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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Quixotadas curtas VII

Já há muito tempo que não lanço umas quixotadas curtas. Ora vamos lá recuperar o tempo perdido.

1. Portanto, a ver se eu entendi. Os taxistas odeiam a Uber. Acham que é concorrência desleal porque, entre outras coisas, eles têm de ter formação e a Uber (pelo menos até agora) não. E então qual é a notícia de hoje? Os taxistas propõem ao Governo subirem a bandeirada no Natal, Ano Novo e meses de Julho e de Agosto. Portanto, quando eu tenho competição feroz o que é que faço? Distancio-me subindo os preços. Isto recorda-me uma expressão: “Entregar o ouro ao bandido.” 

2. O Nobel da Literatura devia, pelo menos à semelhança de outros anos, ter sido anunciado ontem. Não foi. O comité que toma estas decisões já se pronunciou, dizendo que não há divergência nenhuma, que o que se passa é que as reuniões para a tomada de decisão começaram com atraso, blá blá, blá. À boca pequena fala-se do facto de o júri não estar bem de acordo com as ideias da nova secretária permanente, Sara Danius. Recorde-se que no ano passado, já ela assumira este cargo, quem venceu o Nobel foi Svetlana Alexievich, com livros de tipo muito diferente dos escritos pelos anteriores vencedores do prémio. Como é dito pelo Observador, “é uma jornalista ucraniana que escreve não ficção, o que muitos consideram como não sendo literatura”. De facto, na altura aquela escolha pareceu-me estranha. Nobel da Literatura devia premiar literatura e nem tudo o que se escreve o é. Pode ser muito bom na mesma, mas as características do texto literário não estão em tudo o que se escreve. Aparentemente, o anúncio do prémio foi adiado para dia 13 deste mês. Acho tudo um pouco estranho, mas gostaria que este tempo a mais servisse para que se fizesse uma escolha com sentido, ao contrário de algumas muito discutíveis feitas nos últimos anos. E que se respeite a nomenclatura “literatura”, para não acabarmos daqui a uns anos a ver o Nobel a ser entregue ao folheto da Pizza Hut ou ao Correio da Manhã.

3. Nas últimas semanas tem-se falado muito dos transportes públicos na capital. Aleluia! A degradação que o sistema de transportes públicos tem vivido nos últimos anos em Lisboa é indescritível e só quem tem de os utilizar sabe os nervos que apanha diariamente. Agora ando menos de transportes, mas ainda os utilizo e é o desespero. Durante anos utilizei diariamente dois autocarros diferentes de manhãzinha e ao final do dia e acho que perdi anos de vida. Fiz várias queixas à Carris e tinham sempre resposta na ponta da língua para justificar atrasos de quarenta a cinquenta minutos em autocarros que deviam passar de quinze em quinze (ou menos, dependendo da hora do dia). Tinha de sair de casa com grande antecedência porque basta falhar um autocarro (coisa que jamais deveria acontecer) para tudo se atrasar meia hora ou mais. Autocarros cheios e pouca frequência dos mesmos, já para não falar das carreiras que foram eliminadas e que fazem falta. A própria frequência com que passa o metropolitano de Lisboa é assustadora. Enquanto estive em Madrid invejei muito a rede de transportes deles. Mesmo em frente ao hotel onde ficámos estava uma paragem de autocarro que ligava aquela zona a outras como Atocha, Passeio del Prado e ainda outros lugares importantes da capital vizinha. A frequência com que este autocarro passava era maravilhosa. Mas acho bem que se fale neste tema porque estamos há muitos anos a aguentar e a pagar por um serviço que funciona francamente mal, principalmente porque não estamos a falar do Burkina Faso, mas de uma capital europeia e mais ainda carregada de turistas.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Quixotadas curtas VI

Já há muito tempo que não largo por aqui umas quixotadinhas em tamanho mirim. Ora vamos lá:

1. O meu frigorífico avariou no final do ano passado, mesmo perto do Natal. No mês anterior tinha acabado a garantia de dois anos dada pela marca. Felizmente, tínhamos comprado a extensão de garantia da loja. Não só a marca, mas também a própria loja disseram a aterradora frase “Os electrodomésticos estão feitos para durarem apenas o tempo da garantia.”. Pena é que não tenham preços próprios de coisas que só vão ser usadas durante dois anos. Bom, seja como for, enquanto o frigorífico esteve prestes a morrer, a conta da electricidade disparou. Já esperava. Mas para terem uma ideia, a diferença entre a época em que o frigorífico esteve a funcionar mal e o momento presente em que temos um frigorífico novo (a extensão de garantia é o dinheiro mais bem empregue de sempre, acreditem) a diferença na conta da electricidade é de mais de dez euros. É assustador. Felizmente o problema resolveu-se da melhor das formas e depois de duas contas fora do normal, eis-nos regressados a contitas mais modestas, como eu gosto.

2. E já que falamos em dinheiro, deixem-me partilhar convosco que estou expectante de que a pedra que a minha gata tem na bexiga seja um diamante com carradas de quilates. É que hoje precisei de ir comprar um medicamento que me tinha acabado e que a bichana anda a tomar e assim, num abrir e fechar de olhos, foram mais trinta e cinco euros. Desde que o ano começou, os gatos já nos levaram a gastar quase quinhentos euros, entre vacinas, medicação e ração especial. Contudo, lá está, eu reclamo reclamo, mas não consigo saber que eles precisam de cuidados e deixá-los sem eles. Enquanto puder, é assim que vai ser. E oxalá possa cuidar sempre tão bem deles.

3. E já que falo de gatos, há umas semanas alguém colocou um anúncio no OLX em que trocava uma gata por um iPhone ou por algo que lhe interessasse. A gata era lindíssima, tinha uns sete meses, e a acompanhá-la vinham todos os seus objetos (caixa de areia, entre outras coisas). Mas trocar um animar por um iPhone foi para aí a coisa mais asquerosa que já vi. Esse anúncio foi retirado depois de algumas pessoas se manifestarem veementemente contra a podridão dos valores que levam alguém a trocar um animal de estimação por um telemóvel. Para mim, quem o faz é reles e merece ficar sem a gata e sem o telemóvel. Quanto à peluda, espero honestamente que lhe calhe melhor dono do que o desgraçado que tem tão pouco apego a um animal que prefere trocá-lo por um telemóvel dos bons. Acho que já perceberam que estou a tentar segurar-me porque o que penso mesmo sobre tal pessoa envolve tantos palavrões que não chegariam os asteriscos. Acho mesmo que os palavrões e insultos só seriam mais para o desgraçado que, também no OLX, tentou vender na mesma semana... um gato mumificado que adormecera (alegadamente porque não há como provar isto) no motor de um carro e que lá ficara morto por mais de um ano. No anúncio até dizia, em tom de gracinha, que o gato não largava pelo. A esta pessoa desejo... olhem, deixo à vossa imaginação. Mas se pensarem no Tribunal da Santa Inquisição terão uma ideia daquilo que desejo. Tenho medo do mundo em que vivemos e do facto de haver gente que olhe para os animais como coisas que não valem nada ou que, pelo contrário, valem dinheiro: vivos ou mortos. Pergunto-me como será o nosso futuro num mundo com gente desta e não auguro nada de bom. 

4. Odeio besuntar-me com cremes. Eu bem gostava de ser daquelas pessoas que saem do banho e passam o hidratantezinho sem reclamar, mas não sou. Ora, foi-me receitado um creme caro como tudo (pelo menos pelos meus parâmetros) e eu evito a todos os custos esfregar-me naquilo. Pareço um gato a fugir da água (menos os meus, que gostam bastante de água). Ontem fui aviar umas receitas à farmácia e vi que, da marca do creme que me fora prescrito, havia um óleo de banho que fazia o mesmo pela hidratação da pele. Fiquei encantada: tenho de tomar banho, portanto se o tratamento da pele se despachar no banho, é ouro sobre azul. Com a brincadeira ficaram quase dezoito euros em óleo de banho na caixa da farmácia. Cheguei a casa a pensar que enlouquecera. Depois vos direi se a coisa valeu a pena ou não.

5. Entretanto, e depois da ida à farmácia, apercebi-me de que tenho a sorte de viver num sítio onde há três coisas com atendimentos espectaculares: a farmácia, com as melhores farmacêuticas com quem já me cruzei e que são do mais prestável e atencioso que pode existir; as finanças, com gente que se põe num chinelo para resolver-nos os problemas e os correios, com gente também muito simpática e prestável. Nem todos têm a mesma sorte e se estamos para falar mal, também temos de estar para elogiar. 

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Quixotadas curtas V

Ora cá vai mais uma fornada de pequenos desabafos de que me fui lembrando.

- Já repararam que quando estamos a colocar a nossa password para qualquer coisa no teclado do computador e a mesma dá erro, há sempre um momento em que, de irritados que estamos, começamos a escrever os caracteres mais lentamente e com uma martelada mais forte em cada tecla? Assim um bocadinho como se o computador fosse burro e nós quiséssemos mostrar-lhe isso. Tal e qual como quando algumas pessoas falam com estrangeiros aos gritos e muito devagar. Devem achar que com os decibéis elevados os outros passam a perceber línguas que não conhecem. Do mesmo modo, o computador perceberá melhor a palavra passe se lhe rebentarmos com duas ou três teclas e a paciência de quem está ao nosso redor.

- Lembram-se de dizer-vos que se Deus quisesse mais uma praga bíblica para o Egipto poderia atacar a roupa dos faraós com pêlo de gato? Bom, tenho outra: se o pêlo felino não resultasse, podia sempre fazer uma maratona non stop de kizomba nos altifalantes do sítio (anacronismo à parte). É que agora ouve-se kizomba em todo o lado e a toda a hora e acabo por sentir que aquele tipo de música é mesmo uma praga que nos arruina parte do cérebro. Mas melhor que tudo são os erros gramaticais que algumas letras (como esta) têm. Uma praga digna do Egipto em tempos de Moisés!

- Se há coisa de que vou ter saudades é mesmo das esplanadas de Viana. Oh terra boa para "esplanadar"! A foto babona que vos deixo é do "gelado gourmet" da esplanada Fontinha, em Viana, junto ao Jardim da Marginal. O brownie vem quentinho, o gelado é bom e numa noite quente (ou não) cai que nem uma luvinha. A Somersby, a bebida cá de casa neste Verão, também sabia lindamente. Estas coisas são mesmo aquelas que mais deixam saudades. No próximo ano haverá mais.


Ps.: Só mais uma: esta coisa de todos os blogues passarem a vida a falar de corridas e de roupa desportiva para lá de espectaculares e tentando convencer o mundo a render-se às delícias de maratonas e de meias maratonas já começa a enjoar. Acho muito bem que pratiquem desporto e que alguns desses blogues façam uso da influência que têm para motivar os seguidores a fazê-lo também, mas quase reduzir o seu conteúdo a corridas por aqui, por ali, a esta hora, à outra hora, com esta roupa, com aqueles ténis maravilhosos, com os outros mais recentes, com este top, com aquela fita no cabelo... parece-me altamente cansativo para todos os que gostam de seguir o que aquelas pessoas escrevem, apreciem praticar desporto ou não. Enfim, talvez seja só eu a já não ter paciência para esta loucura toda que por vezes já parece ter o seu quê de seita enjoativa.

sábado, 1 de agosto de 2015

Quixotadas curtas IV

Ora hoje há três ou quatro coisas que gostava de partilhar com o mundo (as três pessoas que visitam o blogue e que são uns amores), mas sem me alongar muito sobre elas, pois sabeis que tenho alguma tendência para a verborreia agravada. E aqui vão:

- Vizinhos. Quem se lembrou de inventar os vizinhos? Em casa dos meus pais só tinha doidos a rodear-nos. Uns que achavam que os cães não precisavam de ir à rua e que, portanto, podiam borrar o quintal todo e ladrar a toda a hora que seriam sempre uns amorzinhos. Esses e outros vizinhos juntavam-se à conversa de quintal para quintal a falar mal dos restantes habitantes do prédio. Bem, isso durou até eu tirar um bocadinho para, na escada do prédio, explicar-lhes que sempre que se punham à conversa nos quintais, ouvia-se TUDO lá em cima, e não era preciso muito esforço. Depois desses doidos, muitos outros se lhes seguiram e, enfim... É melhor nem falar. Lembrei-me disto porque hoje em dia considero que a minha vizinha de cima segue a tradição e não tem noção daquilo que incomoda os outros. Moro numa zona com vento e a senhora insiste em estender tapetes deixando-os pendurados de tal forma que passam a noite a bater-me nos vidros da janela. Resultado: uma barulheira descomunal. A senhora não percebe ou então é surda. Aliás, como também o deve ser a vizinha de baixo que GRITA ao telemóvel a qualquer hora do dia ou da noite. É brutal! A senhora já   tem uma certa idade e não deve ouvir bem, pelo que, apesar de já falar naturalmente alto, grita quando se irrita e, acreditem, ela irrita-se bastante. E, como se não bastasse no que a vizinhos diz respeito, há uns meses e em duas ocasiões diferentes queimaram-me com cigarros roupa que estava pendurada no estendal. Portanto, uma quase me parte a janela com os tapetes, a outra grita até me assustar os gatos e algum dos muitos vizinhos de cima acha que atirar cigarros acessos para cima de uma corda cheia de roupa lavada faz todo o sentido. Claro que neste último caso tive de me mexer que não ando a trabalhar para pagar roupa que outros destroem por estupidez. Por isso, meus caros, não me imagino a viver isolada, mas gostava de algum sossego e, sobretudo, de estar rodeada por gente que pára a pensar naquilo que incomoda os outros. Será pedir de mais?

- Estou com algum defeito. Tinha um vale para gastar na Zara e não conseguia. Cada vez que entrava lá não via nada de que gostasse e achava sempre tudo demasiado caro para a qualidade que apresentava. Vi-me e desejei-me para conseguir ver-me livre do vale. Consegui, finalmente, trocá-lo por duas camisolas (pelas quais não estou apaixonada como desejaria) que foram o que de mais bonito (e menos obscenamente caro) consegui encontrar. Em tempos fui uma grande fã da Zara. Agora dispenso-a.

- Depois de muito tempo a ser acordada por gatos ainda antes de o meu corpinho (ou principalmente a minha cabeça) decidir que era hora de levantar, penso ter descoberto a filosofia por trás da coisa. No fundo, os meus gatitos procuraram ensinar-me aquela coisa do "deitar cedo e cedo erguer...". E de facto faz algum sentido: sendo naturalmente alguém que não se deita muito tarde (até porque em tempo de aulas acordo com as galinhas), acabei por perceber que quanto mais cedo acordo, mais o dia rende e mais bem disposta ando. Demorou, mas compreendi a lição dos mestres felinos. Obrigada, miaus.

- Estando oficialmente inaugurada a época de férias (aleluia, aleluia, aleluia), inaugura-se também a época de leitura até cair para trás (haverá de dar outra quixotada). Portanto, além dos livros que tenciono ler, está aberta a época da caça à revista. Revistas de História, Courrier Internacional, suplementos Babelia descarregados para o tablet, revistas literárias encalhadas há meses à espera de leitura e, até, revistas de passatempos: marchará tudo neste mês que se quer de minutos longos e de horas intermináveis. Está aberta a época anual para recuperação de energias e para reposição do stock de leituras feitas porque aquelas que estão por fazer são já imensas.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Quixotadas curtas III

- O Sr. Gato aprendeu algo novo e eu nunca tinha sido informada de que um gato poderia chegar a este ponto de malvadez: perante o facto de eu não ter saído da cama à hora costumeira (e ele parece ter um relógio interior muito afinado), resolveu dar um salto tal que chegou ao interruptor e acendeu a luz do quarto. Não sabia se havia de rir pela esperteza e qualidade do salto ou se havia de chorar pela terrível descoberta do bicho. A verdade é que tive de levantar-me para apagar a luz e já não voltei para a cama. 1 - 0, ganha o Sr. Gato.
 
- A tarefa doméstica que abomino desde sempre é a lavagem da louça. Minha gente: eu ODEIO lavar louça. Mas mesmo. Por mim atirava a louça fora quando estivesse suja, mas não me deixam. Ora, sempre disse que quando tivesse a minha casa, ainda antes da cama, entraria pelo lar adentro a bendita máquina de lavar a louça. Porém, não foi assim. A máquina só chegou há um parzito de semanas e eu só lamento o facto de não levar ainda mais louça de cada vez. Fora isso, estou deliciada e a minha cozinha parece outra, sem as memoráveis pilhas de pratos, tachos e afins que costumavam erguer-se irremediavelmente.
 
- Na mesma altura em que chegou a máquina, chegou o processador de alimentos, ao qual, pomposamente, dei o nome de 'Henrique'. Ora, o 'Henrique' é um aparelhozinho da Kenwood que me deixou de lágrimas nos olhos mal o experimentei. Desde que ele chegou, nunca mais piquei uma cebola à mão, nem parti cenoura aos pedacinhos, nem piquei salsa ou alho, nem ralei nada com estas mãozinhas que Deus me deu. Não. O 'Henrique' tem feito tudo por mim. Vai tudo lá para dentro e eu só tenho de mudar a lâmina conforme aquilo que quero (picado, ralado fino, ralado grosso). O 'Henrique' até prepara massas (pão, pizza e por aí fora) e também bate os ovinhos com o açúcar para os bolos. Além disso tem um liquidificador e um espremedor de citrinos incluído. Essas duas últimas coisas já tínhamos, mas não faz mal. Longa vida ao 'Henrique'!

A foto saiu daqui. 
 
- Cá em casa redescobriu-se a paixão pelos Legos e constatou-se aquilo que sempre foi um facto: que são caaaaros. Mas é aquele brinquedo que nunca deixará de ter graça. Por agora, ficamos com os que já temos. Mas ainda havemos de montar uma bela cidade Lego! Ah Euromilhões, o que esperas para vir cá para casa?...
 
 
- Em contagem decrescente para as férias. Não prevejo fazer nadinha de especial, mas preciso daquele descanso. Há muitos livros em lista de espera...


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Quixotadas curtas II

Pois que tenho estado mesmo desaparecida. O último mês foi uma loucura com as mudanças, com todos os caixotes e com tudo o que de novo tive de aprender. Enquanto mudava a vida de umas paredes para as outras, continuei sempre a trabalhar e, por isso, não tive tempo de vir até cá dar-vos notícias. Por isso deixo hoje mais umas quixotadas curtinhas, em jeito de redenção. Ora cá vão:

- Depois de comprarmos a máquina de lavar, recebemos um telefonema da assistência técnica da máquina a dizer que viria cá alguém para explicar-nos o funcionamento da bichinha. Na altura não percebemos muito de onde tinha vindo o telefonema, se da loja onde fizemos a compra ou da marca da máquina, mas pensámos quando a senhora viesse perceberíamos. A senhora lá veio, explicou tudo muito bem, deu dicas, foi fenomenal. Mas não trazia nem identificação da marca, nem da loja. Não percebi de onde ela veio. Estou desconfiada de que era um anjo do Senhor.

- Hoje ouvi uma criança dizer à mãe: "O teu cabelo está nojento, credo!". Isto foi em pleno autocarro. Acho que tive de me segurar para não ser eu a dizer umas verdades ao menino.

- Apaixonei-me pela Tefal ActiFry. Isto de ter batatas fritas só com uma colher de óleo é espectacular. Estou muito satisfeita com ela. Abriu-me todo um mundo de batatas fritas. Alegria!

- Os sacos e caixotes têm o dom da multiplicação. Mal acabei de arrumar um, aparece-me logo outro se, saber onde raio vou enfiar mais tralha. O espaço até é muito, mas saber arrumar tudo não é fácil. Ai o que eu dava para estalar os dedinhos e já estar tudo no devido sítio...

- Fiz alergia a um detergente da louça. Eu sempre disse que não nasci para lavar pratos.

- A árvore de Natal também não se monta sozinha. God!

domingo, 27 de outubro de 2013

Quixotadas curtas I

Inicio hoje um espaço que não garanto que seja muito continuado, mas que me vem passando pela cabeça há muito. Quantas vezes vou pela rua perdida nos meus pensamentos miúdos e chego à conclusão de que «isto era giro para pôr no blogue»? Mesmo muitas. Mas depois esqueço-me ou então não me apetece estar a escrever mundos e fundos (isto de manter duas casas, leia-se blogues, é coisa que, parecendo que não, cansa). Vai daí lembrei-me de fazer umas quixotadas compostas por itens curtos que mais não são do que algumas das coisas que vejo ou penso e que gostava de partilhar. Atenção: não esperem nada de muito interessante. Só mesmo parvoices que me passam pela cabeça e que deixarei por aqui perdidas.
 
Ora então, vamos lá.
 
- Estou fartinha de ouvir falar do Valter Hugo Mãe e do seu livro sobre a Islândia. Acho bem que promovam o livro, mas já não aguento ler as frases catitas que compõe nas entrevistas sobre a luz da Islândia ou a beleza dos fiordes.
 
- No seguimento do ponto acima, deixem-me dizer que a edição de Outubro da revista Ler está muito desinteressantezinha. Aliás, a mudança de imagem que conhecemos a partir do mês de Setembro não abona nada em favor da publicação.
 
- Nunca li nada do Mário de Carvalho, contudo li há pouco um texto de opinião sobre o último livro dele e apeteceu-me sair do lugar para ir comprá-lo.
 
- Ao corrigir testes li coisas como «adulechente» em vez de «adolescente», «sitoasoens» em vez de «situações» e «acrechenta» em vez de «acrescenta». Vi, também, textos de onze linhas sem um único ponto final e miúdos que continuam a achar que «seca» e «secante» é vocabulário adequado para um teste de avaliação. Tirem-me deste filme.
 
- Hoje li que uma rapariga indiana se suicidou porque os pais a proibiram de ir ao Facebook. Deixou escrito na nota de suicídio que não aguentava viver sem aquela rede social. Até tremo ao imaginar uma coisa destas... A linha entre a sanidade mental e o outro lado é mesmo muito fina.
 
- Palavra de honra: olhar para o segundo volume de Os Pilares da Terra já me causa engulhos. Quem acha aquilo formidável nunca leu, certamente, A Catedral do Mar. O senhor Ildefonso Falcones dá uma real tareia no Ken Follett no que aos romances históricos sobre a construção de catedrais diz respeito.
 
- Gostava muito, mas mesmo muito de aprender a fazer coisinhas giras em tecido. Agora que há uma máquina de costura cá em casa, gostava bastante de aprender a fazer capas para livros. Já vendo os livros usados que por aqui ocupam o espaço todo, era só começar a vender capas também para a coisa ser perfeita. Infelizmente não percebo nada de costura e temo nunca vir a perceber.
 
- Como é que um aluno tem a distinta lata de tecer comentários sobre o telemóvel de uma professora? De dizer que «não sabe como é que ela conseguiu pagá-lo com o salariozinho de professora»? Onde estão os limites destes miúdos?
 
- Pessoal que gosta de andar de autocarro com todas as janelas fechadas devia ser proibido de utilizar os transportes públicos.
 
- Finalmente sei por que razão não temos um D. Pedro III na lista de reis que nos governaram. Ele existiu, só que não foi ele que nos governou. A rainha era a esposa e chamava-se D. Maria I. Foi ela que o nomeou rei quando assumiu o trono.
 
- Já não há pachorra para a «Casa dos Segredos». Quando é que vão perceber que aquilo é chão que já deu uvas? Nem sei quem lá mora, mas imagino. O tipo de concorrentes é sempre o mesmo.
 
- Vem aí o Natal e gosto disso. É a minha época do ano favorita.
 
- A minha sobrinha é uma ternura. Isto de ter alguém que estica os bracinhos para nós quando chegamos a casa é realmente coisa para derreter qualquer um.
 
- O «Quem Quer Ser Milionário» é desesperante. É preciso levar tanto tempo para bloquear a resposta de um concorrente e para revelar a resposta correcta? Não se aguenta.
 
- A RTP2, mesmo não tendo nada de novo para dar, vai arrumando a RTP1 a um canto. Todas as noites, por volta das nove, passa um documentário sobre um escritor, um cantor, um pintor, enfim, alguém ligado à cultura. Os documentários já não são novos, mas mesmo assim soam muito melhor do que o enervante «Preço Certo».
 
- Se não vender o livro novo do Vargas Llosa, fico com dois. O livro é bem bom, mas ainda não cheguei ao ponto de ambicionar ter dois volumes de cada livro óptimo com que me cruzo. A ver o que acontece.
 
- Por que motivo não tenho eu um D. Quixote antigo em alemão e por que razão não tenho o Quixote apócrifo do Avellaneda? Vá-se lá saber...
 
- Por que é que os CTT aqui do sítio não fecham só às sete da tarde? Dava-me tanto jeito...
 
- Isto dos telemóveis que fazem tudo é muito giro, mas ter baterias a durar apenas dois ou três dias cansa-me a paciência.
 
- O «Candy Crush» ainda vai obrigar-me a usar óculos. Aquele nível 33 está a rebentar comigo. E não há maneira de eu rebentar antes com ele.
 
- A sério que há quem vá no autocarro a falar sobre sexo ao telemóvel? Esta semana uma senhora dizia para a amiga com quem conversava telefonicamente que naquela noite «tinha ido ao castigo, mesmo estando com a 'coisa'». E depois de dizer isto acrescentou que não podia falar mais porque ia no autocarro «mas que ela tremia toda e que tinha sido 'muita' bom». POUPEM-ME!
 
- Ter a página do facebook da «Moinho de Vento - Livros Usados» encalhada nos sessenta e nove «gostos» está a consumir-me os nervos.
 
E pronto, minha gente, vou parar por aqui ou ainda corro o risco de passar a noite a acrescentar linhas a esta quixotada longa feita de «curtas». Passem um bom resto de noite que amanhã já é segunda. Ninguém merece.