quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A Menina Sugere Isto IX

Bem sei que escolher um livro para uma criança nem sempre é tarefa fácil. Aliás, reformulo o que disse: escolher um bom livro não é fácil, já que maus há muitos. Contudo, felizmente, existem disponíveis coisas com muita qualidade e pelas quais podemos optar. Estou, por motivos profissionais, a reler um livro infanto-juvenil que não lia há uns aninhos. É de um conhecido autor português e é dos livros mais engraçados que já tive a oportunidade de ler. Falo-vos de As Aventuras de João Sem Medo, de José Gomes Ferreira. Conta a história do rapaz que dá nome ao livro e que, farto de viver na triste aldeia de Chora-Que-Logo-Bebes, onde todos choram e se lamuriam dias inteiros, resolve saltar o muro que separa a sua terra da Floresta. Ali, será pressionado a continuar infeliz, mas ele, espevitado como qualquer miúdo daquela idade, recusa-se a ser mais um chorão e dá luta. Vai cruzar-se com muitas criaturas mágicas que vão tentar fazê-lo vergar através de armadilhas que são descritas de forma hilariante (dou-vos como exemplo a das árvores com vida que fazem do João Sem Medo uma bola de râguebi e que, no fim do treino e por mando do treinador, vão para o balneário para despirem as suas camisolas e cuecas de cortiça ou a da fada que... Bem, sobre esta faço surpresa porque é demasiado engraçada!).

Assim, quando tiverem dúvidas sobre que livro podem oferecer a uma criança que está ali com um pezinho na adolescência e se forem, como eu, fervorosos oponentes de coisas como diários de totós ou de bananas, pensem nestas aventuras. São divertidas e saíram da mão de um belíssimo escritor português que queria, como diz na dedicatória, fazer renascer nos homens a criança que houve dentro deles um dia.
 

Pilhas e pilhas

As pilhas de livros crescem no meu quarto como cogumelos. Qualquer dia não me mexo aqui dentro. Maldita falta de espaço para pôr estantes!



quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Picuinhices

Ao que parece, uma encarregada de educação indicou numa reunião que gostaria de saber de forma clara, referindo-se aos testes da filha, tudo o que lhe foi descontado, por que lhe foi descontado e quanto foi descontado sempre que a resposta não está inteiramente certa. Estamos a falar da mãe de uma aluna que, felizmente, colecciona notas máximas. Ora, é precisamente isso o que me leva a perguntar: o que é que ela quer mais? Pois se quando entregamos os testes fazemos, no quadro, a correcção escrita dos mesmos, o que quer mais? É só confrontar o teste da filha com a resposta certa e pronto. Ah, mas assim não sabe quanto descontei por cada coisinha. Pois é... Mas isso faz parte, minha senhora. Eu e os outros docentes não podemos entregar um relatório com todos os descontos de pontuação feitos num teste. Vai ter mesmo de confiar em nós. E se não confiar olhe... Leve a miúda para casa e veja se faz um trabalho melhor. Dado o volume de "cincos" que lhe encontro na pauta, tenho dúvidas de que o consiga, mas tente. Cá estaria eu e todos os professores para assistir ao seu desempenho e em ânsias para ver quantas décimas descontaria em cada resposta.

Atura-se cada uma...

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A Menina Quer Isto XXXIV

No outro dia, no Sábado, melhor dizendo, um dia de loucura de compras que ficará para memória futura como o dia em que eu e o meu moço nos passámos da cabeça na Feira da Ladra, na Fnac e na Worten, descobri um livrinho que me pareceu muito bem, mas que não trouxe para casa por pura vergonha na cara. É que, vamos lá ver, custa mais de vinte euros, o que o torna caro aos meus olhos. É verdade que tenho vales da Fnac para gastar, sim, mas não é menos verdade que NÃO HÁ ESPACINHO LIVRE NENHUM nas estantes cá de casa. Portanto, enquanto não comprar uma estante nova, parece-me que não poderão haver muitas mais extravagâncias literárias, sob pena de um dia ser cuspida para fora de casa. Em todo o caso, a menina queria muito este:
 
 

Heterodiegético

Hoje, à pergunta "O que é um narrador heterodiegético?", um dos alunos respondeu-me que é um narrador que gosta de mulheres. E é isto...

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Falta de sorte

Dormi umas desgraçadas cinco horas, embora me tenha deitado com as galinhas. E porquê? Porque o meu vizinho de cima achou que ontem, depois das onze e meia e quase até à uma, era uma excelente altura para arrumações. À meia-noite e quarenta tive de lhe ir explicar que a essa hora tudo se ouve num prédio em silêncio. Ainda tentou negar que o barulho viesse da sua casa, mas depois acabou por pedir desculpa e a coisa acalmou. Eu adormeci uma meia hora depois e acordei às seis. Como tenho mesmo muita sorte, hoje é o dia em que passo mais tempo no trabalho e em que dou mais aulas. Não sei muito bem como vai isto correr, mas até tenho medo...

sábado, 5 de janeiro de 2013

Um, dois três: experiência

Por aqui experimenta-se uma quixotada mais moderna: por meio de um iPad. So far so good... Estou uma aventureira dada às inovações tecnológicas!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Ainda me espanto

Parece que «entroikado» foi a palavra do ano anterior. Portanto é isto e não me canso de o lembrar: um país que elege como o melhor português de sempre um ditador, que elege uma música pimba como a canção do ano e que escolhe como a palavra de 2012 uma coisa que nunca existiu na nossa língua e que ninguém sabe muito bem o que quer dizer.

«Amostrar»

Mais um erro de Português daqueles:
 
« - Ó coisa, já amostraste isso à tua mãe?»
 
Já nem menciono o péssimo hábito que alguns arranjaram de tratar alguém de cujo nome não se lembram por «coisa». É daquelas expressões que me soam mal educadas até ao fim do mundo, mas há quem não tenha noção disso. Falo, sim, do acrescento típico ao verbo «mostrar». Se se escreve assim, começando com a letra «m», por que raio há de se ler «amostrar»? Alguém percebe? Eu não.  Por acaso, se essas pessoas forem procurar o significado da palavra ao dicionário, vão à entrada da letra «a»? É o que falta!
 
Quem disse esta pérola foi uma menina que teria uns dezanove anos e com quem me cruzei ontem na Fnac. Provavelmente trata-se de uma moça que ainda estuda e que está em boa idade para saber que isto, assim como o «treuze» de que falei há uns dias, não se diz. Falar a nossa língua não devia ser só abrir a boca e deixar sair. Isso até um papagaio faz. Devia existir mais cuidado e algum esforço para corrigir vícios como este. O semi-heterónimo Bernardo Soares disse a frase «A minha pátria é a língua portuguesa». Dúvido é que fosse esta, mal falada, alterada e desrespeitada. Esta, a dos «treuzes» e do «amostrar», não é pátria para ninguém.

Indagação

E o que eu gostava de saber a razão pela qual, de tempos a tempos, fico sem posição para dormir e até mesmo aquela com que me sinto mais confortável e em que me vou pondo noite após noite me parece uma real porcaria? Será que fico desconfigurada de vez em quando? Alguém tem resposta? Dava-me jeito ultrapassar rapidamente esta fase de esquisitices na hora de adormecer.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O fim da pousada no Gil Eannes

Ano novo, hábitos velhos. Mas também, é difícil não os ter quando continuamos a ver coisas que são atentados ao que de bonito e único temos. Assim, vamos lá bater no ceguinho que ele bem merece.
 
Ora, hoje soube que o nosso (excelso e mui dado a estas coisas) Governo resolveu encerrar definitivamente a Pousada da Juventude que existe dentro do Navio Gil Eannes, em Viana do Castelo. Porquê? Pela razão do costume: o custo da manutenção é elevado e a afluência é pouca. Em suma: obedece aos critérios costumeiros para arrasar com tudo. É/era a única pousada flutuante do país, mas isso não interessa aos senhores que podem bem pagar uma noite num hotel catita. Era pouso para muitos jovens portugueses e de outras nacionalidades que por ali paravam durante o ano e em especial no Verão, em Agosto, durante a famosa Romaria da Senhora da Agonia. Mas que importa isso? Custa caro, acaba-se: agora é assim.
 
Ainda espanta. A sério que estas coisas ainda vão espantando, apesar de já termos a obrigação de nos irmos habituando a estes encerramentos, a estes finais pouco airosos para coisas que tínhamos como nossas e que nos faziam falta. É que nós pagamos os impostos, mais as derrapagens e os desvios e até pagamos a merda feita em bancos privados que nenhum engravatado soube gerir. Porém, como contrapartida recebemos sempre uma mão cheia de nada e outra que ainda nos leva aquilo de que gostamos. Vão-se centros de saúde, maternidades, escolas, tribunais e agora até já o que julgávamos adquirido e inócuo encerra. Aos poucos ficamos com um Portugal vazio, triste e feio. Com fartura só temos por cá as vacas loucas que nos governam e que nos roubam, diariamente, mais um bocadinho da alegria.
 
Por mim a Pousada da Juventude do Navio Gil Eannes, em Viana do Castelo, continuava aberta e a servir todos os que querem conhecer aquela linda cidade minhota. Por mim continuava aberta a pousada e muitas das outras coisas que vão fechando por serem dispendiosas (ou por outras razões que nem chegamos a compreender), sem que, contudo, nos reduzam o muito que descontamos para as ter (a essas e outras). O Navio Gil Eanes, até ver, continuará por lá para ser visitado, porém estará mais pobre. Ele e todos nós. O que nos tirarão a seguir?
 


 
 

2013

E pronto: estamos em 2013. Quase nem se deu pela mudança, de rápido que passaram estes dias. Mas enfim, chegámos ao fim da quadra natalícia, voltemos à fona do costume. Amanhã recomeçam as aulas e lá vou eu. Mas já estou aqui doidinha para que chegue sábado. Efectivamente, há coisas que nunca mudam e o meu amor por este dia da semana manter-se-á neste novo ano. Venha ele, então!

 
Nota: A imagem saiu daqui.