Conheci há algum tempo uma menina de dez anos que me tira do sério. Pequenina, muito franzina, sempre que fala fá-lo num fio de voz que mais parece uma lamúria. É tão fragil que chega a ser assustador. Mas o pior são os olhos. Os olhos, senhores! Sempre lacrimejantes, sempre prontos a desatar num pranto sem igual. É revoltante! Esta menina é filha única e a relação que os pais mantêm com ela assusta-me de morte. Sei que a mãe não se limita a deixá-la na escola: ela leva-a até ao cacifo e só sai quando já não pode mesmo manter-se dentro do edifício. No outro dia a menina esqueceu-se do boné em casa e desatou num pranto que a levava a repetir "vou ficar doente, vou ficar doente". O pai lá foi a casa para ir buscar o malfadado chapéu.
Sempre que esta criança, por qualquer motivo, se dirige a mim, parece-me que vem pronta a deixar um novo Tejo sair-lhe pelos olhos. Chora porque não gosta daquele pão, chora porque já está farta da sopa, chora porque não encontra o lápis, chora porque tem chichi (juro!!), chora porque não sabe onde deixou o casaco... Chora, chora, chora. Caramba!
É óbvio que acredito que haja muito da sua própria personalidade nestas atitudes, mas também ninguém me tira da cabeça que a redoma em que vive, com uns pais que a tratam como se ela fosse uma florzinha frágil a precisar dos cuidados de um batalhão de servos, faz com que ela seja o que aqui descrevi. É uma criança que tem tudo, mas que parece constantemente em sofrimento. Não é que assim esteja realmente, mas parece. Tenho receio de que no Inverno o vento a leve, ou que a chuva a encolha. Eu sei lá que receios tenho! Quando vejo aquela criança assusto-me pela fragilidade imensa que aparenta. Não consigo deixar de pensar que o amor que os pais lhe têm os cega para a realidade de que aquela criança precisa de mais espaço, de menos protecção em exagero, de mais autonomia e que não irá conseguir nada disso enquanto os pais não perceberem que assim não pode ser. Mas quanto sofrerá ela até lá?
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Faltava-me este
Da Maria Filomena Mónica faltava-me este. Pois veio hoje comigo. Não sei se é a melhor biografia de Eça de Queirós (acredito que haja por aí uns académicos com umas mais perfeitinhas), mas depois de ler a que escreveu sobre o rei D. Pedro V, resolvi experimentar conhecer melhor a vida de um grande autor português através das palavras desta socióloga.
É mais um livro da Quetzal. Depois de quase transferir o catálogo da Cavalo de Ferro para as prateleiras cá de casa, parece que nos últimos meses fiz o mesmo com os livros da Quetzal. É uma editora de que gosto bastante, tanto pelos autores que publica, quanto pelas capas e pelas edições cuidadas que faz. Deve dar gosto trabalhar numa editora assim. Pelo menos dá gosto apreciar o resultado do que por lá se faz.
Nota: A imagem saiu da página da Wook e o livro custa 19.90€. Pelo que folheei pareceu-me bom, mas depois conto-vos como foi.
M-E-D-O
Terei ouvido bem? O livro Sei Lá, da Margarida Rebelo Pinto, vai ser adaptado para cinema? A sério? Assim de repente lembro-me de trezentos e setenta e três autores cujos livros já deviam ter passado ao grande ecrã há muito, mas dos quais, injustamente, ninguém se lembra.
Tralálá, menos um filme para eu ver, tralálá...
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
As hormonas, essas más
Hoje, um aluno dos mais novos, em jeito muito sério, dizia a um colega de turma:
- E podes apanhar hormonas e hormonas é bué lixado...
Juro que até me encostei a uma parede para não cair para o lado de riso.
domingo, 15 de setembro de 2013
Ser original
Na semana passada fui a Óbidos com o meu moço. Sabia que agora aquela vila é considerada "literária" devido às várias livrarias que por lá abriram (uma delas numa antiga igreja). Gostei do que vi e pelo que sei nem cheguei a ver as livrarias todas.
Ora, a livraria Pedro e o Lobo (logo à entrada, depois de passarmos a muralha) é uma das que enriquecem Óbidos. É destinada ao público infantil e tem livros, jogos e brinquedos, sendo estes últimos as coisas mais fofinhas que já vi. Comprei lá um pequeno jogo que procura levar as crianças a utilizar a imaginação ao serviço da escrita e trouxe estes dois lápis de que gostei muito. E porquê? Pelas mensagens que trazem incluídas. Criar em vez de copiar é coisa que nem sempre é linear. Quem tem um blogue, por exemplo, sabe que muito facilmente poderá encontrar os conteúdos que criou noutros espaços, apropriados por alguém com uma terrível falta de imaginação. Mas não só: há quem copie livros, quem copie artigos científicos, quem copie teses... Quem copie de tudo, porque quem copia não tem limites nem escrúpulos.
Mas o que faz referência à cópia é apenas um. O outro procura, com uma frase muito simples, incentivar a escrita. Numa época de comunicações rápidas, do passa a palavra velozmente, o simples acto de parar e escrever vai-se perdendo. Vivemos tanta coisa todos os dias, somos feitos de tantas histórias por contar que um dia acabarão por morrer connosco sem que tenhamos tido a hipótese ou a vontade de as deixar para outros. Escrever pode libertar-nos um pouco da "lei da morte" de que falava Camões. Nem todos seremos Saramagos ou Pessoas (com p grande, claro), mas escrever faz bem e, independentemente do resultado, pode ajudar-nos a ver melhor por onde andamos e o que queremos.
Se forem a Óbidos, visitem as várias livrarias que por lá abriram. Creio que em breve serão onze. Visitem, também, a Pedro e o Lobo e deixem-se regressar à infância enquanto estiverem por lá.
Eureka!
Acabei de descobrir que o adaptador de corrente do iPhone e do iPad funcionam com o cabo de carregamento do Kindle, ou seja, acabou-se a seca de ter de ligar um computador propositadamente para carregar o senhor Kindle. Estou em êxtase!
Antes que considerem o Kindle uma grande estopada por só poder ser carregado numa porta USB, deixem-me explicar-vos que ele (pelo menos em 2010, quando mo ofereceram) trazia um adaptador para usar com o cabo. Contudo, este era adequado ao tipo de tomada usado no Reino Unido. Por isso cá nunca serviu. Hoje lembrei-me de experimentar com o adaptador do iPhone e, assim, tenho pela primeira vez em quase três anos o Kindle agarradinho a uma tomada. Oh alegria! Oh júbilo! Oh êxtase!
Bom domingo, caros quixoteiros!
Notinha: A imagem saiu daqui e corresponde aos adaptadores de corrente da Apple que se deram bem com o cabo do Kindle.
sábado, 14 de setembro de 2013
Feira da Ladra
Depois de passar semanas e semanas a ganir de saudades da Feira da Ladra, hoje foi, finalmente, dia de lá regressar. Fui comedida, que as férias foram há muito pouco tempo e as contas estão meio desequilibradas, mas trouxe de lá umas coisinhas. Trouxe, no que a livros velhos diz respeito, uma biografia das irmãs Brontë e uma da rainha Isabel I da Inglaterra. Trouxe ainda uma antologia de contos húngaros.
Quanto aos livros recentes, fui ainda mais contida. Por incrível que pareça nenhuma das novidades me encheu o olho e apenas comprei um livro que deixara ficar por lá na última visita, mas que me ficou entalado na memória. Foi o Gente do Passado, sobre o fim da aristocracia russa no século XX.
Depois, o meu moço, que é um amor por estas surpresas e por muito mais, ofereceu-me mais um livro de viagens. Desta feita, trouxe comigo o Sul, do Miguel Sousa Tavares. E fiquei hoje a saber que este livro faz parte das listas do PNL, por isso talvez ainda me dê muito jeito.
Hoje foi também (finalmente) dia de trazer para casa a edição de Setembro da revista Ler. Por ter mudado a sua imagem e por apresentar-se com uma cara nova pela primeira vez este mês, resolvi comprá-la em papel. Já a folheei e numa primeira olhadela parece-me mais tristonha, mais envelhecida. Vamos lá ver se esta opinião se mantém. Espero, pelo menos, que tenham desistido de partir textos ao meio, que era uma coisa que me deixava doente. Não tinha lógica partir uma entrevista em dois e mandar as últimas quatro ou cinco perguntas e respostas para o final da revista. Era, para mim, o único defeito que encontrava na revista.
Nota: As imagens dos dois livros saíram, como se vê, da página da Wook. A capa da revista Ler foi retirada daqui.
Fã da maçã trincada confessa-se
Ora bem, deixem-me lá dar a mão à palmatória e dizer que a Apple é do caraças. Eu, que sempre fui muito arredada dos telemóveis supermodernos e dos tablets (que nem percebia para o que serviam), acabei por converter-me numa fã dos aparelhos da maçã trincada, vulgo Apple.
Juro: quem experimenta aquilo já não quer outra coisa. Eu apregoava que jamais compraria outro telemóvel que não fosse da Samsung. Mentira: à primeira oportunidade rendi-me aos encantos da Apple e acho que tão cedo não quero mudar. Agora é que compreendo a loucura que se montava à volta do Steve Jobs a cada vez que vinha apresentar um produto novo. E também começo a compreender a corrida às lojas para comprar o último iPhone ou o mais recente iPad. Quem experimenta estes dois aparelhos fica fã. Facilitam-nos a vida, mas também proporcionam experiências extraordinárias pela infinidade de aplicações disponíveis.
E eu, que nem sequer gosto de maçãs, acabo por admitir: estou terrivelmente apaixonada pela Apple.
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Trinta são muitos
Eu fui sempre a maior defensora da escola pública e sempre disse que, ainda que tivesse todo o dinheiro do mundo, nunca colocaria os meus filhos numa escola privada. Curiosamente, dizia-o ainda antes de dar aulas em instituições privadas. Porém, hoje começo a repensar esta minha grande certeza...
Fui sempre aluna da escola pública. Mais: fui aluna em escolas tidas como assustadoramente problemáticas. Quando digo onde estudei as pessoas falam logo em violência e em resultados baixos. Sim, até podem ser e ter sido escolas para lá de difíceis, mas a verdade é que considero que tive uma excelente formação nesses sítios. Cruzei-me com professores e auxiliares de grande qualidade, ainda que, naturalmente, também tenha tido o desprazer de ter docentes que me deixavam à beira de um ataque de nervos de tão maus que eram.
Contudo, sempre acreditei que a experiência numa escola pública ia muito além do ensino formal. Tive desde cedo consciência de que aquilo que vivia nos corredores e pátios de uma escola aberta a todos me proporcionava uma «bagagem» importante para o futuro. Hoje olho para os meus alunos e percebo que eles não vivem um terço daquilo que eu e os meus colegas viviamos, e que não são, de modo algum, tão autónomos quanto nós éramos, precisamente por causa do regime de protecção extrema em que vivem.
Tudo isto levou-me a ter sempre a escola pública em grande consideração. Ali aprende-se dentro e fora da sala e, por muito que tentem convencer-me do contrário, nunca saímos de uma escola privada com tanta noção da realidade como acontece com um estabelecimento de ensino público. Todavia, agora começo a achar que as coisas estão a alterar-se e a retirar à escola pública muita da sua qualidade. Quando ouço que existem turmas com trinta e cinco alunos ou que dentro da mesma turma estão alunos de quatro níveis diferentes ou mesmo quando sei que numa turma de trinta alunos, seis são jovens com necessidades educativas especiais até fico arrepiada. Mais ainda quando percebo que os pais não estão a fazer muito barulho com isto. A sensação com que fico, eu e outros docentes, é a de que se tudo isto fosse culpa dos professores, muito já se teria ouvido. Mas como não temos nada que ver com o aumento do número de alunos por turma, nem com a mistura de níveis dentro da mesma aula, nem uma mosca se ouve. A verdade, minha gente, é que ensinar vinte não é o mesmo que ensinar trinta. E estar numa turma com três dezenas de colegas quando seis deles precisam de muito acompanhamento é meio caminho andado para o insucesso. Por muito que nos tentem vender a ideia de que estas mudanças não alteram a qualidade do ensino, a verdade é que qualquer pessoa consegue perceber que estamos a falar de crianças e de jovens e que o meio onde estão inseridos para fazerem o seu processo de ensino-aprendizagem é da maior importância para que tudo corra pelo melhor. Eu andei em escolas complicadas, onde podiam dar-se grandes bulhas durante o intervalo. Ainda assim, nunca estive em turmas tão grandes e, dentro da sala de aula, as coisas iam correndo bem. Esperar que um único docente consiga controlar trinta e tal alunos dentro de uma sala é, no mínimo, risível. Mas mais risível mesmo é este silêncio perante tais coisas. Se fosse uma greve de professores, todos teriam o que opinar. Neste caso e perante tais monstruosidades, todos assobiam para o lado, levando alegremente os filhos para a escola. Não compreendo isto.
Se neste momento tivesse de escolher entre o privado e o público para colocar os meus filhos, talvez optasse pelo último precisamente por ser aquele que melhor mostra a realidade aos alunos, por ser aquele que, em meu entender, melhor desenvolve a inteligência emocional das crianças e dos jovens. No entanto, fá-lo-ia com um nó na garganta por saber que o meu filho seria um entre muitos que não poderão aprender tudo o que poderiam e deviam por causa das asneiras de quem só pensa em cortar nos gastos com a educação.
domingo, 8 de setembro de 2013
Mas que raio?...
Até me custa a crer que, às oito horas e vinte minutos da noite, o jornalista Nuno Luz esteja nas notícias da SIC a falar com um desenho animado. O Special One da série de desenhos animados do canal está, em boneco, a explicar como fazer de uma equipa medíocre um verdadeiro sucesso. No Jornal da Noite. Vinte minutos depois do seu início... Ou o mundo parou e não há notícias ou anda tudo completamente passado dos carretos.
Adenda: E a notícia seguinte é sobre os desacatos e as detenções no Brasil. Que raio de alinhamento...
Notinha: A imagem saiu daqui.
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Velha
Há pouco passou um anúncio na televisão que dava conta de um espectáculo por ocasião do décimo quinto aniversário dos "Anjos". E eu, que ainda me lembro dos videoclips deles no canal de música Sol (algures por alturas do terramoto de 1755...), de ter corrido a comprar o seu primeiro CD quando andava no oitavo ano e de ter decorado todas as letras das músicas do mesmo pensei: "Chiça, já passaram quinze anos?"
Pois, diz que sim. E também diz que estou a ficar velha.
(Suspiro)
Eu nem ia falar disto...
ATENÇÃO: A linguagem desta quixotada vai ser obscena.
Ora bem, eu não ia falar disto, mas depois li este texto e resolvi escrever duas ou três linhas sobre o assunto.
Pois parece que algumas deputadas do Bloco de Esquerda se lembraram de discutir a questão do «piropo». Admito que quando ouvi a notícia na televisão pela primeira vez não consegui deixar de rir um bocadinho, principalmente pelo inesperado da coisa. Porém, depois de pensar um bocadinho sobre o assunto, achei que talvez não fosse assim tão má ideia. Vai para aí muita javardice sobre o nosso corpo a sair da boca de desconhecidos e isso é, não me venham com merdas, incomodativo. Se há quem ache graça quando vem de um jeitoso, a verdade é que é tão nojento saído da boca de um Brad Pitt quanto de um homem-elefante.
A grande, grande maioria das reacções que já vi sobre isto resume-se a «por amor de Deus, há problemas mais sérios para resolver e nesses ninguém mexe». Pois por amor de Deus digo eu: existirem miúdas de doze, treze, catorze anos que têm de ouvir coisas como «comia-te essa c*** toda» ainda antes de terem entrado na escola não merece discussão? O facto de sermos constantemente brindadas com coisas como «martelava-te toda» ou «se te apanhasse comia-te à canzana» (sim, eu já ouvi isto na rua) é giro? É que se é então eu tenho o sentido de humor de uma centopeia porque, acreditem, quando um coxo-marreco teve a triste ideia de pronunciar a última frase perto da minha pessoa nos meus tempos de faculdade, ouviu uma resposta que o deve ter posto a coxear da outra perna e a entortar-se ainda mais.
Mas aquilo de que mais gosto é de ver que a maioria das pessoas que estão a dizer que há coisas mais importantes para resolver são MULHERES. Ou seja, os alvos preferenciais da javardice verbal alheia acham-se tão dignas de serem assediadas por tipos que acham que tudo podem que nem se importam. Podem irritar-se com tudo: desrespeito por filas, o aumento do preço do combustível, uma manicura mal feita, uma burocracia qualquer. Contudo, se um desconhecido lhes disser «és tão boa que te papava esse cuzinho todo» está tudo bem. São só palavras. Pois claro. E portanto têm sido, em boa parte, as visadas aquelas que mais força têm dado ao piropo. Para muitas já é coisa tão banal que pensar em tentar levar as pessoas a perceber que é assédio é pura perda de tempo. Tempo, recorde-se, que está a ser roubado às questões verdadeiramente importantes. Perdoem-me, mas ter um gajo desconhecido que me diz que me comia em determinada posição quando eu estou a passar para ir para o trabalho logo de manhãzinha parece-me uma questão importante. Desculpem lá o narcizismo, han.
Há uns tempos andava um tipo (com idade para ser mais que meu pai) a fazer a manutenção de um relvado aqui da zona. Ao lado tinha a carrinha da empresa estacionada. Quando eu passei lembrou-se de dizer uma pérola qualquer. Parei, olhei para o idiota e disse «Obrigado, estúpido. Como tens o número de telefone da empresa para a qual trabalhas escrito na carrinha, amanhã terás uma queixa na mesa do teu patrão.» Foi tão lindo ver aquele sorriso passar a um ar preocupado. Nos dias seguintes, sempre que passava por ele, baixava a cabecinha e nem abria a boca porca. Remédio santo. Todavia, nem sempre me apetece responder e nem tenho de andar sempre a puxar do dom da palavra para o gastar com ordinários. Não me conhecem, não falam. Simples. Mas quando existem mulheres que não se importam, que dizem que isto sempre existiu e que, portanto, não vale a pena falar nisso agora, que está na natureza masculina lançar piropos a uma mulher bonita, que há piropos que até são engraçados, que quem é a favor desta discussão sobre o piropo são as feiosas que nunca recebem nenhum, que o piropo é um elogio, bem, aí torna-se difícil. Se muitas aceitam isto como um mal menor, ou pior, como algo que nem mal chega a ser, as outras que, como eu, se incomodam têm também de comer e calar.
Se temos um rabo jeitoso, óptimo. Não precisamos que o javardo da esquina no-lo grite. Se temos um valente par de mamas, melhor ainda. Mas tendo em conta que ele deve existir há muitos anos (a menos que nos tenhamos rendido aos encantos do silicone na semana passada), já devemos ter conhecimento do mesmo e não necessitamos que um retardado o constate quando passamos numa rua movimentada. Se somos boas dos pés à cabeça, fantástico! Mas será mesmo necessário que um tipo que eu não conheço, de quem não sei nada e que não sabe nada sobre mim mo diga? E tenho de aguentar isso calada porque há fome no mundo, violência doméstica, uma crise financeira, animais em vias de extinção e uma alta taxa de insucesso escolar (a.k.a. «coisas mais importantes para discutir»)? Ora, o c******* é que tenho! Se gostam de piropos, peçam a um amigo para gravar meia dúzia deles e ponham-nos como toque de telemóvel. Pela minha parte apoio a discussão do assunto e se quiserem legislá-lo, tanto melhor. Talvez assim se calem algumas bocas porcas.
Notinha: Peço desculpa pela linguagem, mas há coisas que me tiram do sério e este pouco apreço que muitas mulheres têm pelo seu corpo e liberdade pessoal enquadram-se nesse domínio. Achei que assim conseguiria expressar de forma mais fiel o que penso sobre o assunto. Por vezes a linguagem imaculada não chega para «despejarmos o saco». Perdoem-me os leitores que não estão habituados a isto.
Notinha: Peço desculpa pela linguagem, mas há coisas que me tiram do sério e este pouco apreço que muitas mulheres têm pelo seu corpo e liberdade pessoal enquadram-se nesse domínio. Achei que assim conseguiria expressar de forma mais fiel o que penso sobre o assunto. Por vezes a linguagem imaculada não chega para «despejarmos o saco». Perdoem-me os leitores que não estão habituados a isto.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Excelente
A minha impressora morreu. E eu, que ingenuamente achava que ela estava na garantia, acabei de constatar que não está. Tinha comprado um tinteiro novo antes de ir de férias, ou seja, morreu dando despesa, que assim é muito mais giro. Grande p***.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Letras atrasadas
Tenho uma característica que me tira do sério, mas que não consigo mudar. É absolutamente de malucos, mas é com o que convivo e já nem vale a pena combater tal pancada. E de que falo eu? De um fenómeno tão estranho quanto isto: de tempos a tempos sinto vontade de comprar muitos jornais e revistas. A sério: vou a qualquer lado e passo imenso tempo diante dos esparates a namorar revistas internacionais de história e literatura, bem como jornais e respectivos suplementos. Namoro tudo e quero tudo, ao ponto de deixar o meu moço arto de espear pelas minhas decisões. Chego ao Verão e, como sei que tenho mais tempo livre, quero ler tudo e mais alguma coisa. Bem, até aqui a questão não é assim tão grave, dirão vocês. O problema é que compro jornais e revistas, sim, mas nunca, NUNCA, os consigo ler dentro do prazo. Imaginem que compro o Expresso ao sábado. Começo a ler o jornal nesse mesmo dia, mas, muito provavelmente, duas semanas depois ainda não terei lido o Atual nem a Revista. Imaginem que compro a Sábado à quinta-feira. Certamente ainda não terei terminado de a ler umas duas semanas depois. Basicamente consumo notícias passadas do prazo. Nem sei como consegui ler todo o Courrier Internacional de Agosto ainda em Agosto.
Já me aconteceu estar a ler a revista Ler com um mês de atraso e ver pequenas notícias sobre espectáculos ou apresentações que até me parecem interessantes e depois perceber que "ups, já passou". É tão ridículo...
Mas, enfim, o que me vale é que estes atrasos com as revistas de História não transtornam muito. Em primeiro lugar porque geralmente, como são de outros países, já cá chegam na versão em papel com um certo atraso. Em segundo lugar porque História é História e convenhamos que não se altera assim tanto quanto isso. Quanto às restantes publicações, olhem... É bem feita que ninguém me manda ser totó.
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