sábado, 14 de setembro de 2013

Feira da Ladra

Depois de passar semanas e semanas a ganir de saudades da Feira da Ladra, hoje foi, finalmente, dia de lá regressar. Fui comedida, que as férias foram há muito pouco tempo e as contas estão meio desequilibradas, mas trouxe de lá umas coisinhas. Trouxe, no que a livros velhos diz respeito, uma biografia das irmãs Brontë e uma da rainha Isabel I da Inglaterra. Trouxe ainda uma antologia de contos húngaros.
 
Quanto aos livros recentes, fui ainda mais contida. Por incrível que pareça nenhuma das novidades me encheu o olho e apenas comprei um livro que deixara ficar por lá na última visita, mas que me ficou entalado na memória. Foi o Gente do Passado, sobre o fim da aristocracia russa no século XX.

 
Depois, o meu moço, que é um amor por estas surpresas e por muito mais, ofereceu-me mais um livro de viagens. Desta feita, trouxe comigo o Sul, do Miguel Sousa Tavares. E fiquei hoje a saber que este livro faz parte das listas do PNL, por isso talvez ainda me dê muito jeito.
 
 
Hoje foi também (finalmente) dia de trazer para casa a edição de Setembro da revista Ler. Por ter mudado a sua imagem e por apresentar-se com uma cara nova pela primeira vez este mês, resolvi comprá-la em papel. Já a folheei e numa primeira olhadela parece-me mais tristonha, mais envelhecida. Vamos lá ver se esta opinião se mantém. Espero, pelo menos, que tenham desistido de partir textos ao meio, que era uma coisa que me deixava doente. Não tinha lógica partir uma entrevista em dois e mandar as últimas quatro ou cinco perguntas e respostas para o final da revista. Era, para mim, o único defeito que encontrava na revista.
 
 
Nota: As imagens dos dois livros saíram, como se vê, da página da Wook. A capa da revista Ler foi retirada daqui.



Fã da maçã trincada confessa-se

Ora bem, deixem-me lá dar a mão à palmatória e dizer que a Apple é do caraças. Eu, que sempre fui muito arredada dos telemóveis supermodernos e dos tablets (que nem percebia para o que serviam), acabei por converter-me numa fã dos aparelhos da maçã trincada, vulgo Apple.

Juro: quem experimenta aquilo já não quer outra coisa. Eu apregoava que jamais compraria outro telemóvel que não fosse da Samsung. Mentira: à primeira oportunidade rendi-me aos encantos da Apple e acho que tão cedo não quero mudar. Agora é que compreendo a loucura que se montava à volta do Steve Jobs a cada vez que vinha apresentar um produto novo. E também começo a compreender a corrida às lojas para comprar o último iPhone ou o mais recente iPad. Quem experimenta estes dois aparelhos fica fã. Facilitam-nos a vida, mas também proporcionam experiências extraordinárias pela infinidade de aplicações disponíveis.
 
E eu, que nem sequer gosto de maçãs, acabo por admitir: estou terrivelmente apaixonada pela Apple.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Trinta são muitos

Eu fui sempre a maior defensora da escola pública e sempre disse que, ainda que tivesse todo o dinheiro do mundo, nunca colocaria os meus filhos numa escola privada. Curiosamente, dizia-o ainda antes de dar aulas em instituições privadas. Porém, hoje começo a repensar esta minha grande certeza...
 
Fui sempre aluna da escola pública. Mais: fui aluna em escolas tidas como assustadoramente problemáticas. Quando digo onde estudei as pessoas falam logo em violência e em resultados baixos. Sim, até podem ser e ter sido escolas para lá de difíceis, mas a verdade é que considero que tive uma excelente formação nesses sítios. Cruzei-me com professores e auxiliares de grande qualidade, ainda que, naturalmente, também tenha tido o desprazer de ter docentes que me deixavam à beira de um ataque de nervos de tão maus que eram.
 
Contudo, sempre acreditei que a experiência numa escola pública ia muito além do ensino formal. Tive desde cedo consciência de que aquilo que vivia nos corredores e pátios de uma escola aberta a todos me proporcionava uma «bagagem» importante para o futuro. Hoje olho para os meus alunos e percebo que eles não vivem um terço daquilo que eu e os meus colegas viviamos, e que não são, de modo algum, tão autónomos quanto nós éramos, precisamente por causa do regime de protecção extrema em que vivem.
 
Tudo isto levou-me a ter sempre a escola pública em grande consideração. Ali aprende-se dentro e fora da sala e, por muito que tentem convencer-me do contrário, nunca saímos de uma escola privada com tanta noção da realidade como acontece com um estabelecimento de ensino público. Todavia, agora começo a achar que as coisas estão a alterar-se e a retirar à escola pública muita da sua qualidade. Quando ouço que existem turmas com trinta e cinco alunos ou que dentro da mesma turma estão alunos de quatro níveis diferentes ou mesmo quando sei que numa turma de trinta alunos, seis são jovens com necessidades educativas especiais até fico arrepiada. Mais ainda quando percebo que os pais não estão a fazer muito barulho com isto. A sensação com que fico, eu e outros docentes, é a de que se tudo isto fosse culpa dos professores, muito já se teria ouvido. Mas como não temos nada que ver com o aumento do número de alunos por turma, nem com a mistura de níveis dentro da mesma aula, nem uma mosca se ouve. A verdade, minha gente, é que ensinar vinte não é o mesmo que ensinar trinta. E estar numa turma com três dezenas de colegas quando seis deles precisam de muito acompanhamento é meio caminho andado para o insucesso. Por muito que nos tentem vender a ideia de que estas mudanças não alteram a qualidade do ensino, a verdade é que qualquer pessoa consegue perceber que estamos a falar de crianças e de jovens e que o meio onde estão inseridos para fazerem o seu processo de ensino-aprendizagem é da maior importância para que tudo corra pelo melhor. Eu andei em escolas complicadas, onde podiam dar-se grandes bulhas durante o intervalo. Ainda assim, nunca estive em turmas tão grandes e, dentro da sala de aula, as coisas iam correndo bem. Esperar que um único docente consiga controlar trinta e tal alunos dentro de uma sala é, no mínimo, risível. Mas mais risível mesmo é este silêncio perante tais coisas. Se fosse uma greve de professores, todos teriam o que opinar. Neste caso e perante tais monstruosidades, todos assobiam para o lado, levando alegremente os filhos para a escola. Não compreendo isto.
 
Se neste momento tivesse de escolher entre o privado e o público para colocar os meus filhos, talvez optasse pelo último precisamente por ser aquele que melhor mostra a realidade aos alunos, por ser aquele que, em meu entender, melhor desenvolve a inteligência emocional das crianças e dos jovens. No entanto, fá-lo-ia com um nó na garganta por saber que o meu filho seria um entre muitos que não poderão aprender tudo o que poderiam e deviam por causa das asneiras de quem só pensa em cortar nos gastos com a educação.
 

domingo, 8 de setembro de 2013

Mas que raio?...

Até me custa a crer que, às oito horas e vinte minutos da noite, o jornalista Nuno Luz esteja nas notícias da SIC a falar com um desenho animado. O Special One da série de desenhos animados do canal está, em boneco, a explicar como fazer de uma equipa medíocre um verdadeiro sucesso. No Jornal da Noite. Vinte minutos depois do seu início... Ou o mundo parou e não há notícias ou anda tudo completamente passado dos carretos. 


Adenda: E a notícia seguinte é sobre os desacatos e as detenções no Brasil. Que raio de alinhamento... 

Notinha: A imagem saiu daqui.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Velha

Há pouco passou um anúncio na televisão que dava conta de um espectáculo por ocasião do décimo quinto aniversário dos "Anjos". E eu, que ainda me lembro dos videoclips deles no canal de música Sol (algures por alturas do terramoto de 1755...), de ter corrido a comprar o seu primeiro CD quando andava no oitavo ano e de ter decorado todas as letras das músicas do mesmo pensei: "Chiça, já passaram quinze anos?"

Pois, diz que sim. E também diz que estou a ficar velha. 

(Suspiro)

Eu nem ia falar disto...

ATENÇÃO: A linguagem desta quixotada vai ser obscena.

Ora bem, eu não ia falar disto, mas depois li este texto e resolvi escrever duas ou três linhas sobre o assunto.
Pois parece que algumas deputadas do Bloco de Esquerda se lembraram de discutir a questão do «piropo». Admito que quando ouvi a notícia na televisão pela primeira vez não consegui deixar de rir um bocadinho, principalmente pelo inesperado da coisa. Porém, depois de pensar um bocadinho sobre o assunto, achei que talvez não fosse assim tão má ideia. Vai para aí muita javardice sobre o nosso corpo a sair da boca de desconhecidos e isso é, não me venham com merdas, incomodativo. Se há quem ache graça quando vem de um jeitoso, a verdade é que é tão nojento saído da boca de um Brad Pitt quanto de um homem-elefante.
A grande, grande maioria das reacções que já vi sobre isto resume-se a «por amor de Deus, há problemas mais sérios para resolver e nesses ninguém mexe». Pois por amor de Deus digo eu: existirem miúdas de doze, treze, catorze anos que têm de ouvir coisas como «comia-te essa c*** toda» ainda antes de terem entrado na escola não merece discussão? O facto de sermos constantemente brindadas com coisas como «martelava-te toda» ou «se te apanhasse comia-te à canzana» (sim, eu já ouvi isto na rua) é giro? É que se é então eu tenho o sentido de humor de uma centopeia porque, acreditem, quando um coxo-marreco teve a triste ideia de pronunciar a última frase perto da minha pessoa nos meus tempos de faculdade, ouviu uma resposta que o deve ter posto a coxear da outra perna e a entortar-se ainda mais.
Mas aquilo de que mais gosto é de ver que a maioria das pessoas que estão a dizer que há coisas mais importantes para resolver são MULHERES. Ou seja, os alvos preferenciais da javardice verbal alheia acham-se tão dignas de serem assediadas por tipos que acham que tudo podem que nem se importam. Podem irritar-se com tudo: desrespeito por filas, o aumento do preço do combustível, uma manicura mal feita, uma burocracia qualquer. Contudo, se um desconhecido lhes disser «és tão boa que te papava esse cuzinho todo» está tudo bem. São só palavras. Pois claro. E portanto têm sido, em boa parte, as visadas aquelas que mais força têm dado ao piropo. Para muitas já é coisa tão banal que pensar em tentar levar as pessoas a perceber que é assédio é pura perda de tempo. Tempo, recorde-se, que está a ser roubado às questões verdadeiramente importantes. Perdoem-me, mas ter um gajo desconhecido que me diz que me comia em determinada posição quando eu estou a passar para ir para o trabalho logo de manhãzinha parece-me uma questão importante. Desculpem lá o narcizismo, han.
Há uns tempos andava um tipo (com idade para ser mais que meu pai) a fazer a manutenção de um relvado aqui da zona. Ao lado tinha a carrinha da empresa estacionada. Quando eu passei lembrou-se de dizer uma pérola qualquer. Parei, olhei para o idiota e disse «Obrigado, estúpido. Como tens o número de telefone da empresa para a qual trabalhas escrito na carrinha, amanhã terás uma queixa na mesa do teu patrão.» Foi tão lindo ver aquele sorriso passar a um ar preocupado. Nos dias seguintes, sempre que passava por ele, baixava a cabecinha e nem abria a boca porca. Remédio santo. Todavia, nem sempre me apetece responder e nem tenho de andar sempre a puxar do dom da palavra para o gastar com ordinários. Não me conhecem, não falam. Simples. Mas quando existem mulheres que não se importam, que dizem que isto sempre existiu e que, portanto, não vale a pena falar nisso agora, que está na natureza masculina lançar piropos a uma mulher bonita, que há piropos que até são engraçados, que quem é a favor desta discussão sobre o piropo são as feiosas que nunca recebem nenhum, que o piropo é um elogio, bem, aí torna-se difícil. Se muitas aceitam isto como um mal menor, ou pior, como algo que nem mal chega a ser, as outras que, como eu, se incomodam têm também de comer e calar.
Se temos um rabo jeitoso, óptimo. Não precisamos que o javardo da esquina no-lo grite. Se temos um valente par de mamas, melhor ainda. Mas tendo em conta que ele deve existir há muitos anos (a menos que nos tenhamos rendido aos encantos do silicone na semana passada), já devemos ter conhecimento do mesmo e não necessitamos que um retardado o constate quando passamos numa rua movimentada. Se somos boas dos pés à cabeça, fantástico! Mas será mesmo necessário que um tipo que eu não conheço, de quem não sei nada e que não sabe nada sobre mim mo diga? E tenho de aguentar isso calada porque há fome no mundo, violência doméstica, uma crise financeira, animais em vias de extinção e uma alta taxa de insucesso escolar (a.k.a. «coisas mais importantes para discutir»)? Ora, o c******* é que tenho! Se gostam de piropos, peçam a um amigo para gravar meia dúzia deles e ponham-nos como toque de telemóvel. Pela minha parte apoio a discussão do assunto e se quiserem legislá-lo, tanto melhor. Talvez assim se calem algumas bocas porcas.

Notinha: Peço desculpa pela linguagem, mas há coisas que me tiram do sério e este pouco apreço que muitas mulheres têm pelo seu corpo e liberdade pessoal enquadram-se nesse domínio. Achei que assim conseguiria expressar de forma mais fiel o que penso sobre o assunto. Por vezes a linguagem imaculada não chega para «despejarmos o saco». Perdoem-me os leitores que não estão habituados a isto.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Excelente

A minha impressora morreu. E eu, que ingenuamente achava que ela estava na garantia, acabei de constatar que não está. Tinha comprado um tinteiro novo antes de ir de férias, ou seja, morreu dando despesa, que assim é muito mais giro. Grande p***.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Letras atrasadas

Tenho uma característica que me tira do sério, mas que não consigo mudar. É absolutamente de malucos, mas é com o que convivo e já nem vale a pena combater tal pancada. E de que falo eu? De um fenómeno tão estranho quanto isto: de tempos a tempos sinto vontade de comprar muitos jornais e revistas. A sério: vou a qualquer lado e passo imenso tempo diante dos esparates a namorar revistas internacionais de história e literatura, bem como jornais e respectivos suplementos. Namoro tudo e quero tudo, ao ponto de deixar o meu moço arto de espear pelas minhas decisões. Chego ao Verão e, como sei que tenho mais tempo livre, quero ler tudo e mais alguma coisa. Bem, até aqui a questão não é assim tão grave, dirão vocês. O problema é que compro jornais e revistas, sim, mas nunca, NUNCA, os consigo ler dentro do prazo. Imaginem que compro o Expresso ao sábado. Começo a ler o jornal nesse mesmo dia, mas, muito provavelmente, duas semanas depois ainda não terei lido o Atual nem a Revista. Imaginem que compro a Sábado à quinta-feira. Certamente ainda não terei terminado de a ler umas duas semanas depois. Basicamente consumo notícias passadas do prazo. Nem sei como consegui ler todo o Courrier Internacional de Agosto ainda em Agosto.

Já me aconteceu estar a ler a revista Ler com um mês de atraso e ver pequenas notícias sobre espectáculos ou apresentações que até me parecem interessantes e depois perceber que "ups, já passou". É tão ridículo...

Mas, enfim, o que me vale é que estes atrasos com as revistas de História não transtornam muito. Em primeiro lugar porque geralmente, como são de outros países, já cá chegam na versão em papel com um certo atraso. Em segundo lugar porque História é História e convenhamos que não se altera assim tanto quanto isso. Quanto às restantes publicações, olhem... É bem feita que ninguém me manda ser totó.


Nota: A imagem saiu daqui.

sábado, 31 de agosto de 2013

A Segunda Vinda de Cristo: o balanço

Acabei hoje de ler um dos livros que comprei em Viana e que comecei ainda lá. A Segunda Vinda de Cristo, de John Niven, trata disso mesmo: de um regresso de Jesus. Segundo a história, é isto: Deus tira umas férias e quando regressa ao Paraíso informa-se sobre o que aconteceu na Terra nos últimos quatrocentos anos. Como qualquer reles conhecedor de História saberá, nos últimos quatro séculos aconteceram muitas coisas más e, por isso, Deus fica furioso por tudo ter descambado durante as suas férias. Para remediar a situação, decide mandar de novo o filho cá abaixo, com um único ensinamento (que, segundo o narrador, devia ter estado desde logo nos mandamentos dados a Moisés, mas que, por parecer coisa pouca, acabou por desaparecer das tábuas, sendo substituído pelos famosos Dez Mandamentos, os quais seriam então, segundo a narrativa, unicamente da autoria de Moisés): o de que todos sejam simpáticos.

Jesus volta, então, para viver na América do Norte. Regressa apaixonado por rock e por guitarras. Vive com um grupo de amigos, a maioria com problemas com drogas, álcool, obesidade, entre outros. São pobres, mas divertem-se muito. Em determinado momento, alguém sugere que Jesus entre no programa televisivo "Estrela Popular Americana". Fá-lo-á com grande e estrondoso sucesso. Pelo meio, e com o dinheiro que o programa (uma espécie de "Ídolos") lhe rende, ajuda cada vez mais pessoas e espalha a sua mensagem que destrói, no fundo, muito daquilo que é a religião para alguns. Nomeadamente procurará explicar que Deus não precisa de rezas nem de adorações quando na realidade as pessoas estão carregadas de ódio e de maldade. Diz que por muito que se vá à missa, se depois se odiarem os homossexuais, as mulheres que abortam ou os doentes de SIDA, de nada adianta dizer que se é cristão. 

Logicamente, num país onde existem alguns dos cristãos mais fanáticos, estas palavras ditas por um tipo de aspecto meio duvidoso que se diz "filho de Deus" geram reacções diversas, mas simultaneamente uma grande fama para a personagem principal deste romance. Jesus Cristo não vencerá o programa de televisão, mas revoluciona-o e consegue tornar-se numa celebridade. O dinheiro que conseguirá com entrevistas e com a sua produção musical é utilizado num projecto utópico que pretende levar as pessoas a uma vida mais simples, respeitadora do meio ambiente e em comunidade. No fundo, a personagem pretende com um pequeno grupo conseguir passar a mensagem "sejam simpáticos". Com algumas pessoas consegue, com outras não.

Ora, instalando-se no Texas e criando uma comunidade onde existe uma invejável liberdade e tranquilidade sem que outros moralismos ou espiritualidades sejam apregoados, consegue atrair sobre si o ódio dos que não o entendem (muito à semelhança da história da primeira vinda de Cristo). Um pastor local resolve visitar a quinta onde Jesus instalou a sua comunidade e acaba por ver apenas aquilo que quer ver, isto é, os seus olhos sujos enxergam o que ali se passa de forma absolutamente distorcida. De repente, a utopia daquela comunidade passa a ser, aos olhos dos fanáticos religiosos e das autoridades, um amontoado de crimes que é preciso combater e é precisamente isso que fazem, com um enorme banho de sangue. O resto não conto.

Gostei do livro por várias razões. A primeira é por pegar numa personagem "intocável" e fazer dela um ser humano. Jesus, nesta narrativa, diz palavrões, fuma uns charros e bebe cervejas. Se só isto chocar alguém, é melhor nem lerem o livro. Depois, gostei de ver o modo como o autor engendrou uma forma de, à semelhança do que é descrito na Bíblia, o "filho de Deus" vir à Terra para deixar alguns ensinamentos, mudando-nos para melhor e acabar com meia dúzia de seguidores e uma chusma de gente que o acha uma fraude. Gostei ainda do modo como os novos trinta e três anos da sua segunda vida terrena são ocupados com atividades próprias do nosso tempo e como, assim, o autor consegue fazer uma crítica à nossa sociedade. Gostei ainda mais do modo como deixou clara a bizarria que consiste em alguém apregoar-se cristão, sendo depois racista, homofóbico, intolerante, preconceituoso, entre outras pérolas. A crítica que é feita é, no fundo, esta: se Deus existir mesmo, mais do que andarem todos os dias a dizerem que O temem e a passar horas na missa, devem sim ser verdadeiramente bons. Ou, segundo a personagem principal, "ser simpáticos".

Por fim, aquilo de que mais gostei neste livro foi do humor com que é escrito. Algumas das imagens que são dadas são absolutamente hilariantes. Imaginar Deus a ligar a Satanás para fazer troça dos números de entradas no Inferno após a estada de Cristo na Terra é bastante engraçado. 

Enfim, o livro vale por vários aspectos não sendo, obviamente, uma obra-prima da literatura. Devo dizer que a edição tem umas quantas gralhas que chateiam um bocadinho, mas que não afectam a compreensão do texto. Para que este seja lido é preciso humor e distanciamento entre aquilo em que cremos (se é que cremos em alguma coisa) e aquilo que aqui é descrito. É, também, preciso lembrar que tudo isto é ficção e que é, no fundo, uma sátira ao mundo em que vivemos, à falta de valores, às certezas inabaláveis que levam a actos horrendos e ao modo como continuamente cometemos os mesmo erros sem que alguma vez aprendamos a lição. É sobretudo uma leitura divertida que pode deixar-nos com uma série de assuntos em que pensar.




sexta-feira, 30 de agosto de 2013

De volta

E terminaram as férias em Viana do Castelo. Estou já pomposamente sentada no meu sofazinho lisboeta. Honestamente, tenho algumas saudades da cidade fantástica onde passei as duas últimas semanas. Foram talvez as férias em que mais me diverti e em que mais descansei. Depois destas férias, não sinto que precise de outras para descansar. Foram boas, portanto.

Não tenho comigo as fotografias destes dias, mas posso desde já afirmar que tirei muito poucas quando o comparo com outros anos. Muitas vezes tive a noção de que a máquina fotográfica estava a passar demasiado tempo na mala. Contudo, também muitas vezes pensei que bom é gravar certas imagens na nossa memória, uma vez que fotografia nenhuma pode reproduzir com fidelidade aquilo que os nossos olhos viram. A imagem está lá, mas o que eu vi realmente, com os meus olhos e o meu pensamento, fotografia nenhuma reproduzirá. Pensei nisso enquanto fazia um cruzeiro pelo Lima. Ofereceram-nos dois bilhetes para um daqueles cruzeiros onde se provam uns petiscos, uns vinhos e se ouve uma guitarrada e a voz de um guia que vai explicando a paisagem. Era tudo tão bonito que fotografia nenhuma poderia captar o momento. A explicação do guia, a música, o vinho, o rio e toda uma paisagem de fazer inveja a muitas outras cidades eram demasiado perfeitos para caberem numa única imagem. Mas é essa mesma imagem complexa a que mais me fica destes muitos dias em Viana do Castelo.

Comi muito, andei muito, ri muito, fiz muitas compras, matei bem as saudades que tinha daquela cidade. Descobri que este ano Viana não foi tanto a romaria, mas muito mais um programa próprio decidido ao sabor da vontade e do cansaço. Não assisti a boa parte do que se passou durante a festa: vi apenas o que quis ver e não me preocupei com isso como noutros tempos em que não queria perder pitada. Conheci pessoas que me mostraram uma Viana que desconhecia e segui alguns do seus conselhos. Os que ficaram por seguir estão reservados para uma próxima viagem (no próximo Verão, quem sabe?). Não há pressas: Viana do Castelo não se esgota.

No último dia vi um papel à porta de uma livraria dizendo "Funcionário/a precisa-se" e a minha vontade foi mandar tudo para o ar e entregar o meu currículo. Sei que seria infinitamente mais feliz a trabalhar com livros do que a ensinar nas condições que o ensino hoje apresenta. Mesmo a vender livros (coisa que já fiz e que adorei), seria feliz porque mexeria no que me aquece o coração, porque estaria na cidade de que mais gosto, porque largaria a vida maluca de Lisboa. Mas, enfim, o papel lá ficou e a vida continuará igual ao que estava antes do Verão. Em breve recomeçarão as aulas e o papel na porta da livraria da cidade onde eu gostava de viver acabará por ser lançado para os fundos da memória. A vontade de trabalhar com livros ficará, bem como a de voltar a Viana do Castelo, cidade onde "quem gosta vem, quem ama fica". Mas afinal, não são isto as férias: a sensação de muitas possibilidades abertas que se consomem quando os dias de descanso chegam ao fim?...

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Último fim de tarde em Viana

No último fim de tarde em Viana, tomámos um café no centro comercial e tivemos esta vista. Realmente, esta cidade até no shopping teve sorte: é giro, acolhedor, com uma boa oferta comercial e com uma vista lindíssima sobre uma cidade que é, como diria uma senhora que conheci cá, "um estrondo".


terça-feira, 27 de agosto de 2013

Presentinho para a menina

Ontem o meu moço ofereceu-me este livro. Costumo gostar de ouvir a Clara Ferreira Alves no 'Eixo do Mal'. Vamos ver se gosto tanto de a ler quanto de a ouvir...


Nota: A foto, como bem se vê, saiu da página da Wook. 

Condolências

Mais um jovem bombeiro morto e uma série de tarados incendiários à solta e bem vivos. Quatro bombeiros falecidos em serviço apenas durante este mês. Quantos dos que incendeiam o património alheio morrem nos fogos florestais? Provavelmente nenhum. É tremendamente injusto e é o que temos neste país de brandos costumes.

Às famílias dos bombeiros que perderam a vida a lutar para salvar o que não era seu deixo as minhas condolências. Perderam filhos e todos nós perdemos heróis. 

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

De eleição

Em Viana do Castelo, o meu restaurante de eleição é O Bodegão, que fica no centro comercial. Já há uns anos que vou lá e adoro sempre tudo. Os preços são acessíveis e é tudo para lá de bom. O restaurante tem a parte exterior que corresponde à do take away e a interior, onde ficamos sentadinhos a ser servidos como em qualquer outro restaurante. Desde a simpatia, passando pela apresentação dos pratos e acabando no maravilhoso sabor da comida é tudo maravilhoso. Só tenho pena de que não exista um restaurante destes em Lisboa. Passo o ano a babar por uma ida a'O Bodegão. Ontem fomos lá comer umas tranches de novilho na sertã, regadas com sangria de espumante (oh God!!!) e, para terminar, o melhor bolo de bolacha e moka do mundo. Ficam as fotos. A todos os que possam, dêem lá um pulinho: vão adorar.








domingo, 25 de agosto de 2013

Outro almoço

Há uns tempo, a Miss Pipeta, do blogue Sempre Entre Viagens, sugeriu-me um restaurante aqui em Viana: O Manel, na Praça da Liberdade. Bem, fomos lá hoje e tenho de admitir: foi talvez a primeira vez que uma refeição me deixou verdadeiramente sem fala. Comi o bacalhau da casa (bacalhau com cebolada e batatas fritas) e fiquei siderada. Desde logo pela quantidade. Pedi meia dose, mas aquela meia dose dava à vontadinha para duas pessoas. Depois o bacalhau era altíssimo, porém não estava nada salgado. As batatas eram deliciosas e o molho, que é a parte em que muitos restaurantes falham neste prato, era óptimo. Fiquei fã. Gostava de voltar lá uma vez mais antes de ir embora.

Depois passei à sobremesa, uma vez que mal entrei no restaurante topei que havia um bolinho de bolacha mesmo a precisar de aconchego. Lá veio ele e apaixonei-me de tal modo que declarei ao meu moço que casaria ali mesmo com aquela fatia de bolo. Ele compreendeu, embora estivesse apenas dedicado a uma chávena de café, pós-polvo no churrasco. Meninos...