sábado, 30 de setembro de 2017

O vício da Gatica

Espalhei catnip no tapete da entrada. Para quem não sabe, catnip é aquela erva que deixa os gatos loucos de alegria (nem todos: o Senhor Gato, por exemplo, é imune). Bom, como ia dizendo, espalhei essa erva no tapete do hall e agora estou a assistir na primeira fila à desgraça da Gatica. Ela rebola-se, ela estica-se, ela pula, ela deixa-se ficar deitada de lado com um ar muito zen... Toda uma festa. 

Diverte-te, Gatica. Até que venha o "Monstro dos Aspirador" e te leve o estupefaciente.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

A Menina QUERIA Isto, Mas Já Tem IX


Cortesia do meu moço, que é um anjo.

Dúvidas que me assolam IV

O que leva uma senhora a especar-se em frente à entrada da Worten do Colombo com um sorriso de orelha a orelha para o marido lhe tirar uma fotografia? Não sei, mas vi isso a acontecer. Caríssimos leitores, a coisa foi de tal forma evidente e espalhafatosa (e bastante ridícula) que o segurança foi lá informar a "modelo" de que era proibido tirar fotografias naquela zona. 

Já vi muita gente a tirar fotografias à família no Colombo. Mesmo na época em que as placas a informar que era proibido fotografar eram tão grandes que até de olhos fechados se viam! Mas em frente a uma loja de electrodomésticos e tecnologia foi a primeira vez. Em frente à entrada onde estão os robôs de cozinha e as batedeiras mais caras, nunca imaginaria que alguém gostaria de ser fotografado. O que dirão à família quando chegarem a casa? "Olha para  mim nesta fotografia quando fomos ao Colombo e passámos pela Worten!" Sim: "passámos", porque depois de corridos pelo segurança, nem sequer entraram na loja. Foram directos para o Continente! E note-se que não era nenhum casal de adolescentes acéfalos. Nop. Era gente bem mais crescida. 

Enfim, continuará a ser uma dúvida para mim: quem é que, não tendo batido na cabeça, quer uma foto de si sorridente tendo a Worten como pano de fundo?!

Uma valente confusão

Na FNAC ouço alguém perguntar a uma funcionária:

- Bom dia. Onde tem O Crime do Padre Amaro, do Camilo? Já procurei e não está na prateleira. 

Pudera. Bem podia procurar eternamente na prateleira do Camilo que nunca iria encontrar. Que dor de alma!

Ps.: Admito que não me segurei e disse à senhora, que estava mesmo ao meu lado, que não é do Camilo: é do Eça...

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

O esplendor de Portugal

A minha médica de família reformou-se. Já ia sendo tempo e está no seu direito. A questão é que tanto quanto sei, desde que se efectua o pedido de reforma até que este saia, passam-se uns quantos meses. Custa-me a crer que a médica não tenha informado o Centro de Saúde de que se ia reformar e, sabendo como ela era certinha, acredito que o tenha feito com muito tempo de antecedência. Então o que explica que não tenham arranjado mais cedo um substituto? O que explica que só agora esteja a decorrer o concurso para ocupar a vaga que ela deixou? Não me digam que nos meses em que a reforma esteve pedida, mas ainda não concedida não foi possível adiantar serviço e pôr lá um médico. É anedótico. 

Melhor só mesmo aqueles colégios privados que sabem que um dos seus docentes vai ter um filho para aí seis ou sete meses antes de o bebé nascer e não fazem nada para assegurar a substituição. Depois, quando o pai ou a mãe se ausentam do trabalho devido ao nascimento, é que andam a correr atrás dos outros professores para ver se podem trabalhar horas a mais (a custo zero e por pura camaradagem) e tapar os buracos deixados por uma ausência mais do que anunciada. Até que alguém aponta o ridículo da situação (para mais num colégio privado) e, a contragosto, lá aparece um substituto com uma semana ou mais de atraso. 

Que fazer? Em Portugal somos assim: gostamos de ir empurrando com a barriga e de tapar buracos feitos por estupidez. 

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Os elefantes voam?

Há uns anos contaram-me uma história verídica sobre uma criança que era tão objectiva, mas tão objectiva que era incapaz de imaginar qualquer coisa que não pudesse ser factualmente verificável. Um dia, na escola, contavam-se histórias. Uns alunos começavam, outros iam continuando e, a certa altura, o protagonista da narrativa, que era um elefante, já voava. Quando chegou a vez de a tal criança pegar na ponta solta e continuar a história, dirigiu-se à professora e disse que não o podia fazer porque os elefantes não voam. E por muito que ela tentasse explicar-lhe que era apenas uma história, que era imaginação, o menino não conseguiu colaborar na tarefa. Com o tempo, revelou-se um magistral aluno a Matemática e Ciências, mas tinha notas péssimas a Português. Os textos quase nunca lhe faziam sentido, interpretá-los era impossível.

Foi, talvez, o mais grave caso que conheci até hoje de incapacidade para imaginar, para compreender uma história que desafia a realidade. Se o texto se limitasse ao que pode e deve mesmo acontecer, tudo bem. Mas se uma flor nascesse ao contrário, se um gato falasse, se um tapete voasse, estaria tudo estragado porque isso simplesmente não é possível.

Estou, como podem ver ali ao lado, a ler o livro Matilda, um clássico da literatura infantil. Quando fui ao Goodreads colocar o livro como leitura actual, verifiquei que na ficha da edição estavam algumas perguntas que leitores colocaram sobre a obra. A primeira de todas questionava a capacidade que a protagonista tem de ler, uma vez que tem menos de cinco anos e nunca foi à escola. Alguém se dá ao trabalho de responder que o próprio livro explica que aquela menina, Matilda, é uma criança especial e com características únicas. 

Ou seja: alguém que usa o Goodreads leu a história e considerou inverosímil o facto de Matilda ser uma ávida leitora tendo quatro anos, mesmo depois de o narrador explicar explicitamente que aquela não era uma menina normal, mas sim muito especial e curiosa. Alguém perdeu a capacidade de imaginar, alguém perdeu o jeito para fazer de conta.

Vivemos tempos em que temos de ser sempre sucintos e objectivos, em que temos de ir direitos ao ponto, sem rodeios e, sobretudo, sem perder tempo. Estes mundos alternativos em que elefantes voam e meninas de quatro anos sabem ler sem que lho ensinem acabam por ser, para quem gosta de ler, lufadas de ar fresco, escapes para uma realidade apressada que não tem tempo para imaginar. Perder essa capacidade que quase todos temos desde pequeninos de imaginar animais a conversarem, de viajar para outros mundos em cima de um unicórnio é triste e torna o mundo mais cinzento. E existem pessoas assim, como a criança de que comecei por falar-vos ou como a pessoa que colocou a questão no Goodreads. Pessoas que não imaginam, que não fazem de conta, que acham que a ficção tem de reger-se pela realidade quando ela é maravilhosa precisamente porque pode, em muitas circunstâncias, fugir disso tudo e ser outra coisa muito melhor. Alguns livros não podem fugir à verosimilhança e se o fizerem serão maus livros. Mas outros podem e fazem-no maravilhosamente. Obviamente, no meu perfeito juízo e com mais de trinta anos, não vou achar que tudo tem de ser real ou obedecer às regras da realidade, mas sei perceber quando estamos noutro domínio, quando tenho de, enquanto leitora, entrar no jogo e deixar-me levar pela imaginação do autor. Enquanto leio, a sua capacidade de fazer de conta também é minha e a leitura faz-se da cooperação entre estas duas capacidades de escapar para o irreal, para o que seria impossível (ou quase) no mundo que conheço.

Talvez devêssemos explorar mais o lado imaginativo das crianças, em vez de as mandarmos para tantas actividades extracurriculares. Talvez as devêssemos deixar brincar mais, fazer mais de conta em vez de só querermos que participem em competições com regras, que aprendam coisas com regras. Os pais e as escolas têm de perceber que imaginar não é perder tempo, mas que é importante e que ajuda inclusivamente no futuro. A criatividade nasce daí, dessa capacidade de sair fora da caixa, de ver além do horizonte. Enquanto só se pensar em tempo como dinheiro ou como algo que tem de ser aproveitado ao nanossegundo em coisas sérias, a imaginação perderá terreno e os elefantes não mais voltarão a voar.

domingo, 24 de setembro de 2017

A ver vamos

Durante dois anos estudar-se-á nas nossas escolas O Ano da Morte de Ricardo Reis em vez do habitual Memorial do Convento. Foi a decisão do Ministério e aos professores não cabe mais do que cumpri-la, como sempre...

Agora, eu até entendo que esta troca vá dar MUITO jeito a MUITA gente, mas parece-me que os alunos vão enlouquecer. Saramago é sempre bom, não há dúvidas. Falhou pouquíssimo no que escreveu e é e será, sem dúvida, um dos nossos maiores. Muitos dos seus livros poderiam ser estudados nas escolas, mas a escolha era o Memorial do Convento. Geralmente, havia duas dificuldades: a primeira, acontecia porque a maioria dos alunos não lê nada; a segunda porque já levam ideias feitas de que Saramago é impossível de ler, que não faz parágrafos (o que é mentira). Os professores aprenderam a dar a volta ao assunto e no fim muitos acabavam a gostar de conhecer a obra. A sua componente fantástica, a imagem inicial de um Rei e de uma Rainha que seguem um protocolo em vez de viverem o casamento de forma espontânea acabavam por conseguir agarrar alguns alunos. Não todos nem muitos, mas alguns acabavam por perceber que havia ali uma crítica social importante, que o Memorial tem personagens de uma força imensa, que Saramago podia escrever de forma diferente, mas com sentido.

Estou a ler agora O Ano da Morte de Ricardo Reis e a gostar. Mas enquanto leio a descrição das deambulações do protagonista não consigo deixar de pensar nos adolescentes nas escolas e de comparar a abertura deste livro com a do Memorial, chegando sempre à mesma conclusão: parece-me muito mais difícil conseguir agarrar os alunos com este romance do que com a história de Baltazar e Blimunda. Não sei como vai correr a experiência, nem tenho uma turma para assistir in loco ao que vai acontecer, mas algo me diz que o ensino de Saramago vai ser ainda mais difícil. 

Porém, nem tudo é mau. Vão vender-se muitos livros e parece-me que isso, mais do que qualquer outra coisa, é o que se quer.

Um problema que eu tenho


Dúvidas que me assolam III

Sempre que acabo de pôr a louça suja na máquina para ser lavada, começam imediatamente a aparecer pratos e canecas sujos que voltam rapidamente a encher o lava-louças. Como é isto possível?! Acho que só consigo ter a louça toda lavada durante cerca de dez minutos por dia. Mais alguém padece deste problema?

sábado, 23 de setembro de 2017

Desafio terminado (por agora)

Abri o Goodreads e parece que já está. Cumpri o desafio que me tinha proposto este ano.


Vou pensar se acrescento mais umas dezenas ao desafio.

Desistências

Andava a ler dois livros que não estavam a deixar-me lá muito contente. Um deles era um thriller que recorria muito à velha técnica do «enchimento do chouriço». Primeiro que acontecesse alguma coisa, era preciso virar muitas páginas. A ânsia do autor de fazer render o peixe deve ter sido tanta que descreveu tudo e mais alguma coisa e deu a conhecer longos pensamentos de personagens em momentos que não eram mais que fracções de segundo. Lá se vai a verosimilhança. E lá se fecha o livro. Desisto.

Estava também a ler um do Erico Veríssimo que até era interessante. Consistia numa espécie de diário escrito durante a estadia na California para ensinar na Universidade. E se muito do que ele diz é interessante, muito também está datado e não me permitiu estabelecer propriamente uma relação com o livro. Ainda assim li mais de duzentas páginas. Contudo, depois, começou aquela sensação que me diz que a vida é muito curta para andar a ler um livro que não me aquece nem arrefece só com o intuito de o terminar, sabendo que há por aí mais e melhor à minha espera. A culpa não é do autor, mas do tempo que passou entre a sua experiência narrada e a minha existência. Fechei o livro, devolvi-o à estante. Desisti.

Tendo deixado os dois livros que andava a ler, resolvi procurar qualidade inegável para não haver motivos para não ler até ao fim o próximo livro. E eis que cheguei a Saramago e a um dos seus romances que ainda não li: O Ano da Morte de Ricardo Reis. Por coincidência, este livro começa este ano a ser estudado nas escolas. Tenho muita pena de que durante dois anos substitua o Memorial nas aulas de Português. Mas pronto, alguém lucrará com a mudança. Comecei a lê-lo ontem e... bem, Saramago é um génio por isso tem tudo para correr bem.


Nota: Tenho sorte por ainda o ter nesta velha edição da Caminho!

Em busca de lugar na estante VI

A Fnac está hoje com um desconto de 20% em todos os livros. Mas fora isso, alguns livros do Lipovetsky estavam com desconto e, como tinha pontos acumulados, trouxe este por quase nada. Ainda lá ficou o Da Leveza, o mais recente do autor, a chamar por mim, mas a leveza da minha carteira manda-me ser contida nos gastos. Ainda assim, este jeitoso busca o seu lugar na estante.


quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Electrodomésticos «stalkers»

Temos cá em casa três electrodomésticos que nos perseguem até começarmos a arrancar cabelos de tanta raiva que a coisa provoca: a máquina de lavar roupa, o microondas e a fritadeira Actifry. Mas antes que comecem a imaginar que acordo com o microondas a olhar para mim ou que a máquina de lavar anda atrás de nós pela casa, coisas que dariam belos filmes de terror para serem passados nas salas de cinema do Colombo, já que estão sempre cheias de adolescentes que engolem qualquer guião ridículo deste que lhes digam que é de «terror», eu explico-vos de modo eles nos perseguem.

A máquina de lavar a roupa apita quando acaba. E apita, e apita, e apita, e apita... até ser desligada. Só que por vezes não podemos ir logo acudi-la, então ela fica naquela tortura sonora, a lembrar ao mundo que existe, enquanto eu lhe chamo vários nomes feios. O microondas faz exactamente o mesmo: apita quando acaba o seu serviço e fá-lo até que abramos a porta. O que nem sempre acontece logo, também. Aliás, não conheço muita gente que se plante à frente do microondas à espera que ele acabe de aquecer comida. Geralmente, vamos fazendo outras coisas. Pois ele chama-nos. Mas chama-nos muito! E até faz mais: se for programado para descongelar, pára ao fim de um ou dois minutos e apita, apita, apita para irmos ver se ele está a cumprir bem a sua função. Temos de ir lá, abrir a porta e voltar a fechar, em jeito de «muito bem, microondas, estás a fazer tudo lindamente!», para o bicho voltar ao trabalho. Nunca pensei que viesse a experimentar o reforço positivo com um electrodoméstico, mas aquele apito domina-nos a vontade e dá-nos cabo dos nervos.

Por fim, a fritadeira Actifry. Bom, essa é simplesmente maluca. Apita quando acaba, mas não pára de trabalhar. Ou seja: quando ela apita temos de ir a correr antes que ela carbonize o que lá está dentro. E às vezes, mesmo depois de desligada, volta a apitar. Com aquela não dá para perceber a lógica. Só acho que seria um ponto de partida excelente para o Stephen King escrever mais um bestseller: «A Fritadeira Satânica», ou «A pilha de batatas fritas assassinas», ou ainda «O apito da morte sem cheiro a fritos». Enfim, o céu é o limite.

Dito isto, eu até percebo a utilidade dos apitos nos electrodomésticos. Facilmente nos esquecemos de desligar a máquina da roupa quando acaba. Também acontece aquecermos qualquer coisa e esquecermo-nos dela dentro do microondas até que volta a ficar tudo frio e temos de gastar electricidade novamente no reaquecimento. Mas um apito ou dois bastariam. Não é preciso sentirmos que estamos a ser vítimas de um stalker ligado à corrente! Nunca poderei pôr a máquina da roupa a lavar de noite porque já sei que vou acordar toda a gente quando ela acabar o seu trabalho. Somos verdadeiras vítimas das máquinas que nos facilitam a vida. É este o preço a pagar pela modernidade: apitos e mais apitos.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Dúvidas que me assolam II

Serei eu a única pessoa no mundo que aquece a gelatina no microondas durante 15 segundos antes de a comer, de modo a não ficar maldisposta? É uma dúvida que me assola fortemente. 

Ah, também aqueço gelado, mas é porque gosto dele quase derretido. Mais alguém?