A abrir o mês das férias, chegam dois volumes bem catitas cá a casa. Dificilmente poderiam dois livros cheirar tanto a Verão como estes.
quarta-feira, 31 de julho de 2013
Sem medidas
Portanto parece que há gente muito endinheirada que acha piada a "brincar aos pobrezinhos". Ainda bem que o facto de não se ter dinheiro para férias na Comporta e para luxos muito maiores já virou um tipo novo de brincadeira. Antes saltava-se à corda, jogava-se à macaca e ao berlinde. Hoje brinca-se aos desgraçadinhos que vivem despojados do que a vida tem de melhor. Que máximo, ouçam lá!
Acho, muito honestamente, que anda por aí uma enorme falta de talento para a escolha de palavras. Um apela à "união nacional" (glup) e outra praticamente diz que brinca àquilo que ninguém quer ser, mas a que muitos não estão a conseguir fugir. Não sei se a frase dita pela senhora que passa férias na Comporta não tem um contexto que a explique bem porque não li o texto onde ela se insere. Contudo sei que se tornou viral e que caiu muitíssimo mal. Ser "pobrezinho" não tem graça nenhuma e aposto que ninguém o é porque quer. Haver quem ache giro referir-se às férias que faz como uma troca de posição social a brincar é ofensivo para quem passa mal e a contar os trocos até ao final do mês.
Eugénio de Andrade escreveu num poema que "São como um cristal, / as palavras. / Algumas, um punhal, / um incêndio." Se umas refrescam e são espelhos que reflectem inúmeros sentidos, outras levam tudo à sua frente, incendeiam e fazem estragos por onde passam. É muito importante que as pessoas, principalmente estas que são a minoria que passa ao lado da crise, meçam bem aquilo que dizem e o alcance que as suas palavras podem ter. A senhora podia dizer um monte de coisas: que durante as férias na Comporta experimentam um tipo de vida mais simples, que ali os luxos são menores do que aqueles a que estão habituados, que vivem ali dias marcados pela inexistência de elementos tecnológicos sem os quais não conseguem viver usualmente... Estou para aqui a imaginar argumentos, mas a verdade é que podia ter dito qualquer uma destas frases que a mensagem passaria. Porém, dizer que no seu lugar de férias brinca aos pobrezinhos é ofensivo. É de quem parece não ter consciência do que se passa nem do que diz. É verdade que com esta crise e com tanta austeridade andamos todos muito melindrados com as palavras dos outros, mas neste caso parece-me natural que todos nós, os pobrezinhos que não têm vasta fortuna, nos sintamos gozados. E isso já vamos sendo de sobra, não precisamos de mais nenhumas palavras mal medidas.
segunda-feira, 29 de julho de 2013
Monstros
Desde há muito tempo que acho que todos os que se lembram de abandonar um animal doméstico deviam ser fulminados por um raio no momento em que o fazem. Não consigo compreender como raio há seres humanos (?) capazes de ter um cão ou um gato ao longo do ano que depois acabam por abandonar por aí à sua sorte. Em meu entender, quem não trata bem os animais, não trata bem as pessoas e não é mais do que um monstro. Enoja-me que existam pessoas (?) que, em determinado momento, esquecem tudo o que os animais já trouxeram à sua vida (o carinho, a companhia, a lealdade...) e os deixam em situação de enorme sofrimento, amarrados a qualquer lado, a passar fome e sede, sem terem um abrigo. Para mim, essas supostas pessoas não passam de montes de merda que mereciam um pelotão de fuzilamento que as transformasse em papa ao poder de balas. Quem faz isto não merece viver, não merece respirar, não merece educar ninguém e, por isso, quem abandona animais porque estes «estão a estorvar» devia ser proibido de ter filhos.
Sou muito radical quanto a este assunto. Não tenho cães nem gatos, só mesmo periquitos. Todavia sei ver que é uma acção muitíssimo errada e que deve ser veementemente condenada por todos nós. Quem o faz não pode ser boa pessoa e, assim, é alguém com quem não quero conviver.
Parabéns, amor
O meu menino chegou hoje a "doutor". Sei que cumpriu um sonho e que está muito feliz. Conheço poucas pessoas que mereçam mais este título académico e ainda menos as que trabalharam de forma tão árdua para o conseguirem. Trabalhou e estudou ao mesmo tempo, viveu com horários com os quais eu nem me imagino a viver, passou sábados e domingos agarrado a matérias que tirariam qualquer um do sério. Ao mesmo tempo, teve um enorme gozo com o que fazia e com os resultados que obtinha. Sabe hoje que é capaz de chegar onde não parecia ser possível há alguns anos. Sabe que é muito bom naquilo que faz. Sabe que mereceu cada valor da nota final. Sabe que estou muito orgulhosa dele.
Parabéns, amor.
domingo, 28 de julho de 2013
A Menina Quer Isto XLII
Vi isto hoje e fiquei curiosa. Não tenho emenda. Enquanto não montar uma livraria, não descanso. Ai o que eu gostava de ter uma...
Next!
Depois de uma incursão por três vultos da literatura portuguesa (Eça de Queirós, José Saramago e Camilo Castelo Branco), segue-se um policial cujo enredo decorre no meio de livros. Já li dois livros deste autor e gostei bastante. Vamos ver se o mesmo sucede com O Último Livro.
Chuva
Correndo o risco de ser considerada louca pelos fanáticos do sol e do Verão, devo dizer que esta chuva me está a saber muitíssimo bem. Sou uma pessoa dada ao tempo cinzento que não aprecia por aí além os dias de muito sol. Já os dias como o de hoje são sempre bem-vindos.
Esta água que cai no chão seco e que deixa no ar um cheiro muito agradável fez-me recordar uns versos de Eugénio de Andrade que dizem que «A chuva em Abril tem o sabor do sol: / cada gota recente canta na folhagem.». Podem muitos hoje resmungar com o tempo por não estar para praias, mas eu estou como o sujeito poético: hoje, no fim de um mês muito quente, esta chuva tem o sabor de algo querido e desejado. Sabe bem, cai melhor ainda.
Chove. Uma rapariga desce a rua.
Os seus pés descalços são formosos.
São formosos e leves: o corpo alto
parte dali, e nunca se desprende.
Os seus pés descalços são formosos.
São formosos e leves: o corpo alto
parte dali, e nunca se desprende.
A chuva em Abril tem o sabor do sol:
cada gota recente canta na folhagem.
O dia é um jogo inocente de luzes,
de crianças ou beijos, de fragatas.
cada gota recente canta na folhagem.
O dia é um jogo inocente de luzes,
de crianças ou beijos, de fragatas.
Uma gaivota passa nos meus olhos.
E a rapariga – os seus formosos pés –
canta, corre, voa, é brisa, ao ver
o mar tão próximo e tão branco.
E a rapariga – os seus formosos pés –
canta, corre, voa, é brisa, ao ver
o mar tão próximo e tão branco.
Eugénio de Andrade, Até Amanhã
Confirmam-se as tréguas
Após umas jeitosas gargalhadas com as Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado, confirmo as tréguas com Camilo Castelo Branco. O livro tem muita graça e, em determinado momentos, senti naquelas aventuras uma ligeira semelhança com o par mais conhecido da literatura universal: D. Quixote e Sancho Pança. O que ali está também envolve uma história de amor com muitos avanços e recuos, mas até esse romance confuso entre as personagens tem piada pelo atabalhoado e dado a confusões que é. Quem tiver oportunidade de ler este romance, que o faça. Verá que gostará bastante da D. Custódia e da D. Bonifácia...
sábado, 27 de julho de 2013
Tréguas (?)
Quando estudei no ensino secundário, ainda existia a diferenciação entre Português A, todo literatura, e o Português B, muito mais levezinho. Como menina de Humanidades que era, tive a sorte de frequentar o primeiro, facto que hoje agradeço muito porque definiu o meu caminho posterior.
Alguns lembrar-se-ão de que no Português A se estudava tudo (ou assim parecia) o que de mais importante as nossas letras tinham produzido até então. Começava-se pelos contos tradicionais, ia-se pelas cantigas de amor e de amigo, dava-se um pulo às crónicas de Fernão Lopes, descodificava-se a Menina e Moça, batia-se continência a Os Lusíadas e à lírica camoniana, bem como uns quantos poemas de contemporâneos seus, conhecia-se o sermão pregado aos peixes pelos nosso Padre António Vieira, lia-se alguma daquela risível poesia barroca, cheirava-se o locus horrendus nas palavras de Bocage, viajava-se com Garrett até ao Vale de Santarém para ver a famosa janela da Joaninha, lia-se a sua poesia e a sua famosa tragédia, perdíamo-nos com a perdição de Camilo, seguíamos até à saborosíssima Questão Coimbrã, conhecíamos a tristeza de Antero de Quental e a crítica da sociedade romântica em Os Maias. Passava-nos uma ou outra "farpa" sob os olhos e seguíamos até Teixeira de Pascoaes com o seu saudosismo e uma gigantesca quantidade de poetas do século XX português. Por aí aparecia-nos a por mim pouco apreciada Aparição, porque não tive a sorte de estar no lote das escolas que leccionavam já o Memorial do Convento. Enfim, chegávamos ao final do ensino secundário com uma ideia muito clara do que tinha sido, desde o início, a literatura portuguesa, com as suas inovações e imitações. Não se estudava gramática como agora, mas formavam-se leitores, algo que por estes tempos não se faz com o mesmo sucesso.
É óbvio que aos quinze anos muitas destas leituras custavam a engolir (e creio que hoje ainda custariam mais aos que agora têm essa idade), mas de forma mais ou menos coxa faziam-se e a verdade é que acabei por regressar mais tarde aos livros que deixei a meio nessa altura. Também acabei por chegar sozinha ao Memorial do Convento. Aqueles três anos com uma excelente professora serviram de semente para o que viria depois.
Mas nem tudo são rosas. Houve textos que quase me levaram à loucura. Ler o Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco foi uma daquelas tarefas que pretendo não repetir em dias de vida. Lembro-me de que li aquilo num sábado à tarde porque teria o teste na semana seguinte. Ia vomitando a história de tão ultra-romântica que era. Aquele Simão Botelho e a honra que não o deixou fugir com a amada quando tal foi possível e que preferiu deixar-se prender causou-me engulhos! Fiquei nauseada com o diacho do azar que aquela gente tinha sempre ao virar da esquina. No fim vai para lá uma mortandade que assusta. Ganhei ódio ao livro e, em jeito de metonímia, ao autor. Nunca mais li nada do senhor e quase me benzia ao ouvir o seu nome. Escolhia sempre os realistas ou os naturalistas para ler. Nunca Camilo porque aquele romantismo reciclado e exagerado me tinha posto doente aos quinze anos.
Nas muitas idas à Feira da Ladra lá me fui cruzando com os livros dele, geralmente ao preço da chuva. Acabei por comprar um ou dois sem saber se os leria na realidade, mas esta semana lá me decidi. A tentativa de tréguas com este autor português dar-se-á por intermédio de Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado. A escolha deveu-se à graça do nome e ao facto e saber que o autor não escreveu só romances cheios de amores impossíveis. Também escreveu textos cómicos, geralmente considerados menores pela crítica. Pois é mesmo a esse "menor" que vou e já vou em meia centena de páginas palmilhadas. Até agora fez-se bem e sem engulhos. Gosto muito das falas das senhoras, com a mania de que são fidalgas, mas a utilizar palavras e expressões bem populares e muito típicas do norte do país. Adoro essa cor local dos livros que incidem sobre um lugar bem delimitado e identificado, ao contrário daqueles que, de tão desenraizados, podiam ter a acção a passar-se em qualquer lado que não faria diferença nenhuma. Até aqui a história teve graça, por isso tenho a bandeira da paz a começar a hastear-se, embora com muita calma. Vamos lá a ver se saem, ao fim de doze anos, as tão prometidas tréguas...
As Coisas Que Ele Diz I
Estando eu a falar de forma pouco simpática de umas pessoas de quem não gosto, o moço diz-me:
- Isso não se faz! É feio! Dizes que vais ficar comigo durante a eternidade, mas é mentira: tu assim vais para o Inferno e eu vou ser um anjo!
Portanto Eusebiozinho, filho, cuidado: vem aí um concorrente forte para te levar as asas. Já eu parece que estou mais para João da Ega, vestido de Satanás...
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Da brancura
Não sofro de tanorexia, felizmente. Não ando para aí a carpir que tenho a pele branquinha e que passo o ano a parecer-me com o tecto cá de casa. Mas daí a ir à praia vezes e vezes seguidas e não mudar o tom da pele já é coisa que me enerva. Toda a gente que conheço fica com um tonzinho diferente depois de um dia de praia. Eu fico vermelha e... depois regresso ao já habitual tom branco. As únicas partes do meu corpo que mudam efectivamente de cor para um tom bronzeado fofinho são os meus pés, que ficam descapotáveis a partir de Abril. Fora isso nada e tal coisa leva-me a passar o tempo a ouvir comentários como «És tão branquinha.» ou «Tu não mudas de cor!». Eu sei, minha gente. Não precisam de mo dizer sete vezes por dia.
A única parte boa disto tudo é que quem não muda de tom de pele também não precisa de arranjar outra base para o Verão porque a cara continua a ter a mesma cor que o resto. Sempre se poupam trinta e muitos euros.
segunda-feira, 22 de julho de 2013
domingo, 21 de julho de 2013
E agora uma Viagem a Portugal
Depois do monumento que foi o Cem Anos de Solidão, li A Relíquia, do nosso génio Eça de Queirós, e dei umas belas gargalhadas. Aquele Teodorico Raposo e os diminutivos com que recheia o texto são de babar.
Por agora começo este Viagem a Portugal, de José Saramago, ainda na velhinha edição "cor de ovo". É uma boa altura para percorrer o país nas palavras do nosso Nobel. Começo pelo norte e quando der conta já estou em banhos de sol no Algarve. Vai saber-me bem esta viagem a Portugal.
Em banho-maria está o Caligrafia dos Sonhos porque não me cabe na carteira. Sou uma desgraça. Mas vou acabá-lo, podem ter a certeza!
sábado, 20 de julho de 2013
sexta-feira, 19 de julho de 2013
Novos por aqui
Hoje estes dois mudam-se cá para casa com a ajudinha de uns descontos. Mais uns relacionados com a mais recente pancada: a literatura de viagens. Parecem-me bem adequados para as férias de Verão.
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