quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Mas ainda se lê?

Há uns dias, um menino entrou em choque ao analisar um gráfico sobre como um certo número de pessoas ocupava os tempos livres. Em determinado ponto do gráfico estava indicado que uma percentagem (não me recordo qual) de pessoas lia nos tempos livres. A criança não percebeu e exclamou:

- Mas as pessoas ainda lêem??!

Eu, que até sei como a leitura anda pelas ruas da amargura junto da população mais jovem, consegui arrepiar-me porque aquele menino tratou a leitura como uma actividade de outros tempos, não do século XXI e não de agora, mas de 1720 pelo menos. Expliquei-lhe que ainda havia quem, felizmente, largasse os jogos e pegasse em livros, mas o nó não se desfez e fui brindada com um:

- O meu pai não lê!

E é isto: o modelo não lê, logo o filho, que acha que nos pais está tudo o que precisa de saber (como é normal), encara os livros e a leitura como sendo algo que já não se pratica, que já não faz sentido numa altura em que ainda há tanto para fazer (e tantos jogos a serem lançados constantemente...). 

Eu já conhecia a realidade, mas ouvi-la desta maneira, com um tom de surpresa por haver quem leia, assustou-me. O que será dos livros no futuro? E pior: como serão estes cérebros de amanhã?...

1 comentário:

  1. De amanhã, perguntas tu? Eu apercebo-me dos efeitos hoje. A batalha "mãe/pai versus jogos" não é fácil e é permanente, mas tem de ser começada desde cedo e mantida. Insistindo, dando o exemplo, sei lá. Eu tenho-me socorrido de algumas artimanhas e tenho conseguido bons resultados.

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