quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

A plantação de trotinetes

Houve recentemente um boom de trotinetes por esta cidade fora. Nada contra: se contribui para facilitar a mobilidade das pessoas e desde que sejam seguidas as regras de segurança necessárias, então que sejam bem-vindas. Porém, aquilo que me irrita é ver as trotinetes que estão para recolha estacionadas no meio dos passeios. Portanto, alguém a alugou, utilizou e abandonou exactamente no meio do passeio. Ora, é aí que circulam os peões, às vezes com cadeiras de rodas ou carrinhos de bebé. Acho que um invisual já tem obstáculos suficientes para ainda encontrar mais este. Mas mesmo quem não tem nada disto, tem o direito de poder circular livremente pelo passeio. Encontrar, nestas circunstâncias, uma trotinete especada no meio do caminho é coisa que enerva. Será que o civismo de quem utiliza estas coisas não chega para perceber que, ou para a esquerda ou para a direita, a trotinete pode ser deixada para recolha sem incomodar a vida dos outros?

Tenho visto isto todos os dias. Num dos casos mais escabrosos, alguém abandona a porcaria da trotinete atrás de uma paragem de autocarro, ou seja, no único espaço de passeio livre entre a dita paragem e o muro de uma casa. Resultado: quem circula a pé ou passa para a estrada, arriscando-se a ser atropelado, ou tem de tirar a trotinete dali para poder passar. Um pouco de bom senso resolveria a situação, mas parece que é coisa que não abunda. Assim sendo, talvez não fosse pior começar a multar quem o faz. Não sei como está este negócio regulamentado, mas quem o gere tem de pensar em alguma solução. Assim como é errado um peão andar a passear-se por uma ciclovia, prejudicando a mobilidade dos que a utilizam devidamente, também não está certo prejudicar a passagem dos peões naquele que é o espaço a eles reservados. E tendo em conta o facto de que todos os dias há mais e mais trotinetes por esta Lisboa fora, é importante começar-se a pensar nisto a sério. A plantar-se alguma coisa nesta cidade, que sejam flores, não trotinetes.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

A Menina Quer Isto CXIV

Descobri que quero este livro. Vi uma entrevista ao autor no programa Todas as Palavras, da RTP3, e pareceu-me interessante. Conta a história do avô do autor, antigo soldado na Primeira Guerra Mundial, que deixou ao neto dois cadernos nos quais havia escrito sobre a sua vida. É ela, portanto, que Stefan Hertmans contará neste livro que, segundo a Wook, faz lembrar um pouco a escrita de Sebald, tão profundamente marcada pelas reminiscências. 

Mais um para a lista de desejos.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Saga de um osso III

Agora, Madame Pochita, além de enterrar o ossinho, tenta enterrar o biscoito grande que recebe diariamente por ser tão fofa. Onde? Na areia dos gatos outra vez. Ontem, apanhei-a a tempo: o biscoitito ainda só estava sobre a areia. Se não começo a precaver-me, a desgraçada enterra tudo o que considerar valioso e o pobre gato fica sem casa-de-banho.

E mais: anda a fazer transição de uma ração para outra. Tenho andado a misturar a antiga (menos boa), com a nova (muito melhor), que chegou recentemente. Pois a focinhuda consegue catar e comer apenas a nova, deixando a antiga no prato. Dei por isso hoje de manhã. Confirma-se: este cão é genial.

Ai meu Deus, voltei a chamar «cão» ao meu canídeo fêmea. Não tarda vem de lá a comentadora anónima furiosa defender o género sexual da bicha. 

#tenhoumcãoqueécadelaegosto
#eugostodepôracentosnashashtagsdatreta

Ahahah!

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Saga de um osso II

E hoje, quando fui limpar as caixas de areia, pesquei novamente o osso. O bicho continua a achar que tem de o enterrar e para isso não há melhor do que a casa-de-banho felina. Pobrezita, há instintos que não se perdem.

A propósito, aquela comentadora anónima que vê problemas em tudo o que digo/vivo/sou queixou-se do facto de eu chamar cão à Madame Pochita, em vez de cadela, que é o que ela é. Eu já respondi à alma penada que tenta assombrar este blogue, mas fica o esclarecimento: odeio a palavra "cadela" e, por isso, na brincadeira, por aqui chamamos-lhe "a Cão". Ela não se importa nada e nós rimo-nos imenso. 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Vícios recentes

Nunca tinha provado comida indiana, nunca tinha calhado. Provámo-la, o moço e eu, há umas três semanas.

Bom, vou directa ao assunto: alguém conhece alguma instituição do género Alcoólicos Anónimos que trate de quem só vê chicken tikka masala à frente? De quem já não quer carcaças, apenas naan? De quem já foi comprar três toneladas e meia de especiarias para tentar aprender a fazer pratos indianos? Alguém conhece?

É que isto está a tornar-se grave. Com o Uber Eats a fazer entregas e com os terminais nervosos a terem fanicos devido às alegrias provocadas pelo intenso sabor daqueles pratos, acho que comi mais comida indiana nestas três semanas do que muitos na vida toda. Preciso de um tratamento de choque, de algo que me faça regressar ao caminho português da feijoada e do peixe grelhado, ao do pão de mafra e do cozido. Ajudem-me! 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

A Menina Quer Isto CXIII

Wook.pt - A Mulher que Correu Atrás do Vento

A bem da verdade, ainda nem sequer comprei o último do João Tordo, intitulado Ensina-me a Voar Sobre os Telhados, mas o homem não pára e no próximo mês sai novo romance. Desta vez chama-se A Mulher Que Correu Atrás do Vento. Segundo a sinopse, trata da história de quatro mulheres que, de alguma forma, se cruzam ao longo de um século. Considerando que o livro do João Tordo de que mais gostei até agora foi o Três Vidas e que nele estão três personagens cuja existência se embrulha de tal maneira que a coisa tem de acabar de forma pomposa, este parece-me promissor. Além disso a capa é lindíssima e, admitamos, os olhos também comem. 

Portanto, vou pôr este na lista de coisas que quero. Não será para a Feira do Livro porque essa lista (já em fase de produção) encontra-se muito extensa bem composta. Mas pronto, fica a notinha e o anúncio de que vem aí novo livro do João Tordo. Nervoso miudinho, nervoso miudinho!

Saga de um osso

Ontem à noite, pareceu-me que uma das caixas de areia dos gatos estava esquisita, mas como eles são loucos, não liguei muito. Antes de ir dormir fui limpá-la e eis que lá no meio está enterrado o gigantesco osso que o cão se ocupa a roer um pouco mais todos os dias. Ele leva o costume ancestral de enterrar os ossos muito a sério. Desta vez não quis colocá-lo entre as almofadas do sofá, nada disso: enterradinho na areia é que é bom. E foi. Lá fui eu lavar-lhe bem o osso e dar-lho novamente. Quando saí de casa hoje, ainda estava por lá caído. Porém, estou a aceitar apostas sobre o paradeiro do desgraçado logo à noite.


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Procura-se carrasco

Caso algum de vocês esteja insatisfeito com o trabalho e pondere mudar de vida, eis aqui uma boa oportunidade. O vencimento não é grande coisa e o trabalho é capaz de sujar um bocado a roupa, mas bem negociado talvez vos paguem o passe e o subsídio de refeição. Depois não se esqueçam de abrir actividade nas Finanças como «carrascos» e de fazer um seguro de trabalho, não vá o machado cair-vos nos pés.


Eu e o desporto

Pois que, quase um ano depois, resolvi ir ao médico e as dores nos braços devem-se ao que vulgarmente se conhece como «cotovelo de tenista». Acho que é o mais próximo do desporto que vou estar na minha vida... Portanto, anti-inflamatório e correcção da postura que, diga-se, é uma porcaria. Nunca sei como devo estar. Mas pronto, pelo menos agora já não acho que me vão cair os bracitos.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Em busca de lugar na estante XX

A sugestão da Marta (uma das queridas leitoras deste humilde blogue) chegou finalmente a casa e procura o seu lugar na estante. A propósito da temática de obras de arte que atravessam a História e que ficam para sempre associadas a uma família, continuo a aconselhar e leitura do romance Eu Confesso, de Jaume Cabré. Boas leituras!

Wook.pt - A lebre de olhos de âmbar

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

O jardim sujo

Costumo passear a Madame Pochita num jardim perto de casa. Existe lá uma placa que proíbe canídeos nos espaços verdes, mas como toda a gente lá passeia os cães e tenta que eles não passem da berma do jardim, lá vamos andando todos.

No entanto, o que a placa devia proibir era a permanência de pessoas naquele espaço, uma vez que sujam muito mais do que os animais. Por vezes a Câmara passa por lá e trata daquilo tudo. Todavia, no dia seguinte, há todo o tipo de lixo no chão: revistas velhas, pedaços de esferovite, pacotes vazios de bolachas, copos de café, preservativos (!), entre muitas outras coisas. É uma nojeira e, considerando que não são os cães os responsáveis por isto, só podem ser os humanos, precisamente aqueles a quem é legalmente permitida a permanência no jardim.

É tanto lixo que se torna difícil de compreender. Até facturas velhas de empresas e quadros de uma imobiliária já lá encontrei. O que leva as pessoas a serem tão desrespeitadoras de um espaço público que a todos pertence? É revoltante. Às vezes sou eu que não quero passear lá o cão, com receio de que se lembre de engolir esferovite ou alguma outra porcaria que por lá encontre. Mais ainda: em torno daquele jardim há muitos caixotes de lixo. Se a falta deles já não justificaria o pouco civismo, a sua existência torna-o ainda mais incompreensível. A Câmara preocupou-se em colocar a placa para manter afastados os animais e os seus donos, mas esqueceu-se que o grande conspurcador é mesmo o ser humano.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Alugo

ALUGO CÃO PARA ACTIVIDADES CRIMINOSAS

Características:

- Boas capacidades no furto de objectos de vários tipos (dá-se preferência ao ramo do calçado e da roupa interior);

- Grande eficácia na destruição de provas (nomeadamente papel, chinelos e pantufas);

- Enorme discrição, tanto no momento do furto quanto no da destruição das provas (o que geralmente só permite a descoberta do crime depois da consumação do mesmo);

- Rapidez na fuga;

- Inigualável capacidade de resistência a questionários centrados na questão «Quem fez isto?»;

- Boa dentição.

Requisitos:

- Ração de boa qualidade e em doses justas duas vezes por dia;

- Passeios longos, altamente necessários para a congeminação dos planos relativos à prática criminal a desenvolver em cada dia;

- Água em quantidades industriais;

- Exercício físico envolvendo, preferencialmente, uma bola de ténis (este ponto é imprescindível para a manutenção da velocidade e agilidade exigidas durante as fugas);

- Pagamentos ao cão pelos serviços prestados (priviligiam-se candidatos que optem por pagar em biscoitos ou salsichas).

Os interessados devem contactar este blogue através da caixa de comentários. Devido à elevada afluência que se espera, os candidatos serão sujeitos a uma entrevista que visa fazer a triagem para posterior aluguer do canídeo. Lamentamos desde já não conseguir chegar a todos. Estamos a iniciar esforços para iniciar felinos no mundo do crime.

Nota: Enquanto este anúncio foi escrito, chegou ao nosso conhecimento o roubo de um gorro. Acrescentamos por isso, nas características do cão, a capacidade de disfarce para evitar o reconhecimento. Usa gorro.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Ena, quase me sinto uma Pipoca!

Tenho andado pouco por aqui. Até tenho umas ideias para escrever, mas tenho estado cansada e acabo por não ligar o computador. Mas hoje... Hoje tive mesmo de vir. É que hoje senti-me uma blogger importante. Dei um pulo ao blogue no telemóvel e eis que me deparo com dois comentários anónimos a aguardar moderação que são uma pérola. Não os vou publicar nos comentários e responder-lhes por essa via porque achei melhor dar-lhes a glória de uma quixotada, de bons que são. Ora aí vai um print screen da coisa (carreguem na imagem para verem melhor, por favor):


Ora, esta criatura corajosa o suficiente para comentar o blogue de forma anónima quis deixar sua opinião relativamente à quixotada em que falei das leituras que fiz no ano passado e que ela não aprova. No primeiro comentário, começa por achar extraordinário que eu tenha dado aulas de português. Isto porque, na sua opinião, sou «poucochinha» e «baixinha». Bom, caro leitor-meio-enraivecido, acertou num ponto: sou baixinha. Tenho pena de não ter sido abençoada com mais uns centímetros, mas infelizmente a genética falou mais alto e, com um pai e uma mãe pouco altos, não poderia esperar crescer muito. Mas nada que uns belos saltos não resolvam. Quanto ao «poucochinha», fico a aguardar um novo comentário seu a explicar o que quer dizer com isso. Presumindo que seja qualquer coisa como «és limitadita, filha», a minha questão é: e parou a ler o blogue porque...? Por favor, substitua as reticências com a explicação que desejar. É que eu, quando vejo que o blogue não me acrescenta nada e que a escrita do autor mostra que ele não é lá muito dotado, prefiro optar por um livro. O mesmo acontece quando tenho o azar de me cruzar com um livro que não me aquece o coração: volta direitinho para a estante. Podia chamar-lhe nomes e assim, mas era perda de tempo. Também perdeu pelo menos treze minutos da sua vida a comentar este blogue. Aliás, explique-me lá: como é que conseguiu demorar tanto tempo a escrever dois comentários tão curtos ao mesmo texto, tão básicos e mal pontuados? 

Ah, mas parece que o que a espanta é a má qualidade dos livros que li em 2018. Pois, lamento não ter lido Os Miseráveis, o Crime e Castigo e o Quixote pela quinta vez. De vez em quando importa variar. E às vezes ler outras coisas. Li O Pintassilgo e achei uma excelente história. Se um dia for capaz de ler um livro extenso (quando passar a fase das vogais) e der uma oportunidade àquele romance, talvez tenha uma surpresa. Palavra de professora de português especializada em literatura! Mas se só quiser ler clássicos, também está à vontade. Nunca se perde tempo a ler um grande livro que o tempo consagrou. Perde-se tempo a destilar rancor nos blogues alheios, mas a ler boas histórias não. Também se perde tempo a responder a gente malcriada, mas, oh well, tinha aqui um bocadinho livre e resolvi retribuir-lhe a atenção que me dedicou.

Lamento, mas atirar ao ar o possível nome da editora em que trabalho não me fará abrir a boca e dizer «acertou, é mesmo essa» ou «errou, tente lá outra vez». Mas apreciei a tentativa de se mostrar esperta. Às vezes isso faz bem ao nosso ego e, quando a realidade em que nos movemos é suficientemente má para sentirmos a necessidade de ir destilar veneno para os blogues dos outros, qualquer tentativa de elevação do ego é importante. Deixe-me dizer-lhe, caro-leitor-altamente-erudito-que-só-lê-o-cânone-validado-pela-tríade-Eco-Steiner-e-Bloom, eu permito-lhe que venha aqui, a esta humilde casa, escrever comentários venenosos. Por duas razões: a primeira é porque considero que farei algo por si ao permitir que «bote» cá para fora o fel que têm aí dentro a consumi-la; a segunda é porque esse veneno dá jeito para quixotadas destas em que mostro que não tenho só gente muito porreira a ler o que escrevo e a comentar com educação. Não: a caríssima leitora-danada-com-a-vida-e-com-um-ligeiro-problema-com-aquilo-que-sou-e-que-faço é a prova de que, além dos quatro leitores habituais, também tenho os que vêm camuflados visitar a página. Só que alguns dos anónimos são pessoas normais. E depois há a caríssima. 

Bom, para abreviar a coisa: agradeço-lhe o palavrão. Foi uma inovação nesta casa! Acho que nunca o tinha escrito no blogue sem ser em referência a livros que utilizam tal vocábulo. Talvez por ter a tal veia de professora (bem sei que lhe custa a crer que já tenha dado aulas porque sou «baixinha» e «poucochinha», mas é verdade e era bem boa no que fazia), evito esse tipo de linguagem. Porém, não posso esperar o mesmo dos eruditos-brejeiros-revoltados que por aqui passam. Ainda assim, vá lá, desta vez passa, mas da próxima mando-a de castigo voltada para a parede ou lavar a língua com sabão azul e branco. Ai a menina!

Por fim, uma correcção: não é «a Kepler». Quando muito são «os Kepler». Os autores são um casal. Escrevem excelentes livros para entreter. Sabe, aquela coisa que os seres humanos de vez em quando precisam de fazer? Não deve estar a ver... Olhe, vamos ver se me explico assim (eu, que fui tão boa a explicar coisas aos meus alunos): está a ver aquilo que faz quando vem aqui entreter-se a ler coisas que a irritam? Isso é entretenimento. No seu caso é entretenimento masoquista. No meu, quando quero ocupar as horas mortas, leio livros. Às vezes leio autores intocáveis, como Dickens,  Eça de Queirós, Camilo, Twain, Vargas Llosa ou outros, mas por vezes, como criatura mortal e imperfeita que sou, leio coisas como os Kepler. E o folheto do LIDL. E o frasco do champô. Coisas inócuas, que me enervem pouco. Vá, aprenda comigo. Afinal, sou professora (piscadela de olho).

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Os livros do ano passado


Não alcancei o objectivo que tinha proposto a mim mesma: ler 45 livros em 2018. Faltaram cinco para chegar à meta. Posso dizer sem sombra de dúvida que comprei muuuuuitos mais livros do que os que consegui ler. Foi um ano do caraças, por isso não me custa muito perceber que o número tenha sido fraquinho. Também não acho que tenha sido o ano em que li melhores livros. No ano anterior tinha lido pelo menos dois livros absolutamente extraordinários (Anna Karenina e Eu Confesso, de Jaume Cabré). A fasquia estava elevada. Creio que o livro que em 2018 mais me encheu as medidas foi mesmo O Pintassilgo, de Donna Tartt, um grande livro em tamanho e na história fabulosa que conta.

Descobri, em 2018, que Haruki Murakami não é a minha praia. Achei fraquinho, muito fraquinho. Sou incapaz de o ver como o «eterno candidato ao Nobel», como muitos o apelidam. 

Todavia, também no ano passado, li o brilhante A Família Golovliov, no qual encontramos uma das personagens mais irritantes que já conheci num livro. Aliás, é mesmo a mais irritante. Se fosse uma pessoa a sério, seria daquelas que só teria nariz para poder ser esmurrado mesmo no centro da cara de tão estúpido que é. Ainda assim, mesmo com esta besta, é um livro inesquecível porque a história que conta não é tão inverosímil assim. Há pessoas mesquinhas e gananciosas que fazem mais ou menos o que aquela personagem faz. Simplesmente, não acabaram nas páginas de um romance.

Dos autores portugueses, li Vinte Horas de Liteira, do Camilo, e adorei. É um livro de contos que têm uma ligação entre eles: todos são narrados durante uma viagem feita por dois amigos. Pelo meio, vão conversando sobre as histórias. O humor de Camilo é um dos maiores tesouros da nossa literatura. Cada página escrita por ele é uma riqueza cultural que podemos orgulhar-nos de ter. Este nosso autor foi uma redescoberta que tenho vindo a fazer nos últimos anos porque quando li o Amor de Perdição na escola detestei aquilo. Consequentemente, passei a achar o escritor o autor mais aborrecido do mundo. Merecia duas lambadas, eu sei. Perdoem-me.

A Coisa Terrível Que Aconteceu a Barnaby Brocket foi o melhor livro que, em 2018, li na área da literatura infanto-juvenil. É a história de um menino que é diferente porque flutua e que procura ser aceite com essa sua característica que tanto desgosta os pais. Está muito bem escrita e muitíssimo bem ilustrada. É um livro que todos os jovens (e adultos) deveriam ler, pois além de ser muito bom, leva-nos a pensar sobre as diferenças e sobre o que devemos fazer perante pessoas que têm características diferentes daquelas que esperaríamos encontrar. Nos dias de hoje, entender o outro, mesmo estando nos antípodas do que somos, é para lá de fundamental e, portanto, este livro é importantíssimo.

Por fim, foi no ano passado que dei oportunidade a um policial. Foi um dos livros do casal Kepler o  volume escolhido e a coisa correu tão bem que já tenho na prateleira todos os outros livros dos autores. Não costumo sentir-me cativada por este tipo de histórias, mas gostei deste. Li o Stalker e, confesso, andei ali uns dias a olhar por cima do ombro. Sinal de que a história foi suficientemente envolvente.

Em 2019 já li três livros. Propus-me a um objectivo inferior ao de 2018, até porque o meu trabalho agora também implica ler muito. Vamos ver se o cumpro. Para já, a ver se acabo o Bomarzo porque tem ficado para trás em relação a outros livros e muitas revistas.

Nem tudo é composto de mudança, ó Camões!

Depois de um 2018 tão atribulado, fiz hoje, finalmente, uma rápida passeata pelos blogues que costumava seguir com frequência. Cheguei a uma conclusão que me preocupa um bocadinho: fui a única que não mudou o layout do blogue, que já exibe o mesmo aspecto há sete anos (basicamente desde o dia em que foi criado). Conclusão: ou sou avessa à mudança ou sou uma grande preguiçosa. Voto por um mix das duas hipóteses. Acho que só de imaginar-me a pôr isto num virote para ficar com um ar mais modernito sobem-se-me os nervos e começo a hiperventilar. Por agora fica assim. Talvez daqui a mais sete anos me dê para uma mudançazita.