sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

(A)Normalidades de outros tempos

Além do livro do Mark Twain que ando a ler (genial), comecei, também, a ler este Amor e Sexo no Tempo de Salazar, de Isabel Freire. Vou no segundo capítulo e, mesmo já sabendo umas coisas sobre esta época da nossa história, ando de boca escancarada devido ao choque que sinto pela quantidade de coisas que nem consigo imaginar e que eram a normalidade da época. O lugar da mulher na sociedade era tão anuladinho, coitadinho, que é uma revolta constante. Imaginar aquele Portugal, que não foi assim há tanto tempo quanto possa parecer, é coisa que custa. Saber, então, como funcionavam as relações amorosas nessa época e a forma como a vontade da mulher era menos do que nada é um terror. Mas, enfim, é com o conhecimento do passado que melhor se pode olhar o presente e o futuro, por isso aí vou eu continuar a leitura. O meu queixo andará pelo chão durante mais uns tempos.


Notinha: A imagem foi retirada da página da Wook que avisa que o livro está indisponível. A editora é a Esfera dos Livros.

Não entendo que caminho fizemos até aqui

E o que me choca perceber que alunos meus, com doze ou treze anos, ainda não sabem dizer a sua morada? Pergunta-se-lhes em que rua moram e o código postal e nada. Ficam a olhar para mim. Hoje aconteceu isso e às tantas irritei-me. Disse-lhes que sei a minha morada desde os cinco anos e que não entendo como gente com mais de uma década de vida, alguns a frequentar o 3.º ciclo de escolaridade, é incapaz de dizer o nome de uma rua, o número de uma porta e um código postal de quatro dígitos (já nem me atrevo a pedir os três números extra). Se estes miúdos se perderem em algum lado, coitados.
 
Ninguém me tira da cabeça que andamos a estupidificar os miúdos e a transformá-los em eternas criancinhas pequeninas incapazes de serem autónomas em coisas básicas. Saber a morada é como saber atar os sapatos: aprende-se desde cedo e dá muito jeito. É, por isso, importante que saibamos mostrar aos miúdos a importância destas coisas e explicar-lhes que não é um conhecimento tão descabido como muitos deles pensam. Os pais não estão sempre lá para os filhos: é impossível. Por isso dá jeito que, desde cedo, os vão ensinando a ser autónomos e a serem capazes de fazer coisas que... todos nós, com a idade deles, nos sentíamos na obrigação de saber fazer. Caramba, não entendo mesmo como chegámos a isto!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

"Você"

Não é irritante ver adultos a tratarem as crianças por "você"? É que além de ser um tratamento horrendo, é ridículo usá-lo com os filhos ou os netos. Antes do Carnaval assisti à belíssima cena de uma mãe a dirigir-se dessa forma à filha, uma menina que não teria mais de nove anos.

Não sei por que razão existe quem faça isto nem o que lhes passa pela cabeça para o fazerem, mas é coisa que não faz qualquer sentido. Mais ainda quando depois me cabe a mim e aos outros professores explicar aos meninos que não se deve tratar ninguém por "você" e que fazê-lo é uma enorme falta de educação.

Acabadinhos de chegar

Acabadinhos de chegar da Wook e com um belíssimo desconto. Haja tempo para ler tudo...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Frivolidades

Para mim, que sou criatura pouco dada a gastar dinheiro com cremes, perfumes e coisas afins, estourar mais de cinco dezenas de euros nestas duas ridículas caixinhas é coisa para provocar lágrimas de sofrimento e de desespero. Felizmente, ambos os produtos duram-me mais de um ano, o que leva a que, feitas as contas ao mês, isto acabe por ser uma ninharia. No entanto, a Sephora ainda não permite pagamentos mensais (e mesmo que permitisse...), por isso tenho de me aguentar e sofrer tudo de uma vez só.

Uso esta base há anos e adoro-a, não a troco por nada deste mundo. Vale bem o dinheiro que por ela dou e, acreditem, dura que é uma loucura. Quanto ao "BB cream", uso-o desde 2010 e também nos temos dado muito bem. Julgava que fosse coisa para durar um mês, mas enganei-me: uma bisnaguinha aguenta sensivelmente o mesmo que um frasquinho de base. Coloco-o antes de "fond de teint" e é a única forma de conseguir ter bom aspecto. Juro.

Felizmente, e voltando a chorar os meus tostões, consegui aproveitar a promoção do Dia dos Namorados (comprando um presente para mim, reparem bem) e ter vinte por cento de desconto. Yupi!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Mark Twain

Bem sei que ontem tinha anunciado o início da leitura de Amesterdão, mas valores mais altos se levantaram. Comecei, sim, o livro N. 44, Um Estranho Misterioso, de Mark Twain. Já me arrancou uma jeitosa gargalhada com a parte em que o Diabo é enganado pela astúcia de um prior mau como as cobras. Até agora estou a adorar, mas cheira-me que vou precisar de um livrinho de História para acompanhar, que já nem estou habituada a andar a ler só uma coisa.




Notinha: Como bem se vê, a imagem saiu da página da Wook.

O terror voltou

Sim, isto já existe. Que bom: primeiro os três terrores sobre a pseudo-pura que se mete com o lobo mau e agora o manual de instruções para todas podermos ser umas Anastaciazinhas em potência. Ou é isso ou é uma forma de o dinheiro que tem vindo a cair com a trilogia não abrandar. Aposto mais nesta última hipótese...

Notinha: A imagem saiu da página da Wook.


domingo, 10 de fevereiro de 2013

A enormidade

«Xeque ordena burcas para bebés

Abdullah Daoud, um chefe religioso saudita, não tem dúvidas: uma das formas de parar os abusos contra bebés do sexo feminino é vestir-lhes burcas. O discurso, sob a forma de fatwa, ou édito religioso, foi feito num canal local de TV e está no YouTube. É polémico: outro xeque saudita afirmou que a proposta insulta o islão.»

in Sábado, n.º 458, 7 a 13 de fevereiro
 
 
Tanto que se poderia dizer sobre estas singelas linhas. Mas tanto. No entando, perante a enormidade da peregrina ideia só sobra a revolta e a descrença num mundo melhor. Nunca poderá ser um mundo melhor enquanto alguém achar que a única maneira de travar selvagens que merecem a morte seja tapando bebés dos pés à cabeça. Sim, é capaz de os bebés do sexo feminino serem demasiado sensuais. O problema não está em quem abusa deles, mas sim nos taradões dos bebés que se mostram muito... Caramba, que estupidez revoltante!
 
 
Adendinha: Então e para mudar a fralda, como se faz? Num quarto trancado e às escuras?

sábado, 9 de fevereiro de 2013

A Menina Quer Isto XXXVI

A menina viu isto ontem e é tão fresquinho, tão fresquinho que ainda está quente. O preço considerável fê-la deixá-lo lá, mas que ele há-de vir a mudar-se para ao pé da menina, disso não há dúvidas...

 
Nota: Hoje, Domingo, afirmo que este livro já mora cá em casa...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Acho lindo...

...quando vejo uma folha de tamanho A4 colada numa janela de um terceiro ou quarto andar e onde está escrito em letra de tamanho dezasseis qualquer coisa como «aluga-se» ou «vende-se» e, por baixo, um número de telefone. Será que quem cola aquilo acredita que alguém consegue, da rua, ler aquelas formiguinhas? Nem eu, que vejo bem, consigo decifrar o que está naquelas folhas. É capaz de ser a pior estratégia de venda (ou de arrendamento) que já vi, mas parece ter virado moda aqui para estes lados.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A negligente

Perante as muito frequentes asneiradas que uma colega do oitavo ano diz, um aluno do sétimo, com um ar muito sério, afirma:

- A A. é a pessoa mais negligente que conheço.

Eu pergunto:

- Negligente??!

Ele:

- Sim: negligente. Para não dizer burra.

Ora, isto do "negligente" chegou aos ouvidos da dita menina que, escandalizada, berra:

- Eu não sou isso que os médicos são!!!

Gentes, se eles não me enlouquecerem, é oficial: nada enlouquece!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A "geração euromilhões"

Aluno que é aluno não lê enunciados. Isso é coisa para betinhos e meninas da professora. Aluno que é aluno chega ao teste e desenrasca-se. Querem exemplos? Cá vai o melhor: aluno que é aluno vê um quadrado ou um rectângulo em branco no enunciado de um teste e assume o quê? Que o mesmo serve para pôr uma cruz. A isto chamo de "síndrome de euromilhões". Para boa parte dos alunos destes tempos, quadrados combinam com cruzes e quem disser o contrário é totó. Ponto.

Portanto eu não passo de uma reles totó que, num teste, usa quadrados e rectângulos em branco para que lá seja espremida uma função sintática, um tempo verbal ou, na loucura, uma subclasse de palavras. Faz sentido: eu já sou demasiado velha para fazer parte desta "geração euromilhões" e, no meu tempo, ainda existia esse terrível hábito muito choninhas de se lerem atentamente os enunciados...

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Palhaçadas

Tenho uma aluna que nunca faz os trabalhos que eu mando. Faz sempre outros bem diferentes daqueles que pedi. Se lhe peço para conjugar três verbos, conjuga um que nem estava na lista dos que lhe pedira. Se mando escrever um texto de quinze linhas, escreve um de dez e puxa do argumento típico e que já me cansa: "a mãe disse para eu fazer assim". Da primeira vez ainda tive alguma paciência, mas depois disso esgotou-se. Agora, quando aparece com uma coisa diferente aquela que mandei e argumenta que fez como a mãe mandou, aponto que não fez o trabalho de casa que é para ver se ela e a mãe (que provavelmente até nem diz nada) aprendem.

No outro dia vi-lhe o caderno. Tinha as lições abertas, porém não escrevia a data em nenhuma. Deixei-lhe uma notinha a dar conta da necessidade de incluir a data das lições. Depois de ler o que eu escrevi, vem ter comigo e diz, meio embaraçada:

- Eu nunca escrevo as datas...

- Pois não, M. Mas tens de as escrever. Eu quando abro as lições no quadro, também as escrevo com data.

-Sim... Mas a minha mãe disse para eu fazer assim.

Palavra que tive de respirar fundo. Expliquei-lhe que ela tinha de fazer como eu faço e perguntei-lhe como seria se eu a mandasse estudar a lição do dia "tal". A miúda encolheu-se num tal embaraço que acabou por dizer:

- Pois é... Tenho de começar a abrir as lições, não é?

- Tens.

Neste caso não sei se é mesmo a mãe que diz alguma coisa ou se é apenas a miúda que a usa como desculpa para todos os disparates que faz. Infelizmente até os mais pequeninos já perceberam que numa escola o argumento "pais" vale muito. Mas a mim não me interessa: ou faz como eu digo ou tem a nota de quem não fez. A mãe, se quiser as coisas à maneira dela, meta-se na faculdade e faça o curso que me habilitou profissionalmente a aturar estas palhaçadas todas.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Mais dois

Pronto: vamos acrescentar mais estes dois à lista de volumes cá de casa. Agora que estou a ler a biografia do filho, resolvi comprar a da mãe. Quanto ao livro do João Tordo, mudou-se para aqui devido a uma promoção da Fnac. A propósito, hoje saiu uma entrevista deste autor no jornal I.





sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Tempo para balanços

Balanço do mês de Janeiro: mau, muito mau. Aliás: péssimo. Foi um terror de mês. Fevereiro começou com uma enorme dor nas costas e comigo a parecer uma pessoa de cento e setenta anos com ossos feitos de ferro oxidado. É oficial: 2013 promete...
 
Notinha: Não tenho lido blogues, mal tenho passado por aqui. Ultimamente tenho tão pouco para dizer que vos poupo o trabalho de lerem coisas que não interessam. Sorry...