quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A Menina Sugere Isto VIII


Não sei como será o filme que por agora está nos cinemas e que adapta esta magistral história de Yann Martel. O que sei é que li este livro há uns três ou quatro anos e considero-o ainda hoje como sendo um dos melhores romances que já li (e acreditem que já li bastantes).
 
Queria dizer-vos qualquer coisa que vos levasse a querer ler A Vida de Pi, mas acho que a história é tão boa, tão maravilhosamente bem construída e com um final tão inesperado que, passados estes anos todos, ainda fico de boca aberta quando penso nas sensações que experimentei ao ler este livro. Um rapaz vê-se sozinho em alto mar, num barco salva-vidas com alguns animais selvagens. Como sobreviver? Chegará a terra? Servirá de repasto ao tigre com o qual partilha o barco? Leiam. Acreditem: esta é uma das melhores sugestões que já vos dei.

O terror para homem

 
Diz que estes sapatos são uns Louboutin para homem. Pois eu digo que se o meu rapaz usasse uma coisa destas, eu própria lhe daria com um um arranca-pregos até os ditos lhe saltarem dos pés. A seguir chegava-lhes o fogo. Aos sapatos, claro, não aos pés.
 
Notita: A imagem foi retirada da página da Louboutin, aqui.

Compras de Natal

Hoje fui às compras de Natal. Gentes, a loucura que estão os centros comerciais! No ano passado fiquei com a impressão de que não haveria presentes, já que as lojas não se mostravam cheias e a vender que nem loucas. Achava que este ano, logicamente, seguiria a mesma bitola, mas pelos vistos não estava perto da realidade. O Colombo está a abarrotar pelas costuras e na semana passada, numa ida ao Chiado, constatei que esta zona comercial da cidade está, também, cheia de gente a fazer compras. Ainda bem que assim é. É importante que quem pode gaste uns trocos nas lojas deste país. Importa dar uns empurrõezinhos ao nosso comércio que vem vivendo tempos muito difíceis.
 
Eu cá voltarei às compras no Sábado. Hoje não consegui despachar tudo e fiquei estourada.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Num dia normal

Num dia normal vai-se à escola, tem-se aulas, sorri-se para a professora, ri-se com os colegas, escreve-se num caderno, lêem-se textos, brinca-se no recreio, fazem-se testes, recebem-se notas, trocam-se histórias, conhecem-se pessoas, muda-se um pouco a cada minuto. Num dia normal de escola faz-se tudo isto e mais aquilo que não cabe num texto destes porque é tão grande, tão importante e tão inesquecível que geralmente só o percebemos anos mais tarde, quando já só recordamos um dia de escola como alguma coisa que existiu no passado e que nos aparece como imagem desfocada de qualquer coisa que já não sabemos descrever.
 
Muito cabe num dia de escola, é certo, mas o que não cabe hoje nem nunca caberá é um tiroteio. Nem vinte e seis mortos. Nem vinte crianças para as quais não mais haverá um dia de escola. Nem as memórias de todas as outras que terão de olhar para a escola como sendo o sítio onde morreram tantas pessoas. Num dia normal não cabe um louco armado nem a dor dos que agora choram os seus.
 
Num dia normal de escola cabe muita coisa, mas não isto. Não esta dor feita ferida por amanhã não ser mais um dia de aulas, mas sim um dia de caixões brancos e de lágrimas que não secam. Uma escola não é isto, não devia ser isto, e todos vocês farão, com certeza, muita falta noutros dias normais.
 
(Este texto é para todos os alunos e professores que perderam a vida na sexta-feira às mãos de mais um louco armado numa escola do Connecticut, nos Estados Unidos da América.)

domingo, 16 de dezembro de 2012

Na minha cabeceira

Ando numa de ler grandes volumes. Terminado o último, iniciei hoje outro que soma oitocentas páginas. Tom Jones, de Henry Fielding, mudou-se agora para a minha mesa de cabeceira. Ao ler que o autor era um apaixonado pela obra-prima cervantina, Dom Quixote de la Mancha, e que ao escrever este romance e outros textos incluiu neles aspectos desse clássico espanhol fiquei convencida e decidi lançar-me à empreitada. Estou crente de que chegarei a 2013 ainda com este romance pela mão, mas não faz mal. Será iniciar um novo ano em boa companhia o que só pode ser um bom augúrio para as leituras do ano que vem.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Os passatempos e o "abre-olhos"

Em Outubro ganhei um passatempo feito por um blogue muito, muito, muito conhecido. Dei os meus dados, como me foi pedido, mas NUNCA fui contactada para nada. Enviei um email à autora do blogue que me disse que era estranho, que averiguaria a situação e que logo que possível diria alguma coisa. Nunca mais disse nada. Na semana passada, só por teimosia (que já nem me interessa o prémio para nada) enviei outro email. Parece-me que ter dado uma resposta seria o mínimo que a educação exige e no email perguntei se havia alguma notícia sobre a razão pela qual nunca fui contactada. Respondeu a dona do blogue que não sabe o que se passou e que, basicamente, a hipótese de receber o prémio já era. Nem um pedido de desculpas. Nadinha.
 
Ter blogues é muito giro e há quem os consiga rentabilizar bem. Para isso trabalham neles com afinco, dedicam-lhes muitas horas e tornam-nos atraentes aos olhos dos leitores. Acho muito bem: cada um faz o que pode. O meu blogue é pequenino e tem pouco mais de um ano. Já me ocorreu fazer um passatempo, mas não o fiz porque não tive tempo na altura, quando comemorou o primeiro aniversário, para organizar alguma coisa como devia ser. Mas também fazer passatempos que parecem promissores e que depois não resultam em prémios efectivamente recebidos para quem os ganha serve para quê? Se não se podem responsabilizar pela entrega dos produtos e se isso fica a cargo de quem os oferece para sorteio, o melhor é não fazer passatempo nenhum porque o nome é o vosso e o do vosso blogue. No meu caso e a meu ver, não foi a empresa responsável pelo prémio que supostamente ganhei que me ficou a dever alguma coisa. Foi, sim, o blogue que promoveu o passatempo e que nem uma resposta com jeito teve para me dar. Se algum dia este blogue oferecer alguma coisa, será algo que eu tenha na minha mão, pronto a entregar. Contar com produtos de empresas e pôr nas mãos delas a entrega de prémios cujos passatempos são divulgados nos nossos blogues é assumir o problema quando eles não são chegam ao destinatário. Porém, pior que essa falta de responsabilidade quando as coisas correm menos bem é a inexistência de um pedido de desculpa. Pela minha parte e enquanto me lembrar disto, não concorrerei a mais nada em blogues. Serviu isto para aprender que quando quiser palhaçadas vou ao circo.

Os Buddenbrook: o balanço

Acabei agora mesmo as seiscentas e trinta e oito páginas de Os Buddenbrook, de Thomas Mann, e já tenho saudades daqueles burgueses cheios de manias que achavam que o mundo era todo deles. Ao longo destas páginas, somos confrontados com personagens muito ricas do ponto de vista da caracterização e que mudam constantemente não mudando nada. Paradoxal? É mesmo. É que algumas personagens não são no fim o que eram no início, até porque é precisamente essa mudança o cerne da história. Porém, ainda que à sua volta tudo mude, elas seguem tendo as mesmas ideias e as mesmas manias. Esse é, creio eu, o motivo pelo qual se dá o declínio de uma tão poderosa família: porque todos os seus membros ficaram agarrados às ideias de uma época que foi acabando, acreditando que o nome pomposo que ostentavam era suficiente para vencer sempre. Contudo, o leitor apercebe-se bem de que o meio que envolve as personagens está a alterar-se irremediavelmente, embora estas não procurem adaptar-se às novas condições. Thomas Buddenbrook, o senador que termina o negócio da família, constata com desagrado que já nada é como era, porém nada faz para tentar adaptar-se à nova realidade: pelo contrário, segue gastando e vivendo como se estivesse cego para o que ia acontecendo.
 
Enquanto lia, lembrei-me algumas vezes de Os Maias, de Eça de Queirós. É que assim como o autor português nos vai entregando, ao longo do romance, pistas que evidenciam o declínio e o final que aí vem, também Thomas Mann enche o seu texto de pormenores que apontam inequívocamente para um desfecho pouco airoso de uma família que, a partir de determinado momento, vive mais da lembrança do seu nome do que dos seus feitos. É muito interessante observar as manias das várias personagens e o modo como, a partir de determinado momento, tudo corre mal. A futilidade que as caracteriza torna-se hipnotizadora e é uma das razões pelas quais há partes do livro que custam a largar.
 
Para quem gosta de histórias vividas no ambiente europeu do século XIX, onde as aparências superam o resto e onde as personagens ignoram que o mundo já não é o que fora no tempo dos seus antepassados, colocando-se assim a jeito para que o infortúnio e o desencanto apareçam em força, este é o romance ideal. É longo, mas lê-se sem qualquer dificuldade. A escrita é muitíssimo cativante pela simplicidade que a caracteriza. O narrador leva-nos na direcção daquilo que quer que percebamos bem, embora deixe as personagens paradas no mesmo sítio e a agir na total ignorância do que as espera. De quando em vez surge um rasgo de luz na cabeça de uma delas e questionamo-nos se virá aí a mudança que ainda os poderá salvar de um final pouco lisonjeador. Porém, mantêm-se teimosamente com a mesma atitude de superioridade indiscutível. Nós, leitores, assistimos ao seu triste espectáculo enquanto eles assistem à alteração da sua sociedade. A diferença é que nós sabemos ler os sinais e eles não.
 
Leiam que vale bem a pena.


Notita: A imagem saiu da página da Wook.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A Menina Quer Isto XXXII

 
A menina quer isto, mas como é muito bem dito aqui, o preço é assustador. Aliás, todos os livros desta colecção têm sido estupidamente caros. Ora, isso, dadas as nossas circunstâncias, afugenta bastante da compra de livros que gostaríamos de ler. Neste momento, pagar quase quarenta euros por este volume é um luxo a que nem todos se podem dar. No que a mim me diz respeito, tão cedo isso não sucederá. Assim sendo, resta-me inclui-lo na cartinha ao Pai Natal, tendo pouca fé de que ele me venha a cair no sapatinho.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

A Menina Quer Isto XXXI

Querido Pai Natal,
 
A menina descobriu que quer este livro, mas também percebeu que é caro. No entanto, parece estar à medida para ser atirado pela minha chaminé (leia-se exaustor). Assim sendo, como é: chegas-te à frente ou tenho de ir lá eu?...
 
Cumprimentos às renas e um «xi» ao Rudolfo que é um sexy.

O coro

Pronto: apanhei o fim do Natal dos Hospitais da RTP e, consequentemente, ouvi o Coro de Santo Amaro de Oeiras. Se não tivesse já dado por aberta a época natalícia, este seria o momento da abertura oficial!

Miminhos

Hoje recebi mais uma caixinha de chocolates e um postal feito por uma das minhas alunas, com mensagem personalizada e tudo. Achei uma ternura! Há miúdos que nos rebentam com as costuras do juízo, mas também existem outros que gostam genuinamente de nós e que o demonstram todos os dias. Não eram precisos os chocolates e o postal para saber que tenho feito diferença na vida de alguns alunos. Os doces são só a materialização de um miminho que é diário.

O fim de "A Vida é Bela"


Hoje consegui o reembolso por um voucher de "A Vida é Bela" que não cheguei a ter oportunidade de utilizar. Depois de ter sabido ontem que a Fnac estava a reembolsar os clientes cujos vouchers haviam sido comprados lá, resolvi tentar hoje a minha sorte. Como tinha sido uma prenda do Natal passado, não tinha talão (é feio, mas cada vez me convenço mais de que temos de dar tudo com talão), mas pela notícia divulgada ontem, a loja estava a reembolsar também os clientes que não tinham talão.
 
Chegada à Fnac do Chiado, fui atendida por uma funcionária que, após saber que eu não tinha talão, me enfia diante do nariz um formulário onde me pedia todas as informações possíveis sobre a compra, inclusivamente o número da transacção multibanco. Recordo que este foi um presente do Natal passado... Queria o nome da compradora (que não fui eu), o número de telefone, a morada, o email, o banco, o número do cartão com que pagou, a data da compra... tudo! Não me pediu o número da roupa interior da compradora porque não calhou. O melhor é que o reembolso devia ser para mim e sobre mim não queria informação nenhuma. Expliquei-lhe que não lhe conseguia dar tudo o que pedia, até porque a compra tinha sido feita há um ano. Ela respondeu que devia dar-lhe o maior número de informações possível para poderem fazer uma busca nos arquivos das vendas e chegar à segunda via do talão. Repeti que não conseguia tudo e perguntei quanto tempo levaria este processo todo até eu ver o reembolso. Acho que ia desmaiando quando me disse «dez dias».
 
Tentei fazer a menina entender que o que pedia era impossível, mas ela continuava com um ar sofrido a dizer que tinha mesmo de ser. Lá fui preenchendo o papel, embora continuasse a não perceber por que razão tinha de dar os dados da compradora e meu nem sequer o nome. Entretanto telefono à minha irmã para lhe perguntar algumas das informações, como o email e a morada. Digo-lhe o que se está a passar e ela diz que talvez consiga descobrir o número da transacção. Desliga a chamada e eu aproveito a passagem diante de mim de um outro funcionário para lhe perguntar por que razão não queriam nem sequer o meu nome se eu é que ia ser reembolsada. Ele olhou para mim como se eu fosse louca. Expliquei-lhe que havia sido o que a colega me dissera, ao que responde «não... não é necessário isso.». Só precisava de ver o voucher e de saber mais ou menos quando tinha sido comprado. Entretanto vai ao computador com a caixinha na mão e nesse momento a minha irmã telefona com a informação da data da compra. Agora imaginem o meu espanto quando eu a escrevo num papel para entregar ao funcionário e ele já vem ter comigo com uma segunda via do meu talão na mão. Ou seja: ele nem sequer precisou de saber o dia da compra para resolver o problema. Deu-me logo um cartão da Fnac no valor do voucher e despachou-me dali.
 
Agora eu pergunto: como podem dois funcionários do Apoio ao Cliente agir de forma tão díspar? Como pode ser tudo tão difícil para uma e tão ridiculamente fácil para outro? Se afinal era tão fácil fazer o reembolso, para quê a quantidade de entraves que a rapariga me colocou (a mim e a outros porque me mostrou requerimentos feitos por outros clientes com cópias de extractos bancários). Fiquei fascinada com a diferença de atitudes e com o facto de uma quase impossibilidade ter passado a ser possível ainda antes de eu ter desligado o telefonema da minha irmã. Mas ainda bem: fiquei com quarenta euros para gastar na Fnac e vi-me livre de um mono cujo dinheiro da compra seria impossível de reaver em breve, dada a proximidade do final do prazo de validade.
 
Uma coisa é certa: vales com experiências é coisa que me parece que nunca mais vou querer receber. "A Vida é Bela" era coisinha de que gostava e que encarava como sendo uma excelente ideia. Mas a falência repentina, deixando muitas pessoas sem saber muito bem o que fazer com aquelas caixas «de dinheiro empatado» foi um acontecimento desagradável. Não fossem algumas lojas terem-se disponibilizado a fazer as devoluções e seríamos muitos os que ficaríamos a perder dinheiro. No Colombo, onde antes era o quiosque de "A Vida é Bela" está agora outra empresa do mesmo género. Parece-me a forma mais rápida de abrir falência: abrir um negócio semelhante ao que antes ali funcionara com uma empresa que levou as pessoas a inundarem a DECO com queixas. Enfim... Há visões para o negócio que não se compreendem mesmo.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Um doce

Hoje uma das minhas alunas levou-me uma caixa de chocolates. Maravilha! Lá vinha ela com um saquinho decorado com motivos natalícios recheado com uma considerável caixa de chocolates de vários tamanhos e feitios. Achei uma ternura e tenho a certeza de que, em breve, também acharei um doce.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Boatos

E a capacidade espantosa que os miúdos têm para levantar falsos testemunhos? E para propagar boatos? E o que eu já berrei hoje por causa disso?...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Tipo isso

Hoje, durante a tarde, ouvi uma conversa de uma jovem que, em pouco mais de três minutos, incluiu trinta e duas vezes a palavra «tipo» no seu discurso. Além do choque, o que me veio à ideia foram aquelas máquinas de escrever antigas que quando chegavam ao final da linha faziam um sonoro «plim». Aqueles «tipos» todos eram o que pareciam: a chegada ao final da linha. Só que, dada a repetição de tal palavra, as linhas desta miúda deviam ser curtíssimas.
 
«É que tipo ele olhou para mim e foi do tipo bué estranho porque tipo ele tinha-me visto e tipo eu não consegui disfarçar, mas tipo... Ai coisa, nem sabes! Eu depois tentei ligar-te, 'tás a ver, pa contar-te, mas tipo... Nunca atendeste e depois mandei-te mensagem para tipo tu m'atenderes porqu'eu 'tava bué nervosa. Mas ya, o gajo olhou para mim e sorriu e foi tipo... Ya.». Foi mais ou menos isto. E que quer isto dizer? Nem é preciso espremer para ver que não dá nada.