Porque, meus amigos, a Covid ensinou-nos muito sobre elásticos, por exemplo. Hoje todos sabemos dar uns invejáveis nós numa máscara que teima em deixar-nos de nariz ao léu. E também sabemos que o tempo de duração dos elásticos da roupa interior é cada vez mais limitado. Aliás, creio até que todos temos agora a certeza de que há um plano maquiavélico orquestrado pelas cuecas, boxers e sutiãs desta vida para nos deixarem cobertos de elásticos que pugnam pela libertação. E é por isso, caríssimos, que a Primark merece as filas quilométricas. Não se espantem com as imagens que os noticiários nos oferecem. Espantem-se, sim, se virem olhos vazios de emotivas lágrimas enquanto esperam pelo comovente momento em que se derreterão perante uma renda mais ousada, uma cueca por estrear, uma tanga com os elásticos no sítio, um sutiã que ainda, qual Dom Quixote, se sente capaz de lutar contra a gravidade, ou mesmo um pijama do Bambi sem nódoas de vinho tinto.
E agora que partilhei convosco este tão importante ensinamento que a Covid-19 nos trouxe, vou só ali tatuar uns sete ou oito logótipos de lojas baratinhas das quais senti muita falta nos últimos meses. Deixem-me ser um catálogo com pernas ou, melhor, um mapa para o desconfinamento de sonho de qualquer consumidor empedernido.
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