quinta-feira, 23 de maio de 2019

Diário de Madame Pochita V

Querido diário, 
Ando pela rua a exibir a minha coleira cheia de bonecos. Sou uma pirosona, eu sei, mas não passo sem esfregar a minha beleza na cara do Bruce, o cão mais jeitoso do pedaço. 
Ok, ok... É uma coleira para evitar bichezas, mas acho que podemos concordar que tudo me fica bem, não é?! Madame Pochita sambando na cara das inimigas!

quarta-feira, 22 de maio de 2019

A Menina Quer Isto CXVII

Wook.pt - Agradar e Tocar

Adoro os livros do Lipovetsky. Adoro o modo como descreve e interpreta a sociedade actual. Neste novo livro vai falar sobre o modo como tudo está feito para nos conquistar, para nos seduzir. Dos anúncios de televisão à própria política, a sociedade consumista está marcada pela necessidade de  ser convencida. Essa sedução está em todo o lado, é constante e, frequentemente, não damos por ela. Lipovetsky é um pensador muito claro na exposição das suas reflexões e, por isso, vale sempre a pena lê-lo.

Porém, aqui entre nós, acho que a editora está com uma noção de preços um bocadinho... desfasada. Este livro tem um preço de capa de 26.90€. Mesmo com mais de 450 páginas, não deixa de ser um livro de pequeno formato e com capa mole, custando-me assim a conceber que seja mais caro do que muitos álbuns fotográficos ou novelas gráficas. Aliás, já noto esta questão dos preços nas traduções portuguesas deste autor há muito tempo e tenho pena porque, de facto, isto afasta alguns compradores. Eu, por exemplo. Gosto da ideia, quero o livro, mas não o vou comprar, pelo menos enquanto não passarem os 18 meses da lei do preço fixo. Este vai mesmo ter de esperar.

Nota: A imagem saiu daqui.

terça-feira, 21 de maio de 2019

Diário de Madame Pochita IV


Querido diário,

Hoje fui ao veterinário porque parece que este mês fiz um ano. Bem, ninguém sabe bem quando é que eu fiz um ano, já que nasci na beira da estrada, mas aparentemente isso foi no mês de Maio de 2018. Não faço ideia, também não gosto de me lembrar desses tempos. Agora sou muito mais feliz.

Mas vamos ao que importa: parece que peso vinte quilos e mais duzentos gramas. Estou uma chouriça, foi o que a dona disse. E depois a veterinária deu-me um biscoito porque subi para a balança. Foi o biscoito mais fácil da minha vida. Tansa.

Tive um resultado esquisito na análise da Leishmaniose. Ouvi falar num fraco positivo. Levei uma pica e em breve vão tirar-me sangue para saber se tenho mesmo qualquer coisa ou não. Espero que não. De qualquer forma, agora tenho quem cuide de mim. Por isso, parabéns para mim: porque fiz um ano e porque apesar de tudo sou uma cão muito sortuda. 

A Menina Quer Isto CXVI


Esta Feira do Livro que aí vem promete. O espaço já não é nenhum lá em casa, preciso de mais estantes e quando tiver filhos o quarto deles será enfeitado com livros, mas não dá para deixar de querer coisas novas se o que vai saindo é muitas vezes bastante apetitoso. Este romance de Thomas Hardy é um desses exemplos. Publicado pela Relógio D'Água, conta a história de um tipo que, no meio de uma bebedeira, vende a mulher e a filha por cinco guinéus. Com o tempo chega a tornar-se uma pessoa respeitada na sociedade, contudo, o seu segredo obscuro vai estar sempre presente... Parece ou não promissor?

Bem, a lista está a compor-se. O espaço para arrumar mais livros é que não.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Felina vaidosa

Alguém chegou a este blogue pesquisando «felina vaidosa».

...

Deve ter tido uma desilusão.

Prioridades e o novo AO

Não é preciso muito para perceber que não gosto do Novo Acordo Ortográfico. Já aqui falei dele, particularmente quando o assunto estava na ordem do dia. Infelizmente, tive de render-me a ele na minha vida profissional. Contudo, o blogue mantém-se ainda hoje com a ortografia antiga. É uma situação um bocadinho doida, mas foi a minha opção por isso tenho de a aguentar.

Todos nós sabemos que quando o novo AO entrou em vigor, as editoras passaram a utilizá-lo e, a menos que os autores exijam o contrário, os livros aparecem com a nova grafia. Podemos até ter torcido o nariz, mas as pessoas de bom senso continuaram a querer ler e não desistiram de comprar novos livros só porque a escrita era diferente da usada até então. Repare-se: eu disse pessoas de bom senso. Infelizmente, anda por aí muita gente doida.

Quem segue editoras nas redes sociais é informada com frequência sobre as novidades que vão saindo. Com facilidade pode verificar-se que não são poucos os que aproveitam tais publicações para mandarem vir (outra vez) com o AO, dizendo que não compram livros com o novo acordo, que não lêem em “abortês” e pérolas afins. Ora, crendo no que dizem estes iluminados, sou levada a pensar que a) só compram livros de autores que escrevem pela grafia antiga e b) que não lêem nada que esteja com o novo AO, por apetitoso que possa ser o livro.

Sendo eu alguém que acha que o novo AO está pejado de idiotices e de regras que não têm lógica nenhuma, posso falar à vontade quando digo que as pessoas que cospem tais alarvidades sempre que sabem de algum novo livro prestes a sair não gostam assim tanto de ler como pensam. Abdicar de ler o que de bom ou muito bom vai saindo porque está com a nova grafia é, no mínimo, infantil. A língua sempre mudou, faz parte das suas características o facto de se alterar com os tempos, com as novas realidades. Podemos discordar de regras disparatadas que só criam confusão, mas quem gosta efectivamente de ler não deixará de querer conhecer novos autores e obras promissoras só porque não estão lá umas quantas consoantes mudas. Mais: tantos anos depois ainda andar a fazer birra com isso parece-me digno de garotos pequenos e não de gente adulta. 

Acho que não se pensou suficientemente no novo AO, acho que há regras absolutamente estúpidas e arbitrárias e que em muitos casos mudou-se sem razão lógica. Creio que tudo isto deveria ser repensado, até porque vários países que deveriam estar a usar o AO não o estão a fazer. Espero, fazendo fé numa notícia do Expresso de há algumas semanas, que se repense tudo isto e, não acabando com o AO (que seria pior a emenda que o soneto) se reponha a lógica em idiotices como a forma do verbo “parar” sem acento (acabando igual a uma preposição...). Todavia, a vida não pára e todos os dia saem livros que quero ler. Estejam com a nova grafia ou não, quero lê-los. Gosto de ler e, como tal, não posso abdicar de conhecer o que vai sendo publicado só porque não está como estaria há vinte anos. Se o nosso querido Eça ou o nosso Camilo voltassem à terra e lessem um livro com a grafia que usávamos, por exemplo, na década de 80 do século passado, também teriam um fanico. Foi antes de aplicarmos o novo AO e mesmo assim já não escrevíamos como eles escreveram em tempos. Porquê? Porque a língua não é sempre a mesma, embora algumas almas mais tacanhas achem que sim.

Por isso, caros senhores que comentam todas as publicações das editoras com impropérios contra o novo AO e que afirmam não comprarem livros que o tenham, se não querem ler, não leiam. Comprem os vossos livros sempre sem a nova grafia e ocupem-se a lê-los. Pode ser que vos falte tempo para irem torrar o juízo dos outros com birrinhas infantis e fora de prazo nas redes sociais.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Hilariante

Os banqueiros estão unidos nos argumentos sobre a necessidade de os portugueses pagarem pelo uso das caixas multibanco porque esse serviço tem custos para os bancos e porque somos dos poucos países na zona euro que usam as caixas multibanco de forma gratuita. Tem graça: pensava que esse serviço ficava pago com os milhões dos contribuintes que de tempos a tempos o Estado injecta na banca devido ao fantástico trabalho que tem sido feito nessa área... Que ingénua sou. 

terça-feira, 7 de maio de 2019

Diário de Madame Pochita III

Querido diário, 

Tinha meia dúzia de coisas para dizer, principalmente sobre lógica aristotélica e falácias, mas acabei por distrair-me com festas no peito e por isso terei de deixar tais considerações para amanhã. Agora, confesso, nem estou em mim. Por agora, ficarei aqui tombada em cima dos chinelos da dona a receber o devido tributo por ser uma Cão muito fofa. 

Até amanhã! 

Às camadas

Na gala do MET, a Lady Gaga usou um vestido que na realidade eram mais ou menos quatro vestimentas numa só. Era assim uma espécie de bolo às camadas. A última já estava mais para recheio do que para camada, mas pronto.

Ora, e o que concluo eu de tudo isto? Que a Lady Gaga com quatro camadas de roupa sobre ela consegue sempre parecer mais esbelta do que eu com uma fininha blusa de algodão. Que vida a minha! 

sexta-feira, 3 de maio de 2019

O planeta dos Macacos (e da CMTV)

Se um extraterrestre instalar um serviço de televisão paga que inclua um canal extraplanetário e se esse canal for a CMTV, o que vai o pobre ET pensar das pessoas que habitam o nosso planeta, ao ler coisas destas?


Diário de Madame Pochita II

Querido diário,

São agora 9:30 H e já cãopri muitos dos afazeres da minha lista. Consegui surripiar duas peças de roupa da dona de dentro do cesto da roupa suja e melhorá-las com dois buracos gigantes. Ela não gostou, mas tenho esperança de que venha a perceber que a pele precisa de respirar.

Já lavrei a areia do gato. Fui lá, enfiei a pata e... bom, digamos que a casa precisa de ser varrida. Mas deixo isso para os donos porque eu já fiz muito hoje e começo a precisar de uma soneca das valentes.

Para já fico por aqui. Depois da soneca vou ver se consigo roer, partir, esconder, roubar, rasgar ou esburacar qualquer coisa. É uma vida estafante. A verdadeira vida de cão.

Ass.: Madame Pochita, a bárbara.

terça-feira, 30 de abril de 2019

Histórias de Nova Iorque - o balanço

Terminei ontem a leitura deste livro, pertencente à colecção de textos de viagens da Tinta da China. O autor, Enric González, é jornalista e no início do milénio esteve em Nova Iorque como correspondente do El Pais

O livro aborda temas tão diferentes quanto as origens da cidade, a loucura que é arrendar por lá uma casa sem declarar falência, a adoração que os nova-iorquinos têm por beisebol (e as peculiaridades de alguns dos mais conhecidos jogadores dos Yankees e dos Mets), a máfia da cidade e as suas personagens, os bifes e a sua ciência, os diferentes bairros da cidade, os homens ricos que criaram grandes impérios que ainda hoje rendem muitos milhões e, claro, aquela data inesquecível que nunca mais se separará da cidade: o 11 de Setembro. 

É um livro pouco extenso, lê-se rapidamente. Além disso, o autor tem um humor imenso e sabe rir-se dos desastres que lhe vão acontecendo na cidade, quer seja na odisseia desmedida para conseguir um tecto sob o qual viver, quer seja perante uma perseguição policial enquanto se encontra carregado com as compras feitas no supermercado. Têm um olhar jornalístico inequívoco e, assim, consegue olhar para Nova Iorque sem ficar preso aos elementos mais conhecidos. Pelo contrário, consegue olhar além do óbvio e descobrir beleza em aspectos muito pequenos da cidade. Sendo estrangeiro, consegue ainda olhar de fora e aperceber-se mais facilmente das peculiaridades que fazem de Nova Iorque uma daquelas cidades que nos atrai e repele. Atrai porque nos entra em casa pelos filmes, porque sentimos que a conhecemos desde sempre, porque gostaríamos de ver ao vivo aqueles arranha-céus, o Ground Zero ou a Estátua da Liberdade. Repele porque temos ideias prévias relacionadas com a criminalidade em bairros como o Bronx e outros, porque tememos ser engolidos pela velocidade a se vive por ali e por muitas outras razões. 

Seja como for, fechamos o livro confirmando a sensação criada, provavelmente, pelos inúmeros filmes que mostram Nova Iorque: aquela não é uma cidade como as outras. Tem uma identidade muito própria e acredito que quem lá vai deseje regressar. Como o autor deste livro. Nova Iorque, os seus sons, as suas luzes ficam na memória, exercendo encanto como as sereias de Ulisses. Livros como este servem para provocar a vontade. Servem, diria eu, para acrescentar um novo lugar à lista de destinos a conhecer. E servem para entreter os que não podem partir e a quem resta viajar à roda do quarto, vendo o mundo pelas páginas de um livro. 

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Diário de Madame Pochita I

Aqui onde me vedes, luto contra a minha manta azul que acabou de engolir uma das minhas 5835 bolas de ténis. E não a cospe! Ah, mas eu não desisto! Não desisto de recuperar a minha bolinha e não desisto de tentar deixar a minha dona sem um chinelo. Se tem dois, por que motivo não posso ficar com um?! E eu que até tenho quatro patas. Oh vida injusta!

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Pelo Latim: habemus grammaticam!

Esta quixotada podia perfeitamente pertencer ao grupo «A Menina Sugere Isto», mas falando-se aqui de uma gramática de latim, língua que poucos chegam a aprender, achei que podia fazer isto de forma diferente. 

Como penso que já disse aqui no blogue, sou, de acordo com o meu diploma, professora de português e de latim. No entanto, nunca dei aulas de latim fora do estágio. Tive a oportunidade de o fazer, mas não quis aceitar a oferta por uma razão muito simples: não viria a ser boa professora. Deixo essa tarefa para quem domina a língua melhor do que eu. Fiquei-me pelo português já que ensiná-lo era mesmo o meu sonho.

Contudo, aprendi latim na faculdade e dou-lhe até maior valor hoje do que dava na altura. Foi soberbo para perceber melhor a nossa língua, para compreender de onde vinham as palavras e que caminho haveriam de percorrer até chegarem a ser as que hoje usamos. Foi uma aprendizagem importante para mim e acredito que faz muita falta aos nossos alunos. Tenho a certeza de que a nossa gramática seria mais fácil de aprender se também passassem pelo conhecimento da gramática latina. No entanto, a lógica do útil e do inútil e do imediatamente utilizável foi-se sobrepondo e Portugal deixou morrer o ensino do latim nas escolas. Aqui e ali ainda se aprende, sobretudo nos colégios privados, mas a maior parte das escolas desistiu da oferta da língua latina. 

Porque é uma língua morta, porque não dá dinheiro, porque não garante acesso a postos de trabalho: as razões foram imensas e todas presididas por uma enorme ignorância. O latim está-nos no sangue, na história e quem manda optou pelo esquecimento. Louvo os colégios que insistem no seu ensino, que o têm inclusivamente como disciplina obrigatória, que percebem que o português se aprende melhor se a base latina estiver lá. Eu, como disse, não daria uma boa professora de latim, mas nem por um segundo lhe retiro a importância que tem. E não deixo de lamentar o esquecimento a que tem sido sujeito. É mais estudado, lido e ensinado em países de língua não românica, como a Alemanha, do que em Portugal. E hoje, com a autonomia das escolas, até seria mais fácil inclui-lo nos curricula. Felizmente, ainda existe quem a ele dedique a vida: a estudá-lo e a ensiná-lo.

Por isso mesmo, porque tenho o privilégio de conhecer alguém que se apaixonou pelas línguas e literaturas clássicas e que tem a elas dedicado o seu tempo, aproveitei para deixar no blogue um testemunho muito mais rico do que o meu no que à importância do latim diz respeito. 

Gabriel Silva é professor de latim desde 2010, se não me falha a memória. Fez o seu mestrado e o doutoramento na área das línguas e literaturas clássicas. Continua a traduzir e a investigar (porque este mundo não tem fim e são poucos os que labutam nele), mas também a ensinar latim a crianças e jovens do ensino básico e secundário. Pedi-lhe para escrever um pequeno texto sobre a língua dos romanos e ele acedeu. Aí vão as suas palavras.

«Olavo Bilac (o poeta brasileiro, não o cantor) disse, em tempos, que a língua portuguesa é a última flor do Lácio. O Português é, sim, uma das flores que o Lácio deu ao mundo. Que todos sabemos que o Latim é a base principal do nosso idioma, não duvido. Mas até que ponto utilizamos palavras de todos os dias sem conhecermos um pouco da sua história? Saberemos nós que quando estamos a considerar uma coisa, de certo modo estamos com o olhar posto nas estrelas? Teremos noção de que o verbo pular está relacionado com frangos? O Latim tem muitas utilidades. Passar um raio-x em boa parte da língua portuguesa é apenas uma delas. Poderia agora elencar os mil benefícios de aprender Latim: ajuda na gramática, dá uma maior sensibilidade para o Português e outras línguas românicas, abre portas para um mundo imenso de literatura..., mas já consigo ouvir um coro que se levanta contra o ensino/aprendizagem da língua do Lácio. Os argumentos são os habituais: já não se usa, não tem utilidade, não dá dinheiro, não gera emprego... Mas agora pergunto eu: e não é bom conhecer/saber uma coisa apenas porque sim, pelo simples gozo de aprender e de saber? Estou longe de imaginar (quanto mais de querer!) que toda a gente se torne latinista, mas não é tão bom aprender uma coisa nova? Eu não sei tocar nenhum instrumento musical, mas gostava apenas porque sim, porque é agradável aprender, e é mais um meio de olear a nossa maquinaria mental. Sabem que mais? A ignorância é atrevida.»

E já que falamos tanto de latim... Frederico Lourenço tem sido responsável por traduções de textos clássicos e por adaptações dos mesmos aos mais novos. Tem feito um trabalho imenso na área. Na Quetzal, publicou recentemente esta Nova Gramática do Latim.

Wook.pt - Nova Gramática do Latim

Já a tenho e está estupenda. Além de que era difícil aos alunos de latim encontrarem uma boa gramática (o velhinho Compêndio já não era fácil de encontrar), é bom ver sair estes títulos que dão novo fôlego e chamam a atenção para esta «língua morta» (linda expressão). Não deve haver aluno de Letras que não vá a correr para esta gramática, mas seria bom que outros se sentissem tentados a aprender um pouco mais sobre esta língua. Por extensão, saberão mais de português. E isso é sempre bom.

Por isso, se tiverem curiosidade, se quiserem tentar perceber o que ainda existe de latim no nosso português, fica esta sugestão. É um livro bonito, bem feito e com um conteúdo importantíssimo para os falantes de português. E, nunca se sabe, pode ser que nasça assim a vontade de saber mais. Até porque essa deve manter-se sempre. 

Nota: A imagem saiu da página da Wook.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

A Menina Quer Isto CXV

Wook.pt - Kentukis

Nunca li nada desta autora e confesso que nunca havia ouvido falar dela. Mas hoje li esta crítica no Observador e fiquei muito curiosa relativamente a este romance que trata de um presente meio futurista, no qual humanos adquirem por alguns dólares um peluche que lhes fará companhia, sendo remotamente comandado por um outro humano. O leitor acompanha ao longo de mais de duzentas páginas as relações de várias personagens com estes Kentukis, os bonequinhos japoneses que viverão com elas e que nunca poderão ser desligados. No fundo, parece-me haver aqui a questão da solidão dos nossos tempos, mas também do modo como a tecnologia entra na nossa vida com grande pompa e circunstância. Abrimos-lhe a porta com gosto e deixamo-la aberta até ao dia em que percebemos que essa mesma tecnologia está a arruinar-nos, como parece suceder a alguns dos donos de Kentukis. É tudo muito bom e bonito até ao dia em que se percebe que aquele boneco, aquela companhia simpática tem alguém por trás dela e é mais prejudicial do que benéfica.

Fiquei muito curiosa com esta história. Acho que vou acrescentar este título à lista de desejos para a Feira do Livro de Lisboa, que começa no final de Maio. Se entretanto algum dos três leitores desta casa passar os olhos por este romance, manifeste-se, por favor. Gostava de saber o que pensam sobre tal história.

Nota: A imagem saiu daqui.