terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Os nove milhões

Portanto, a ver se eu entendo: há quem ache que dar menos bolsas de doutoramento e de pós-doutoramento faz sentido, mas que gastar nove milhões de euros num referendo que podia perfeitamente não existir se quem nos representa decidisse de uma vez a questão é muitíssimo pertinente e algo a considerar. Portanto, para o desenvolvimento das ciências e das humanidades (sobretudo para essas) o dinheiro não chega e não tem de chegar, mas para se fazer uma ramboia que mais não é do que empurrar um assunto sério com a barriga o dinheiro já sobra?
 
Minha gente, tomai juízo e arranjem coragem para dizer «sim» à adopção e à co-adopção homossexual. Deixem-se de coisas: podem perguntar ao país e rezar para que o «não» vença, até porque, num país conservador como o nosso, isso é o mais provável; mas o ideal era que pensassem nas crianças e vissem que entre não ter família nenhuma e ter pais homossexuais, a questão nem se coloca. Evitem gastar desnecessariamente nove milhões só para não serem vocês a decidir uma coisa que vos custa a decidir. O dinheiro faz muita falta num país onde a manta já está tão curta que não tapa nem a cabeça nem os pés. Poupem o nosso dinheiro e percebam que as famílias de hoje já não são as de há cem anos, mas que isso nada tem de mal. Ou então, façam o referendo aos miúdos institucionalizados ou aos que vêem a possibilidade de perderem um dos pais por inexistência de co-adopção homossexual: tenho a certeza de que os principais interessados nos elucidariam muitíssimo bem.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Monsieur le chat: primeiro balanço

Amanhã o gatito comemora o seu primeiro mês cá em casa. Fui buscá-lo no dia dezanove de Dezembro e foi uma espécie de presente de Natal para nós. No mesmo dia tive de lhe comprar o enxoval todo e, quando parei para fazer as contas à coisa, fiquei meio tonta.
 
No entanto, ele lá veio. Metido no seu saquinho de viagem, sobrava saco para tão pouco gato. Miou o caminho todo e cheguei a ter pena do taxista que nos fez atravessar Lisboa no meio de chuva e de um trânsito para lá de caótico. O outro dono desesperava num jantar de Natal que nunca mais terminava e que não o deixava vir conhecer o novo amigo. À chegada a casa, o bichano, que mais não era do que um tufinho de pelo meio longo e espetadinho, entendeu que o melhor em casa estranha era seguir para todo o lado a única coisa que se mexesse: eu. Fiz-lhe a cama num cesto de pão sem uso (não lhe encontrara melhor cama nesse dia), com uma mantinha enrolada e por lá adormeceu no meu colo. Contrariamente ao que esperava, não chorou durante a noite. Habituou-se muito depressa a tudo e em cinco minutos a casa já era toda dele. Não teve nome durante uns dois dias porque não conseguíamos chegar a acordo. Enfim, lá decidimos, mas ele continua a não querer saber do nome que tem para nada.
 
Começou logo a comer e a ir à areia. Não foi preciso ensinar-lhe nada, contudo ainda hoje lhe custa a dormir sozinho noutra divisão. Connosco é que não pode dormir, pois esta bola de pelo comprido não sabe o que é estender-se aos pés da cama: é em cima de pescoços e peitos que ele se sente bem. Na realidade, é em cima do meu peito que dorme agora, enquanto escrevo deitada esta quixotada.
 
Descobriu hoje que adora ser escovado, o que me deixa muito contente, já que terá de ser escovado muitíssimas vezes devido ao pelo longo que tem. De raça Bosques da Noruega, este bicho é um pequeno «cão» que nos segue para todo o lado e que quer que estejamos sempre a tocar-lhe ou a brincar com ele. É tão cão que até apanha e traz os brinquedos que atiramos depois de ele no-los deixar aos pés, pedindo brincadeira.
 
Enfim, num mês já engordou e cresceu bastante. Aliás, tanto que noto a diferença de dia para dia. Esta semana cresceu-lhe mais pelo nas orelhas e começa já a notar-se algum pelo mais comprido no meio do de bebé. Quando entramos em casa, ele está no tapete da entrada pronto para deitar-se de barriga para o ar em jeito de boas vindas. Só faz isso com os donos, ainda que se dê bem com outras pessoas. Barriguinha mesmo, só para quem o atura todos os dias. Sim, porque este pequeno louco morde, arranha, salta, corre, atropela e trepa para onde não deve, mesmo que lhe digamos «Não» sete mil e oitocentas vezes por dia. Deixa-me louca quando entra em divisões onde não deve e de onde só sai com o som de um guizo. Põe-me à beira de um ataque de nervos quando arranha alguma coisa ou quando sobe para cima da mesa da sala ou da cozinha (estejamos ou não a comer...). No entanto, passado um mês, descobri que sou muito mais feliz com este peludo. Os três fazemos uma excelente equipa. É muito relaxante tê-lo no colo e escová-lo ou, simplesmente, coçar-lhe as orelhas até começar a fazer-se ouvir o «purr purr» de um gatinho feliz. Um mês de convivência depois, acho que esta casa está muito mais completa com este novo habitante. Nós gostamos muito dele e, pelo purr purr que vou ouvindo agora, acho que ele também gosta muito de nós.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Abusos

Há alguns dias resolvi colocar no meu Facebook uma fotografia do meu gatito, que tem dois meses e meio. Tirei-lhe uma foto, escrevi uma mensagem e publiquei-a no meu mural. Recebi «gostos», «comentários» e até aí tudo bem. Porém, no dia seguinte, verifiquei que outra pessoa, numa daquelas ocasiões que alguns adoram e em que põem fotos de animais fofinhos nos seus murais acompanhadas de um smile, publicou a foto do meu gato sem qualquer referência a mim. Essa pessoa estava na minha lista de amigos, embora não nos conhecêssemos directamente. Adicionei-o por alturas do Farmville, quando ter «vizinhos» que jogassem aquilo ajudava a progredir no jogo. Além disso, era sugestão de alguém que conhecia e, parva, passei a tê-lo como amigo no Facebook.
 
Ora, como ia dizendo, essa figura tende a colocar muitas fotografias de animais catitas no Facebook, mas, sinceramente, nunca me ocorreu pensar muito sobre o modo como obtinha as imagens. Pois, agora já sei como o faz. A foto que eu publicara no dia anterior apareceu, parecia que do nada, no mural dele, acompanhada do referido smile, mas sem qualquer referência ao local de onde havia saído ou mesmo um pedido para o uso da foto.
 
Perante aquilo que me pareceu logo um abuso, resolvi fazer um comentário inocente, a ver se a pessoa percebia que estava a esticar demasiado a corda. Disse então «Olha o meu gato!». E sabem o que me respondeu a pessoa em questão? Num tom de graça, qualquer coisa como «Prova-o.». O meu pensamento imediato foi «Quer dizer, rapinas a foto e ainda tenho de o provar. Queres mais fotos, é?», mas respondi qualquer coisa como «Publiquei essa foto no meu mural ontem, está lá.». E o tipo diz-me que isso não quer dizer nada, que ele também já tinha a foto no dele e que também podia dizer que o gato lhe pertencia. Resolvi terminar a conversa dizendo «Pois, mas esse é o meu gato no meu sofá da sala.». De seguida, bloqueei-o no meu Facebook.
 
Detesto abusos, embora perceba que a culpa foi minha. Na altura em que aceitei aquela pessoa, não queria o Facebook para mais nada que não o jogo. Depois, passados muitos meses, mudei o meu nome, coloquei algumas fotos e comecei a torná-lo mais pessoal. Nesse momento devia ter eliminado quem não conhecia verdadeiramente, mas fui deixando ficar. Também é verdade que é apenas a foto de um gato, mas não é isso o que me enerva: é o abuso que constitui esta atitude. Aquela pessoa viu uma foto que se enquadrava no que gosta de publicar, surripiou-a e publicou-a novamente como se esta tivesse vindo do nada. Até podia ter partilhado a minha publicação que eu não me importaria, contudo preferiu apropriar-se de uma imagem minha e usá-la como se tivesse pura e simplesmente aparecido sabe-se lá de onde. E, pior, depois de um comentário meu, preferiu argumentar que eu é que podia estar a inventar dizendo que o gato era meu. Brincadeira ou não, meteu nojo e foi o suficiente para lembrar-me de que não conheço aquela pessoa de lado nenhum.
 
O gato está bem e recomenda-se, dormindo aninhadinho no meu colo. A pessoa em causa sumiu do meu Facebook e espero que o perceba rapidamente. Isto, por seu lado, fez-me pensar noutra coisa: se numa rede social se apropriam da foto de um gatito, o que não farão com outras fotos, mesmo as de crianças que os pais colocam nos seus murais por orgulho e sem maldade? Uma coisa é certa: tão cedo não aparecerá outra foto daquelas no meu Facebook. Geralmente não coloco fotos minhas e agora já nem do gato. Vivemos mesmo num «mundo cão»...

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

As estimativas

Desde que me mudei, recebi duas contas da luz e ambas geraram longas conversas telefónicas com o serviço de Apoio ao Cliente da empresa. E porquê?
 
Quando chegou a primeira conta, que abrangia o primeiro mês de vida cá em casa e, assim, uma série de dias em que ainda não nos tínhamos mudado definitivamente, mas em que já por cá passávamos umas horas, tive um ataque cardíaco. A conta rondava os sessenta euros e explicava-me que havia consumido mais de duzentos kWh. Depois do choque inicial, fui até ao contador e percebi que havia gasto uns míseros cinquenta kWh. Liguei para lá, pedi a correção da factura e, na volta do correio, a queridinha baixou para menos de metade.
 
Há uns três dias chegou nova factura e lá tenho eu nova conta a bater nos cinquenta euros e a estimar-me um gasto de mais de duzentos e vinte kWh. Regresso ao contador e verifico que, na realidade, consumi novamente cinquenta e poucos kWh. Nova chamada para a empresa e nova correção da factura. A conversa foi, diga-se, surreal e incluiu-me a garantir à senhora que passaria a deixar as luzes todas ligadas de modo a justificar os consumos astronómicos que me atribuem todos os meses. Agora estou a aguardar a factura corrigida para ver o que vem de lá. Prometida está uma chamada semanal para dar as minhas contagens de modo a evitar as estimativas absurdas que de lá têm vindo.
 
A empresa explicou-me que o problema deve-se à potência contratada que, não sendo pouca, faz com que as estimativas sejam elevadas. A mim não deixa de fazer-me confusão que a estimativa seja o quádruplo daquilo que consumo efectivamente. Que fosse um pouco mais alta do que aquilo que gastamos, até percebia, mas quatro vezes mais parece-me realmente absurdo. Mais: não dei a contagem nesta segunda vez porque a funcionária que me cancelou a primeira factura disse que, estando eu a ligar ao dia onze de Dezembro, a melhor altura para dar a próxima contagem seria um mês depois. Estava eu à espera do dia onze e pimba: vem de lá uma segunda factura igualmente má. Agora estou expectante para saber em quanto tentarão roubar-me no próximo mês. Sim, porque acredito que muita gente pague as facturas sem ir ao contador para ver se está a pagar o que efectivamente consumiu. E então com os débitos directos deve ser uma verdadeira animação.
 
Estou, portanto, deliciada com estas estimativas e com este modo de cobrar sem saber quanto a pessoa gastou ao certo. Surgiu-me a ideia de pedir o meu salário por estimativa, mas tenho quase a certeza de que com a sorte que tenho vinha de lá um ordenado equivalente a um sexto do que ganho agora.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Do degredo

Sobre a canção do Canuco com a Bernardina, uma ex-concorrente da Casa dos Segredos, só me ocorre dizer o seguinte: se quando saem cá para fora é isto que fazem, por favor deixem-nas ficar eternamente lá dentro.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Mais livrinhos

Com o vale que recebi no Natal e com mais uns pozinhos, trouxe um saquinho bem composto da Fnac. Já não me lembrava de trazer tanta coisinha boa comigo e soube-me pela vida, já que nos últimos tempos só pago contas e comida. Ora, cá ficam as minhas novidadezitas. Que bem que me vão saber.

 
 
 
 
 
 

domingo, 5 de janeiro de 2014

Feliz ano novo agora no blogue certo

(Por lapso, esta quixotada foi publicada no meu outro blogue e só hoje dei conta do erro. Enfim, as pessoas que compram os meus livros usados devem ter adorado...)

E eis que chegámos ao novo ano. Claro que isso já aconteceu há três dias, porém ando com uma preguiça tão grande que passo os dias a pensar "Tenho de ir ali escrever uma quixotada", mas depois deito-me no sofá e por lá fico em modo jibóia. Apesar disso, parece-me que ainda não é tarde para desejar-vos um feliz ano de 2014, cheio de tudo aquilo que vale a pena.

A primeira palavra que disse este ano foi "Acabou!". Se é verdade que muito mudou para mim em 2013, também devo dizer que nem tudo mudou para melhor. Comecei o ano a perder a minha avó e isso marcará para sempre o ano que terminou. Em suma, embora tenha conseguido realizar um sonho, 2013 ficará como sendo o ano em que a minha família perdeu uma referência, alguém que era, no fundo, a cola que ainda nos ia unindo a todos. A casa da avó já não é a casa da avó, ainda que custe a crer que ela já lá não esteja e já lá não volte. Já não se telefona à avó aos domingos e, acreditem, isso foi o que mais confusão me fez ao longo do ano. Costumava perguntar à minha mãe: "Já ligaste à avó?". Quantas vezes me segurei quando ia dizê-lo por lembrar-me repentinamente de que essa pergunta já não fazia sentido. E na véspera de Natal o meu pai, que percebe muito de telemóveis, pediu-me para apagar da agenda dele uma boa meia dúzia de números de que já não precisava. Ora, um deles era precisamente o da minha avó. Portanto ali estava eu, exactamente um ano depois de a ter ouvido pela última vez (quando me disse que só queria voltar a ter saúde e mais nada) a apagar o número dela porque, do outro lado, já ninguém atenderia. A avó Céu ficou em 2013 porque assim teve de ser. Ou porque adoeceu e porque, como de costume neste país, levou um ano ou mais até que começasse a ser tratada. Vou perguntar-me sempre se teria sido diferente caso a saúde funcionasse melhor e não tratasse os nossos idosos doentes como escumalha que não vale a pena tratar. Mas de que me vale isso? A minha avó ficou em 2013 e deixou de dar despesa ao país. Melhor ainda: depois de ela falecer, apareceu uma conta de IRS para ela pagar. Enfim... 

Por tudo isto, fico contente por já não estar em 2013. Não sei se acredito que 2014 vá ser melhor, mais simples ou mais fácil. Aliás, tenho medo do que aí possa vir. Contudo, resta-me esperar para ver, sabendo que uma parte da minha vida ficou no ano passado: perdi uma avó e deixei a casa dos meus pais. Mudou muita coisa e eu aqui estou, sem grandes expectativas, mas desejando um ano melhor e inequivocamente mais feliz. 

Bom ano novo, malta!

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Feliz Natal, quixoteiros!

E lá chegou, finalmente, a véspera de Natal. O dia de hoje é um dia especial, passado com todos os que estão sempre connosco de verdade. É um dia em que comemos e bebemos como mulas e em que estes exageros são permitidos. Hoje trocamos os presentes laboriosamente (ou não) pensados para cada um daqueles que nos são queridos. Hoje é, enfim, o arrancar de um conjunto de dias festivos que nos aquecem por dentro. 

Por tudo isto, desejo-vos um feliz Natal. O blogue "As Minhas Quixotadas" espera que os seus leitores passem este dia da melhor maneira e que sejam muito felizes junto das suas famílias e da paparoca boa. 

Beijinhos.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Um dia enjoativo

E eis que tendo tido o dia 23 e, portanto, a possibilidade de o passar em casa com o gato no colo, acabo por passar a madrugada enjoadíssima e a manhã a vomitar. O desgraçado do gato já teve de sair de cima de mim uma série de vezes para eu poder correr para a casa de banho ou para abrir a porta à minha mãe que, simpaticamente, me trouxe uns comprimidos para o estômago. Muito a propósito, também, já vieram contar a água e, minutos antes de o homem me entrar em casa, vomitei-me toda outra vez. Pelo andar da carruagem, neste Natal contrario a tendência e emagreço em vez de engordar.

Entretanto, o gato dorme meio ofendido pelas súbitas interrupções ao seu sono de crescimento (e o que ele cresceu em três dias?!). Neste momento tem o focinhito enfiado na manga do meu roupão e ronrona. Está melhor ele do que eu. 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

O gatinho

Quase um mês depois da mudança, eis que chega o bichano. Ainda não tem nome, mas já me convenceu. Parece um cão a andar sempre atrás de mim aos pulinhos. Mal o pus no chão, espreitou a casa toda de uma forma muito altiva (com o seu quê de atabalhoamento). Agora dorme no cestinho que lhe arranjei e que pus ao meu colo.

Quero ter um cão, até porque gosto mais de cães, mas já gosto desta bola de pelo que ronrona que nem um doido.


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O pequeno milionário

Um aluno meu, com uns jovens dez aninhos, levou cem euros para uma visita de estudo (para a qual não precisaria de qualquer dinheiro). Dizia que eram para comprar "umas lembranças". Além do choque que tal coisa provoca e de mostrar que muitos meninos não têm, assim como os pais, qualquer noção do valor dinheiro, a situação foi risível por percebermos que, provavelmente, o menino tinha com ele mais dinheiro do que os muitos professores e auxiliares que o acompanhavam todos juntos...

domingo, 8 de dezembro de 2013

O velório mundial

Aos domingos de manhã costumo ver o programa "Eixo do Mal", que passa na Sic Notícias aos sábados à noite. Na última edição do programa, um dos participantes (Luís Pedro Nunes) disse, partindo do tema do falecimento de Nelson Mandela, que é incrível como uma rede social como o Facebook se transformou num enorme velório onde se sucedem os "RIP" de cada vez que alguém morre. Disse ainda que esta é uma prática que tem vindo a intensificar-se e que leva a uma espécie de ostracização daqueles que não participam nessa enorme manifestação de pesar a nível global.

Percebi perfeitamente o que quis dizer, na medida em que eu própria já o comentei outras vezes. Quando morre alguém conhecido (e nem precisa de ser tão conhecido como Mandela), há a tendência de se embarcar na onda de pesar e de espanto (frequentemente é mesmo isso) que subitamente surge. Vejo no Facebook muitos e muitos tributos, quase que em competição e, não raras vezes, apetece-me perguntar a alguns dos que entram neste campeonato: conheceste a vida desta pessoa? Sabes o que fez e como o fez? Sabes mais do que o seu nome próprio e o facto de ser sobejamente conhecido? Aposto que na maioria das vezes a resposta a estas perguntas seria mesmo um não, ainda assim lá fica o RIPzinho a assinalar uma pena que vem não sei de onde e dói não sei porquê, como dizia Camões.

É um fenómeno interessante, mas vazio, na minha opinião. Em tempos pré-facebookianos as personagens históricas, os actores, os cantores morriam e sabia-se disso. Tínhamos pena, mas não íamos ao jornal deixar uma mensagem de pesar. Hoje em dia as palavras voam mais longe, mas perdem importância e sentido. Mandela foi uma figura decisiva na história do século XX, mas quantos poderão, efectivamente, ir além deste facto? Provavelmente muitos menos do que os que se manifestaram nas redes sociais.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Prenditas

Bem sei que já passou quase um mês, mas o aniversário foi bonito. Já cantam os vinte e oito aninhos e foi muito bom passa-los com o namorado e a família, naquele que foi o último aniversário celebrado no ninho paterno. Note-se, contudo, que o bolo foi partido e devorado (se era bom, senhores!!!) já cá em casa, servindo, assim, de mini-inauguração da mesma.

Mas o tema são as prendas e é para lá que vamos. Como não deixei de ser rato de biblioteca, recebi quatro belos livrinhos: os primeiros que vieram morar cá para casa e que, diga-se, mudaram-se ainda antes de mim. Depois destes chegou o batalhão que ele tinha em casa dele e que eu tinha na minha e permitam-me dizer que por breves momentos, enquanto os acartava e arrumava, odiei o facto de ter tantos livros e desejei que o blogue «Moinho de Vento - Livros Usados» fosse uma espécie de Amazon, a movimentar livros à grande e à francesa. Porém, depois de passar a dor nas costas, passou-me também esta raiva temporária. Ainda restam uns dissidentes perdidos pelo chão e nos quais ainda não peguei por ter a certeza de que não caberão nas poucas clareiras que tenho nas seis estantes que comprámos... Um dia destes dedico-me a isso: por ora falta-me a coragem.

Aqui ficam, então, as capas dos livros que recebi. Gosto muito, muito. Obrigada a todos os que estiveram comigo nesse dia. São os melhores.

 
 
 
 
Notinha: As imagens saíram, como se vê, da página da Wook.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A árvore

A foto está um nojo e a árvore parece torta (culpa da fotógrafa), mas o que importa mesmo é que o espírito natalício chegou. Venham agora os presentes e os doces que cá estarei para os receber. Ho ho ho!

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Quixotadas curtas II

Pois que tenho estado mesmo desaparecida. O último mês foi uma loucura com as mudanças, com todos os caixotes e com tudo o que de novo tive de aprender. Enquanto mudava a vida de umas paredes para as outras, continuei sempre a trabalhar e, por isso, não tive tempo de vir até cá dar-vos notícias. Por isso deixo hoje mais umas quixotadas curtinhas, em jeito de redenção. Ora cá vão:

- Depois de comprarmos a máquina de lavar, recebemos um telefonema da assistência técnica da máquina a dizer que viria cá alguém para explicar-nos o funcionamento da bichinha. Na altura não percebemos muito de onde tinha vindo o telefonema, se da loja onde fizemos a compra ou da marca da máquina, mas pensámos quando a senhora viesse perceberíamos. A senhora lá veio, explicou tudo muito bem, deu dicas, foi fenomenal. Mas não trazia nem identificação da marca, nem da loja. Não percebi de onde ela veio. Estou desconfiada de que era um anjo do Senhor.

- Hoje ouvi uma criança dizer à mãe: "O teu cabelo está nojento, credo!". Isto foi em pleno autocarro. Acho que tive de me segurar para não ser eu a dizer umas verdades ao menino.

- Apaixonei-me pela Tefal ActiFry. Isto de ter batatas fritas só com uma colher de óleo é espectacular. Estou muito satisfeita com ela. Abriu-me todo um mundo de batatas fritas. Alegria!

- Os sacos e caixotes têm o dom da multiplicação. Mal acabei de arrumar um, aparece-me logo outro se, saber onde raio vou enfiar mais tralha. O espaço até é muito, mas saber arrumar tudo não é fácil. Ai o que eu dava para estalar os dedinhos e já estar tudo no devido sítio...

- Fiz alergia a um detergente da louça. Eu sempre disse que não nasci para lavar pratos.

- A árvore de Natal também não se monta sozinha. God!