segunda-feira, 4 de junho de 2012

Os livros

Os Livros

Acontece chamar-lhes irmãos,
tê-los ao colo,
afagá-los com as mãos,
abri-los de par em par,
ver o Pinóquio a rir
e o D. Quixote a sonhar.
E a Alice do outro lado
do espelho a inventar
um mundo de assombros
que dá gosto visitar.
Apetece chamar-lhes irmãos
e deixar brilhar os olhos
nas páginas das suas mãos.

José Jorge Letria, Pela Casa Fora, 1997.

domingo, 3 de junho de 2012

Alfarrabistinhas

Uma voltinha pela feira et voilá....


O Fio da Navalha, de Somerset Maugham, Eurídice, de José Lins do Rego e Música ao Longe, de Érico Veríssimo, usadinhos, vieram morar cá para casa.

Partos difíceis

Adoro o Memorial do Convento. Tentei lê-lo mais ou menos aos doze anos, numa edição que a minha irmã tinha cá em casa. Cheguei ali ao quarto capítulo e acabei por desistir porque, realmente, não tinha ainda idade para alcançar tudo o que para ali ia e era, convenhamos, muita coisa. No Memorial há tantos pormenores a que dar atenção e exige-se um conhecimento do mundo e das coisas que aos doze anos não se tem. Voltei a tentar já na faculdade, por volta dos dezanove, e li-o de um fôlego. O Memorial do Convento foi uma descoberta encantadora e o início da minha paixão pela obra do José Saramago.

No ano passado tive de ensinar o Memorial pela primeira vez e digo: a tarefa é hercúlea. Os alunos embirram com aquilo, não têm os conhecimentos históricos mínimos para perceber o que por ali se passa e estão, em boa parte, habituados a papa mastigada, coisa que com aquele livro não sucede. Isso aliado à minha inexperiência fez com que no ano passado as coisas não tivessem corrido da melhor maneira. Ainda assim, a maioria dos alunos leu efectivamente o livro  e compreendeu-o nos seus aspectos mais importantes. Os que se recusaram a participar numa actividade chata (palavras deles) como era a leitura do Memorial tiveram o final de ano merecido.

Já no ano passado um colega meu de Matemática, ouvindo os meus queixumes sobre a resistência e os preconceitos de alguns miúdos relativamente ao Memorial do Convento, perguntou-me por que raio não arranjava eu aquilo em audiobook para lhes facilitar a vida. Assim conheceriam a obra e não teriam de fazer o esforço que tanto os apoquentava e que era, no fundo, ler. Virei gato assanhado. Como? Perdão? Audiobook? Então o único homem que ganhou um Nobel para a língua portuguesa escreve um monumento daqueles, aplaudido nos cinco cantos da nossa bolinha azul, e eu vou minorizar-lhes as supostas dores com um audiobook?! Mas é que nem morta!

Este ano os meninos são ainda mais preguiçosos: nas aulas percebem tudo, mas em casa não lêem o que têm a ler e limitam-se a ficar à espera de que eu, depois, explique tudo tão bem explicadinho que a coisa se faça sem o esforço da leitura integral. Asneira. No teste pus-lhes questões de verificação de leitura (coisa que eles sabiam que eu ia fazer) e foi bonito observar a quantidade de gente que despachou o livro numa semana apenas por medo do teste. Também foi engraçado perceber que muitos apenas sugaram livros de resumos que, invariavelmente, deixam de fora os pormenores. Ora foi precisamente sobre os pormenores que incidiram as questões. Alguns até suavam.

Novamente conversando com o mesmo professor de Matemática recebo como conselho a ideia de pôr os miúdos a ouvir aquilo em audiobook porque assim conhecem a obra enquanto, quem sabe, estudam Matemática. Dizia-me ele que já no ano anterior se tinha perguntado por que razão não fazia eu isso, sabendo que eles no final do ano têm tanto que estudar para outras disciplinas. No fundo, eu estava a dificultar-lhes a vida ao obrigá-los, mesmo no final do ano, a lerem um texto enorme e denso quando as suas atenções devem estar voltadas para aquilo que os vai levar ao ensino superior: os exames. Abespinhei-me novamente. Como? Então e o exame de Português não conta? Então e o Memorial do Convento não é conteúdo passível de sair em exame? Então e esta gente não tem já idade para aguentar isto e muito mais? Os que leram chegaram lá, correcto? Então aos outros também não cai bracinho nenhum por lerem uma das melhores obras que a língua portuguesa já deu à luz! Respondi-lhe que não fazia papa a ninguém e que se o Saramago tinha ESCRITO o texto e não DITADO o seu conteúdo para um gravador, então eles teriam de LER primeiramente e, só depois, se lhes apetecesse, ouvi-lo. Até porque, aqui entre nós, dada a densidade do texto do Memorial, aquilo em audiobook deve ser mil vezes mais difícil de compreender do que no canónico papel.

Bom, mas este texto chama-se «parto difícil» por uma razão de que ainda não falei. Sim, tudo isto foi o preâmbulo. O Memorial tem, nas últimas semanas, proporcionado partos difíceis na medida em que a preparação de uma aula sobre tal obra leva o triplo do tempo que me demora a preparar uma sobre, por exemplo, Os Lusíadas. São tantos os pormenores, são tantos os excertos, são tantos os símbolos que é preciso não deixar escapar nada. São, por isso, horas a folhear o livro e a escolher os parágrafos onde vamos iniciar e terminar a leitura. São horas e imaginar que perguntas se podem fazer sobre tal aspecto. São tempos infinitos até montar um puzzle que no fim se pareça com uma aula que faça sentido naquelas cabeças. Faltam-me duas aulas para terminar o Memorial e estou esgotada. Amo a obra, mas fico extenuada por tentar passar esse amor a algumas gentes surdas (muito semelhantes àquelas para quem o Camões dizia estar farto de cantar). O acolhimento dos miúdos, passado o susto inicial, até tem sido bom, embora eu saiba que muitos ainda não leram o livro. Já lhes disse que nisso sou como Pilatos: lavo as minhas mãos. Já ando a mandar ler desde o Natal: se a quinze dias do Exame Nacional ainda não leram uma das obras que pode ser alvo que questionário, problema o deles, que o meu exame foi feito em 2003 e já não volto a fazer outro.

Já ouvi vozes contra a presença do Memorial do Convento no Programa de Português do 12.º ano. Evocam razões como o grau de dificuldade, a pouca ligação aos restantes textos lidos no resto do ano (este argumento só pode vir de gente muito ignorante porque se há coisa que o Memorial tem é intertextualidade com fartura, não só com Os Lusíadas, mas também com a Mensagem, e a própria temática da opressão é, em alguns pontos, comum à do Felizmente Há Luar!), entre outras preciosidades. Eu acho que o Memorial do Convento está muito bem onde está e nós, professores e alunos, é que temos de saber lidar com ele. É um trabalho hercúleo, é verdade, mas no final de contas bem gostoso e perfeito para concluir um ano muito cansativo.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Chegaram!


Chegaram estes! Yeeeeeeey! E agora arrumo-os onde? Não tenho mais espaço. Ai ai ai...

Lições

Hoje comemora-se o Dia Mundial da Criança e por isso passei a tarde numa festa para os mais pequenos. Havia várias actividades e paparocas boas (só provei um pedacinho de pizza e era boa). Mas aquilo que me faz vir aqui «quixotar-me» não é a festa, nem as guloseimas. Venho, sim, contar-vos a atitude de uma aluna minha que em determinada altura se sentou ao meu lado. Sobre uma mesa havia uns novelos de tecido de diferentes cores e as professoras com talento para isso (não eu) estavam a fazer pequenos objectos descorativos com aqueles materiais. Ora, aquela aluna senta-se comigo e ensina-me um tipo de entrançado que eu não conhecia e que me deixou fascinada a aprender com ela. Ela lá me ia explicando, enquanto com muita destreza mexia as várias partes do tecido. Propus-lhe que fizesse daquilo uma pulseira, acrescentando-lhe uma missanga. Ajudei-a a fazê-la passar pelo tecido e disse-lhe que agora se fechasse bem com um nó, ficaria com uma bela pulseira. Pus o tecido entrançado em volta do pulso dela, mas ela não quis.

- Ponha no seu.

Pus e ela terminou o trabalho. Quando a ia tirar para lha dar, dando-lhe os parabéns pelo belo trabalho, ela diz-me:

- É para si: fique com ela.

Aceitei. Não porque me veja a usá-la muitas vezes, não porque seja um acessório de fazer inveja, mas porque foi um presente feito com carinho para mim, por uma aluna que me tem mimado muito. Fizemos a  pulseira em conjunto: eu dando uma ideia, ela dando outra, mas aquele trabalho é dela e ela, uma miúda de doze ou treze anos, deu-ma a mim sem hesitação alguma. Vim para casa trazendo-a no pulso e acho que ainda a voltarei a usar. No Dia Mundial da Criança a criança é que me deu um presente a mim.


Vanessa

Cada vez mais assino por baixo a frase da Alice Vieira que diz que os autocarros são fontes de histórias. E é cada uma melhor do que a outra.

Ora, hoje ia um rapagão ao telemóvel e, muito sinceramente, a conversa dele não era mais do que ruído de fundo, de tão entretidazinha que ia a ler o meu livro. Contudo, talvez pelo tom de voz ligeiramente alterado, acabei por prestar atenção às suas últimas frases. Foram mais ou menos assim:

- Então fica assim. Mas olha: se tu não estiveres no Campo Grande às cinco horas, podes mêmo [leia-se «mesmo»], mêmo, mêmo, mêmo, mêmo ter a a certeza de que acabou tudo, Vanessa. 'Tô-te a avisar, Vanessa. Vê lá...

Fiquei preocupada com a pobre Vanessa, coitadinha. No fundo, a sua vida amorosa dependia, naquele momento, de uma série de factores externos tais como: os horários dos transportes de Lisboa, o trânsito das artérias que levam a uma zona tão central quanto o Campo Grande, enfim, avistava-se um problema. Ainda perdi três ou quatro minutos de vida a pensar na desgraçada da Vanessa, lutadora por um amor tão pontual e picuinhas com as horas que faz da exatidão horária o ponteiro que decide, para o bem e para o mal, o final de uma relação. Mas depois voltei ao meu livro e deixei-me disso ao recordar um provérbio latino que aprendi no meu primeiro semestre de Latim e que dizia «Asinus asinum fricat», que é o mesmo que «Burro esfrega burro». Ou seja: se o tipo, já bem longe da adolescência, é manifestamete parvo (a julgar pela conversa), a tipa também não o é menos ao não o mandar logo para aquela parte: estão, pois, bem um para o outro.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

As compras à cabeceira


Vou começar agora a ler isto. Gosto muito de ler sobre o consumo e o modo como nos transformamos em marionetas dentro de algumas lojas. Gosto bastante de ler sobre o lugar dos bens e do luxo na nossa vida, por isso depois deste livro sou capaz de saltar para um Lipovetskyzinho, logo se vê. Entretanto espero que estas páginas me ensinem a fugir à tentação das compras que, honestamente, até já foi piorzita. Agora só compro mesmo livros, pois esse é, parece-me, problema manifestamente incurável.

Boa noite e durmam bem, caros quixoteiros.

Letras sem jeito

Chega a ser fascinante a quantidade de livros sem conteúdo que hoje em dia se publicam. Pergunto-me quantos bons autores ficarão por publicar porque as editoras preferem dar voz a pessoas que até sabem juntar as letras, mas que têm tanto para dizer quanto eu tenho de vontade de levar uma sova. Enfim, a verdade é que agora tudo dá um livro e que isso só acontece porque existe gente tão pouco exigente que aceita como livros alguns volumes que nada dizem, que nada interessam. A exigência, a vontade de encontrar mais e melhor são os únicos caminhos para uma edição literária de qualidade e que não se limite a publicar porcariazitas sem interesse só porque, se calhar, até há alguns pouco iluminados que compram.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Arco-íris

O dia foi mau. Santo Deus, que mau que foi! Mas a determinada altura, à tarde, uma aluna diz-me que eu sou a professora de quem ela gosta mais e que se lhe der aulas até ao nono ano, então serei a professora de quem ela mais gostou durante mais tempo. São ideias de menina, é certo, mas caíram-me muito bem num dia tão mau.

terça-feira, 29 de maio de 2012

À espera do carteiro

Estou à espera que o carteiro me traga a encomenda que fiz à Wook e que é composta por dois livrinhos que quero e quero e quero e quero até meter nojo. Portanto, nos próximos dias espero poder arrumar estes dois na prateleira (quanto mais não seja numa imaginária porque em casa já não abundam muitas disponíveis...):



Leiturinhas

Ando a ler estes dois:



Isto de ler García Márquez no original tem muito que se lhe diga. Há algumas palavras que me escapam, é certo, contudo a edição é boa e com muitas notinhas que ajudam. Cada vez me convenço mais de que há verdadeiros tesouros entre os escritores de países da América latina. Aquela componente de magia que adicionam aos seus textos e as notinhas de humor, às vezes subtis, mas frequentemente bem óbvias, são muito bem-vindas. Vê-se que é gente bem disposta que conta grandes histórias de um modo magistral. Este livro vai sendo maravilhoso.

Já o Manhã Submersa é a minha leitura de autocarro e de pré-soninho. É a história de um miúdo que estuda num seminário, mas que tem tanta vocação para padre como eu. Alguém endinheirado quer, ou melhor, exige que ele estude para ser um ministro do Senhor e nem pensar em não realizar tal vontade. Portanto vemos o que vai sucedendo dentro daquela instituição, como os miúdos se descobrem, como a sociedade vê os seminaristas, entre outros aspectos. Vergílio Ferreira não era um autor de boa memória para mim: a Aparição, que li no 12.º ano, não me deixou lá muito satisfeita. Contudo, os anos passam e já fazia falta voltar ao senhor para confirmar ou não a minha repulsa pela sua escrita. Ainda chegará o dia em que volte a tentar Camilo Castelo Branco que é outro de péssima memória para mim: aquele Amor de Perdição ainda hoje me faz uns nervos...

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Pondo os pontos nos "is"

Hoje, véspera de teste, um aluno meu estava inspiradíssimo após ouvir uma conversa de dois colegas sobre os círculos e os corações que algumas pessoas fazem como pintas dos "is". Ora, a determinada altura resolve informar-me de que a partir de hoje vai passar a fazer «carrinhos» como pontos para tais vogais. Mas depois corrige: «não, não: vou passar a pôr cogumelos em cima dos "is"!». Neste momento já eu ria a bom rir. Podia lá imaginar que aquele miúdo, normalmente tão pacato, ia continuar e propor uma nova moda:

- Já sei, professora: a partir de agora em cima dos "is" vou escrever Os Lusíadas!

Bem, morri. Ri, ri, ri, ri, ri ao imaginar aquela alminha pequena a parir «As almas e os barões assinalados / que da ocidental praia lusitana / por mares nunca dantes navegados / passaram ainda além da Taprobana» e mais os restantes milhares de versos em cima de um singelo "i". Lá sabia ele o que estava a dizer. Eu bem lhe tentei explicar que precisaria de um caderno inteiro só para pôr o ponto na vogal, mas ele disso não quis saber. Enfim, chegou ao fim da aula dizendo que a partir de agora:

a) Concluiria todas as suas frases com o seu primeiro nome;

b) Terminaria todas as frases com o seu último nome;

c) Colocaria a sua opinião sobre as respostas que dá nos testes sobre os "is".

O que eu me ri! Ainda por cima fez alguns dos desenhos em cima dos "is" para me mostrar as suas invenções. Teve mesmo muita graça, contudo amanhã, pelo sim pelo não, antes do teste é melhor lembrá-lo de que umas singelas pintas são mais do que suficientes em cima de uns pobres "is".

Mas já?

Já Segunda-feira? Já??? Mas eu fiz mal a alguém para merecer fins-de-semana tão curtos? Oh valha-me São Pónei que ninguém merece isto!...

domingo, 27 de maio de 2012

À "Manosga"

Fui contigo ao Museu Nacional de Arte Antiga quando era uma amostra de gente. Fui contigo à Cinemateca ver As Viagens de Gulliver quando ainda era uma pequena «loira bombástica». Fui contigo comer panquecas e hoje volto lá porque me ensinaste o caminho. Fui contigo ouvir o coro da Gulbenkian, onde adormeci. Fui contigo à feira do livro no Mercado da Ribeira e saí de lá com os meus Estrumpfes debaixo do braço. Fui contigo à Feira do Livro de Lisboa e corri contigo as barraquinhas que hoje adoro tanto. Fui contigo à redacção do Diário Digital e à do Diário de Notícias. Fui contigo provar sushi e foi a tragédia que bem sabemos. Fui contigo à Porfírios e trouxe de lá um blusão azul que amei até me fartar. Fui contigo ao cinema tantas vezes e quantos filmes maus viste por minha causa? Fui contigo à final do «Jogo do Ganso», na Praça da Figueira, com uma peça de roupa azul, como mandavam as regras. Fui contigo à Expo 98 e estava contigo quando ela encerrou com aquele fogo de artifício sobre o rio. Fui contigo aos Pastéis de Belém e ao Museu de Arqueologia. Fui contigo comemorar a vitória de Portugal contra a Holanda no Euro 2004. Fui contigo à praia e engelhei-te a pele de tanto tempo que te obriguei a estar dentro de água. Fui contigo comer caracóis. Fui contigo ao funeral de uma das tuas maiores amigas. Fui contigo a tantos lugares.

Há seis anos e meio escreveste um «Post alegre» que dizia «Há 20 anos que me rio por ti, às vezes de ti, sempre contigo. És o sorriso, sei-o de ciência certa, que manterei SEMPRE.». Para ti, neste teu aniversário, um aniversário tão docinho, vai a minha resposta: fui a tantos lugares pela tua mão, aprendi tanto contigo, tenho tanto orgulho em ti e sou tão feliz por te ter como irmã que sei que também tu és e serás SEMPRE uma boa parte do meu sorriso.

Muitos, muitos, muitos parabéns, "Manosga"...

Ajudas

Hoje fui de propósito ao supermercado para contribuir com produtos para a campanha do Banco Alimentar. Não me custou nada e sei que se não fosse ia ficar triste comigo própria. Dei um saco com alimentos que não sei para quem irão, mas que espero serem suficientes para aligeirarem um pouco as dificuldades de alguém. Sei que há quem não dê, quem ponha quinhentos entraves e dê outras tantas desculpas para não contribuir. Porque não chega a quem precisa, porque alguém ganha muito com isto, porque as coisas acabam por estragar-se nos armazéns, porque... Felizmente os resultados vão mostrando que, neste tempo tão difícil, as pessoas contribuem mais, são mais solidárias, mais pessoas, e que, portanto, são menos estes «Velhos do Restelo» para quem tudo está mal feito e é um esquema para qualquer coisa que nem se sabe muito bem o que seja.

Se há instituição que me sensibiliza é o Banco Alimentar, precisamente porque o seu trabalho chega a tantas outras instituições e porque é dos seus armários que têm saído, para muita gente, as refeições para quem deixou de poder assegurar a sua própria alimentação. Há muitos anos que faço questão de ir aos supermercados nos dias da recolha porque sei que o que vou dar, ainda que não seja muito, faz falta. Não sei se algum dia virei a precisar, mas se vier, creio que gostaria de receber esta ajuda. Uma senhora dizia numa reportagem que passou num noticiário que «é melhor ajudar do que ser ajudado» e se há coisa que não conseguimos é prever o que nos acontecerá amanhã. Assim, parece-me que não custa nada contribuir, tendo sempre em consideração que alguém passará um pouco melhor com um pequeno gesto nosso e que nunca sabemos se um dia não precisaremos nós.

Notinha: A quem não contribuiu, podem fazê-lo até ao dia 3 de Junho através do sítio do Banco Alimentar.