quarta-feira, 4 de julho de 2012

Novo livro à cabeceira


Terminado o Firmin, vou até este O profeta do castigo divino. É a história do padre Gabriel Malagrida conhecido, entre outros aspectos, por ter sido o confessor de D. Leonor Távora. É também a história da ascensão ao poder do senhor Sebastião José. É, no fundo, o quadro de uma época em que Deus estava em todo o lado e era, pelo que parecia, cruel e vingativo até mais não.

Parece, pelas primeiras páginas, escrito com um toquezinho de humor muito cativante. Vamos lá ver se corre melhor do que o último "romance histórico"...

Alugam-se mulas

Tenho uma sugestão para fazer aos senhores que mandam. Lembram-se do Tratado de Tordesilhas, em que se dividiu o mundo em dois? A ideia é parecida: chega-se ao mapa de Portugal e corta-se uma fatia quase rente ao litoral. A essa fatia dá-se o nome de Portugal e ao que sobrar dá-se um chuto na cloaca e a independência. Sim, porque a julgar por tudo o que é retirado às populações do interior, vale mais dizer-lhes logo que não fazem parte desta nação, que são outra coisa qualquer indesejável. Portugal é praia, não é interior.

Digo isto depois de ouvir a notícia de que a CP vai retirar os taxis que substituíam o desaparecido metro da linha do Tua. Portanto aquelas populações, compostas maioritariamente por gente envelhecida, entre as quais existe muita gente sem transporte próprio, estão desde o início do mês presas nos seus lugares. Aos poucos foram perdendo tudo o que ainda os ligava ao resto do país. Agora, para se deslocarem, têm de dispender pequenas fortunas e, note-se, isso é coisa que os reformados desta «ocidental praia lusitana» não têm.

Bom, já que é para regredirmos, ao menos que seja de forma pomposa. Em alternativa ao primeiro plano que aqui esbocei, também proponho o regresso aos cavalos, burros ou mulas de aluguer à saída das aldeias. Escarrancha-se o desgraçado que precisa de se deslocar em cima de um destes bichos, assenta-se uma palmada no quadril do mesmo de forma a fazê-lo começar a andar e lá vai a D. Hermínia à consulta de ortopedia que terá essa tarde no hospital da cidade. No parque de estacionamento deste serviço de saúde estará um moço que servirá o penso ao animal e que lhe dará uma boa escovadela, enquanto espera pela D. Hermínia de modo a mandá-la de volta para trás do sol posto em cima da mula.

A mim parece-me que já andámos mais longe desta realidade, mas o que é mesmo triste é que a esta gente tiraram tudo de tal forma que nem um burrinho deixaram!

Firmin c'est moi!

Acabei hoje de ler o Firmin, de Sam Savage, e gostei muito. A história é a de uma ratazana que nasce na cave de uma livraria e que ao devorar um livro (literalmente) descobre que consegue ler. Firmin, que começou por gostar dos livros pelo sabor que tinham, acaba por apaixonar-se pela leitura de uma forma admirável. Designa os autores maiores (como Tolstoi, Cervantes, Melville ou Joyce) como os "Grandes" e ao longo da sua narrativa vai fazendo inúmeras referências aos muitos autores e livros que leu.

A narrativa é a história que ele escreveria se conseguisse utilizar um lápis ou uma máquina de escrever: é que se ler é o seu passatempo predilecto, outro que muito aprecia consiste em escrever na sua cabeça aquilo que gostava de passar para o papel. Assim vai vivendo esta ratazana "burguesa", como ele próprio se denomina, apaixonada pelos livros e por todos aqueles que a estes objectos preciosos estão ligados.

Terminei o livro com a sensação de que tinha lido uma boa história. Bem escrita, bem pensada, com referências aos melhores autores que este nosso mundinho já viu e satisfeita por perceber que este não é apenas mais um texto sobre livros. Convenhamos que nos últimos anos têm aparecido muitos e nem sempre passam dos típicos lugares-comuns sobre livros e o amor que um ser humano pode sentir por eles. Mas aqui, na singular situação de uma ratazana, criatura comummente tida como bastante nojenta, encontramos uma narrativa cativante, interessante, que aborda questões pertinentes como o desaparecimento de zonas embaraçosas para as cidades, mas onde por vezes se encontram estabelecimentos comerciais únicos. A livraria descrita neste livro e onde Firmin nasce e vive durante uma boa parte da sua vida existiu de certa forma. O bairro sujeito à demolição existiu realmente. E acredito, pela descrição dada, que nesses lugares vivessem efectivamente muitas ratazanas, muitos animais próprios de lugares votados ao abandono. Contudo, nenhuma terá havido como Firmin, uma ratazana tão dos livros que só mesmo num poderia existir.

Notinha: Já me esquecia de mencionar as ilustrações de Fernando Krahn que são adoráveis e que me fizeram gostar ainda mais desta ratazana leitora. Aliás, o bicho gosta tanto de ler os Grandes e de ler mais e mais e mais que, à semelhança de Flaubert que disse um dia "Madame Bovary c'est moi", sou capaz de dizer "Monsieur Firmin c'est moi" (mas em versão menos peluda, claro).

Título: Firmin
Autor: Sam Savage
Editora: Planeta
Ano: 2006

Coisas que revoltam

Podem ler aqui e aqui a história de uma senhora que tenciona transformar uma boa acção numa atitude revoltante. Há sete anos morreu o seu vizinho bibliófilo e a viúva tencionava queimar os  trezentos mil livros que ele possuía. A sua vizinha, Shauna Raycraft, não deixou que tal acontecesse e resgatou os livros em mais de sete mil caixas. Ora, tanta caixa precisa de selecção e ela agora, sete anos depois, ainda não a fez. Reclama, portanto, que se até ao próximo dia seis não obtiver ajuda, queimará os livros que se mantêm encaixotados. O que parece estranho é que se lerem o texto do segundo link que vos deixei, verão que já muitos se ofereceram para ajudar, mas ela parece arranjar sempre uma desculpa para dar a volta à questão.

Enfim, não conheço todos os pormenores da história, mas o que li é revoltante o suficiente. Se primeiro os salvou, como raio quer agora dar-lhes o mesmo destino? Deve haver tanta gente que não se importava de receber esses livros, tantos locais onde eles farão falta, tanto coleccionador que gostaria de lhes deitar uma vista de olhos... Isto revolta-me, a sério que revolta. Chega a parecer uma versão muito pobrezinha do Fahrenheit 451...

Falta de requisitos

Constato que nunca poderia pertencer ao mundo da política. É que eu tenho uma Licenciatura a sério e, para cúmulo, ainda tenho um Mestrado. Não encaixo, por isso, nos requisitos. Bolas.

terça-feira, 3 de julho de 2012

A Menina Quer Isto XVII

A menina hoje descobriu este livro e ficou com a pulga atrás da orelha. Cheira-lhe que em breve virá morar para cá. Vamos ver quanto tempo aguenta...


Deixo-vos o texto que se encontra na ficha deste livro na página da Wook e que é o mesmo que pudemos ler na sua contracapa.

Sinopse
Dia 9 de julho de 1864. Após um serão com familiares, Thomas Briggs chega à estação ferroviária e entra na carruagem 69 do comboio das 21.45 com destino a Hackney. Sem saber que a sua viagem haveria de ficar para a história. Alguns minutos mais tarde, dois bancários entram no compartimento. Quando se sentam, um deles repara no sangue que se acumulara nas concavidades dos botões dos estofos. Depois vê sangue no chão e nas janelas da carruagem, assim como a marca de uma mão ensanguentada na porta. As senhoras na carruagem adjacente queixam-se de que têm os vestidos salpicados de sangue que entrou pela janela quando o comboio estava em movimento. Mas não há sinal de Thomas Briggs. Na carruagem está apenas uma bengala com castão de marfim, uma mala de pele vazia — e um chapéu que, estranhamente, não pertence ao senhor Briggs. Assim começa a história vertiginosa, fascinante e verídica de um crime que obcecou a nação e mudou para sempre a maneira como viajamos. Com formidável mestria narrativa, Kate Colquhoun evoca as imagens, os sons e os cheiros da viagem ferroviária vitoriana e revela segredos há muito enterrados de uma das mais apaixonantes investigações de homicídio daquela era.

Leitura cheirosa

Hoje trouxe isto para casa. Muito lindo o desconto que tive no perfume, o que fez com que a embalagem de 50 ml ficasse ao preço da mais pequena. Tendo em conta que é o meu preferido de sempre, fiquei muito contentinha. A acompanhá-lo veio o último número da revista Ler, que agora vai de férias e só volta em Setembro.


Almocinho doce

Ora hoje o almocinho foi assim para o hipercalórico. Ai Häagen Dazs, o quanto eu te amo!



(Sou uma moça de gostos simples: duas panquecas, uma bola de gelado dulce de leche,
 outra de crème brulée, chocolate belga negro e natas.)



(Prato da pessoa que almoçou comigo: uma saudável mistura de tudo o que havia na loja...)


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Arejar o rato

Depois do fiasco que foi a tentativa de leitura de O Coração do Rei (leiam a última quixotada), seguir-se-á "o rato". Tenho-o na prateleira desde a Feira do Livro de Lisboa de 2010 e hoje arejo finalmente o rato. Aliás, o Firmin, que este leitor roedor tem nome!


Desisto


Estão a ver este livro que comprei na semana passada e que comecei a ler este fim-de-semana? Pois é, desisto. A minha paciência tem limites. Cheguei à página cem e o balanço que faço é: isto é tão romance histórico como eu sou um centauro. Honestamente a sensação com que fiquei é que o que existe neste livro é um discorrer de matéria histórica sobre D. João VI e o filho, de tal modo que não nos permite criar empatia com as personagens, nem com o desgraçado do narrador que, uma centena de páginas depois, nem percebemos muito bem quem seja. Será um franciscano que participa na educação infanto-juvenil e depois na vida adulta de D. Pedro, mas como narrador participante é muito sem sal (pelo menos nas primeiras cem páginas que foram aquelas que li), já que sabe de tudo, mas manifesta-se muito pouco. Ou seja: parece uma máquina e não uma personagem que conviveu e criou laços com aquele de quem fala.

Creio que a autora partiu do pressuposto de que toda a gente conhece muito bem este momento da nossa história e da história do Brasil e portanto não forneceu informações que me parecem fundamentais para que a leitura deste texto flua sem que fiquemos confusos sobre, por exemplo, o paradeiro dos membros da corte. Houve ali um momento em que não conseguia perceber onde raio estava D. Pedro: no Brasil ou em Portugal? É que quando falam em Rossio, caso haja algum espaço com esse nome noutro país, parece-me importante explicá-lo em nota de rodapé. Foi apenas a minha intuição de leitora que me permitiu perceber certas coisas e nem sempre no momento da dúvida.

Depois, a constante inclusão de novos nomes na história merecia uma breve explicação sobre eles, parece-me. Um professor meu da Faculdade disse um dia a um anfiteatro cheio de meninos e meninas do primeiro ano da Licenciatura que quando escrevemos devemos ter em consideração que quem nos vai ler pode estar cansado e, portanto, não estará tão alerta como de costume. Isso deve orientar-nos na nossa escrita e no nosso objectivo que será, penso eu, o de que nos percebam sem precisarem de consultar uma enciclopédia antes de lerem o nosso livro. Parece-me que a autora não seguiu essa máxima. Em frases muito simples (demasiado para o meu gosto) vai pintando a história de uma figura história muito carismática. O erro foi, como disse, partir do princípio de que todos conhecem muito bem a personagem e o período em que esta se move. Percebe-se claramente que o livro é fruto de uma investigação histórica muito apurada. Contudo, a capa diz «romance histórico» e não «trabalho académico». Desse ponto de vista, não poderia gostar do que li.

Para além disso, o ritmo da narração é estranho. Se primeiro tudo avança vagarosamente (e quanto a isso nada a dizer), depois do casamento de D. Pedro o texto transforma-se num cavalo desgovernado. Avança tudo muito rapidamente, não dando o necessário tempo para que o leitor assimile a informação. Vejamos: se o que aqui está é informação histórica, mas se o que eu comprei foi um romance e não uma biografia, convém ser comedido no doseamento da informação. Pode haver quem goste destes ritmos desenfreados, porém eu não aprecio. Foi para isso que se inventou a descrição, que muitos odeiam mas que faz muita falta a um romance. Se fosse havendo descrição dos espaços e das personagens, o ritmo narrativo seria logo abrandado e mais fácil de suportar. Além disso, seriam boas algumas referências temporais mais claras. Por exemplo, se alguém chega com um novo documento importantíssimo para o avançar da acção e que o rei deve assinar, seria bom ter alguma referência temporal que permita perceber o que depois se segue. Também senti falta disso.

Enfim, decididamente não estava a gostar e às cem páginas percebi que mais valia desistir. Não creio que o defeito seja meu. Já li muita coisa, muitos livros bons, muitos clássicos e quando percebo que efectivamente o problema está em mim, admito-o (devo ter sido a única alma deste mundo a não amar Os Cadernos de Pickwick, de Charles Dickens, e aí admito que o problema está mesmo em mim). Já neste caso parece-me mesmo que existem problemas na construção daquele romance histórico. Apesar do esforço da autora, que se terá documentado bastante, o produto final não é, do meu ponto de vista, muito satisfatório. Por isso lá vou eu à estante procurar um sucessor.

Enfermeiros ou escravos

Notícia do dia: um enfermeiro que entre a partir de hoje ao serviço num Centro de Saúde do nosso país em regime de prestação de serviços ganhará três euros e noventa e seis cêntimos por hora. Vou repetir: três euros e noventa e seis cêntimos. Um enfermeiro. Uma pessoa que se matou a estudar. Uma pessoa muito importante para os bons cuidados de saúde que todos merecemos. Três euros e noventa e seis. Enfermeiros.

Diz que, aparentemente, o problema é que foi uma empresa de prestação de serviços quem ganhou o concurso para colocar enfermeiros nos Centros de Saúde e que o Governo dá cinco euros e dezanove cêntimos  (ena, tanto...) por hora aos enfermeiros, mas que depois essa empresa é que decide quanto realmente paga aos profissionais de enfermagem. O Estado parece descartar-se da responsabilidade, não mostra importar-se muito com o que, no final, chega às mãos dos enfermeiros. Estes, no final do mês, descontos feitos (sim, porque parece que ainda se podem fazer descontos a pessoas que ganham três euros e noventa e seis cêntimos por hora) recebem à volta de trezentos euros.

Vamos fazer contas rápidas. Uma embalagem de seis pacotes de leite custa mais do que ganha à hora um destes enfermeiros. Para pagar um passe de quarenta euros, um destes profissionais terá de trabalhar mais de dez horas. Para pagar um passe de setenta euros, terá trabalhar quase dezoito horas. Dezoito horas são mais de dois dias de trabalho. De trabalho de gente com cursos superiores, que têm em mãos um trabalho importante e que merece ser reconhecido, de gente que não merece esta humilhação. Três euros e noventa e seis cêntimos. São enfermeiros, não deviam parecer escravos.

Falta de dados

No outro dia folheava uma revista e encontrei uma pérola daquelas que comprovam que há melhores caminhos para obter respostas e soluções. Uma moça escrevia uma carta a uma taróloga em que perguntava se a sua vida melhoraria, já que vivia um verdadeiro inferno com um pai alcoólico que batia na mãe e punha a casa em polvorosa com os maus tratos que distribuía para a direita e para a esquerda (estou a parafrasear, já que não tenho aqui a revista). Aquilo quase parecia um pedido de ajuda desesperado, uma vez que a moça ainda dizia que não sabia como conseguiria um dia vir a confiar num homem, depois de passar anos sob os desatinos de um pai sem limites.

Na altura pensei que a rapariga, a ser verdade o que contava, fazia melhor em contactar as autoridades, em vez de estar a perder tempo com exoterismos à distância. E lida a carta dela, também me pareceu que essa dúvida de um dia poder vir a não confiar num homem era, à altura, o seu menor problema, já que os restantes, os presentes, ainda não estavam solucionados.

Perante isto, o que responde a taróloga? Que a moça, na carta, não lhe mandava dados suficientes, tais como as datas de nascimento dos envolvidos, para lhe poder dar uma resposta. E que com certeza um dia confiará em alguém. Ponto final.

Espero que isto tenha dado uma lição à moça e à revista que publica aquilo.

É oficial: sou arraçada de caracol

Ora bem, na voltinha pelos blogues do costume, topo com este post do Blogtailors. Por piada resolvi fazer o teste, mesmo sabendo que não era na minha língua materna, para ver a minha rapidez de leitura. Já aqui disse que sou lenta a ler. Não devoro livros: saboreio-os. Portanto já estava à espera de ser catalogada como a maior lesma da leitura.

Enfim, fiz o teste. Leio, ao que parece, cento e oitenta e duas palavras por minuto (e note-se que respondi correctamente às questões que me colocaram), o que faz de mim uma leitora vinte e sete porcento mais lenta do que a média nacional norte-americana. Ora bolas, e eu que achava que eles é que eram lentos... Mas adiante. Lá me aparece a reguazinha que me insere algures entre os "3rd grade students" e os "8th grade students", mais para o lado dos primeiros do que destes últimos... Fazendo a conversão, serei tão rápida a ler quanto o serão os miúdos do sétimo ano. Ó diabo... Importa ainda dizer que um "Average adult" lê trezentas palavras por minuto e que a campeã de rapidez lê umas módicas quatro mil e setecentas. Pergunto-me quanta informação retém, efectivamente, esta criatura devoradora de palavras, mas enfim: isso agora não interessa. Seja como for, é oficial: sou um caracol dos livros.

A seguir a esta página comparativa aparece outra, daquelas que nos dão um inegável incentivo à leitura. Surge-me, pois, no ecrã a seguinte mensagem: "If you mantained this reeding speed, you could read War and Peace by Leo Tolstoy in 53 hours and 47 minutes". E como acharam que ainda não me tinham humilhado o suficiente, outra mensagem: "If you mantained this reeding speed, you could read Harry Potter and the Sorcerer's Stone, by J. K. Rowling in 7 hours and 3 minutes." Esta confere, que foi mais ou menos o tempo que levei a ler esse livro nos idos de 2000.

Mas a coisa continuou: "If you mantained this reeding speed, you could read The Lord of the Rings, by J. R. R. Tolkien in 43 hours and 49 minutes" e "If you mantained this reeding speed, you could read Catch-22, by Joseph Heller in 15 hours and 58 minutes", ou ainda, "If you mantained this reeding speed, you could read Nineteen Eighty-Four, by George Orwell in 8 hours and 9 minutes". Por acaso tenho este volume ali à minha espera. Agora já sei quanto tempo passaremos juntos.

Minha gente, eram verdadeiros orçamentos de tempo de leitura, já que também fiquei a saber que levarei vinte e oito horas e trinta e dois minutos a ler The Fountainhead, de Ayn Rand; quinze horas e trinta e um minutos a ler The Grapes of Wrath, de John Steinbeck; treze horas e dezanove minutos a ler The Last of the Mohicans, de James Fenimore Cooper; doze horas e vinte e quatro minutos a devorar o A Tale of Two Cities, do senhor Dickens; dez horas e dois minutos a ler The Adventures of Huckleberry Finn, de Mark Twain; nove horas e cinquenta e três minutos a ler The Wuthering Heights, da fofinha Emily Brontë (deve ter sido mais ou menos o que levei a lê-lo); nove horas e cinco minutos para papar o To Kill a Mockingbird, de Harper Lee (que comprei na Feira do Livro), e por aí fora, já que ainda recebi mais uns cinco orçamentos, inclusivamente para a Bíblia, que me levaria mais de setenta horas a ler. Creio que não haverá perigo de isso acontecer.

Depois ainda recebi um gráfico que me mostrava quantos livros poderia eu ler num leitor de ebooks antes de precisar de o recarregar. Como tenho um Kindle, só essa informação que me interessava. Ora, sendo um caracol de leitura, só terei tempo para mandar abaixo 1,2 livros antes de o bicho precisar de ser ligado ao cabo de alimentação. Aqui tenho de me impor: não é nada! Já li bem mais do que um livro sem precisar de carregar o Kindle, o que não comprova que eu seja rápida, mas sim que o meu leitor de ebooks é criatura de pouco sustento.

Bom, não fiquei a saber nada de novo, que lenta já eu sei que sou. Leio muito, mas sem pressas. Para isso bem me chegaram as leituras de Faculdade, com prazos de entrega de trabalhos e tudo, feitas a correr e com muito mais do que um livro ao mesmo tempo. Mas o teste chega a ter piada. Não vale é fazer batota e ler a correr só para não se ficar encurralado entre os miúdos do "3rd grade" e os do "8th grade" como eu. Divirtam-se.

domingo, 1 de julho de 2012

Farras grandes, gente pequena

Ontem de manhã fazia eu o meu costumeiro zapping matinal quando, no canal TLC, me deparo com um programa intitulado «Outrageous Kid Parties». Ora muito bem, em que consiste tal preciosidade? Em nada mais, nada menos do que mostrar pais enlouquecidos a gastar quantias de dinheiro astronómicas para organizarem festas de anos ou de celebração de qualquer porcaria para os seus extremamente e nojentamente mimados rebentos. A coisa é descabida ao ponto de uma mãe, como vi no episódio de ontem, querer proporcionar uma festa de arromba ao filho de cinco anos pelo simples facto de este ter completado a pré-primária. Afirmava que em cinco anos (os tais cinco anos de vida) ele tinha atingido vários objectivos, tais como aprender a escrever o nome e a contar até cem. Merecia, por isso, uma festa das grandes. E o orçamento para a dita? Havia, mas era de doidos: uns meros trinta mil dólares.

A festa foi uma coisa inacreditável. Só o tamanho do bolo era duas vezes o miúdo anfitrião. Tinha o formato de um dragão e, como o principezinho exigira, deitava fogo pela boca. Mas eis que o pequenito chora desiludido: pedira um bolo com a forma de um dragão que deitasse fogo E FUMO pela boca. E, efectivamente, fumo não deitou. Depois de um tão grande desaire, era acabar logo ali com o evento, se não com a própria vida!

Enfim, é ver para crer. Felizmente a sanidade mental ainda me chega para concluir que hoje em dia tudo serve para fazer um programa de televisão e que vê-lo não nos deve consumir mais do que o tempo de engolir o pequeno-almoço (e mesmo isso é muito...). Além disso, a ser verdade o que ali aparece, é vergonhoso e negativo para as próprias crianças que se dispendam tão altas quantias de dinheiro em festas infantis. Se hoje os pais lhes podem dar aquele luxo e exagero todo, talvez um dia não possam. E depois, como será?  São coisas como estas que têm dado cabo das cabeças de muitos meninos, mesmo por cá. Conheço alguns que já tiveram tudo, mesmo o que era exagerado e que, com esta crise, o perderam. Desampararam-se, andam sem rumo, não sabem entender a nova vida que têm. Por isso, mais do que um mau programa de televisão, aquilo é um exemplo de tudo o que não se deve fazer, se o que se espera é criar meninos com bons valores e noção da realidade.

Pechinchas


Primeiro Domingo do mês, voltinha pelos alfarrabistas e um monte de pechinchas que se mudaram cá para casa. À excepção dos dois do Érico Veríssimo, que custaram dois euros e meio cada um, todos os outros foram comprados por um euro. Foi ou não foi uma tarde de boas compras?...