terça-feira, 18 de abril de 2017

Destruidores implacáveis

À tarde passei na loja da clínica veterinária onde levo os meus miaus para comprar o desparasitante, pois amanhã é dia de correr esta gente a pipetas (e em Julho é a nossa vez, coisa que TODA A GENTE DEVIA FAZER, já que não são só os animais que precisam de desparasitar-se). Ora, a veterinária, sabendo que a minha gatica tinha feito dois anitos, resolveu dar-lhe um presente e ofereceu-lhe um brinquedo daqueles que consiste numa cana com um boneco e um guizo na ponta. Trouxe o brinquedo para casa, desembalei-o e... Cinco minutos depois estava assim:


Cana e fio para um lado, rato para o outro, guizo completamente solto. Quando eu digo que estes tipos peludos são dois bulldozers destruidores, as pessoas riem-se. É que quem olha para eles vê poços  de fofura sem fim. Pois, mas também são duas bestas. Nada lhes sobrevive. Admira-me ainda ter paredes, portas e tecto! São dois gatos que me parecem doze e cada vez mais acho que um dia me darão uma sova de chinelo. Dali já espero tudo.

Bom, agradecemos muito à veterinária. Amanhã pego em agulha e linha e tento solucionar esta morte prematura de um peixinho recheado de catnip.

Outra questão muito séria

E uma pessoa ir à mercearia, comprar uma viçosa alface toda verdinha e mesmo a pedir para transformar-se em saladas, ir utilizá-la no dia seguinte e perceber que tem mais piolhos do que seria desejável? É ou não um problema bastante sério no mundo?! Para mim é, pois estive ali mais tempo do que aquele que esperava perder a lavar meia dúzia de folhas com maior densidade populacional do que a Amadora. Desalojei uma vasta família de piolhos e temo uma revolta dos que ainda sobraram no resto da alface. 

Amigos, se alguém me fizer mal, sabem onde procurar os culpados: no meu frigorífico. Temo o pior. 

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Um novo nível de estupidez

Esta quixotada podia transformar-se em três ou quatro diferentes, nas quais destilaria sobre cada um dos elementos que aqui vou enfiar no mesmo saco: o merecidíssimo saco da estupidez. É um presidente americano que deseja tanto criar uma guerra que até está a ver se a inicia em três frentes distintas (depois estou para ver como se desenrasca. Faz-me lembrar a Espanha dos Reis Católicos, com tantas frentes de guerra em aberto que depois nem sabiam como manter-se, como manter as guerras, e como manter o seu povo sem uma revolta); são claques de futebol que demonstram que o desporto não é o que os move, mas sim a vontade de ferir a claque rival numa falta de respeito e de humanidade que transtorna até o mais pacífico dos seres; são os idiotas dos pais que se recusam a vacinar os filhos porque meteram na cabeça que as vacinas são prejudiciais e blá blá blá e depois põem os filhos deles e os dos outros em risco; é o doido americano que mata um homem e publica o vídeo no Facebook (entretanto retirado pela empresa, mas visualizado por muitos antes disso) e que aproveita para dizer que afinal já matou mais treze pessoas e que o fez por sentir-se frustrado; é um responsável pela Casa Branca que se esquece de uma das mais conhecidas técnicas de homicídio em massa durante o holocausto e que tenta fazer o Hitler parecer um santo ao lado da outra besta da Síria; são pais que acham que o facto de um hotel não ter cumprido com os serviços contratados desculpabiliza os actos de vandalismo supostamente realizados pelos filhos e o seu grupo... Parece uma competição de estupidez!

Juro-vos: ligar a televisão e ver notícias, ler jornais, percorrer o mural do Facebook, enfim, viver num mundo onde a informação quase arromba a porta para nos entrar em casa está a tornar-se doloroso. A vontade que tenho é de desligar tudo e viver só a ler ficção porque é, certamente, menos assustadora do que a realidade. Eu, desde que faço uso dos meus dois neurónios, sempre disse que vivíamos na pior das épocas, na mais desinteressante (sim, para mim o ritmo da vida de hoje e todas as possibilidades que temos acabam por desgastar-nos e tornar-nos apáticos para coisas que exigiriam muito mais do que apatia), na mais perigosa de todas. Nem imaginava que as coisas ainda piorariam ao ponto de estarmos no século XXI a cair nos mesmos erros (mas com dimensões provavelmente maiores) em que já nos espalhámos no passado. E tudo porque somos terrivelmente, vergonhosamente, monstruosamente estúpidos. Estúpidos e esquecidos. Estúpidos, mas com a mania de que sabemos (os pais que se recusam a vacinar os filhos fazem-no porque supostamente sabem que as vacinas lhes farão mal... e agora assistimos ao regresso da filha da mãe de uma doença que ainda há um ou dois anos se considerava erradicada, até se considerou retirar a vacina do plano nacional de vacinação!). Estúpidos, estúpidos, estúpidos! É impossível não pensar isso quando vemos e ouvimos aquilo que tem sido notícia nos últimos tempos. Como é que aquele tipo nos Estados Unidos, desejoso de ter o seu nome nos anais da História Militar norte-americana, desata a bombardear à esquerda e à direita, a provocar até ao limite um país que ele sabe bem que tem poder (e loucura suficiente) para carregar num botãozinho e varrer uma vasta região da face da terra??? Como é que claques rivais não percebem que há coisas que não se dizem nem ao rival? Como é que gozam com mortes, com o sofrimento dos outros? Eu, benfiquista, tive vergonha de ouvir a porcaria de cântico sobre a morte de um adepto sportinguista com um very light em 1996. E não me venham dizer que eles também gozaram com a morte de um benfiquista num acidente há muitos anos. Ninguém tem desculpa! Há limites no que se diz e torcer por uma equipa não é isto. É absolutamente nojento e vergonhoso. É baixo, é reles, é cruel, é desumano. 

Mas desumanidade é mesmo o que mais abunda. Infelizmente, até aquilo que nos torna diferentes dos animais - a razão - vai desaparecendo ao ponto de lamentarmos não sermos, pelo menos, inocentes como eles, que não ameaçam com forças nucleares, que não decidem contribuir para a propagação de doenças para as quais a ciência têm há muito solução, que não partem hotéis porque o bar fechou mais cedo, que não se esquecem das câmaras de gás nazis, que não se filmam a matar alguém para depois porem o vídeo no Facebook... Desumanos e estúpidos: até aqui chegámos.

Os gatos e a iCloud

Definitivamente, o espaço disponível na iCloud devia ser maior para pessoas que têm gatos. É que é impossível não encher a memória dos telemóveis e do iPad com fotos dos peludos e das graçolas que fazem ao longo do dia. Parece que fazem de propósito para criarem momentos dignos de registo para memória futura. Então hoje a minha gatica está TÃO inspirada que até me faz confusão. Rainha do disparate, é o que é. Mas, enfim, as fotografias no meu telemóvel são tal e qual como no cartoon de Cat Versus Human que aqui vos deixo. Com a única (grande) diferença de que se passa o mesmo no telemóvel do moço...


domingo, 16 de abril de 2017

Boa Páscoa!

Ainda nem tive oportunidade de pintar as unhitas, mas o calor não dá trégua e chegou a altura de render os pés às sandálias. Estou a estrear as que o moço me deu e juro que chego a ter medo de partir uma perna se despencar daqui de cima. Uma pessoa ganhar assim uns dez centímetros de uma vez é actividade de grande risco, sobretudo para quem passou o inverno em botas rasteiras e ténis. Mas é Páscoa e o dia merece este perigo iminente. Boa Páscoa, queridos quixoteiros!


sábado, 15 de abril de 2017

A Menina Quer Isto LXXXVI

A menina acha que tem poucos livros para ler e então quer mais uns quantos. O do João Tordo é novo e ainda nem chegou às livrarias, mas encerra uma trilogia e como tenho os outros dois preciso mesmo de ter este à mão. Os restantes também são fofinhos, porém talvez esperem pela Feira do Livro, ainda que este ano tenha de ser mais comedida nos dinheiros gastos na feira. Bom, em todo o caso, a menina quer isto:




sexta-feira, 14 de abril de 2017

Pára tudo!!!

PÁRA TUDO!!!

Parece que ontem este cantinho pequerrucho da blogosfera atingiu as cem mil visitas. Oh, coisinha mais fofa de sua autora! Aos poucos, aos poucos lá chegaste. Umas vezes quase parado (como no último mês), noutras acelerando perigosamente, lá conseguiste granjear uns fiéis visitantes e outros que aparecem quando se lembram, sendo todos sempre bem-vindos.

Há blogues que recebem este número (e até mais) de visitantes num só dia, mas eu sei bem a casinha que aqui tenho e sei que o que por aqui se passa não é o tipo de coisa que mobilize multidões. Nem quero, pois acredito que pelo meio do gozo que isso dá, também deve garantir muitas dores de cabeça e as visitas e comentários de gente que apenas sabe vir falar mal. Gosto deste cantinho como está e, acreditem, está como nasceu. Tem o mesmíssimo aspecto que tinha no dia em que foi criado em dois mil e onze. Nunca lhe alterei a imagem e não tenho planos para fazê-lo. O aspecto é importante, mas mais importantes são as palavras: as minhas e as vossas que vão deixando as vossas pegadas em forma de comentários que são sempre muito apreciados. Tenho demorado a publicá-los e a responder-lhes porque a inspiração tem sido pouca e mal tenho passado por cá, mas não deixo de agradecer-vos cada minuto dispendido numa visita a este blogue.

Por isso esta quixotada pretende agradecer todas as já mais de cem mil visitas recebidas. Quem sabe se chegaremos a duplicar este número? Não importa. Interessa, sim, que até aqui chegámos e que cada passo foi muito saboroso. Assim sendo, voltem sempre e obrigada pela confiança.


Para a pilha

Hoje o moço ofereceu-me umas sandálias liiiiiiindas e bastante perigosas: se caio de cima de tais andas, mato-me provavelmente. Mas são maravilhosas e já sobejamente namoradas. Devo ter, portanto, atingido agora os setecentos e oitenta e sete pares de sandálias (e depois passo o verão de sabrinas...).

E hoje, também, juntam-se à minha enorme pilha de livros por ler estes três fofinhos. O do Gabo vem, na realidade, numa edição mais antiga, mas não encontrei imagem da capa e não me apeteceu fotografá-la. A propósito deste fantástico autor, esta semana (penso que na quarta-feira, mas não tenho a certeza), a RTP2 transmitiu pelas onze horas da noite um documentário sobre ele e o seu realismo mágico. Ainda que já soubesse muito do que lá é dito sobre o autor (quem já leu a sua fabulosa autobiografia lembra-se da vida rica e atribulada de Gabriel García Márquez), aprendi mais algumas coisas sobre as suas vivências e algumas histórias picarescas que fizeram parte dos seus dias. Gabo é, para mim, um daqueles escritores tão magníficos que não parecem deste mundo. Por isso, cada livro seu que se soma à minha modesta biblioteca é mais uma possibilidade de boas leituras e uma garantia de horas bem passadas.




Nota: As primeiras duas capas foram retiradas da página da Wook.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

[A terrível falta da] Memória

No mesmo dia em que um representante da Casa Branca esqueceu que Hitler matou milhões de seres humanos em câmaras de gás e usou esse terrível termo de comparação para mostrar que Assad, na Síria, é um monstro, ficamos também a saber que na Líbia, por exemplo, migrantes estão a ser aprisionados e vendidos como escravos para trabalhos forçados ou para escravatura sexual. 

Nunca a frase batida que cedo nos davam para digerir na escola e que dizia que "não devemos esquecer as atrocidades cometidas ao longo da História para que jamais se repitam", nunca, repito, fez tanto sentido como agora. Gente que morre novamente com armas químicas (e gente que esquece que isso já sucedeu em grande escala no passado) e ainda gente que se aproveita da miséria dos outros para "reabrir" os mercados de escravos... Quem queremos enganar? Já está tudo esquecido e a História já se repete. O tempo, afinal, só curou algumas feridas. A memória continua sem uso. 

Chora, Camões, chora... VIII

Ora apreciem lá a publicação da Sic Notícias no Facebook e façam a caça ao erro. Mas levem muitas munições. 




terça-feira, 11 de abril de 2017

Ya ya quê?

O Mickael Carreira tem um novo single, intitulado "Yayaya" (não sei se tudo junto ou não). Estou sem palavras, mas não faz mal: ele também. 

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Destruidores implacáveis lusos

Já ando há tanto tempo sem escrever uma quixotada composta que vamos lá ver se ainda sou capaz de o fazer. Perdoem-me qualquer coisinha, está bem?

Ora, nos últimos dias tem-se falado muito da expulsão de uma pomposa quantidade de estudantes portugueses que estavam em viagem de finalistas (há tanto a dizer sobre isto) em Espanha. Segundo é dito pela comunicação social e pelo comunicado do hotel onde estavam alojados os fofinhos, eles saíram e deixaram um rasto de destruição no hotel, que inclui - imagine-se! - uma televisão dentro da banheira. Claro que depois de se saber disto, começou a sessão de esgrima: ora são os pais que contam outra versão, ora é o hotel que diz que nem o seguro da empresa que organizou a viagem chega para pagar os estragos, ora são os alunos que dizem que havia falta de higiene e que a alimentação era racionada (ainda há pouco vi um menino na televisão dizer que havia muita fruta, mas pouco variada... Atrevo-me a achar que estava toda nas sangrias.). E a esgrima vai além dos envolvidos: a opinião pública também se divide entre os que vão passando a mão pelo pêlo dos jovens e entre os que querem as suas cabeças servidas numa bandeja e que anseiam por ver os pais que os (des)educam lapidados em praça pública. Pelo caminho ainda ouvi, embora com perplexidade, alguém de uma associação de pais dizer que tem de se repensar o sistema educativo. Já cá faltava dizer que a culpa é da escola. De facto existem disciplinas que ensinam a pôr aparelhos eléctricos em banheiras: chamam-se Introdução ao Suicídio I ou Estupidez Aplicada.

E agora o que eu acho. Com isto tudo, dei por mim a fazer o mesmo que muitos outros: a pensar na minha própria adolescência. Era estúpida, mas estúpida todos os dias. Não tive viagem de finalistas no secundário. Aliás, continuo a achar as viagens de finalistas a coisa mais estúpida deste mundo. Então quando vejo viagens de finalistas para TODOS OS CICLOS DO ENSINO, BÁSICO E SECUNDÁRIO até me benzo (sim, meus caros, há escolas em que os alunos do 4.º, 6.º, 9.º e 12.º partem em viagens de finalistas... E se houver poucos inscritos, alarga-se a viagem a outros anos, dando-lhe outro nome qualquer porque o de «finalistas» já não serve). Mas mesmo sem viagem, era uma adolescente bastante idiota. Ainda assim, nunca me deu para destruir nada que não fosse meu. Como dizia uma amiga minha que considera ter sido também uma jovem profundamente idiota, havia um limite que não se pisava. As asneiras eram nossas e não deviam lixar nada que não fosse nosso. Contudo, como bem sabem, convivi com muitos adolescentes até ao final do ano lectivo passado e digo-vos que o desrespeito pelo que era de outros era uma constante. Partir, queimar, inutilizar objectos de colegas ou mesmo do estabelecimento de ensino era o prato do dia. Fosse caro ou barato, desde que dar cabo dele significasse diversão, destruia-se. Acreditem quando vos digo que houve uma fase (o que ajuda a explicar também o meu cansaço e descontentamento profissional) em que coisas dessas eram diárias. 

E o que acontecia, perguntam vocês. Nada. Não havia punições, ninguém se responsabilizava por nada, os acontecimentos abafavam-se o melhor possível. 

Ouvindo o que alguns pais dizem sobre o que supostamente aconteceu em Espanha com os nossos jovens finalistas, concluo que afinal o problema não estava apenas naquele colégio que eu tão bem conhecia. Está tristemente disseminado por aí. Aliás, qualquer dia podemos criar a modalidade olímpica de «passar a mão pelo pêlo dos meninos» e seremos medalha de ouro todos os anos. 

«Ah e tal, nós partimos porque estávamos descontentes com o hotel, mas não foi assim tão grave.», «Ah, eles são jovens e precisavam de divertir-se, mas o hotel não teve o bar aberto como contratado.» são frases criadas por mim, mas que se assemelham a muitas das que tenho ouvido. É a boa da cultura do «mas», muito enraizada também nos nossos meninos. Fazem porcaria, MAS há sempre uma razão para isso. Meus caros, a ser verdade aquilo dos azulejos e da televisão na banheira «não há mas, nem meio mas». Se estavam descontentes com o hotel, manifestavam-se junto dos responsáveis pela organização da viagem. Olhem se todos desatássemos a partir os quartos de hotel por onde já passámos e que não nos agradaram muito... Não haveria hotéis.

Gerir a frustração não é o forte destes miúdos que por agora vivem as suas adolescências. Mais uma vez, falo do que sei e não apenas do que me parece estar por trás desta viagem de finalistas. E não é só a frustração: tendem a perder noção dos limites durante a diversão. Mas também, voltando a este caso, o que esperar quando os pais pagam viagens que incluem bar aberto para miúdos do décimo segundo ano? Não tenho filhos, mas cheira-me que não teriam muita sorte nisto de gastar quase seiscentos euros para estarem uma semana a matarem neurónios. Tal como os meus pais não o fariam se a questão lhes tivesse sido colocada em dois mil e três, quando concluí o secundário. 

Enfim, a apurar-se que aqueles estragos foram realmente feitos pelos estudantes portugueses, acho bem que os pais sejam responsabilizados e que os meninos também sintam na pele que fizeram porcaria. Como disse Daniel Sampaio, os pais devem responsabilizar os meninos, embora o especialista duvide da autoridade que eles ainda tenham para isso. Eu também tenho algumas dúvidas porque já vi tantos, mas tantos pais encolherem-se diante da (fraca) argumentação dos filhos ou de um tom de voz mais elevado que sou pouco crente nesse caso. Agora, mesmo achando que há uma crescente desresponsabilização dos jovens, que cada vez se lhes desculpabilizam mais os disparates e até mais tarde (daqui a pouco é-se adolescente até aos trinta...), também acho que não foram todos os mil alunos que partiram e estragaram. Generalizar também não é bom. Há miúdos parvos que não têm qualquer travão, mas há muitos miúdos que têm noção das coisas e, felizmente, também têm pais que estão lá para ensinar, para educar e para castigar se preciso for. Podem não ser a maioria, mas existem e isso é bom. Por isso, dizer «tenho vergonha dos alunos portugueses», como já ouvi, parece-me um erro. Não concordo com as viagens de finalistas do básico e do secundário, como já afirmei, mas calculo que pelos pecadores tenham pago muitos justos. E que metidos no mesmo saco de gatos estão miúdos com juízo que até estavam apenas a divertir-se e que não destruíram nada a ninguém. Viram, contudo, esta viagem destruída. 

No fim de contas, gostaria que isto servisse para pensarmos todos na educação que por agora se dá aos jovens, mas também nas experiências que lhes proporcionamos e que são, tantas vezes, desapropriadas. Muitos pais não deixam os filhos sairem de casa sozinhos para irem ao café do fundo da rua, mas pagam e permitem estas viagens. Muitos miúdos são extremamente imaturos e irresponsáveis no final do décimo segundo ano e estas viagens com pouca supervisão e muito álcool não ajudam em nada. Quem convive diariamente com adolescentes como eu convivi sabe que os dezassete de hoje são os catorze de há uns dez anos e a tendência é para piorar. Há, como disse, honrosas excepções, mas para quê facilitar? Depois acontecem coisas destas e acabamos a ter tudo no mesmo saco, bons e maus, comportados e mal comportados. Há um desequilíbrio entre a hiperprotecção e a permissividade em que os pais oscilam, entre o que lhes ensinam e a desresponsabilização que demonstram ao tentarem desculpar tudo, mesmo o que não é desculpável. E para ilustrar isto, antes de ir, deixo-vos com uma situação que mostra os pontos absurdos de desculpabilização em que os pais caem na procura de proteger (acham eles) as suas crias, mostrando ser incapazes de ver que eles também têm defeitos e provando que não sabem o que fazer quando é preciso disciplinar. Há poucos anos um jovem do oitavo ano partiu uma câmera de vigilância. Após visualização das imagens, verificou-se perfeitamente quem a tinha arrancado do sítio (junto ao telhado) e partido. Quando a mãe foi chamada para se falar no sucedido e quando lhe foi dito que estava gravada a imagem do filho a tirar a câmera do sítio, a resposta foi um espantoso «Não foi ele.». Perante isto, como podemos esperar que os miúdos não partam tudo à sua passagem?

Mais depressa veremos unicórnios.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

terça-feira, 4 de abril de 2017

Chora, Camões, chora... VI

É notícia de última hora a explosão numa fábrica de pirotécnia de Lamego. Por agora fala-se em três vítimas mortais, mas o número pode aumentar uma vez que há funcionários que não responderam a nenhuma das tentativas de contacto que já foram efectuadas. É grave, é de lamentar e sempre que isto acontece não evito pensar que para termos diversões como fogos de artifício, muitos acabam por perder a vida em acidentes como este. Por isso, o blogue As Minhas Quixotadas está com todos os familiares e amigos que vivem neste momento horas de dor e de incerteza. 

Jornais e canais de televisão vão fazendo chegar cada vez mais informação, embora alguns, como é o caso do Público, sejam dedicados ao paradoxo, matando quem já morreu. Ora leiam lá o seguinte parágrafo, retirado de uma notícia de última hora que apareceu no meu mural do Facebook. 



segunda-feira, 3 de abril de 2017

Missão Soninho

No sábado tivemos uma festa cá em casa e a sua preparação foi tão trabalhosa que eu, pessoa pouco dada ao sono e que acorda geralmente bastante cedo, dormi dezoito horas e meia entre a meia-noite e as nove da noite de domingo. Basicamente só acordei para ajudar a dar cabo dos restos que nos povoam o frigorífico. 

Isto foi o mais perto da hibernação que já estive. Compreendi melhor os ursos e desenvolvi até um sentimento fofinho de solidariedade por aqueles peludos gigantes que se retiram do mundo para passarem o tempo a dormir. Eu fiz o mesmo este domingo e soube-me pela vida. Mais ainda se considerarmos que não sou muito dada ao sono; que raramente o sinto; que chego a acordar às cinco da manhã prontinha para começar o dia (o problema é que a meio da manhã acaba-se-me a pilha); que tenho um sono muito perturbado por sonhos e por pesadelos, lembrando-me sempre daquilo com que sonhei; que não "desligo" verdadeiramente durante o sono, chegando a dar por mim a pensar e a ter ideias enquanto durmo. Nunca fui dorminhoca, nem em pequenina. Sempre me levantei cedo sem dramas. Mas também sempre achei que perdíamos demasiado tempo a dormir e que esse tempo seria óptimo se fosse passado a fazer outras coisas. Mesmo pensando assim, dormia. Sonhando sempre, lembrando sempre na manhã seguinte aquilo com que sonhara, acordando cansada por nunca ter "desligado" verdadeiramente. Mas dormia. O problema maior surgiu talvez uns dois anos antes de despedir-me. A pressão era tanta, o volume de trabalho tão insano que a qualidade do meu sono veio por aí abaixo até me deixar à beira das lágrimas quase todos os dias. Eu deitava-me cedíssimo para aproveitar a noite, já que acordava pouco depois das seis, mas acordava de madrugada e não conseguia dormir mais porque inevitavelmente começava a pensar em trabalho e no que tinha para fazer, nos prazos para isto e para aquilo... Até que chegavam as seis da manhã e, se fosse preciso, a minha cabeça já estava a trabalhar havia quase duas horas. Pior: teria de continuar a trabalhar até ao final do dia e, se fosse dia de reuniões ou de eventos idiotas marcados em cima do joelho pela instituição, esse final do dia poderia ser às oito da noite. Imaginem isto durante dois anos, sensivelmente. Não mata, mas mói. E os fins de semana não serviam para recuperar porque havia sempre muito para fazer, inclusivamente coisas relacionadas com o trabalho. O sono foi ficando cada vez mais para trás. Cheguei a um ponto em que o via como um luxo a que achava que não tinha direito. Por isso, estes últimos meses também têm sido de aprendizagem nessa área. Continuo a achar que o tempo que passamos a dormir dava jeito para fazer tantas outras coisas... Mas claro que estes anos de inferno me ensinaram que sem dormir (e bem) nada se faz. Assim, dias como este em que a ocupação foi dormir, coisa rara na minha vida, são fundamentais. Tenho anos de sono em atraso. Preciso de recuperá-los. Hoje dei um avanço de quase dezanove horas a essa "Missão Soninho". Boa!