domingo, 4 de dezembro de 2011

Coisas preferidas IX


Minha gente, esta “coisa preferida” é daquelas que não se limita a uma moda ou a um gosto passageiro. Não. Esta “coisa preferida” é-o desde que me tenho por gente e creio que, a menos que seja um dia sujeita a uma lobotomia (daquelas à antiga, das mesmo boas), jamais deixará de o ser. Perguntam-se vocês de que raio estarei eu a falar. Mais um bolo? Mais uns sapatos? Nada disso: falo de uma pessoa que vejo na televisão desde pequenita e cujos programas sigo quase sem excepção também desde essa altura. É alguém que já me fez rir muito e que defendi muitas vezes dos vitupérios da minha indignadíssima avó que o tinha por “ordinarão” (para não dizer mais). Falo de um homem que levou este país, católico até à espinal-medula, a ter um ataque cardíaco daqueles que só os grandes estímulos conseguem provocar. Foi mais crucificado que o próprio J. C., a quem deu corpo num sketch que enfureceu meio mundo lusitano.
Hoje lembrei-me de escrever esta quixotada sobre o Herman José, porque ao ver mais um episódio do seu programa Herman 2011 (para os que não são deste mundo, passa aos Sábados à noite na RTP1), fiquei tão eufórica que achei que só me conseguia recompor vindo aqui ao blogue e fazendo uma vénia a este senhor. Então não é que hoje ele foi ao mesmo tempo D. Quixote e Sancho Pança, os meus dois amores literários, num sketch absolutamente delicioso? Aquele Sanchito baixinho a dançar toscamente agarrado ao colete merece destaque, não desfazendo do D. Quixote que comeu uma francesinha num motel…
A verdade é que o Herman não perdeu, como muitos vaticinaram, o jeito, a piada ou o talento. Essas são coisas que não se perdem quando existem em quantidades abissais numa só pessoa. É certo que as coisas mudaram, que a equipa não é a mesma (ai Monchique, Monchique, serias uma “Geraldina” ainda melhor ao lado do Herman!) e que a passagem por um outro canal lhe trouxe alguns dissabores, mas o artista está lá e o talento lá continua. No que me diz respeito, continuarei a segui-lo e a ver os seus programas com a mesma vontade que tinha aos cinco anos, quando ficava profundamente hipnotizada com as repetições do Tal Canal e a sua desconchavada Marilu.

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