domingo, 15 de abril de 2012

Pechinchas

Já vos disse que ADORO feiras de artesanato e velharias? Pois, hoje foi mais uma e eu e o meu moço fizemos uma colheita muito catita numa banquinha em que a senhora resolveu vender livros da nossa juventude a uns módicos cinquenta cêntimos a unidade. Resultado: dois sacos cheios de coisinhas boas. Para além dos da colecção Uma Aventura, ainda trouxe um volume de contos de Alexandre Puchkine e um livro que que seria de supor que já tivesse (Porquê Ler os Clássicos?, de Ítalo Calvino), uma vez que o utilizei tanto quando estava a escrever a tese, mas que nunca cheguei a comprar. Quando se está num Mestrado, há tantos livros que é preciso comprar que alguns acabam a ter de ser requisitados. Foi o que aconteceu com este, na edição da Teorema, que veio cá para casa por três euritos.

Está bem claro que nunca conseguirei acabar o inventário dos meus livros, mas não faz mal: é bom sinal. Livros, livros, vinde a mim!

sábado, 14 de abril de 2012

Coisas preferidas XVI

Acho que já todos perceberam que adoro Viana do Castelo, que a acho uma cidade linda e que gostava muito de viver para aqueles lados. Ora, àquela cidade não falta nada para ser perfeita e, por isso, a gastronomia é de fazer uma pessoa perder a cabeça. Normalmente quando chego de Viana dizem-me sempre que venho mais gorda (o que não é muito simpático), mas venho feliz e com o estômago bem mais do que aconchegado. Sim: porque as gentes vianenses cozinham bem que se fartam e em porções muitíssimo generosas. Uma pessoa bem tenta resistir e tal, mas cai sempre em tentação, amén.

Já tive muitos restaurantes de eleição em Viana. Gostava muito de um que entretanto se tornou bastante javardo e, por isso, desisti de ir lá. Já me apaixonei por outros dois restaurantes, mas desde há uns dois anos que deliro com um que me passou despercebido durante os primeiros anos em que visitei a cidade. O restaurante de que falo existe noutras cidades (Braga, Porto e Póvoa do Varzim), mas só ainda o experimentei em Viana do Castelo. Chama-se "O Bodegão" e fica no último piso do Shopping Estação Viana. Serve sobretudo comida tradicional portuguesa e funciona em duas vertentes: serve pratos mais económicos para quem vai ficar a comer com o seu tabuleirinho na praça da restauração do centro comercial e serve, por outro lado, refeições um pouco mais caras (nada de extraordinário) a quem se senta no interior do restaurante e é servido pelos seus funcionários.

A comida, minha gente, é estupidamente boa. As tranches de vitela na sertã (cuja foto aqui vos deixo) são divinais. A picanha é de levar às lágrimas de tão boa que é e, segundo o meu moço, a francesinha também é maravilhosa (não aprecio francesinhas, mas acredito nele). Servem, também, uns medalhões no espeto que parecem pecado. Enfim, tudo o que por lá experimentei deixou-me satisfeita ao ponto de vir para aqui recomendar-vos aquele pequeno paraíso gastronómico.

Contudo, o que torna aquele restaurante num sítio a que apetece voltar, não é apenas a comida: também os funcionários merecem uma palavrinha neste «Coisas Preferidas». Desde que vamos lá que somos bem atendidos, sempre com mais atenção do que os costumeiros «então o que é que vai ser?». Há um funcionário brasileiro que é de uma simpatia e cordialidade como se vê pouco. Não se limita a servir-nos: pára para conversar um pouco com os clientes e procura, realmente, proporcionar-nos uma refeição de qualidade. Também um outro rapaz (que ainda não percebi se é dono, gerente ou chefe de sala) é simpatissíssimo e muito preocupado com o bem-estar de quem frequenta o estabelecimento. Em suma: é um lugar muito aprazível, com uma decoração acolhedora e onde os funcionários (que trabalham que se fartam) são muito simpáticos. Aconselho vivamente a que dêem lá um pulito e a que experimentem as boas das tranches de vitela na sertã, acompanhadas com uma sangria de espumante. E, já agora, para sobremesa, provem o estupidamente bom bolo de bolacha e moka (oh meu Deus, é tão bom!) ou a baba de camelo.


Novas profissões

Uma aluna do 5.º ano disse-me que gostava de vir a ser youtuber (nem sei se é assim que se escreve). Depois explicou-me, perante a minha cara de profunda incompreensão, que queria ser paga para colocar vídeos no Youtube e de receber dinheiro «para ir a festas como a Paris Hilton, está a ver?».

E eis como ali, diante de uma criança de dez anos, fiquei a saber:

a) o que é um youtuber;
b) que há quem seja pago para pôr vídeos no Youtube;
c) que há jovens que querem ser como a Paris Hilton (na minha interpretação: profundamente inúteis);
d) que querer ser veterinário, médico, professor e advogado começa a ser coisa do passado para alguns miúdos...

Medo, minha gente, tenho muito medo.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Parece anedota, mas não é

Parece uma anedota, mas não é. Ora vejam lá a história que me contaram hoje. Passou-se entre uma directora de turma e uma encarregada de educação de um miúdo do terceiro ciclo enquanto conversavam por telefone. O aluno havia faltado a um dos momentos de avaliação e a mãe era contactada para se chegar a um acordo sobre o que fazer em seguida. A dada altura o diálogo torna-se mais ou menos este:

D.T. - Olhe que o J. não veio fazer o teste e nós marcámos uma outra prova de substituição, como sabe. A professora estava cá, mas ele não apareceu.

Mãe - Ai apareceu sim, que ele foi aí e os colegas todos dizem que ele foi. A professora é que não estava!

D.T. - Desculpe, mas a professora estava cá. E eu falei com o seu filho e ele foi extremamente mal educado comigo, além de que estava com os olhos brilhantes por ter andado a fumar aquelas coisas que bem sabemos.

Mãe - Estamos a falar da educação do meu filho e não dos olhos dele.

D.T. - Pois, mas um jovem quando esta «charrado» não pode fazer um bom trabalho na escola.

Mãe - Olhe, desculpe, mas eu também fumei charros quando era nova e licenciei-me.

E pronto, foi isto. Parece-me que há pais que, na ânsia de passarem a mão pelo pelinho dos meninos, não vêem os disparates que dizem e fazem, nem o perigo que os miúdos correm. Não sei onde se pretende chegar com esta atitude que tudo desculpabiliza, em que nada é errado e em que tudo «faz parte». Não sei que ensinamentos terá esta senhora para dar ao filho, mas se calhar a directora de turma ficou agora a perceber muito melhor o pouco empenho e educação do aluno. Com uma mãe assim, como poderia ser de outra forma?...

quinta-feira, 12 de abril de 2012

As árvores e os livros

AS ÁRVORES E OS LIVROS

As árvores como os livros têm folhas
e margens lisas ou recortadas
e capas (isto é copas) e capítulos
de flores e letras de oiro nas lombadas.

E são histórias de reis, histórias de fadas,
as mais fantásticas aventuras,
que se podem ler nas suas páginas,
no pecíolo, no limbo, nas nervuras.

As florestas são imensas bibliotecas,
e até há florestas especializadas,
com faias, bétulas e um letreiro
a dizer: "Floresta das zonas temperadas".

É evidente que não podes plantar,
no teu quarto, plátanos ou azinheiras.
Para começar a construir uma biblioteca,
basta um vaso de sardinheiras.

               Jorge Sousa Braga, Herbário, Assírio  Alvim Ed.,
                                                      Novembro de 2002

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Sem palavras

O presidente do Gil Vicente prometeu champanhe «do bom» aos pobres e sem-abrigo da cidade durante uma semana em casa dele caso o clube ganhe a taça. Estou sem palavras.

terça-feira, 10 de abril de 2012

MAC

Eu nasci na Maternidade Alfredo da Costa e sempre ouvi falar bem de quem lá trabalhava. Pelo que a minha mãe me conta, se não fosse a atenção de uma médica de lá, talvez hoje não estivesse aqui a escrever isto. Sempre fui ouvindo o que diziam pessoas que por lá passavam e foram muito poucos os testemunhos negativos sobre aquele espaço. Pelo que percebia, a equipa era fantástica e as instalações iam recebendo melhorias que a iam tornando cada vez mais capaz. Ali nasceu, provavelmente, metade da cidade de Lisboa: por estes lados, quem não nasceu na MAC (S. Sebastião da Pedreira), nasceu em São Jorge de Arroios (Hospital D. Estefânia).

Mas agora parece que a MAC, que concentra em si uma série de valências e que está bem no centro da cidade, já não serve. Agora importa empurrar partos e utentes para o S. Francisco Xavier e para o Santa Maria. Agora a MAC tem de ir pelo mesmo caminho já trilhado por escolas, centros de saúde, hospitais e outras maternidades por esse país fora (coisa que fez já muitos nascerem em ambulâncias nas auto-estradas). Nunca pensei que isto viesse a suceder com uma maternidade com a dimensão, o reconhecimento e a história da MAC, mas pelos vistos eu é que sou ingénua. Nada escapa a esta gente, nada é imune a decisões que ninguém percebe. Fechar uma maternidade como esta para espalhar utentes por hospitais não tão centrais (o S. Francisco Xavier não é, de todo, tão acessível quanto a MAC) parece-me uma daquelas decisões tão ponderadas quanto as que eu tomava aos dez anos e que envolviam os desenhos animados que queria ver na televisão.

Escrevo isto enquanto assisto às imagens do cordão humano que está a ser feito junto à MAC e escrevo-o com pena por não estar lá com aqueles  médicos, enfermeiros, pais e filhos. Hoje também eu gostava de abraçar o sítio onde nasci.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Presentinho

O meu amorzito viu-me namorar este livro e ofereceu-mo. É um santo este homem! Muito agradecida! Purr purr!


Ah, a Juliana que dá nome ao livro foi uma das filhas da Marquesa de Alorna. Agora deu-me para isto, que hei-de fazer?...

Livrinho novo

Olhai, olhai o que comprei hoje em Viana! Nada mais, nada menos do que um livro sobre a história do livro e carregadinho de fotos deliciosas! Até tem um capítulo dedicado ao meu eterno amor literário, Dom Quixote de la Mancha.



Voltei (mas gostava de ter continuado lá...)

Pois que estou de volta, minha gente. Não sei se deram pela minha ausência, mas andei por terras de Viana do Castelo a experimentar uma Páscoa nova. Já lá fui muitas vezes no Verão, mas assim noutra altura do ano foi mesmo a primeira vez. E, como seria de esperar, fiquei fã. Desta vez conheci uma cidade calminha onde à noite se vê pouca gente, limpíssima e cheia de iniciativas. Sem romaria e sem farra: conheci Viana como é durante os outros dias do ano.

Para mim é a cidade mais bonita em que já estive. Trocava Lisboa por Viana num piscar de olhos e acho que não me arrependia. Como pude ver as pessoas na sua vida normal, fora de uma farra como é a Senhora d'Agonia, em Agosto, percebi que vivem a um ritmo muito menos acelerado do que nós, que se arranjam com um cuidado que mesmo em Lisboa já vai sendo raro, que aproveitam todos os momentos do dia, seja junto ao rio, seja numa esplanada, seja no shopping. É óbvio que nem toda a gente vive esta vidinha boa, mas pareceu-me que muitos o faziam e acho que esses durarão mais anos do que eu, que mal me consigo coçar. Mas vivendo ou não esta existência sossegada e quase principesca, as pessoas são de uma simpatia como ainda não encontrei igual. São conversadoras, acolhedoras, sorridentes e só por isso estar lá já é um descanso.

Enfim, Viana do Castelo é uma cidade perfeita e a própria publicidade que lhe é feita em slogans que ficam no ouvido não podia ser mais adequada. Se é verdade o que se diz sobre Viana, que «Quem gosta vem, quem ama fica», também é verdade aquilo que dizem os autocolantes à porta dos estabelecimentos comerciais: «Viana fica no coração». Tem ficado sempre.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Da ASAE, de fedores intensos e de gente pedante

Hoje fui com um amigo assistir a uma conferência sobre o livro Dom Quixote de la Mancha, na Casa Fernando Pessoa . Como era a primeira vez que íamos lá, resolvemos encontrar-nos no Rato e começar ali a pedir indicações. Lá parámos numa pastelaria (e eu cheia de vontade de ficar já por al a merendar porque tinha um rato a agigantar-se no estômago) e lá nos deram as indicações de que precisávamos. Começámos, enfim, a subir a Rua do Sol ao Rato, tal como o senhor aconselhara, mas, chegados lá acima, ficámos sem saber para onde ir. Parámos numa mercearia e voltámos a perguntar. Um senhor respondeu-nos apontando e dizendo que devíamos ir naquela direcção. O problema foi que o meu colega percebeu que era para baixo e eu percebi que era para cima. Subimos, subimos, subimos e Casa Fernando Pessoa nem vê-la. Eu estava a usar uns sapatos novos que me mordiam os pés, por isso amaldiçoava a minha sorte e praguejava muito contra o desgraçado do Fernando Pessoa (de quem não gosto muito, perdoem-me) por ter arranjado uma casa no fiofó de Judas. Enfim, já completamente perdidos, entrámos numa loja de roupa infantil para pedirmos novas indicações. A senhora que nos atendeu estava ainda mais perdida do que nós, por isso aconselhou-nos a perguntarmos no café ao lado. Lá vamos nós até ao belo do café (tasca) cheia de tipos a sugar cerveja. Enquanto o meu colega perguntava, eu apreciava o sítio e tirava grandes conclusões. Ali percebi para que é que a ASAE existe e concluí que desconhece totalmente aquele estabelecimento já que de outra forma ele estaria encerradíssimo e provavelmente já haveria sido implodido. O cheiro dentro daquele café era indescritível: parecia que albergavam um morto lá dentro e que faziam colecção de meias sujas. Mais: o cheiro fazia crer que o pessoal ia pôr os cães a urinar dentro do café. Conseguem imaginar? Os frascos com os temperos que o senhor tinha em cima do balcão pareciam ser do tempo do terramoto lisboeta e antes da reconstrução pombalina. Saí de lá com o nariz zangado por ter sido exposto a tamanha javardice. Mas o mais engraçado é que apesar de aquele café ser a maior espelunca que o mundo já viu, a verdade é que estava cheio. Enfim, vá-se lá perceber...

O senhor da tasca lá nos deu as indicações, mas ficámos tão entorpecidos com o cheiro que nos esquecemos delas. Ainda voltámos a perguntar mais duas vezes e finalmente, quase uma hora depois, lá chegámos à Casa Fernando Pessoa. Ouvimos a conferência que começou com um autodenominado «académico» a mandar vir com o conferencista pelo quarto de hora de atraso com que chegou e que concluiu com um monte de senhoras a lamberem as botas ao mesmo conferencista, recitando de cor um poema do António Gedeão sobre o Quixote. Quase se matavam a discutir sobre as edições do Quixote em Portugal e eu, que até sei umas coisas sobre o assunto, sossegadita no meu cantinho a ver o pedantismo da coisa. Já meio enjoada com tanta graxa e mais esfomeada do que o Sancho Pança em oitenta por cento das páginas que compõem a obra, tive de vir embora (alguém ao meu lado estava com um ataque de riso: era melhor ir embora antes que a coisa descambasse).

E pronto, hoje foi isto. Agora vou ali tratar das bolhas nos pés que me sobraram de tão desnorteada caminhada... Ai Quixote, a quanto me obrigas!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Quase, quase, quase...

Mais novecentas e trinta e seis visitas e o blogue «As Minhas Quixotadas», que faz amanhã cinco mesitos, chega às dez mil "aconchegadelas" (nome pomposo que dou às visitas). Que tal? Nada mal, han?...

Menina inteligente


Eis a prova de que a Lisa Simpson é muito mais inteligente do que muita gente que conheço.


Notita: Imagem retirada de http://lisasimpsonbookclub.tumblr.com/

Falta de civismo e maus fígados

Hoje, no hipermercado, coloquei as minhas coisas no tapete e pus no meio delas a marca que separa as compras porque ia dividir as contas e pagá-las separadamente. A senhora idosa que estava atrás de mim tira essa marca de onde eu a tinha colocado e põe-na entre as minhas coisas e as dela. Eu, pensando que ela se tinha enganado, agarrei-a novamente e coloquei-a no sítio onde a tinha posto inicialmente. Ela volta a tirar a marca, a pô-la entre as minhas compras e as dela, batendo com ela no tapete e dizendo rispidamente:

- Não, não: isto é aqui! Isto não é assim! É aqui é que se põe!

E ao dizer isto começa a juntar as minhas compras, a amontoar tudo, como se fossem dela, como se eu não tivesse direito a pagar as coisas separadamente. Eu, meio incrédula com a parvoíce da senhora, volto a agarrar na marca e coloco-a nas minhas compras (que ia separando novamente, já que a senhora tinha tirado a minha divisão) e digo-lhe:

- Não: é aqui! Eu ainda sei bem o que estou a fazer!

- Ah, está bem, não percebi. - resmunga ela.

Pensei que a coisa tivesse ficado por ali, mas a senhora, decididamente, não estava com vontade de me deixar sossegada. Colou-se a mim de tal forma junto ao pagamento automático que pensei por momentos que fosse ser vítima de um assalto por parte de uma senhora velhinha. Basicamente dava-me empurrõezinhos para eu me despachar.

Não sei se era falta de educação, mau humor descarregado em cima de quem não conhece de lado nenhum, vontade de chatear alguém ou qualquer outra coisa. O que sei, e que já não é a primeira vez que percebo, é que os jovens têm sempre a fama de serem mal educados, horríveis, uns verdadeiros monstros para os mais velhos. E muitas vezes isso é verdade. Mas o mesmo sucede com os mais velhos. A falta de civismo não é, de forma alguma, um exclusivo dos mais novos, embora não sejam poucos os que acreditam nisso.

domingo, 1 de abril de 2012

Abram alas para os doze

Ora toca a abrir alas nas prateleiras para deixar passar os novos habitantes. São nada mais nada menos do que doze e são todos bem-vindos. Não fiz de propósito, mas calhou serem todos de autores de Língua Portuguesa. Boa! Além disso, metade dos livros são para miúdos...


E a outra metade é para graúdos...


E que tal, minha gente? Aprovam?