sexta-feira, 18 de setembro de 2015

A angústia da apresentação

Por estes dias muitas crianças começaram as aulas e as de muitas outras estão ainda por começar. Hoje dei por mim a recordar o momento do regresso às aulas (que eu agora vejo do outro lado da barricada) e a pensar naquela angústia maldita que eram as apresentações. Agora vocês perguntam-se: o que raio tinham as apresentações? Eu explico.

Para mim, que era uma aluna que gostava da escola (desde que não desse trabalho) e que, consequentemente, gostava de ter e de usar cadernos, livros e canetas novos, o regresso às aulas, o fim de umas férias de verão imensas era muito esperado. Por isso, aguardava com ansiedade o dia marcado para voltar à escola. Bom, no dia das apresentações, lá levava um caderno. Mas o caderno era novo e as canetas também, por isso apetecia-me escrever - e muito - na primeira página, a melhor página de todas! O que sucedia é que na apresentação nunca havia nada para escrever e era um dia completamente perdido. Depois de semanas à espera daquele dia, eis que teria de adiar para depois o momento das canetas e dos lápis e de tudo o que era porreiro. Uma nerdice sem fim, eu sei, mas que querem?! Ainda hoje me pelo por canetas e papel novo.

Contudo, a angústia não terminava aqui. Por vezes, a apresentação calhava a uma sexta-feira e, já se vê, só depois do fim-de-semana a coisa começaria a sério. Pumbas: mais dois dias a olhar para o ar (estamos a falar da época em que as férias de verão duravam três belos meses) antes de começar as aulas a sério. 

Se pensam que já acabei, segurem-se que vem mais! Para as taradas do material escolar, dos livros novos e da vontade de aprender coisas novas (contanto que não dessem muito trabalho, como já disse), havia ainda um outro balde de água fria a suportar: os testes de diagnóstico. Sim, meus caros, uma aluna ia cheia de vontade de conhecer as matérias que estudaria durante o ano e, depois de uma aula de apresentação que não servia para quase nada (do ponto de vista da estreia do material, pelo menos), ainda tinha de suportar uma malfadada aula em que lhe cabia fazer um teste com perguntas sobre a matéria do ano anterior! Ora! Depois ainda falavam de motivação! Pois se quando íamos cheios de vontade levávamos com tudo o que não tinha piada nenhuma; se quando tínhamos os níveis de curiosidade nos píncaros e a vontade de aprender coisas novas a transbordar pelas orelhas, pespegavam-nos com testes sobre aquilo de que já andávamos fartos... Que baldes de água gelada!

Mais alguém passou por isso ou a única nerd que ansiava pelo primeiro dia e que acabava a sentir que este ficava sempre aquém (do ponto de vista da estreia dos materiais, porque no que às amizades e aos recreios dizia respeito, era sempre upa upa!) era mesmo eu?

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Lambidelas

Não, não vou falar dos felinos, embora o título o sugira. Vou brevemente dizer que fico LOUCA quando vejo alguém a lamber o filho da mãe do dedo para ajudar a passar páginas. Gentes, é javardice da grossa, é nojento todos os dias e dá asco aos próprios gatos que passam a vida a lamber-se. A diferença é que eles lambem as patinhas e vão dormir, não vão folhear revistas ou livros que serão tocados por outras mãos inocentes.

A quem lambe os dedinhos antes de folhear alguma coisa desejo uma das minhas pragas: pode ser a da kizomba non stop ou outra que rebente o juízo de um santo.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Permissão negada

Ai o que eu detesto ser seguidora assídua de um blogue, ir, como de costume, fazer-lhe uma visitinha e deparar-me com um aviso de permissão negada e de que não fui convidada para ler o blogue. Bolas, gente, nós seguimo-vos, lemos o que têm para dizer (desde o mais sério ao mais tosco), chegamos a rir com as vossas coisas ou a ficar preocupados com elas e, de repente, desaparecem-nos. Ficamos sem saber se vos aconteceu alguma coisa, se simplesmente fizeram do vosso blogue uma coisa mais privada e nos deixaram de fora... Mas torna-se estranho porque eu ainda não percebi muito bem os laços que nos unem nisto da blogosfera, contudo alguns existirão porque só isso explicará esta sensação esquisita de "nariz na porta" ainda que não haja porta nenhuma e, até, mesmo que não nos conheçamos de todo.

Desde que iniciei este blogue, o meu primeiro, passei a seguir algumas páginas e habituei-me a saber como estavam as pessoas responsáveis por esses espaços. Agora que penso nisso, é uma coisa um bocadinho voyeurista, mas seja como for, soa um bocadinho a amizade à distância. Gosto de saber que as pessoas estão do outro lado, gosto de ler o que escrevem e não gosto que desapareçam. É que nisto da blogosfera, a sensação de amizade é apenas aparente e quando um de vocês desaparece e eu passo a encontrar a tal mensagem de "permissão negada", na realidade perco-vos definitivamente o rasto. 

Por isso, a todos os que têm fechado a porta da blogosfera, resta-me desejar-vos sorte e felicidades. Foi um gosto seguir-vos. Eu estarei por cá mais uns tempos, por isso vão passando e dêem notícias que o povo agradece.

domingo, 13 de setembro de 2015

Hoje lancei-me!

Hoje lancei-me numa nova aventura gastronómica: arroz de marisco. Nunca tinha feito e posso dizer que para primeira vez correu MUITO bem. Digamos que nos descontrolámos um pouco nas quantidades e que provavelmente passaremos parte da semana a debulhar arroz de marisco, mas vá... Podia ser peixe cozido e era pior. Não liguem à parte do prato badalhoco na borda (nem ao bago de arroz caído na toalha): esqueci-me da cena gourmet e a foto ficou assim. Mas tem ou não bom aspecto???

Novas aquisições

Ora bem, já não comprava livros há mais de um mês, o que para mim é muito mais do que um recorde. Mas nestes últimos dias redimi-me e eis que entraram cá em casa mais uns amiguinhos de papel. Vi-me grega para lhes arranjar espaço nas estantes, mas com jeitinho lá couberam todos. Contudo, está cada vez mais difícil conseguir acomodar mais livros. Eu bem tento vender os que já li e fazer algum espaço, mas não consigo fazer saídas ao ritmo das entradas. 

E já agora, expliquem-me lá uma coisa: por que motivo aparece sempre um gato a passear por baixo da objectiva da minha máquina sempre que tento fotografar livros? Vá-se lá entender...


Nota: O segundo livro a contar da cabeça da gata, na fila de baixo, é o Judas, o Obscuro, de Thomas Hardy.

sábado, 12 de setembro de 2015

Um já está

Lembram-se de dizer há uns dias que queria a colecção de livros de viagens da Tinta da China? Pois bem, o primeiro já está cá em casa e chama-se Histórias de Nova Iorque. Portanto já só faltam...Bastantes. Ai ai ai...

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

A Menina Quer Isto LVIII

Embora ainda nem tenha saído nas livrarias, a menina QUER mesmo muito isto. Faço anos daqui a dois meses e dentro de três meses e uns pós é Natal. Mas se calhar não me aguento tanto. Ó meu Deus, o que é que eu faço?!


Pequenas manias

"I don't drink coffee I take tea, my dear.
I like my toast done on one side"
Sting, "Englishman in New York"


Se o prezado Sting pretendia com a canção "Englishman in New York" falar de um estranho numa cidade com a qual partilha a língua, mas não os hábitos (que serão seus ou da nação a que pertence), a verdade é que todos nós temos as nossas pequenas manias, seja como povo ou como indivíduos. Cada vez gosto mais de observar estas manias. Acho-lhes piada, pois se somos todos iguais em muitas coisas, também é facto que, de pessoa para pessoa, vamos encontrando pequenas idiossincrasias que tornam cada um num ser único. Algumas das particularidades são risíveis, outras absolutamente irritantes, uma pequena parte chega a ser preocupante (como a tara que eu tinha em partir torneiras quando era pequena, pois tinha sempre a mania de que estavam mal fechadas e a pingar). Mas pensando mais nisso, vamos lá ver algumas das minhas pequenas manias.

Todos os dias, ao chegar a casa, pouso a mala na mesa da entrada, faço festas aos gatos (idealmente preferia lavar as mãos antes, mas eles não me dão tempo), corro para o quarto, para a mesinha de cabeceira, e tiro o relógio. Não me sinto verdadeiramente em casa enquanto não tirar o relógio do pulso. Parece que na rua nem o sinto, mas que em casa pesa toneladas.

E já que falo nas mãos, partilho também que estou sempre a lavá-las. Não até ao exagero, como acontece com duas ou três pessoas que conheço que, devido a um transtorno obsessivo-compulsivo, as lavam até ficarem com a pele ferida. O que acontece é que não suporto sentir as mãos sujas ou pensar que possam estar sujas. Por isso lá vou eu lavo-as. No inverno estão sempre geladas, escusado será dizer. 

Mantendo-me no tema da água, tenho uma mania que não conheço em mais ninguém (mas se vocês conhecerem, avisem): tenho de ter sempre por perto uma garrafa com água. Se não tiver, posso ficar muito, muito, muito zangada. Em casa tenho uma garrafa em cada divisão (até na cozinha!) e é impensável não ter uma na mala para ir comigo quando saio de casa. Bebo muita água ao longo do dia, costumo até dizer que tenho sempre sede e chega a ser verdade porque nunca fico farta de beber água. Enquanto dou aulas, bebo água constantemente e se tiver de dar uma aula sem poder aceder à garrafa viro um bicho. Sou assim há muitos anos e já descartei a hipótese de ter alguma daquelas doenças que possam provocar sede. Acho que já é mais um hábito do que uma necessidade, mas a verdade é que se com fome sou uma besta, com sede sou capaz de ser setenta vezes mais besta.

Fico também louca quando vejo pés calçados em cima de sofás. E se vir pés calçados em cima de uma cama apetece-me imediatamente pegar fogo à roupa de cama (e aos pés do responsável por tal javardice). Para ser mesmo sincera, devo ter uma qualquer veia japonesa porque mal chego a casa calço os chinelos (pantufas no inverno) e só calço os sapatos de manhã imediatamente antes de sair de casa. Acho nojento trazer porcarias na sola do calçado e andar a passeá-las pela casa.

Adoro canecas, tigelas, almoçadeiras... Tenho uma colecção jeitosa e até aí nada a dizer. O que tem piada é que as tigelas são para a sopa, porém NUNCA me verão a comer as famosas 'sopas de leite' numa tigela, mas SEMPRE numa almoçadeira. Porquê? Não sei explicar, só sei que é assim. 

E agora uma mania que mudou com a idade. À semelhança da minha mãe, nunca deixava um livro a meio, por pior que fosse. Considerava que os livros mereciam sempre uma outra oportunidade e por isso seguia com a leitura mesmo que isso fosse um sacrifício. Com o passar do tempo (e com os muitos livros bons que fui conhecendo, comprando e colocando em lista de espera), acabei por perceber que só terei uma vida para ler e que o mundo de leituras possíveis é imenso. Perder tempo com aquilo que já percebi que não vale a pena é parvoíce, pois por cada livro mau com que me depare, haverá com certeza cinquenta que valham a pena e, convenhamos, ler cinquenta livros dá trabalho e leva tempo. Uma mania curada, portanto.

Podia continuar a dar-vos conta de peculiaridades minhas que soarão estranhas a muitos, familiares a alguns... Provavelmente não sairia daqui se começasse a contar-vos que não suporto comer de pé, que não suporto ter pouco tempo para comer porque sou extremamente lenta a fazê-lo, que abomino ver talheres cruzados e que preciso de os descruzar de imediato, que odeio andar descalça... Enfim, tantos pormenores que nem consigo ver-lhes o fim. Mas prefiro perguntar-vos: que manias tendes vós, meus quixoteiros, que queirais partilhar com o mundo? Somos todos ouvidos.

Certified Bookaholics (é um facto)

Bom, parece que fui nomeada uma Certified Bookaholic e, como tal, deixarei aqui resposta a algumas perguntas que só farão sentido a quem, como eu, comer livros ao pequeno almoço. Para já deixo o selo criado para a ocasião, depois as perguntas e as respostas nas quais, desculpem, não pensarei muito senão ficaremos aqui anos, já que com tantos livros lidos...




O primeiro livro/colecção que te vem à cabeça 

Bom, é muito difícil não escrever já Dom Quixote de la Mancha, já que é aquele livro que me aquece o coração desde os dezoito anos. Mas como isso já todos sabemos e como a ideia parece ser a de revelar um pouco mais o leitor que há em quem responde ao questionário, direi, talvez, uma coleção de clássicos da literatura lançada pelo Jornal de Notícias em 2004. Conta com trinta volumes e dela fazem parte livros incontornáveis como Ana Karenina, O Idiota, Madame Bovary, Os Maias, Dom Quixote de la Mancha (a edição em que o li pela primeira vez), Romeu e Julieta, O Vermelho e o Negro, David Copperfield, Contos da Cantuária, A Cartuxa de Parma, Os Três Mosqueteiros, Nossa Senhora de Paris, Quo Vadis, entre outros. Ainda que tenha algumas gralhas, é uma colecção que me dá muito gozo ter porque me parece que ali, em trinta livros mais longos ou mais finos, está um mundo literário que todos devemos ler enquanto por cá andarmos. Há muitos mais textos aos quais não podemos virar as costas, mas naquela colecção já está uma parte deles.

Um livro que dizes a todos para não ler 

Perdoem-me, mas não consigo ficar só por um livro. Talvez os que me arrepiem mais sejam mesmo os de auto-ajuda. Aquela coisa de uma pessoa ter as respostas para tudo e achar que tem de ensinar os outros desgraçadinhos a viver deixa-me possessa. Mas além desses, desaconselho Nicholas Sparks, a saga Twilight, tudo o que pertença à colecção As Cinquenta Sombras de Grey e qualquer literatura cor-de-rosa que vos ocorra.

O livro mais caro e o livro mais barato que tens (oferecidos não contam) 

Tenho um romance de George Eliot que me custou uns módicos trinta e cinco cêntimos. Julgo que seja o livro mais barato que comprei até hoje e duvido que consiga outro assim. O mais caro pago por mim terá sido, penso, Os Romances de Machado de Assis, que, com dez por cento de desconto, me ficou em setenta e um euros e cinquenta e cinco cêntimos.

Conto de fadas favorito 


Não tenho nenhum conto de fadas preferido. Posso dizer, pelo menos, que prefiro lê-los nas versões originais e não nas adaptações que tendem a dourar a pílula. Os originais chegam a roçar o terror. Mas se em vez de conto de fadas puder falar de um livro para crianças, então o meu favorito será O Feiticeiro de Oz.


Top 3 das tuas personagens favoritas (sejam principais ou não) 


Fazendo batota mais uma vez, a minha personagem favorita... são duas. O par mais conhecido da literatura: D. Quixote e Sancho Pança. Depois talvez deva eleger o Sr. José de Todos os Nomes (José Saramago), o Edmond Dantès, mais conhecido por Conde de Montecristo e Heathcliff, o vilão de O Monte dos Vendavais que é tão mau, mas tão mau que só pode ser uma das personagens mais bem construídas de sempre. Ah, e o jovem David Copperfield, do romance com o mesmo nome, escrito por Dickens. Ups, ultrapassei as três personagens...


Top 3 das personagens de que menos gostaste (sejam principais ou não) 


Detestei a personagem de Simão Botelho em Amor de Perdição porque quando podia ter fugido com a sua amada, preferiu ficar por uma questão de honra e deu cabo de tudo. Detesto o Bacharel Sansão Carrasco porque é ele o responsável pelo fim das aventuras de D. Quixote e Sancho Pança. Também não gostei da personagem principal e narrador do romance O Indesejado, porque parece um tarado obcecado que não deixa os outros em paz.


Top 3 de lugares que existem só em livros que gostarias de visitar 


Iria com todo o gosto à Ilha da Baratária, onde Sancho será governador durante pouquíssimo tempo. Também gostaria de visitar o País das Maravilhas no qual se perde Alice. Por fim, acho que andaria pela estrada dos tijolos amarelos juntamente com Dorothy e os seus companheiros que seguiram um largo percurso a caminho do lugar onde encontrariam Oz. Mas Hogwarts e o lugar para lá do muro em que se perde o João Sem Medo também mereciam uma visitinha.


Uma personagem que trarias à vida real 

Não traria nenhuma. Julgo que fazem sentido nas páginas dos livros e que a vida real, pelo menos esta que hoje temos, não é para elas. 


Um livro que te fez feliz 


A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende, fez-me feliz no sentido em que foi daquelas leituras compulsivas que raramente me acontecem. O Stoner, apesar do fim tão triste, também me fez feliz porque é um livro tão bom que encontros com textos assim são raros. Nessa linha de raciocínio, A História Secreta, de Donna Tartt, também me encheu as medidas, assim como O Conde de Montecristo, de Alexandre Dumas.


Um livro que te fez chorar 


Não costumo ler nada que saiba que poderá fazer-me chorar. Mas já fui apanhada desprevenida... Com o Harry Potter vi-me e desejei-me para não soltar uma lagriminha quando morreu o Dobbey.


Um livro que te fez pensar


Todos os livros de Saramago que li deixaram-me a pensar. Contudo, há dois que o conseguiram de forma mais persistente: Todos os Nomes e Levantado do Chão, sendo que este último tem uma descrição de alguém a morrer que é, para não dizer mais, brilhante. Acho que o Saramago não escrevia uma linha que não tivesse como missão abanar a cabeça do leitor e pô-lo a pensar.


Um livro que te fez rir 


Dom Quixote de la Mancha, Cordeiro - o Evangelho Segundo Biff, A Segunda Vinda de Cristo e os livros de viagens de Michael Pallin.


Pior adaptação cinematográfica de um livro 


Para mim, todas.


Livro(s) que vais ter que reler 


Normalmente não releio nada, mas a acontecer serão as tiras do Calvin & Hobbes, a colecção Harry Potter e o Dom Quixote de la Mancha.


Um livro que te fez voltar uma página atrás devido ao choque 


Talvez Os Maias. Foi o único capaz de me chocar ao ponto de tirar-me o sono.


Um livro que aches que esteja incompleto


O Indesejado, de Sarah Waters.


Um livro com um final inesperado 


Talvez O Primo Basílio. Esperava que, de alguma forma, acabasse melhor.


Um livro que terminou num cliffhanger 


Não me recordo de nenhum.


Um livro com um final de arrancar cabelos 


Não é bem pelo final, mas pela burrice de uma personagem: os livros das aventuras do capitão Alatriste fazem-me arrancar cabelos porque constantemente assisto aos disparares que decidem e que fazem e que só os conduzem a problemas gravíssimos. Claro que sem isso não existiriam os livros...


Uma citação importante 


"Todas as famílias felizes se parecem umas com as outras, cada família infeliz é infeliz à sua maneira." (Ana Karenina)


Uma música perfeita para ler


Sem música.



E está feito!

Felinadas: o buffet!

Uma ou duas vezes por semana, brindo os dois felinitos cá de casa com saquetas (comida húmida). Bom, além de ser o delírio entre a malta peluda, é toda uma experiência à qual vale a pena assistir.

Primeiro sirvo o grandalhão com uma saqueta para adulto esterilizado. Uma saqueta inteira! E lá vai ele lamber o molho e comer depois os pedacinhos com um gosto tal que só lhe falta ronronar enquanto o faz. A seguir, à pequenita, sirvo meia saqueta para gatinho bebé porque ela ainda não se atreve com uma inteira. 

Durante uns minutos reina a paz na terra e entre os gatos de boa vontade. Ele no seu pratinho, ela no que lhe coube em sorte e todos somos felizes. 

Depois ela farta-se da dela. Geralmente deixa uns pedacinhos no fundo do comedouro e põe-se a olhar em volta para tentar perceber se já pode ir rapinar da saqueta do "irmão". Ele, por seu lado, levanta o focinho e olha para o prato dela para ver se já está livre. Note-se que o faz quando ainda tem alguma comida no pratito. E eis que surge o momento "buffet": os dois peludos trocam de posições, passando ele a comer a comida dela e ela a dele. É hilariante! 

No início ainda me chateava e fechava-os em divisões separadas para não haver destas misturas, já que ela era ainda muito pequenita e a comida dele não devia fazer maravilhas por ela. Agora já nem me importa o momento "buffet": desde que ela coma a maior parte da meia saqueta que lhe ponho, depois pode ir roubar três ou quatro pedacitos ao prato do lado que não morre ninguém.

E é isto a vida com gatos. Mais vale juntarmo-nos a eles nas suas manias do que lutarmos contra elas. É que eles são mais teimosos que nós e ganham sempre... Nem que seja pelo cansaço!

domingo, 6 de setembro de 2015

Praga dominical

Ora, no seguimento do que vos dizia há uns tempos sobre as pragas do Egipto, quando Deus esgotasse as dez pragas canónicas e utilizasse as duas propostas que já aqui deixei (pêlo de gato na roupa e kizomba non-stop), podia recorrer a uma outra que, para mim, seria tiro e queda: os programas de Domingo à tarde dos canais privados portugueses (Sic e TVI).

Imaginemos que, já farto, o Senhor obriga aquele pessoal todo a assistir ao "Portugal em Festa" com o Baião aos saltos ou ao equivalente da TVI, de cujo nome nem sequer consigo lembrar-me, com todo um Nuno Eiró a apelar ao 760 qualquer coisa qualquer coisa. O que acham que sucederia? Eu cá acho que o pessoal capitulava e entregava tudo o que fosse preciso e mais um bocadinho. É que se há alguma coisa na vida semelhante a uma praga são mesmo estes programas que, no início dos tempos, eram coisa só para o Verão. No resto do ano ainda tínhamos direito a um filmezito, por repetido que fosse. Mas depois lá devem ter visto que a coisa fazia sucesso (ao nível do 760 qualquer coisa qualquer coisa, pelo menos) e pumbas: vai de pregar com os cantores popularuchos todos na televisão durante todos os fins-de-semana do ano. Quando não estão num canal, estão no outro: nem chega para deixar saudades. Gostava de saber quantas voltas ao país aquelas equipas de televisão já fizeram. E olhem: se eu tivesse um euro por cada vez que um apresentador apelou às chamadas de valor acrescentado, estaria certamente a escrever esta quixotada num computador de ouro, sentada numa cadeira de diamantes algures num local paradisíaco e caro do planeta Terra (ou, quiçá, de outro planeta qualquer, que o dinheiro daria bem para isso).

Blogue As Minhas Quixotadas: a fornecer pragas desde 2011.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Gato escondido...

...com rabo [e pata] de fora:



Nota: É que até escondido é fofo!

A Menina Quer Isto LVII


A menina anda a abusar, mas também quer isto. Bom, vem aí o aniversário e o Natal, por isso não custa tentar... Mas vá: já li que este livro de Philip Roth é hilariante e que contém cenas muito risíveis. A situação, pelo que percebi, é a de um autor que de repente se sente doente, mas que não sabe o que tem. Consultará médicos e mais médicos até começar a considerar que a sensação de doença pode vir dos livros que escreve. Entretanto, a dor, que vem não se sabe de onde, terá de ser mitigada. Aí entrarão em acção os analgésicos, o álcool, a marijuana...

Promete, portanto.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

A Menina Quer Isto LVI

Gosto muito de literatura de viagens, já aqui o disse várias vezes. Não viajando nada, os livros sempre são uma forma de 'ver' com uns olhos que não os meus aquilo que provavelmente os meus nunca verão ao vivo. Além disso, os livros de viagens serão, talvez, aqueles que mais alimentam a imaginação e os sonhos e, por isso, são uma leitura que vale sempre a pena e que cumpre, quanto a mim, a função do texto literário no que ao prazer diz respeito.

Ora, há uma colecção de livros da qual não tenho um único exemplar, mas que gostaria de começar a fazer logo que possível (logo que o rombo orçamental causado pelas férias de Verão seja ultrapassado). A colecção de que falo é a da Tinta da China. Esteticamente, os livros são espectaculares: capa dura, bom papel, tipo de letra bonito, espaçamentos adequados... enfim, são livros que dão gosto. Infelizmente, e porque a qualidade paga-se, são volumes que considero caros. Mas vá, um de cada vez pode ser que custe menos e, de facto, parecem-me mesmo bons estes livros. Além disso, a colecção já tem um número considerável de volumes publicados, o que significa que são, também, já muitos os lugares abordados. Consequentemente, também serão muitos os pontos de vista relatados, os cenários descritos e os espaços por onde a nossa imaginação pode perder-se. Enfim, a ver se estes livrinhos começam a ingressar nas prateleiras cá de casa que já os cobiço secretamente há demasiado tempo para aguentar-me muito mais.


Nota: A imagem saiu da página da Wook.

O quarto de queijo flamengo

Quem é que, pelo menos na infância, não viu no seu frigorífico um quarto de queijo flamengo? Acho que era parte de uns tenros anos felizes aquele queijinho mole com uma carapuça cor-de-rosa. Até hoje achei que toda a gente sabia o que era um quarto de queijo flamengo. Mas num minimercado conhecido cujo início do nome é, precisamente, "mini", tudo mudou.

Na vinda para casa resolvi passar pelo tal minimercado para comprar pão, pois adoro o que por lá vendem. Mas, ao entrar, lembrei-me de que o queijo flamengo já estava a acabar e fui procurá-lo. Ao chegar junto dos quartos de queijo flamengo Limiano, o meu favorito, deparo-me com um que estava embalado, mas cheio de bolor. Recuei furiosa: já não é a primeira vez que aquele espaço comercial em particular tem nas prateleiras produtos com prazos de validade ultrapassados ou que já não têm o aspecto que deviam ter para serem vendidos. Aliás, desde que a gerência mudou, isso passou a acontecer com maior frequência do que seria tolerável. Encontrarmos numa loja um produto fora do prazo, ainda que mau, deixa-se passar, mas ver isso acontecer repetidamente já me parece demasiado.

Desisti do queijo e fui aos iogurtes. Contavam-se pelos dedos de uma mão os tipos de iogurte que por lá havia. Desisti deles também. Resolvi não me desviar mais e fui ao pão: também só havia um saquinho. Contudo, no corredor da padaria, encontrei um funcionário da loja e disse-lhe:

- Desculpe, mas ali na secção dos queijos tem um quarto de queijo flamengo da Limiano com bolor.

- A sério?! Obrigada por avisar. Vou lá retirá-lo.

E assim foi. O menino saiu de ao pé de mim e eu fui para a caixa para pagar o meu singelo pãozito. Quando ainda esperava para ser atendida, o mocinho aparece ao pé de mim, estende-me um requeijão embalado e diz-me, com um ar condescendente:

- Olhe, não é bolor: são ervas.

Ao que respondo:

- Ok, mas isso também não é um quarto de queijo flamengo. 

Silêncio constrangedor. Continuo:

- Não é esse. É o quarto de queijo flamengo da Limiano.

O menino lá foi novamente para a parte dos queijos. Eu continuei na fila e quando olhei para trás enchi-me de nervos: lá estava ele em frente ao frigorífico a pegar em tudo quanto era embalagem de queijo fatiado... menos no raio do quarto de queijo. Desisti: saí da fila e fui lá dar-lhe o referido queijo com bolor, acrescentando:

- Isto é que é um quarto de queijo.

Ele olha para mim, meio confuso, e diz:

- Ah... Não sabia. E tem bolor.

- Pois.

Fiquei em choque. Em primeiro lugar pela falta de cuidado da loja uma vez que, como já disse, isto não aconteceu hoje pela primeira vez desde que a gerência mudou (ainda há pouco tempo tive de chamar a atenção a uma funcionária porque tinham na padaria um bolo já passado do prazo e uns meses antes disso tive de avisar outro empregado sobre uma embalagem de cápsulas Delta Q também com a validade expirada). Já praticamente reduzi as minhas compras naquele espaço ao pão e a alguma outra coisa que me faça mesmo muita falta em casa (vendo sempre o prazo de validade e o aspecto do produto, claro). Depois, também fiquei parva de todo por ver que o moço (ali pelos vinte anos) não fazia ideia NENHUMA do que raio é um quarto de queijo. Nem toda a gente tem de saber tudo, mas eu achava que o quarto de flamengo era um clássico. Bom, pelos vistos enganei-me. Mas vá: ao menos aquele queijo bolorento e o pouco conhecimento do menino deram uma quixotada que já vai longa. Não fosse isso e estaria calada.