A menina está bastante intrigada com isto. A menina quer isto.
domingo, 29 de outubro de 2017
Folhetos e guindastes
Se eu encomendasse uma pizza por cada folheto do Pizza Hut, da Telepizza ou do Domino's que é deixado na minha caixa do correio, já precisaria de um guindaste para sair de casa pelo telhado. Que desperdício de papel!
quinta-feira, 26 de outubro de 2017
«Cansaço»
O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos, in Poemas.
terça-feira, 24 de outubro de 2017
Nós aqui ao lado
Já chegou ao El País e envergonha bastante:
O artigo é mais extenso do que isto e recorre a várias citações do já tristemente famoso acórdão medieval. Mas note-se que as barbaridades ditas não serão alvo de processo disciplinar. Basicamente fica a sensação de que num acórdão se pode dizer tudo, ser misógino, ser machista, dar a entender que ainda teve sorte de a coisa toda ter acontecido cá, pois de outra forma seria lapidada... Enfim, o que apetecer dizer naquele dia, que ninguém vai defender o cidadão visado. Na verdade, quem procura o tribunal e recebe este tratamento sai mais fragilizado do que entrou. Nunca pensei que a Domus Iustitiae servisse para isso, mas parece que sim.
E aí vamos nós pelo mundo: país de sol, de mar, de fogos e de machismo descarado.
segunda-feira, 23 de outubro de 2017
A Menina Sugere Isto XXXIII
Ando há alguns dias para sugerir-vos isto, mas como sou muito despassarada, sempre que chego ao computador acho que não tenho nada para dizer e acabo por ir-me embora. É sempre assim: grandes ideias que me ocorrem quando vou a andar pela rua, mas um arbusto seco a passar-me na mente quando tenho de escrever. Mas adiante.
Disse-vos aqui várias vezes que dormia muito, muito mal. Que durante alguns anos o meu sono foi péssimo, que acordava a meio da noite e não conseguia dormir mais e que, além disso, as minhas poucas horas de sono não eram de verdadeiro descanso. Foram tempos terríveis, confesso. Sempre achei que dormir era um desperdício de tempo, até que de facto percebi da pior maneira que não dormir nos arruina. Felizmente, isso parece ter ficado para trás e agora durmo bem. Além de ter eliminado quase todo o stress e ansiedade que tinha (a única que ficou deve-se à incerteza relativamente ao futuro), mudámos de colchão e de almofadas. Ambos os factores, depois de resolvidos, melhoraram e muito as minhas noites. O nosso colchão antigo era do IKEA e aprendemos da pior maneira que aquela não é a melhor loja para adquirir colchões. Essa parte ficou resolvida. Mas o moço achou que devíamos trocar também de almofadas e... foi das melhores decisões que já tomámos.
Tanto o colchão quanto as almofadas foram comprados na ColchãoNet, na loja do Colombo. A funcionária foi amorosa, tirou-nos as dúvidas todas e usou a grande experiência que tem para nos aconselhar. Experimentámos colchões e faziamo-lo com almofadas. Daí a experimentarmos diferentes almofadas foi um passo. E depois apaixonámo-nos seriamente por umas almofadas que parecem uns feijões e que são tão, mas tão confortáveis que parece mentira. O modelo Sonata, da Tempur, é fabuloso. Confere estabilidade e é perfeito para quem dorme de lado. Aliás: ela suporta muito bem a nossa cabeça e a nossa coluna em qualquer posição. A almofada é esta:
A Tempur tem ainda outras almofadas ergonómicas. Tem uma perfeita para quem gosta de ler na cama. Ainda a experimentei, mas preferi esta. Podem consultar as suas características aqui, na página da marca, de onde retirei a fotografia. Podem ainda ver outros modelos. Estive muito indecisa entre este e outro de formato tradicional, mas não me arrependo de ter escolhido o «feijãozinho».
Portanto, já sabem: se tiverem noites más como eu tinha, eliminem da vossa vida o que é tóxico (não é fácil, mas pronto) e arranjem um «feijãozinho». Os sonhos melhoram consideravelmente.
Acho que estou na Austrália...
Não, não me cruzei na rua com nenhum canguru. Não, não encontrei o júri do Masterchef Austrália ali ao virar da esquina. Foi ainda mais estranho...
Se a Loja do Gato Preto já tem a montra pejada de árvores de Natal (no início de Outubro já eu vos falava aqui de outra loja que antecipou bastante as festividades), bonequinhos de neve, bolas e enfeites vários, por outro lado eu acabei de sair à rua de camisola de manga curta e de sandálias. Aliás, não havia em mim nenhuma diferença entre o que vesti hoje e o que usava em Julho ou Agosto. Caso assim continue o tempo, vamos passar o Natal à praia e, quem sabe, substituamos a Missa do Galo por um mergulho na praia e as rabanadas por um frapuccino.
Mais uns vinte dias assim e passo pela primeira vez na vida o meu aniversário com roupa fresquinha. Este mundo está louco e só o Trump é que acha que não (se bem que ele é a prova de que está mesmo louco).
Domingo dorminhoco
Eu acho que das vinte e quatro horas deste Domingo os meus gatos estiveram acordados talvez durante duas. Como é que é possível dormir-se tanto?! O Senhor Gato dormiu com tanta convicção que fui dar com ele com a boquita a fazer os gestos de quem está a mamar. A Gatica babou-se no sofá (a grande mula). Eles dormem e depois acordam para poderem voltar a adormecer outra vez. E isto ao longo de todo o dia e nas mais variadas posições, algumas delas bem acrobáticas.
Enfim, isto leva-me a pensar que na próxima vida talvez não seja mau vir como gato. Mas um gato com donos como nós, já que só se dorme tanto no quentinho e de barriguinha cheia, coisa que todos os animais merecem, mas que nem todos têm, infelizmente.
domingo, 22 de outubro de 2017
Susto!
Uma pessoa entra na FNAC do Colombo e dá de caras com isto:
PS.: E como se não fosse pouco, o Nicholas Sparks tem novo livro e esteve em Portugal a apresentá-lo. É o horror!
A Menina Quer Isto CI - Temático
Ir a livrarias ao longo do ano é tramado. Mas ir a livrarias numa época em que as editoras estão freneticamente a lançar novos livros é mesmo doloroso. Ontem, cada vez que virava a cabeça, acrescentava um volume à lista. Curiosamente, ontem foi a História que levou a melhor. E em ano de centenário, sai-me na rifa a revolução russa, os czares, a história de um país que ainda hoje nos deixa a pensar que há tanto, mas tanto que não sabemos. Por isso, este «A Menina Quer Isto» é temático. Vai tudo dar à Rússia.
Os três últimos chamam particularmente por mim. Os Romanov, obra gigantesca, são dois volumes em Portugal, mas noutros países juntou-se tudo num só. Sempre sai mais barato, todavia nós por cá somos assim: sem emenda.
sábado, 21 de outubro de 2017
Em busca de lugar na estante IX
Apercebi-me na Fnac de que a Gertrude Stein está na moda. Além deste seu livro que faz parte da colecção de literatura de viagens da Relógio D’Água, vi outros dois livros ligados a ela (um penso que era da companheira e o outro já nem sei). Tinha lido as primeiras páginas deste pequeno volume na página da editora e convenceu-me. Aliás, esta colecção da Relógio D’Água é uma tentação.
sexta-feira, 20 de outubro de 2017
Um trabalho e pêras (em cama de chocolate com crocante de amêndoa e calda de rum reduzida com...)
Vocês já imaginaram o que seria ter de lavar a louça usada no Masterchef Austrália?! Devia ser um trabalho e pêras (com ganache de chocolate, sorvete de pepino e favo de alho francês).
quinta-feira, 19 de outubro de 2017
Diz que é moda, mas a outra ficou para tia
A minha irmã, que sabe bem o quanto gosto de sapatos (embora ande muito controlada), enviou-me este link com uma galeria de imagens contendo os sapatos mais excêntricos desta estação. Este azulinho que aqui vos deixo, e que é coisinha para qualquer bobo da corte se sentir ricamente vestido, custa, por exemplo, 995€. Coisa pouca. Perante tamanha beleza e graciosidade, quem se põe a contar tostões?
Se percorrerem as imagens, vão tê-los para todos os gostos. Altos, rasteiros, com cano, sem cano, com atacadores, com pêlo... Há de tudo, que todo o pé precisa do seu sapatinho. Por exemplo: para quem quer um pouco de altura, mas também quer sentir nos pés a sensação de os ter enfiados num coelho fofinho, há esta hipótese:
Depois também há a bota elegante, preta, nada a fazer recordar as bruxas das bandas desenhadas e dos filmes da nossa infância:
E o melhor é que podem ser vossas por apenas 790€. Como o Halloween vem a caminho, talvez seja melhor apressarem-se.
Enfim, há quem não veja grande importância nos sapatos, há quem ache que as mulheres que adoram sapatos não têm juízo nenhum, há quem ache que os sapatos são só aquela coisa que se põe nos pés para as pedras do chão não nos magoarem e para não apanharmos pé de atleta. Não, meus caros. Tudo errado! Os sapatos mudam a vida de uma pessoa. Ora imaginem...
Está a Gata Borralheira em casa a limpar a chaminé, a ser escravizada pela madrasta e pelas irmãs feias. Quer ir ao baile, mas não tem como. Não pode ir de avental e com umas chanatas velhas. Não é assim que se vai a um baile oferecido por um príncipe. Pois bem, lá lhe aparece a Fada Madrinha, dá-lhe um vestidinho dos bons e completa a toillete com isto:
Lá vai ao baile, dança kizomba com o príncipe e, à meia-noite, ouve as badaladas e começa a correr escada abaixo para apanhar a Uberabóbora. Pelo caminho cai-lhe o sapatinho peludo. Chega a casa, enfia-se na cama e no dia seguinte pega ao serviço outra vez com o balde e a esfregona.
Como já leu umas coisas, sabe que o mais certo é o príncipe andar à procura da moçoila que dançou com ele na noite anterior. Andará pelo reino, armado com o sapato e a tentar enfiá-lo no pé que o aceite como uma luva. A Gata Borralheira, por isso, espera, enquanto lava o chão da cozinha. E espera, e espera, e espera. O príncipe não chega naquele dia. Virá no próximo, pensa ela. Espera, espera, espera. Não lhe aparece na semana toda. Uns tempos depois anuncia-se o casamento do príncipe com outra moça da zona. A Gata Borralheira fica passada e resolve escapar à limpeza da caixa de areia dos gatos da família para ir até ao palácio tirar satisfações. É que não se muda uma história com séculos assim sem mais nem menos! Chega lá, manda dois berros ao secretário do príncipe até que o jovem aparece e lhe explica que NUNCA na vida iria procurar uma alma que usasse um sapato peludo. Diz-lhe mesmo:
- Filha, tu até nem és mal apanhada, mas a pantufa não dá.
- Ah, mas tu tinhas de ir à procura porque é o que está no guião e só te casavas quando o sapato servisse! É o que diz a história!
- Pois... Mas há limites que nem a história permite ultrapassar. E espera lá: o sapato não devia ser de cristal???
- . . .
E assim ficou a Gata Borralheira para tia. Tudo por causa dos sapatos. Fica, pois, provado que o que se põe nos pés faz toda a diferença.
Boas férias!
A Sábado consegue com duas palavras na capa responder à ex-Ministra da Administração Interna e ao seu disparate monumental. Tantas das asneiras ditas por esta gente (não só por ela, mas por outros) ficarão sem resposta. Mas pelo menos ao problema das férias "que não" teve, a resposta serve-se em letras grandes e vermelhas na capa de uma revista. De vez em quando o sarcasmo cai bem.
quarta-feira, 18 de outubro de 2017
Um cheirinho / fedor do nosso Mundo
Eis o que li agora no Notícias ao Minuto (reparem no excerto que destaquei):
É bonito, não é? A discussão nas redes sociais em torno da roupa de uma miúda que já fez mais pelo Mundo do que aqueles comentadores furiosos todos juntos é mesmo digna de reflexão. Atenção, Universo: a Malala vai às aulas em Oxford vestida como quer! O choque! O horror! Vamos já todos comentar a fotografia, dizendo que ela é hipócrita e que nos andou a enganar este tempo todo. Palavra que quanto mais penso nisto, mais me apetece distribuir chapadas.
A fotografia que levantou a celeuma foi esta:
Para muitos foi, pelos vistos, ofensivo não ver a moça com as tradicionais vestes indianas enquanto anda pela Universidade. Foi o suficiente para receber o epíteto de hipócrita e para passar a ter merecido uma arma apontada à cabeça. Isso mesmo: devido à roupa que veste (e que está muito bem, diria eu), passou a merecer uma pistolita encostadinha à têmpora.
Para muitos, a Malala deve ter passado a ser uma propaganda ambulante às vestes tradicionais que costumava usar. Só isso poderia explicar a estupidez da decepção. É que não perceber que, apesar do que tem feito pelo direito à educação, não deixa de ser uma jovem a fazer aquilo com que sempre sonhou é de asno. O que me importa que use agora calças de ganga e saltos altos? Se a fazem feliz, que use e abuse de umas e de outros. Desde que continue a fazer-se ouvir e a mostrar a mais e mais meninas que há outros caminhos na vida, que estudar e contrariar tradições bizantinas é possível, quer se vá às aulas com as vestes indianas, com um pijama, com umas calças de ganga ou com uma saca de serapilheira presa com uma corda.
As redes sociais têm muitas coisas boas, mas acho que as têm sobretudo más. Dão voz aos idiotas que, de outra forma, teriam de falar para o tecto até ele lhes cair em cima. E depois, claro, vai-se espreitando como param as modas nas redes sociais para pespegar a última polémica no noticiário ou no jornal. E assim os asnos vão tendo mais voz. No fundo, nem eu devia trazer para aqui isto, que asnos neste blogue só mesmo o burrico do Sancho Pança. Mas não consegui deixar de vos brindar logo pela manhã com mais uma evidência da estupidez, pequenez e falta de horizontes de umas quantas bestas que se julgam seres humanos, mas que não o são mais do que qualquer jumento deste mundo.
Espero não vos ter inquietado muito e tirado o sono para esta noite ao vir mostrar-vos a Malala de calças de ganga e botas. É que é muuuuuuuito chocante! Eu até estou a tremer por ela não ser como a Madre Teresa de Calcutá, que era coerente e usava sempre a mesma farda. Será que o facto de ser uma jovem que até está a viver a alegria de chegar agora a Oxford tem alguma relação com isso?!... Dúvidas, dúvidas...
Agora que penso nisso, nem imagino o que será se e quando arranjar um namorado.
terça-feira, 17 de outubro de 2017
Da ironia
Quando o despertador do meu moço toca para ele se levantar e ir trabalhar, a música que se ouve é... "Dia de Folga", da Ana Moura.
Dolorosa ironia.
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