Ando completamente louca! Desde meados de Setembro, portanto há um mês, que o meu cabelo cai, cai, cai, cai e cai. É desesperante! Todos os anos chega o Outono e pumba: transformo-me em árvore e vejo as minhas douradas folhinhas ficarem caídas no chão, na roupa, na banheira, pelas mangas abaixo, na almofada... Eu encontro cabelos meus caídos em todo o lado e a todas as horas do dia, estando já a ficar louca com isso! Bem sei que é normal, que é da época, que somos todos um bocado arraçados de árvores, mas não deixo de rosnar de cada vez que encontro um amiguinho capilar à solta em algum lado. Enfim... Vejamos quando me acaba a queda da folha.
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
domingo, 13 de outubro de 2013
É ou não é lindo?
É ou não é lindo o meu novo Quixote? É uma edição francesa de 1909, em muito bom estado e alindada com a ilustrações de Gustave Doré. Estou encantada com ela. Só não sei muito bem onde a vou arrumar...
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Parece que já aí vem... o Natal
Informo que, tal como de costume, a "Loja do Gato Preto" do Colombo antecipou-se e foi a primeira a encher as suas montras com artigos alusivos ao Natal. Há lá de tudo: árvores de Natal, enfeites, pais natal de todos os tamanhos e feitios, luzes e mais luzinhas. É sempre a primeira loja que vejo decorada desta maneira e todos os anos espero para ver quando é que dá início à sua época natalícia. Tenho a impressão de que é cada vez mais cedo... Realmente, ainda nem estamos a meio de Outubro. Mas vá: se quando baixa em nós o espírito natalício ficamos todos mais simpáticos, deixá-lo vir em forma de montra. Mal não faz.
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Meninos-polegares
Ai se vocês soubessem o que me enerva quando um aluno diz que não sabe se trouxe determinado livro porque foi a empregada que lhe fez a mala e não sabe o que ela pôs lá dentro. A sério? Cabe às empregadas encherem as mochilas dos meninos de acordo com as disciplinas que terão no dia seguinte? Não faria muito bem às crianças terem essa responsabilidade e serem elas a verem o horário e o que devem levar em cada um dos dias? E se um professor pedir um material específico para determinado dia, também cabe à empregada tratar disso? E já agora, as empregadas desta vida também já fazem os trabalhos de casa dos meninos? É que é só o que falta. Tenho a impressão de que com estas mudanças todas que levam as criancinhas a não terem de fazer nada, em breve os bebés começarão a nascer sem mãozinhas, só mesmo com os polegares necessários para jogarem nas consolas. Vamos no bom caminho, vamos...
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Quinze anos
Foi há precisamente quinze anos que Portugal recebeu a notícia de que José Saramago era o vencedor do Prémio Nobel da Literatura de 1998. Volvidos estes anos, perdemos a sua figura física, mas mantemos o orgulho e a sua obra. Acredito que os autores ficam na obra que escrevem e que assim se libertam, como dizia Camões, da «lei da morte». José Saramago, homem de raízes simples e de opiniões fortes, deixou a sua marca nas palavras que escreveu e que, tal como presente, ficaram cá para nós. Legou-nos as suas memórias, os seus sonhos e pensamentos. Saramago ofereceu-nos a maior flor do mundo em cada um dos seus livros: uma flor que cresce a cada página virada, a cada parágrafo volvido, a cada momento passado na companhia do muito que os seus livros têm para nos dizer. Passaram-se, pois, quinze anos e José Saramago já não se encontra entre nós, mas o orgulho pela obra magnífica que deixou, esse, não diminuiu. Pelo contrário: há quinze anos lia pouco e nunca um autor como este (embora tenha tentado, ainda muito jovem, ler a edição do Memorial do Convento que a minha irmã tinha cá por casa), todavia hoje este é, sem dúvida, o meu autor português favorito.
Quinze anos é muito tempo para qualquer um de nós, mas não para um escritor tão grande, tão bom e tão único quanto este. Saramago viveu, vive e viverá sempre nas suas palavras. O Nobel é motivo de orgulho e uma das razões pelas quais devemos recordá-lo sempre.
Precisa-se de gramática
Ontem acabei de ler o Expresso (vá lá, o desta semana: estou a melhorar capacidades) e deparei-me com um texto de José Cutileiro que me deixou aterrorizada. Não costumo reparar nos textos dele, mas o do jornal que saiu neste sábado era tão, digamos, "vistoso", que foi impossível não o ler e não pensar na importância de saber fazer frases curtas.
O texto, na página trinta e seis, falava sobre Marcella Hazan, uma senhora nascida em Itália, que fundou a Escola de Cozinha Italiana Clássica e que, infelizmente, faleceu este ano. O nome do espaço em que este texto se insere é adequado, «In Memoriam», ou seja, trata-se de um obituário.
Ora, que problema pode haver num singelo obituário? Apenas o facto de todo o primeiro parágrafo, que é enorme, ser constituído por apenas uma frase. Querem ver? Procurem perceber isto que aqui vou citar e que corresponde ao primeiro parágrafo deste texto. Tudo o que estiver entre parênteses rectos é fala minha.
«Marcella Hazan, nascida Polloni em Cesenatico, na Emília Romana, perto de Veneza, que morreu no passado domingo, 29 de Setembro, em sua casa num condomínio de Longboat Key, Florida, tendo ao seu lado o marido, Victor, judeu sefardita de família americana, nascido em Itália de onde voltara para Nova Iorque pouco depois de casar com Marcella para se ocupar do negócio de casacos e estolas de peles da família [fazia estolas com peles da família???], enquanto ela, que nunca cozinhara na vida, filha de gente burguesa com criadas em casa, licenciada e doutorada em ciências naturais e em biologia pela Universidade de Ferrara, horrorizada como o marido pela má qualidade gastronómica da comida americana desse tempo [ainda aí estão????] e como ele saudosa do que estavam habituados a comer em Itália (não seriam só saudades patrióticas pois, bem vistas as coisas, a italiana, a francesa e a chinesa são as três melhores cozinhas do mundo), já com bem mais de 40 anos metera-se a cozinhar em casa para os dois convencida pelo que ia fazendo e pelo entusiasmo do marido, começou a dar cursos a amigas no seu pequeno apartamento, a fama da sua arte espalhou-se, cursos maiores passaram a ser dados fora de casa no que chamou Escola de Cozinha Italiana Clássica fundada em 1989; juntamente com as suas receitas, o seu temperamento tornou-se objecto de conversas primeiro entre gulosos nova-iorquinos depois na sociedade em geral - escrevera uma carta ao mais reputado chefe italiano da altura na costa oriental dos Estados Unidos, dizendo-lhe que a receita dele de risotto estava completamente errada do princípio ao fim: para já, risotto fazia-se numa frigideira e não num tacho (o chefe italiano não esteve de acordo mas ficaram amigos, encontrando-se de vez em quando e tomando um Bourbon, álcool predilecto dela) - e, para tentar corrigir o que considerava tantos error frequentes de conceito e de prática culinários italianos, publicou em 1973, "O Livro de Cozinha Italiana Clássica", ajudada pelo marido que escrevia admiravelmente o inglês dos Estados Unidos (publicara ele próprio dois livros muito apreciados sobre vinhos italianos) o qual adaptado em 1980 ao inglês dos ingleses por Anna Del Conte (na língua inglesa, não se praticam, entre Londres e Washington, desconchavos como o acordo ortográfico luso-brasileiro; Oscar Wilde dizia que a Inglaterra e a América do Norte eram dois países separados por uma língua comum - e assim se vão governando) ganhou um prémio distintíssimo [já encontraram algum ponto final???]; seguiu-se-lhe, em 1978, "Mais Cozinha Italiana Clássica"; os dois foram reunidos num só volume em 1992 e, em 1997, "A Cozinha de Marcella" recebeu o prémio mais importante atribuído nos Estados Unidos a livros de cozinha internacional: The Julia Child Award for Best International Cookbook.»
Isto, minha gente, é o primeiro parágrafo e, melhor, a primeira frase do texto. Tem de tudo: desde extensão até parênteses com informação adicional. Consegue, na mesma frase, falar da senhora, do marido, do modo como começou a cozinhar, depois a escrever, depois a relacionar-se com chefes... É de mais. Não sei se este autor escreve sempre assim, mas eu, que acho que até sei ler, não consegui perceber nada do texto. Fiquei estupefacta com esta má divisão frásica, com a mistura de assuntos dentro do mesmo parágrafo e frase, com a intrincada rede que aqui se montou e que vai contra aquilo que, para mim, são as regras para se escrever bem. Não percebi nada e, sou honesta, a partir daqui desisti.
No pódio
Este Outono/Inverno subo ao pódio e saio medalhada. Fui a primeira cá de casa a constipar-me. Felizmente foi só isso: uma constipação e nada de gripes. Só nariz tapado e pouco mais. Mas foi o suficiente para me deixar mona e a carpir o facto de ter de me levantar cedo todos os dias. Bastaram três ou quatro dias de chuva, porém abafados, para isto. Agora estou para ver como sobreviverei ao Inverno, só por acaso a minha estação favorita...
domingo, 6 de outubro de 2013
As Coisas Que Ele Diz II
O meu moço, querendo chamar-me coisas fofas e ternurentas, vai ao extremo e aí ninguém o bate. Hoje, por exemplo, chamou-me "borra de anjo". Enfim, vamos acreditar que os anjos borram arco-íris ou afins...
sábado, 5 de outubro de 2013
Estes humanos são loucos
Hoje, ao assistir ao Jornal da Noite, fui brindada com duas notícias que só não me puseram a fazer as malas para mudar de planeta porque ainda não descobri um meio de transporte que estoure comigo daqui para fora.
Ora a primeira era gravíssima. Coisa para uma pessoa ficar doente com a vida, com a imbecilidade humana, com a crueldade de mentalidades retardadas e a precisar de uma reciclagem rápida. O caso foi este: uma mulher chinesa, grávida de seis meses, viu a porta de sua casa ser arrombada, sendo de seguida levada à força por um grupo de vinte pessoas que a deixaram num hospital onde foi obrigada a abortar e a assinar uma declaração em como ela e o marido haviam concordado com o procedimento. Chamar animais a estes tipos é pouco. Aquele casal está absolutamente desfeito e eu só consigo perguntar-me onde raio anda a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Andarão os chineses responsáveis por tais actos a limpar os rabos com ela?! E o resto do mundo, pelo menos a parte que não anda para aí contra a vontade dos pais a matar bebés que ainda nem nasceram, assiste de camarote a esta nojeira sem uma palavra que seja? Mas desde quando, em que mundo e por que raio podem vinte pessoas forçar a entrada na casa e no útero de alguém?! O país tem gente a mais? E é a matar quem não tem nada que ver com isso e a destruir a vida de um casal que devia ter o direito de ter os filhos que quisesse que isso se resolve?! Ora, não me lixem! Até gostaria de um dia conhecer a China, mas depois do que ouvi hoje, nem que me saísse o Euromilhões mais recheado de sempre iria gastar um cêntimo que fosse a um lugar que trata assim a sua gente.
A segunda notícia surgiu logo de seguida e era sobre um novo programa de televisão de um canal do Reino Unido. Num programa em directo vai acontecer o que, dizem, nunca antes se viu em televisão: um casal entrará numa caixa (uma espécie de cabaninha dentro do cenário) e manterá relações sexuais. Depois de feito o serviço, sairá para fora da caixa (é mesmo assim que lhe chamam) e conversará com um painel de convidados do qual farão parte psicólogos, sexólogos e outros quejandos. O conceito assenta, pelo que foi dito, na lógica de que só se pode falar de forma sincera e aberta sobre sexo depois de este ter acontecido, porque quanto mais tempo passa, mais vamos pensando e construindo imagens mentais que se afastam daquilo que verdadeiramente sentíamos imediatamente depois do final da relação sexual. Perceberam? Pois, nem eu. A mim parece-me que se elaborou uma explicação muito pomposa para o facto simples de alguém ter achado que era giro pôr um casal a papar-se durante um programa de televisão, enquanto um painel de pseudo-intelectuais atira umas baboseiras para o ar e o restante público se entrega à imaginação do que estará a acontecer dentro da caixa.
Quanto a mim, que não posso mudar de planeta embora continue a achar que não me dou nada bem com este, só me apraz dizer que o Obelix devia alterar a sua emblemática frase. Não são só os romanos que são loucos. A versão correcta é foneticamente parecida, mas muito mais precisa e reza assim: estes humanos são loucos!
Crochê
Acho que hoje iam decorrer várias iniciativas desportivas. Uma delas era uma maratona. Ai o que eu gostei de ver uma senhora no metro, acompanhada do marido, ambos trajados a rigor, ele impaciente por sair de lá e ela, com uma t-shirt a fazer publicidade à dita maratona e os óculos empoleirados na ponta do nariz, a fazer calmamente um «naperon» em crochê... Vamos acreditar que estava em estágio para a corrida.
Coisinha boa
Hoje, finalmente, chegou-me às mãos esta coisinha boa. Estou histérica para continuar a lê-lo (já que li todo o primeiro capítulo num folheto lançado pela editora, a Quetzal). O início é estupendo e, sendo o Vargas Llosa um escritor muitíssimo talentoso, o livro tem tudo para continuar bem e terminar ainda melhor. Por isso, logo que me veja livre do segundo volume de Os Pilares da Terra (que já parece uma praga na minha vida) e que termine o livro A Minha Pequena Livraria (que vou lendo no autocarro), lanço-me a este e descubro quem anda a ameaçar a personagem principal. Espero que lhe torçam o pescoço.
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Que mundo
O que aconteceu ao largo de Lampedusa é tão, mas tão triste que nem sei o que diga. É a miséria a somar-se a miséria, sendo doloroso ver como a vida humana vale tão pouco e pode ser tão dura. Estou com o Papa na definição do dia de ontem como o «dia de lágrimas»: é verdadeiramente triste ver a tentativa de fugir à miséria e de encontrar a liberdade terminarem com morte. Que mundo este!...
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Vai ser bonito
Ainda nem um mês de aulas passou e eu já me sinto como se me tivesse passado um autocarro turístico por cima. A minha voz já parece a de um menino na puberdade: ora rouca, ora normal, ora rouca, ora quase inexistente, ora normal. Já chego ao fim da última aula do dia com os pés a pedirem misericórdia. Espectacular! Por este andar chego ao final do ano com um andar novo e sem garganta. Vai ser bonito, vai...
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Eu tenho dois amores
Na realidade, no que aos livros diz respeito, e embora tenha um enoooorme coração para estes objectos, o meu grande amor é só um. Ponto. Apenas o grandioso Dom Quixote de la Mancha, um livro tão magnífico que só mesmo lendo se consegue perceber o quão valioso ele é. A minha colecção de edições do Quixote já vai longa, mas de tanto que se publica, dá sempre para acrescentar mais qualquer coisa. Desta vez foi uma adaptação ilustrada e em língua inglesa e uma novela gráfica em dois volumes, no mesmo idioma. Ambas as edições são extraordinárias e muito cuidadas em termos visuais. São os meus novos dois amores e são duas belas variantes do meu maior amor literário.
Mas ainda se lê?
Há uns dias, um menino entrou em choque ao analisar um gráfico sobre como um certo número de pessoas ocupava os tempos livres. Em determinado ponto do gráfico estava indicado que uma percentagem (não me recordo qual) de pessoas lia nos tempos livres. A criança não percebeu e exclamou:
- Mas as pessoas ainda lêem??!
Eu, que até sei como a leitura anda pelas ruas da amargura junto da população mais jovem, consegui arrepiar-me porque aquele menino tratou a leitura como uma actividade de outros tempos, não do século XXI e não de agora, mas de 1720 pelo menos. Expliquei-lhe que ainda havia quem, felizmente, largasse os jogos e pegasse em livros, mas o nó não se desfez e fui brindada com um:
- O meu pai não lê!
E é isto: o modelo não lê, logo o filho, que acha que nos pais está tudo o que precisa de saber (como é normal), encara os livros e a leitura como sendo algo que já não se pratica, que já não faz sentido numa altura em que ainda há tanto para fazer (e tantos jogos a serem lançados constantemente...).
Eu já conhecia a realidade, mas ouvi-la desta maneira, com um tom de surpresa por haver quem leia, assustou-me. O que será dos livros no futuro? E pior: como serão estes cérebros de amanhã?...
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