E portanto é isto. Para além de tudo o que já se atura, ainda temos estas falcatruas com as quais temos de saber lidar de forma "diplomática". Não chegam os filhos e vêm também os pais dar um ar da graça. Que profissão horrível!
quarta-feira, 26 de março de 2014
Desabafo cansado
Honestamente, quando verifico que existem pais que resolvem os trabalhos de casa pelos filhos e que nem se dão ao trabalho de disfarçar a letra para que os professores não saibam que não foram os alunos a realizá-los, só me apetece perguntar o que raio terão esses adultos na cabeça. Algum aluno é ajudado ou aprende mais se for a mãe ou o pai a fazer-lhe o trabalho? Pode ter melhor nota? Pode, se o professor não se aperceber da fraude, mas em que é que essa melhor nota é real e em que é que ajuda a criança? Em nada, está claro.
sábado, 22 de março de 2014
O risoto
Confesso que sempre achei que o risoto era daquelas receitas só possíveis às mãos dos génios da cozinha. Bom, não me considero um e hoje fiz risoto de cogumelos frescos e cenoura. E bem bom que ficou! Não quero ser convencida, mas... No ponto! Obaaaaa!
quinta-feira, 20 de março de 2014
Do famigerado Festival da Canção
O Festival da Canção já foi há uns dias, mas só agora recuperei do choque e por isso só agora falarei no assunto. Em primeiro lugar, importa dizer que para fazer tamanha caca, valia mais estar quieto e poupar o dinheirinho que um programa assim ainda custa. Para sair dali uma Susy que vai representar o país com uma música pimba e cuja letra não faz sentido, valia muito mais terem passado os serões que ocuparam com o festival a passar programas sobre tricô. Mas, enfim, lá vamos caindo no mesmo erro e lá vamos nós quais cordeirinhos para o matadouro da Eurovisão. Honestamente, aquela música não será pior do que outras que por lá aparecerão noutras línguas e de outros países, mas isso não abona nada em favor dela. Pelo contrário. Em vez de tentarmos ser melhores, conseguimos sempre ir piorando e piorando...
Quando soube de tudo isto, encontrei uma grande ironia nesta situação. Em Portugal, as músicas do Festival da Canção (e, depois, da Eurovisão) já significaram bastante, já tiveram significados ocultos quando nem tudo se podia dizer. Em tempos passados, tivemos Simone de Oliveira a cantar que "quem faz um filho fá-lo por gosto", escandalizando o portugalzinho de então. Uma das músicas cantadas no festival foi SENHA PARA A NOSSA REVOLUÇÃO. Muitos de nós nem sequer éramos nascidos quando algumas das melhores canções por lá passaram, mas conhecêmo-las e reconhecêmo-las com carinho porque fizeram sentido na altura em que nasceram e porque tinham força. Eram bem escritas, bem tocadas e queriam efectivamente dizer alguma coisa. Agora o que temos é alguém meio despido a dizer "quero ser tua como a lua é do luar" (sic). Imaginem só, mas imaginem mesmo que o 25 de Abril era amanhã e que a senha para o início da revolução era esta pérola... Cá para mim já nem avançavam os militares: limitar-se-iam a desligar os rádios.
A Menina Quer Isto XLVI
Oh my god, oh my god, oh my god!!! Vem aí o novo livro do João Tordo e ainda por cima numa editora de que gosto bastante! Estou em pulgas para ter este livro na minha estante, mas neste momento só ainda está em pré-venda. Parece que se o mandar vir pela Fnac Online, recebo ainda dois contos do mesmo autor. Estou tentada. Estou muito tentada...
segunda-feira, 17 de março de 2014
Dos amorzinhos
Hoje o senhor gatito foi ao veterinário para levar a última vacina do ano (agora só em Janeiro, amén!). Porém, começa a parecer-me que não posso ir a lado nenhum sem que este bicho me consuma uns valentes euros da carteira. Ora, além da consulta e da vacina (já nada baratas), tive de pagar uma bisnaga de uma coisa qualquer que ele deve tomar para evitar as bolas de pelo e, a cereja no topo do bolo, o coisito que podem ver na foto. E o que é aquilo? Uma espécie de pente para escovar o bicho e mandar desta para melhor o muito pelo morto que ele traz consigo. A veterinária passou com ele uma vez no lombo do bicho e convenceu-me. Já esperava que a coisa fosse cara, por isso lá foram mais uns valentes euros para evitar que o ar cá de casa fique empestado com pelo de gato.
Fico parva com tudo o que existe para animais e como muitas destas coisas se vendem porque os donos têm um medo que se pelam de ter animais infelizes ou que não se sentem bem. Acho que é uma questão psicológica, meio parecida com a que leva os pais a fazerem loucuras pelos filhos (com as devidas distâncias, claro). A verdade é que este gato tem tido tudo e teve uma sorte dos diabos por calhar com dois doidos que se apaixonaram por ele assim que souberam que existia. E, assim, amanhã lá vou eu tirar-lhe de cima mais umas gramas de pelo velho. Ai amor, amor, a quanto obrigas!...
domingo, 16 de março de 2014
Lendo...
... Isto.
E estou a gostar. Uma narrativa na primeira pessoa que começa com a personagem principal enquanto menino em casa da mãe com os irmãos e uma avó emprestada que os põe a todos em sentido. Quem já me conhece sabe que adoro este tipo de histórias que, contadas por um "eu" revelam aquilo que foi a vida de uma personagem desde o início até ao momento da escrita. Foi assim com David Copperfield, um dos cinco melhores livros que já li e que recomento bastante, e com Servidão Humana, de Somerset Maugham. No fundo, gosto de ver como as experiências da infância acabam por influenciar o resto da vida ou de, estando de fora, assistir à sucessão de acontecimentos que compõem uma existência. Por isso, este livro está a deixar-me satisfeita. A linguagem é simples, o narrador é directo e conta tudo como viu, sentiu e entendeu. Passa de umas experiências para as outras sem saltos abruptos, mas, simultaneamente, sem deixar de selecionar apenas aquilo que importa ao leitor e que lhe permite percebê-lo.
Depois, quando terminar, conto-vos como foi.
Nota: A capa saiu da página da Wook.
Quixotada caseirinha
Agora que tenho de ser eu a tratar da minha própria roupinha, de lavá-la, passá-la, dobrá-la e afins, excomungo a alma que ainda não se dignou a inventar uma máquina que, sozinha, trate destas tarefas todas. Púnhamos a roupinha lá para dentro e a dita lavava, secava, passava e dobrava tudo conforme manda a regra. Mas não: é tudo com muito trabalhinho e com o sacrifício de minutos preciosos de sossego. Cá em casa acontece que ele até tem muito mais jeito para passar a ferro do que eu e, portanto, de vez em quando lá faz o favor de passar umas coisinhas minhas. Eu lavo e estendo e ele vai passando. Ainda assim, seria bem melhor ter uma máquina que fizesse isto tudo. E agora alguém diz: "se arranjares uma empregada, ela faz isso tudo por ti". Pois. Mas não nado em dinheiro e o que ainda vou tendo gasto em livros e coisinhas boas. Por isso não me resta senão ir aguentando a tortura de ser parte activíssima no processo de recolocar a roupa lavadinha e pronta a usar nos armários. Apre!
sábado, 8 de março de 2014
Mudam-se os tempos, mudam-se as revistas
Há alguns anos comecei a comprar a revista Ler que saía todos os meses. De vez em quando lá falhava uma edição, ou porque a capa nada me dissesse ou porque (em tempos de estudante) nem sempre estava virada para dar cinco euros por uma revista sobre livros que, assim como assim, também não poderia comprar com a frequência que desejaria. Fosse como fosse, habituei-me a trazer para casa uma publicação que falava de livros e que me ensinou muito, mesmo muito, sobre tal mundo. Houve, também, muita coisa com a qual não concordei e, afirmo novamente, odiei a última mudança gráfica pela qual a revista passou. Ainda assim, era a 'minha' revista e eu gostava de a ter na mesa de cabeceira mês após mês.
Soube ontem que, devido a esta maldita crise a que não se vê o fim e que por entre tudo aquilo que já destruiu, foi dando um imenso arraial de porrada na cultura, esta publicação deixará de sair todos os meses para passar a ser trimestral. Assim, depois da edição deste mês, só voltaremos a cruzar-nos com um novo número da revista em Junho. Na prática, sairá um volume por estação do ano. Bela porra.
Enfim, dizem-nos os responsáveis que, para que os efeitos sejam mínimos, cada edição tornar-se-á maior (pergunto-me se mais cara, também...) e que nascerá uma página na internet dedicada à revista e às notícias do mundo editorial que vão surgindo e que mereçam destaque. Para mim não é o mesmo. Ainda que lesse a revista sempre algumas semanas depois de a ter comprado, era por ela que ia sabendo o que de novo apareceria nas prateleiras das livrarias. Comprei muitos livros por ter sabido deles através das páginas da Ler e, não raras vezes, procurei-os ainda antes de eles chegarem às lojas, só porque tomara conhecimento da sua existência através de artigos lidos. Agora tenho de esperar três meses por cada revista, crendo que muito terá de ficar para trás de modo a que três meses do mundo do livro possam caber em cada edição. É a crise e a falta de apaixonados pelos livros e pela leitura que levam a esta mudança. É triste, mas, afinal, é sempre assim que tudo tem sido. Agora já nem a revista Ler destoa.
segunda-feira, 3 de março de 2014
Lides
Hoje não trabalhei. Melhor dizendo: hoje não dei aulas, porque na verdade estive a trabalhar até agora e ainda me esperam onze testes para corrigir. Desde que fui simpaticamente acordada pelos senhores da Zon que andam há dias a querer apresentar-me o seu catita Zon 4i, que não posso ter por estar fidelizada (e ser fidelíssima) à minha rede de telemóvel (aquela que começa por um "v" e com a qual estou para lá de satisfeita), que não parei um minuto. A máquina da roupa já lavou três vezes, a louça de ontem e de hoje passou-me toda pelas unhas, o pó dos móveis desapareceu e o chão foi todo aspiradinho e passado a esfregona. Recebi visitas (mamãe e uma sobrinha que não sabe se há de adorar ou temer o meu gato) e, não contente, fechei-me na cozinha a fazer areias. Dobrei roupa, pus algumas peças brancas na lixívia, corrigi uns testes (mais logo haverá, pelos menos, mais cinco para ver), e esfreguei a casa de banho. Parei finalmente agora porque isto de fazer tudo e depois sossegar, já estou mesmo a ver como acaba: chego ao fim do dia e nem me sobra tempo para ler um bocadinho. Portanto, por agora, ficarei sentadinha a ler umas páginas e a descansar. Daqui a umas horas volto às lides. Que canseira!
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Feira do Livro: datas
E pronto: após anos de reclamações, a Feira do Livro de Lisboa voltará às datas de antigamente. Este ano realizar-se-á de 29 de Maio a 15 de Junho. Não me dará jeito nenhum, que andarei às voltas com os exames nacionais, mas enfim. As pessoas tanto pediram que a coisa vai mesmo voltar ao mês de Junho. Seja como for, tenciono pôr lá o meu pezinho e passar lá uns belos pares de horas. Aliás, acho que devia já começar a pôr uns trocos de parte porque não me vejo apenas a bater pernas por ali: vejo-me a sair de lá com bastantes sacos, como de costume, afinal...
sábado, 22 de fevereiro de 2014
Something something Kids
Faço uma pausa na correcção dos testes porque me lembrei de um assunto de que vos quero falar já há algum tempo, mas de que me vou esquecendo. Pois de agora não passa.
Há uma coisa que me enerva e que sempre me enervou, mas cuja tendência se tem acentuado nos últimos tempos e, por isso, agora calha bem falar nela. E que coisa é essa? Nada mais nada menos do que a adaptação de tudo quanto é programa de entretenimento para um formato «Kids». Não é de agora. Acho que a primeira adaptação de que me lembro foi o «Mini Chuva de Estrelas», algures no século passado. Depois o que foi aparecendo foram, sobretudo, programas originalmente dirigidos a crianças. Ora, de há uns anitos para cá a piada é outra: primeiro faz-se um programa de entretenimento com adultos e, quando ele acaba, faz-se uma versão «Kids». Foi assim com o «Masterchef Austrália», foi assim com o «A Tua Cara Não Me É Estranha», foi assim com o «Chef's Academy», e provavelmente com muitos outros de que não me lembro.
Acho que quem concebe estas «versões mirim» considera ser engraçado pôr as crianças a fazerem o mesmo que os adultos fazem. Aliás, é uma coisa que a sociedade adora: ver crianças a fazerem coisas normalmente feitas por adultos. Sabe-se lá por que motivos, há quem ache muita piada a ver miúdos de dez ou doze anos a preparar um pratinho gourmet com a desenvoltura de um chef consagrado. Ou então vê-los imitar cantores conhecidos, trajados a rigor e caracterizados de forma a assemelharem-se o mais possível à personalidade imitada. O problema é que depois abrem a boca e sai o que seria de esperar: vozes infantis. Louva-se a coragem e o esforço, mas a coisa não foge muito à caricatura.
Quanto a vocês não sei, mas eu detesto este tipo de adaptações. Acho ridículo que se façam versões «Kids» de programas outrora feitos com adultos. Considero importante que se faça televisão a pensar nas crianças, mas isso não tem de ser obrigatoriamente a pô-las a cozinhar marisco ou afins. Parece-me que as pessoas adoram ver os miúdos a fazer coisas de adultos, como se fossem muito precoces, porém assusta-me que as pessoas já não gostem assim tanto de as ver a fazer aquilo que seria próprio da sua idade. Por mim, cada vez que me cruzar com um programa deste tipo, será certinho que o canal mudará rapidamente. Não tenho paciência e, pior ainda, revolvem-me o estômago tais programas. Mas, enfim, cada um sabe de si e não será certamente o meu zapping aquilo que abalará as audiências que alguns destes programas têm. São gostos...
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
A adolescente malcriada
Sim, ando fugida. E tenho todos os dias tantas coisas para vir aqui contar, mas depois sofro de falta de tempo, uma condição extremamente enervante, mas inevitável em época de avaliações.
Na sexta-feira assisti a uma cena extraordinária. Duas jovenzinhas ali pelos dezasseis anos têm um histérico ataque de riso e, por entre gargalhadas, iam repetindo qualquer coisa como «esarguete com bipana». Apercebi-me pouco depois de que a risada se devia a uma mensagem recebida com este mesmo texto. As duas meninas riam a bom rir, soltando uma delas uns «grande otária» e outras pérolas de tal nível. Por acaso, ao ouvir aquilo, lembro-me de até pensado «coitada da amiga que lhe mandou aquilo: quando mandamos mensagens a alguém não sabemos a reacção de quem as recebe e, sem sabermos, podermos estar tranquilamente a ser gozados...». Mas, minha gente, o que eu pensei não interessa nada depois do que se seguiu. A menina que recebeu a mensagem e que dizia «otária, otária, é mesmo otária» decidiu ligar a quem lhe enviou a mensagem. Ora, de repente, todas as pessoas que se encontravam naquele espaço público e que assistiam à cena gelaram ao ouvir:
- Ó mãe, tu viste a mensagem que me mandaste?!
Sim, a «otária» era a mãe da menina. À pergunta por sms sobre o que seria o jantar naquela noite, a senhora enviou uma resposta com gralhas. É verdade que aos dezasseis anos tudo tem o condão de desengatar a marcha do riso, mas daí ao «otária» parece-me que vai um bom bocado. Enfim, a menina não teve quaisquer problemas em, ao telefone, chamar a mãe de burra, de analfabeta, de otária e outros brindes que tais, sempre no meio de gargalhadas e com a amiga a assistir (e o resto das pessoas todas que se encontravam por ali e de bocas escancaradas). A mãe acabou por desligar o telemóvel na cara da filha e a menina não se fica por ali. Diz para a amiga «Ganda vaca, desligou-me o telefone na cara!». Imaginem como estávamos todos os que, inevitavelmente, acabámos a assistir àquela demonstração de idiotice, foleirice e extrema má educação. Lá torna a parvinha a ligar à mãe para gozar mais um bocadinho com ela «Mãe, mãe, tens equilíbrio? Agarra-te à linha! Ah ah ah, esarguete com bipana... És mesmo analfabeta! Ao menos não sou analfabeta como tu. Que otária!».
Enfim, a cena foi neste tom até que, felizmente, deixei de partilhar o mesmo espaço com a criatura e, por isso, não sei dizer-vos como continuou. Mas ainda bem, porque estava a segurar-me para não chamar a menina e dizer-lhe «Minha querida, educação não lhe posso dar já que é, nitidamente, um caso perdido e um enorme desperdício de oxigénio, mas posso com pouco esforço mostrar-lhe que é capaz de coisinhas bem piores do que um 'esarguete com bipana' que pode muito bem ter sido resultado de uma mensagem escrita rapidamente num telemóvel. Agora, vamos até ali, faço-lhe um ditadinho ou duas ou três perguntinhas e vemos se é analfabeta ou não. E de caminho, partilhe comigo o número de telemóvel da sua mãezinha para eu lhe dizer que todos os desgraçados que assistiram ao seu excelente desempenho enquanto canastrona malcriada torcem bastante para que ela lhe rebente os dentes à porrada esta noite, com a 'bipana' ainda congelada de preferência.»
Pronto, já destilei a raiva. Agora digam-me se não vos apetece desfazer também a criaturinha?...
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
A Menina Sugere Isto n.° qualquer coisa
Estou totalmente fã da aplicação Go Comics. Encontrei-a por acaso há uns dias e desde então visito-a regularmente e em várias circunstâncias. E afinal para que serve, perguntam vocês? É uma aplicação, cujo nome indica, de "comics", ou seja, de bandas desenhadas. Depois de a descarregarem para o tablet ou para o telemóvel, registam-se e passam a aceder a uma infinidade de tiras de forma completamente gratuita. Até podem escolher os vossos "comics" favoritos e juntá-los de modo a não perderem muito tempo a procurar o que querem ler em cada ocasião. As tiras aparecem por dias, sendo por isso frequente que, aos Domingos, vos apareçam aquelas pranchas coloridas que, por exemplo Bill Watterson (de "Calvin & Hobbes") só publicava nesse dia da semana. Mas, atenção: isto de uma tira por dia não vos impede de ir ao calendário que aparece na aplicação e de andarem para trás o quanto quiserem, de modo a lerem o muito que já foi publicado.
Quanto à variedade, é imensa. "Calvin & Hobbes", "Peanuts", "Garfield", "Fox Trot" e muitas outras bandas desenhadas mais ou menos conhecidas estão disponíveis. É, no fundo, como andar com livros e livros de "comics" no bolso. E dá sempre jeito ter uma coisinha assim à mão. Eu, por exemplo, estou numa sala de espera e mal acabe esta quixotada, saltarei para umas tiras de "Peackles" ou, quem sabe, de "Fox Trot". Trago tudo no bolso: é só escolher.
sábado, 8 de fevereiro de 2014
Saramago na Porto Editora
Desde que me tenho por gente que recordo as capas "cor de casca de ovo" dos livros do Saramago na Caminho. Aquele tom e aquelas capas tão minimalistas já eram uma imagem de marca e a coisa resultava. Depois passaram para aquele amarelão, já na Leya, se não me engano, e nunca gostei muito. Acho que as capas anteriores resultavam melhor. E pronto: o que sei dizer sobre a presença de Saramago na Caminho, casamento longo e cheio de frutos, e depois já no centro de um grupo editorial poderosíssimo, acaba aqui.
Soubemos no final do mês passado que o nosso Nobel da literatura deixará a editora que o publicou durante mais de trinta euros e soubemos, depois, que a sua obra passará para outro grande grupo editorial: a Porto Editora.
A primeira coisa em que pensei quando soube que a Caminho, ou, se preferirem, a Leya, havia perdido o contrato com as herdeiras do Saramago foi: como raio consegue uma editora deixar escapar o José Saramago?! Custou-me a perceber porque, ainda que todos os autores mereçam ser bem tratados e que a sua obra seja disponibilizada da melhor forma, o Saramago é o escritor português que mais se destacou no final do século XX e que, por isso, recebeu o maior prémio literário que existe e o único Nobel para a literatura de língua portuguesa. Além disso, acredito que venda bastante, tendo em conta que tem uma obra sua (não tão barata assim) no programa da disciplina de Português. Enfim, mistérios.
Segundo um artigo da revista Sábado, o problema deveu-se a uma quebra nas vendas que deixou a Pilar preocupada. Perante esse facto, contactou a filha do escritor, Violante, e juntas decidiram procurar uma nova editora para a vasta obra do autor. A escolha caiu, então, sobre a Porto Editora e eu acho bem. Do pouco que percebo, acho que a chancela que acolhesse os livros de Saramago não podia ser pequena: pelo contrário. Neste momento, só uma pessoa muito curta de vistas não se apercebeu de que a Porto Editora já ultrapassou o domínio dos livros escolares para abranger o campo literário de forma muito coerente. Basta uma visita a uma feira do livro no Parque Eduardo VII para ser visível a diferença entre a Leya e a Porto Editora e o modo como esta última conseguiu colocar no seu catálogo uma série de autores portugueses e estrangeiros que interessam ao público leitor. Por exemplo, o catálogo de grande qualidade da Assírio & Alvim (pleno de poesia) faz parte da Porto Editora, assim como os muito bem feitos livros da Sextante ou os ainda melhores volumes da Quetzal, sempre com capas admiravelmente bonitas e bem cuidadas. Para outros gostos existem, ainda, volumes publicados pela Bertrand e pela própria Porto Editora com volumes mais cor-de-rosa ou até policiais.
Na Leya também existe muita variedade e há muitos grandes autores a serem publicados por editoras deste grupo editorial. Contudo, parece-me (e atenção que é a minha opinião e não um facto comprovado) que os preços são um pouco mais elevados e os descontos, por exemplo em feira, menores. Parece-me, ainda, julgando pelos pavilhões que a Leya, desde que existe, tem feito na Feira do Livro, que a ideia do que é um livro e de como pensam os leitores é muito diferende entre os dois grupos. Desde a primeira vez em que vi aquela praça fechada da Leya, pequena muitas vezes para a afluência que tem, que achei que a ideia por trás do que se quer do mercado livreiro estava tristemente a mudar. No ano que passou, também a Porto Editora fez a sua praça na Feira do Livro: mais ampla e parecida com o espírito que a feira sempre teve, diga-se, circulava-se forma agradável por entre os pavilhões. Gastei ali uns valentes euros.
Parece-me, portanto, que o Saramago fica bem entregue. Aliás, estou ansiosa por ver em que resultará este novo casamento. Parece que virá de lá um texto inédito do autor. Aguardemos com expectativa.
Nota: A Leya perdeu, ainda, o contrato com o Sousa Tavares e com o João Tordo. Tendo em conta as muitas editoras fantásticas que se juntaram ao grupo Leya (Teorema, Caminho, Dom Quixote...), seria bom que parassem e pensassem no que pode estar a acontecer. Os livros não são tijolos nem peças de roupa. Vender uns não é como vender outros. Mas isso sou eu que acho, que não percebo nada do assunto.
Por fim, acrescento apenas uma coisa: as pequenas editoras também merecem não uma, mas muitas palavras de apreço por conseguirem manter-se à tona no meio destas batalhas entre titãs. Temos pequenas editoras fenomenais, com catálogos espantosos, capazes de fazer livros lindíssimos e muito cuidados. Temos uma Cavalo de Ferro que me deixa à beira da pobreza todos os anos, uma Aletheia, uma Antígona, uma Relógio D'Água que deixa loucos os amantes de boa literatura, uma Cotovia que acaba o que a Relógio D'Água começou. Enfim, temos ainda muito por onde escolher no que aos livros diz respeito. Vale a pena aproveitar e ler, ler muito.
A Menina Quer Isto XLV
A menina ontem entrou na Fnac e, se já tinha um amor desejado, agora tem dois, como o Marco Paulo. Portanto, se já queria as memórias de Joaquim Paço D'Arcos, continuará a querer porque os quarenta e três euros pedidos por aquele pomposo e apetitoso volume estão, por estes dias, fora de questão. Até eu acho obsceno pedir tanto dinheiro por um livro como aquele. Não digo que não tenha qualidade para isso, digo apenas que, ainda que seja um livro extenso e de capa dura, parece-me que nos dias que correm pedir mais de quatro dezenas de euros pelas memórias de um escritor é meio caminho andado para vender apenas um exemplar (o do do Professor Marcelo Rebelo de Sousa, bem entendido). Num país onde se lê pouco e onde não se compram muitos livros, o preço torna-se importante. Gosto de acreditar que as editoras sabem colocar preços em livros, porém não é raro acreditar que ficam loucas na hora de apreçar um livro novo que até pode ter alguma procura. Quarenta e três euros pelo livro que tive ontem na mão é muito dinheiro. Já paguei muito menos por edições ilustradas e de luxo do Quixote. Parece-me, sobretudo, um preço desadequado tendo em conta os muitos livros que, não sendo as memórias do Joaquim Paço D'Arcos, com elas podem concorrer junto dos leitores. Gostava, todavia, de saber como correrão as vendas deste dispendioso volume à Guimarães Editora. Estarei, também, atenta para ver que rumo tomará o preço do livro. Adorava vê-lo na estante cá de casa, mas por tanto dinheiro não.
Ora, nesse mesmo passeio à Fnac, cruzei-me com a Antologia Poética de Miguel Torga e pensei "Pronto, já me tramei: a menina também quer isto.". E quer! Mas talvez aguarde pela Feira do Livro (embora, a julgar pela chancela que a publica, não me pareça que o preço vá baixar por aí além...). Enfim, resta-me esperar para ver o que acontece e se estes dois se mudam cá para casa em 2014 sem que eu abra falência. Deixo-vos as capas, saídas, como sempre, da página da Wook.
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