visões para o negócio que não se compreendem mesmo.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Um doce

Hoje uma das minhas alunas levou-me uma caixa de chocolates. Maravilha! Lá vinha ela com um saquinho decorado com motivos natalícios recheado com uma considerável caixa de chocolates de vários tamanhos e feitios. Achei uma ternura e tenho a certeza de que, em breve, também acharei um doce.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Boatos

E a capacidade espantosa que os miúdos têm para levantar falsos testemunhos? E para propagar boatos? E o que eu já berrei hoje por causa disso?...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Tipo isso

Hoje, durante a tarde, ouvi uma conversa de uma jovem que, em pouco mais de três minutos, incluiu trinta e duas vezes a palavra «tipo» no seu discurso. Além do choque, o que me veio à ideia foram aquelas máquinas de escrever antigas que quando chegavam ao final da linha faziam um sonoro «plim». Aqueles «tipos» todos eram o que pareciam: a chegada ao final da linha. Só que, dada a repetição de tal palavra, as linhas desta miúda deviam ser curtíssimas.
 
«É que tipo ele olhou para mim e foi do tipo bué estranho porque tipo ele tinha-me visto e tipo eu não consegui disfarçar, mas tipo... Ai coisa, nem sabes! Eu depois tentei ligar-te, 'tás a ver, pa contar-te, mas tipo... Nunca atendeste e depois mandei-te mensagem para tipo tu m'atenderes porqu'eu 'tava bué nervosa. Mas ya, o gajo olhou para mim e sorriu e foi tipo... Ya.». Foi mais ou menos isto. E que quer isto dizer? Nem é preciso espremer para ver que não dá nada.

Assim vale a pena

Hoje um aluno meu disse-me o que vai receber no aniversário. Resumindo: se somarmos o valor de todas as prendas que receberá, este deve ascender ao valor do meu ordenado. Mais ainda: ele faz anos, mas o irmão também receberá um ipad. Que tal? Assim vale a pena, não é?

domingo, 9 de dezembro de 2012

Escrita post mortem

Já me haviam referido a existência de um disparate na contracapa de Os Buddenbrook, de Thomas Mann, mas nunca tinha reparado em nada. Hoje, olhando distraída para as palavras impressas em fundo escuro, saltou-me aos olhos a tal tontice. Está lá escrito que «Thomas Mann iniciou a escrita do seu primeiro romance - Os Budenbrook - em 1986, com apenas 21 anos de idade, terminando-o cinco anos mais tarde.»
 
Ora bem, Thomas Mann nasceu em 1875 e morreu em 1955, tendo ganho o Prémio Nobel em 1929. Assim, a menos que tenha escrito a sua primeira obra no outro mundo, acho difícil que tenha iniciado a escrita deste enorme romance um ano depois de eu nascer e muito depois de receber o referido prémio (entregue pela sua obra, algo impossível se a data da contracapa estivesse correta). Aliás, lendo a badana do próprio livro encontramos outras informações, já que é dito que publicou Os Budenbrook em 1901. Portanto não sei no que estavam a pensar quando colocaram em lugar de destaque uma data tão impossível quanto 1986.
 
Gralhas podem sempre passar, por muita revisão que se faça e, no texto, todos fechamos os olhos a uma ou outra. Mas quando estas se encontram na capa ou quando aparecem em quantidade difícil de admitir, surge invariavelmente a questão: como é que ninguém deu por nada? Há gralhas em capas que já se tornaram famosas. Porém, antes de o serem, podem tornar-se uma dor de cabeça para os responsáveis pelo livro. Para o leitor, dependendo de onde as encontramos e da quantidade em que surgem, podem ser motivo de riso ou de valente aborrecimento. Geralmente tornam-se na segunda hipótese.

Frio

E o frio que se está a pôr?... Nem corrigir testes me aquece!

sábado, 8 de dezembro de 2012

A Menina Quer Isto XXX

A menina anda numa de querer actualizar-se no que à História pátria (e não só) diz respeito. No outro dia, cruzei-me com estes dois volumes numa livraria e quase lhes propus casamento. Principalmente ao segundo volume, que nisto da História lambo-me toda por um bom século XVIII e um não menos cheio século XIX. Por isso a menina gostava muito de ter isto.
 
Pai Natal, sê um bom menino e carrega o trenó com estes dois amores. De caminho, traz-me também um pato como o do anúncio de Natal da TMN que eu julgo estar apaixonada por ele.
 
Agradecidíssima.


Como isto anda

Ando há dias com qualquer coisa para dizer aqui no blogue. Porém, quando estou à frente do computador nunca me lembro de nada e "varre-se-me" tudo. Esta memória está uma pálida sombra daquilo que já foi. Como isto anda...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Uma tareia na autoajuda

Bruno Vieira Amaral, na revista Ler deste mês, escreve uma coluna que é uma boa tareia nos livros de autoajuda. E como o espancamento é precisamente num tipo de livros que abomino e pelo qual não tenho qualquer respeito, cá vão alguns excertos das palavras deste colaborador da Ler. Diz ele que «[...] para milhões de leitores em todo o mundo o conceito de "autoajuda"não merece dúvidas: é o caminho mais rápido para a felicidade e para a realização pessoal.». Sim, será mesmo essa a definição. Para muitos é uma espécie de manual que ensina a saber viver e essa é uma das razões pelas quais não tenho consideração por estes textos. Quem ensinou o modo de viver perfeito aos autores para que estes sintam que devem ensinar os outros? Pois. Mas adiante.
 
Diz, portanto, Bruno Viera Amaral que estes livros, na cabeça de muitos, servem para aprendermos a ser felizes. E acrescenta logo de seguida: «O facto de implicar a passagem pelo atalho da má literatura é um preço que pagam alegremente. Afinal, o que são 200 páginas de banalidades mal escritas, recheadas de senso comum, empreendedorismo sorridente ou sabedoria oriental instantânea, quando, no fim, podemos encontrar o nosso lugar no mundo e um arsenal ilimitado de palermices para consolarmos um amigo recém-divorciado?». Pena é que tantos digam um sonoro «Amén» a estas doideiras todas e não vejam como a maioria delas consegue ser ridícula. Não são mais do de uma porção de frases ocas coladas umas às outras e que bem espremidas não dão nada. Literariamente também são livros que não valem nada, baseando-se em frases pomposas cheias de lugares-comuns. É precisamente falando do mérito literário destas obras que Bruno Vieira Amaral conclui o texto. Assim, diz que «Quanto aos méritos literários, ficamos pela opinião de outro escritor: "É uma leitura adequada para pessoas que sofrem de uma obliteração quase completa das faculdades mentais.». Não queria ser indelicada para com quem lê os livros de autoajuda, mas... Aplaudo esta definição e assino por baixo.

É Nataaaaaaal!

E pronto: já há um presente sob a minha [este ano] gigantesca árvore de Natal. A Popota já berra na televisão em todos os intervalos, o tempo está cinzento chumbo e, na escola, estamos quase, quase, quase a despachar a miudagem para o reino encantado da filhó e do coscorão. Ah, o Natal é tão estupidamente lindo!
 
 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A armadilha

Li este texto agora e quem me dera tê-lo escrito. É tão tristemente verdadeito e sincero. Dói e leva-me à costumeira culpa por cada cêntimo mal gasto num país onde existe fome, fome a sério e de tudo o que faz muita falta. Por outro lado, esses cêntimos «mal gastos» ajudam alguns negócios a sobreviver e se deixamos de comprar livros, CD's, de ir a espetáculos ou de comprar um chocolate só porque sim, outros também passarão mal. E assim vamos, metidos no meio de uma armadilha que não sabe para onde nos empurrar.

A Menina Quer Isto XXIX

Hoje a menina, enquanto dava umas voltinhas na Worten para dar tempo à revelação de umas fotografias, topou com este livro. Não é, certamente, o livro de História mais completo do mundo (nem tem tamanho para isso), mas parece um bom ponto de partida para conhecer em traços largos coisas que desconheço totalmente. Assim, a menina pede isto ao Pai Natal, acrescentando que se portou bem o ano todo. Todinho, todinho!
 
 
Notinha: A imagem saiu da página da Wook.

«Que não se muda já como soía»

Não sei por que motivo as superfícies comerciais que vendem material escolar procuram ter disponíveis mochilas para meninas. Basta olhar para o portão de uma escola à hora da entrada para se perceber que uma parte significativa das meninas do terceiro ciclo e do secundário não usa nada disso. Andam com os livros debaixo do braço e levam ao ombro uma mala «de senhora» mais jeitosa do que a minha!
 
Percebi isso hoje enquanto esperava pelo autocarro. Diante de uma escola ia vendo o desfile que antecede a entrada e, minha gente, foi o suficiente para perceber como param as modas na Bershka e lojas similares. Lembrei-me de que também eu fui uma peneirenta de primeira, totalmente alérgica a casacos e capaz de passar um dia de Inverno rigoroso com apenas duas camisolas em cima do pêlo. E o melhor é que não tinha frio nenhum. Quanto à mochila, usei-a até ao secundário. Depois habituei-me à moda do «livro à chuva» e ainda hoje estou para saber como raio acartava sob a asa o caderno e os quatro livros de que precisava para um dia normal de aulas. Mistérios... A mochila só ia comigo de vez em quando. No décimo ano ainda me fez companhia, mas no ano seguinte dei-lhe folga e só a deixava sair em dias de visita de estudo. Como eu havia muitas mais meninas, por isso não me admira que hoje a situação esteja na mesma. Bem, na mesma não: eu levava os cadernos debaixo do braço e não usava mala jeitosa nenhuma. Já estas meninas que agora vejo coordenam a malufa com o resto da roupinha. Nunca cheguei a tanto, felizmente, até porque detesto malas e já na altura detestava. Tanto por este ódio por malas quanto pela indumentária das meninas só posso concluir que há mesmo coisas que nunca mudam.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Basta crescer

Adoro quando os miúdos me perguntam como consigo saber de cor todos os tempos verbais simples e compostos da nossa bela língua. Ficam tão admirados que parece que me acham um extraterrestre caído de uma nave espacial. Não adianta explicar-lhes que é a minha obrigação saber os verbos e as orações que para eles é igual ao litro: decorar estas coisas é uma capacidade acima das capacidades humanas que nunca conseguirão compreender. Mas não deixo de achar piada porque aquilo que eles vêem como colossal é pouco para mim e um dia também eles perceberão isso. Basta crescerem.

Retorno

Este blogue anda pela hora da morte. A sua dona adoeceu e, pelo meio da sua má disposição, a última coisa que lhe apetecia era vir escrever, como é óbvio. A verdade é que já estou melhor, mas ainda não estou bem, por isso perdoem-me se o blogue não retomar a sua habitual actividade já hoje. Mas vou tentar!
 
Fiquem desse lado que eu voltarei.

Dificuldades linguísticas

Ontem apreciei esta maravilhosa conversa:
 
- Mandaste-me mensagem?
 
- Ya, para irmos ao Mac.
 
- Mas mandaste para o Face?
 
- Ya.
 
- Olha, vem aí o  [não me recordo do nome] cheio de pausa!
 
Gente, falai como deve ser. Assim torna-se difícil seguir as conversas alheias, pá!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Justificação

Ando desaparecida, mas justifico-me já. No sábado, depois de uma quixotada em que fazia uma festa por ser finalmente sábado, fiquei doente e tenho estado de molho desde então. Nunca mais comemoro fim-de-semana nenhum. Bolas...

sábado, 1 de dezembro de 2012

Facto bom

Hoje é sábado! Yupiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!