quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Abusos

Há alguns dias resolvi colocar no meu Facebook uma fotografia do meu gatito, que tem dois meses e meio. Tirei-lhe uma foto, escrevi uma mensagem e publiquei-a no meu mural. Recebi «gostos», «comentários» e até aí tudo bem. Porém, no dia seguinte, verifiquei que outra pessoa, numa daquelas ocasiões que alguns adoram e em que põem fotos de animais fofinhos nos seus murais acompanhadas de um smile, publicou a foto do meu gato sem qualquer referência a mim. Essa pessoa estava na minha lista de amigos, embora não nos conhecêssemos directamente. Adicionei-o por alturas do Farmville, quando ter «vizinhos» que jogassem aquilo ajudava a progredir no jogo. Além disso, era sugestão de alguém que conhecia e, parva, passei a tê-lo como amigo no Facebook.
 
Ora, como ia dizendo, essa figura tende a colocar muitas fotografias de animais catitas no Facebook, mas, sinceramente, nunca me ocorreu pensar muito sobre o modo como obtinha as imagens. Pois, agora já sei como o faz. A foto que eu publicara no dia anterior apareceu, parecia que do nada, no mural dele, acompanhada do referido smile, mas sem qualquer referência ao local de onde havia saído ou mesmo um pedido para o uso da foto.
 
Perante aquilo que me pareceu logo um abuso, resolvi fazer um comentário inocente, a ver se a pessoa percebia que estava a esticar demasiado a corda. Disse então «Olha o meu gato!». E sabem o que me respondeu a pessoa em questão? Num tom de graça, qualquer coisa como «Prova-o.». O meu pensamento imediato foi «Quer dizer, rapinas a foto e ainda tenho de o provar. Queres mais fotos, é?», mas respondi qualquer coisa como «Publiquei essa foto no meu mural ontem, está lá.». E o tipo diz-me que isso não quer dizer nada, que ele também já tinha a foto no dele e que também podia dizer que o gato lhe pertencia. Resolvi terminar a conversa dizendo «Pois, mas esse é o meu gato no meu sofá da sala.». De seguida, bloqueei-o no meu Facebook.
 
Detesto abusos, embora perceba que a culpa foi minha. Na altura em que aceitei aquela pessoa, não queria o Facebook para mais nada que não o jogo. Depois, passados muitos meses, mudei o meu nome, coloquei algumas fotos e comecei a torná-lo mais pessoal. Nesse momento devia ter eliminado quem não conhecia verdadeiramente, mas fui deixando ficar. Também é verdade que é apenas a foto de um gato, mas não é isso o que me enerva: é o abuso que constitui esta atitude. Aquela pessoa viu uma foto que se enquadrava no que gosta de publicar, surripiou-a e publicou-a novamente como se esta tivesse vindo do nada. Até podia ter partilhado a minha publicação que eu não me importaria, contudo preferiu apropriar-se de uma imagem minha e usá-la como se tivesse pura e simplesmente aparecido sabe-se lá de onde. E, pior, depois de um comentário meu, preferiu argumentar que eu é que podia estar a inventar dizendo que o gato era meu. Brincadeira ou não, meteu nojo e foi o suficiente para lembrar-me de que não conheço aquela pessoa de lado nenhum.
 
O gato está bem e recomenda-se, dormindo aninhadinho no meu colo. A pessoa em causa sumiu do meu Facebook e espero que o perceba rapidamente. Isto, por seu lado, fez-me pensar noutra coisa: se numa rede social se apropriam da foto de um gatito, o que não farão com outras fotos, mesmo as de crianças que os pais colocam nos seus murais por orgulho e sem maldade? Uma coisa é certa: tão cedo não aparecerá outra foto daquelas no meu Facebook. Geralmente não coloco fotos minhas e agora já nem do gato. Vivemos mesmo num «mundo cão»...

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